domingo, 13 de maio de 2012

FILME NOME PRÓPRIO( 2007)





Camila é intensa, um trator que passa por cima de tudo e todos. Machuca e é machucada. Mantem um blog, onde se expressa através da palavra. Como ela disse, para uma “leitora”, que seu blog não é um diário, mas um espaço que ela escreve e que não gosta, não lê e vai embora. É uma jovem empenhada em se tornar escritora. Sua vida é sua narrativa. 

Camila escolheu a escrita como forma de expressão. Sente-se vazia quando não escreve. Aliás, escrever a salva do vazio e a faz se reconhecer como alguém, é um ato de revelação sobre si mesma. Vive perto do coração selvagem da vida e cada palavra que surge na tela branca do computador é um grito, gozo, raiva, amor e obsessão. Realmente, como personagem é fascinante, porém, não queria me envolver com uma pessoa como Camila. É visceral demais. Seus amigos tentam ajuda-la, mas precisam sair fora para não ser consumidos pelo caos-Camila. Ela não tem consciência que machuca, nunca pensa. Só vive e escreve seu livro errante. 

O filme tem uma bela fotografia. Leandra Leal está muito bem( falar isso é chover no molhado.). Gostei que as cenas fossem mescladas com pequenos textos e barulhos de teclado. Acho que deu certa poesia para o filme, fazendo uma homenagem à literatura, provando que mesmo num mundo instantâneo de imagens efêmeras, a literatura ainda é eterna. 

Não pude deixar de pensar na questão da interatividade. Camila escrevia seus textos e publicava no blog em tempo real praticamente. Não há intermediários. Sua caixa de e-mail vivia cheia.  Fiquei imaginando Camila agora, na era do twitter e vlogs... Talvez, ela até iria curtir o twitter, mas o vlog não. Camila respira palavras, não imagens. Talvez fizesse vídeos experimentais...

Outro fato interessante é o filme foi lançado em 2007 neste curtíssimo período os objetos eletrônicos que apareceram nas cenas pareciam tão antigos. Parece que cada vez mais as coisas estão ficando obsoletas em intervalos cada vez mais breves.

Uma nota importante é que uma das roteiristas do filme Clarah Averbuck é uma escritora gaúcha, proveniente da geração de escritores que utilizavam a internet como canal de comunicação, através de blogs e fanzines, como o "CardosOnline", do qual foi colunista até 2001. Escreveu três livros: "Máquina de pinball", "Das coisas esquecidas atrás da estante" e "Vida de gato".

Enfim, quem gosta de literatura e cinema é uma boa pedida o filme. Também, faz pensar na interatividade que a internet proporciona e como que mesmo assim a solidão continua a atormentar as pessoas. A falta de comunicação continua, apesar da diversidade atua dos meios de comunicação.  Camila é muito solitária e isto a consome

• Direção: Murilo Salles
• Roteiro: Melanie Dimantas, Elena Soarez, Murilo Salles, Clarah Averbuck (romances)
• Gênero: Drama
• Origem: Brasil
• Duração: 130 minutos
• Tipo: Longa-metragem