quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

reflexão

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Compartilhei porque por indignação, até quando as autoridades irão contratar e formar policiais e guardas municipais despreparados, que ao invés de proteger, agridem os cidadãos. Bater em mulher é uma covardia terrível e um homem que faz isso, com certeza, tem problemas sérios! Pois, a herança da ditadura ainda está entranhada nos agentes de segurança. Principalmente, por proteger o estado e não os cidadãos.

Lembrei-me que  fiz um vídeo que discutia sobre a trocrulência das autoridades. Postarei de novo. 




Versão texto: http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/2014/02/a-policia.html

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Liberdade



Por esses dias de carnaval assisti Amistad(1997) e ontem, 12 Anos de Escravidão(2014). São histórias tristes e cruéis, mas, mostram a luta pela liberdade. Realmente, são filmes que precisam ser vistos e revistos para que a gente não se esqueça de como é cruel a escravidão, principalmente, a moderna que visa o lucro, transformando os escravos em meras mercadorias. 

 Em Amistad um grupo de negros conseguiu se soltar e dominou o barco que o traficavam. Confiaram em dois tripulantes sobreviventes, que os enganam e fazem com que, após dois meses, sejam capturados por um navio americano, quando desordenadamente navegaram até a costa de Connecticut. Os africanos são julgados por assassinato. Entretanto, o caso toma outro rumo, quando o presidente americano Martin Van Buren( que almeja ser reeleito) tenta a condenação dos escravos, pois iria agradar aos estados do sul e, inclusive, os laços com a Espanha ficaria mais fortes já que a jovem Rainha Isabel II afirma que os escravos e o navio são seus e devem ser devolvidos. Os abolicionistas vencem, e o governo recorre e o julgamento chega a Suprema Corte Americana. 

Detalhe, onde os africanos foram capturados era domínio dos ingleses, que proibiram o tráfico de escravos em suas áreas de domínio. Bem... Todo mundo sabe que os ingleses proibiram o trafico negreiro não porque são “bonzinhos” e sim estavam interessados na Revolução Industrial, que de certa maneira produziu outros escravos... Mas, esta é outra história. Já em 12 anos de escravidão narra a história de Solomon Northup, um negro livre e violinista, que mora feliz com a família no norte dos EUA . Quando aceita um trabalho que o leva a outra cidade, é sequestrado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas, emocionais e psíquicas para sobreviver. 

A história é baseada em fatos reais, Solomon e outros negros livres foram traficados ilegalmente. Os pontos em comuns das duas histórias que acho importante frisar: Os personagens foram feitos de escravos ilegalmente e o status quo da época tentavam legitimar tanto a compra de escravos legalmente como ilegalmente também. Usavam as leis como instrumento para continuarem a escravizar e a torturar pessoas inocentes.

 Enfim, apesar de todas essas histórias e ao pensar que ainda há gente escravizada em pleno século XXI, sinto certo nojo do ser humano. Porém, não há só o lado ruim, pois, existem pessoas que lutam para um mundo melhor e têm esperança. Esses dois filmes inspirados em fatos reais podem nos ajudar a construir uma sociedade melhor.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Relacionamento Humano

Azul é a Cor Mais Quente      Adeus, Primeiro Amor



Por esses dias assisti ao filme francês Azul é a Cor Mais Quente e fiz uma relação com outro filme da mesma nacionalidade Adeus, Primeiro Amor. Pois, os dois mostram como é complicada a passagem de adolescente à vida adulta, inclusive as experiências amorosas e sexuais. Inclusive, mostram como amadurecer pode ser dolorido.

Em Azul é a Cor Mais Quente, Adèle é uma jovem de 15 anos que descobre sua primeira paixão por outra mulher, quando viu Emma com seus cabelos pintados de azul. Sem revelar nada a ninguém seus desejos, entrega-se por completo a este amor oculto. Adèle ama Emma intensamente, mas não gosta de ser rotulada como lésbica, diferente de Emma que é uma pintora e assumida. Bem, não contarei a história toda do filme, elas se separam e Adèle não consegue esquecer Emma.

Adeus, Primeiro Amor, Camille e Sullivan vivem o amor pela primeira vez. Ela tem 15 anos e ele é um pouco mais velho. Quando Sullivan decide deixar o país, Camille sofre com a distância do amado e nem o tempo a fez esquecê-lo. 

Por isso que achei Adèle e Camille parecidas. São jovens que sofrem um processo doloroso de amadurecimento quando se veem sem seus respectivos amores. Precisam seguir em frente, já que no mundo dos adultos não se pode parar, precisa-se trabalhar para sobreviver. Também, a questão do primeiro amor e como a fronteira entre ele e a obsessão  não é muito definida. Elas querem resgatar algo que ficou no passado, mas, o tempo não para e as pessoas mudam. 


Outro fato que me ocorreu é que ambos os filmes reafirmaram uma ideia que ouvi outro dia. Na verdade, esse ditado de que os opostos se atraem, não é bem assim na vida real. Nos primeiros dias de paixão pode até acontecer, todavia, quando a paixão se apaga,  precisa-se das afinidades para o  relacionamento dar certo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Na Praia de Ian McEwan




À primeira vez que ouvi falar deste livro foi em um programa da Saia Justa, apresentado pela Monica Waldvogel, se não me falha  a memória... Bem, ela falou um pouco sobre o livro e me interessei. Anos depois, consegui baixa-lo para ler.

O romance começa, quando Edward Mayhew e Florence Ponting, respectivamente virgens e educados, hospedam-se em um hotel na praia, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, cuja mãe é deficiente mental, e o pai é professor secundário. Ela é uma violinista promissora, líder de seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. Além de suas histórias de vidas interiores, viviam num contexto histórico que os influenciam de alguma forma suas respectivas personalidades.   Casaram-se no início dos anos sessenta do século vinte, antes da revolução sexual e a quebra de tabus no final dessa década. Ainda apanharam a influência do conservadorismo e puritanismo britânico, que visavam o respeito e recato nas relações sociais, não se preocupando com a essência dos indivíduos.  Em várias partes do livro, as descrições dos moveis e aposentos são definidos por serem pesados e antigos. O desajeitado encontro íntimo deles, ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana, é abarrotado de experiências cômicos e comoventes, que mudarão o  destino  de ambos.

Logo, o que era para ser um paraíso, a lua de mel, torna-se um verdadeiro desastre. Edward desejava consumar o amor que sentia por  Florence e ela apesar de amá-lo sentia repulsa quando ele a tocava. Na verdade, o casal vivera numa incomunicabilidade, uma vez que idealizaram a relação que possuíam. Representaram um para o outro para satisfazer à sociedade da época. E quando descobriram isso, ficaram à deriva e pequenos mal-entendidos e ofensas bobas ser transformaram em tsunamis em copo d´água, os quais que só o tempo mostrará que foi tudo bobagem.

Realmente, o enredo do livro é envolvente e o que me chamou a atenção, também, foi que o romance é de poucas páginas e mesmo assim mostra uma história coesa e que nos leva a pensar sobre o sexo não como um simples ato sexual, mas um fato social repleto de símbolos construídos a partir dos valores de uma época. Outro fator que deixou a leitura do livro bem interessante é uso do Flashback, com o intuito de narrar a história dos protagonistas e o narrador em terceira pessoa alternava a perspectiva de Edward e Florence.

Na Praia reafirmou ainda mais a ideia que tenho sobre como devemos procurar nossa individualidade e não ficar na superfície de desempenhar papéis sociais, pois assim, tornar-se-á alguém perdido que se assemelha a uma barata tonta. Enfim, a verdadeira revolução vem do autoconhecimento.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

À SEGUNDA VISTA




O poeta Zizo confecciona um pequeno tabloide anarquista.  Ele vive no subúrbio da cidade de Recife, e criticando as classes sociais mais altas, seu cotidiano é cercado de sexo, drogas e muita poesia que inspira a vida de seus amigos e vizinhos.  Zizo queria conscientizar os “miseráveis” de suas condições e pregava a anarquia, já que era contra as instituições de poder.
Na primeira vez, quando quis assistir FEBRE DO RATO, não consegui. As cenas de sexo e os diálogos me enojavam, apesar da bela fotografia em preto e branco e a excelente interpretação dos atores. Alguns participaram de “novelas globais” e nem se importaram com exposição do corpo no filme. Desisti, pois, não aguentei de ver o grotesco das promíscuas relações sexuais, os personagens pareciam bichos. Então, deixei passar o tempo e assistir ao filme de novo.

Tempos depois, ao revê-lo novamente, compreendi que as cenas cruas e nauseantes de  FEBRE DO RATO não eram gratuitas, havia uma proposta de mostrar como os personagens eram contra o status quo da sociedade, que é conservadora e elitista. Não sei se estou correto, FEBRE DO RATO não usa classicamente a dialética entre ricos, pobres e como estes devem reagir.  Foi além, abordando a questão de gênero e a liberdade de amar-transar sem limites.

Assim sendo, viviam à margem da sociedade e a única lei que seguiam era do desejo. Mas, apesar de entender o contexto do filme, não consegui gostar dele. Reconheço que é um filme de qualidade artística e bem feito, só que não me afeiçoei a ele. Diferente de outros filmes que nos marcam na alma.
Também, esse lance de promiscuidade não me agrada muito. Liberdade sexual não é isso. Há tantas doenças sexualmente transmissíveis, será que vale a pena segundos de gozo e, em seguida uma vida de sofrimento? Eu acho que não.

***
Curiosidade... Pesquisando sobre o filme, descobri que o diretor Cláudio Assis fez Baixio das Bestas( 2007), outro filme que é um soco na boca do estômago. Foi a sensação que tive, quando o vi.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Por que gostei de assistir Divergente?



Tudo bem que é um filme de ação voltado para o público jovem, mas, acho interessante pegá-lo para fazer como uma ponte para os fatos históricos.

A história é sobre uma menina que vive em um futuro distante e precisa encontrar seu espaço no mundo. Pois, no contexto histórico do filme, depois de uma “guerra” que devastou cidades, o mundo foi dividido em cinco facções: Audácia, benevolência, amizade, franqueza e erudição. E todos os jovens são obrigados a escolher em qual grupo ficar, já que os “sem-facção” são considerados marginalizados. Ao fazer o teste, a moça descobre ser divergente e que não tem um grupo específico.

Neste ponto, comecei a pensar como na vida a gente precisa encontrar um lugar no mundo e o filme é de certa forma uma metáfora da realidade, que cobra um posicionamento das pessoas e quem fica à margem, é deixado de lado.  Uma questão bacana para se discutir. Inclusive, não se pode esquecer, que a ficção científica sempre contribuiu para uma análise crítica sobre o comportamento humano e das sociedades autoritárias. Exemplo(  dos livros que li): 1984 - George Orwell, Fahrenheit 451.

Outro fato... Com o desenrolar da história a facção da Erudição e da Audácia se unem para dominar a parada toda. No grupo da audácia, seus integrantes são guerreiros e na Erudição, o pessoal  produz conhecimento e tecnologia. Aí, que veio a reflexão que sempre faço sobre a questão da força bruta, visto que na raça humana não é o mais forte fisicamente que domina, ele precisa ter habilidades de liderança e articular alianças para se manter no poder.

A força bruta é eficaz até certo ponto, domina só o corpo do outro num espaço pequeno de tempo. Quando o cara forte vai dormir, por exemplo, será que está no  domínio ainda? Logo, desde os primórdios, nossos antepassados perceberam a necessidade de se construir um domínio que não só domine o corpo mais a mente. Surgiu a ideologia, a qual foi lapidada pelos que tinham o dom de liderança.
No filme, a erudição formou toda uma estrutura de ideologia e tecnologia, porém, precisava da audácia como arma para aplicar seus interesses. Então, ocorreu um fenômeno social que sempre acontece na vida real. A força bruta da Audácia é legitimada pela ideologia construída pela Erudição.

Portanto, por isso que acho bacana fazer correlações com a História da humanidade com o intuito de observar como devemos ter cuidado  com certos pensamentos que aparecem por aí e que fazem até uma lavagem cerebral na cabeça da gente.  Esta força é muito mais cruel que a bruta, pois a segunda é restrita, contudo, a primeira, não.   

Enfim, só foram alguns tópicos que quis comentar. Aceito críticas construtivas.
***
Tem um texto Bertold Brecht que faz pensar sobre a dominação ideológica e de como ela é poderosa.

"Se os tubarões fossem homens?", perguntou ao sr K. a filha da sua senhoria, "eles seriam mais amáveis com os peixinhos?". "Certamente", disse ele.

"Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e tomariam toda espécie de medidas sanitárias. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não lhes morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar em direção às goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo, quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta, marxista, e avisar imediatamente os tubarões se um dentre eles mostrasse tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, eles iriam proclamar, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender. Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo em direção às goelas dos tubarões, e a música seria tão bela, que a seus acordes todos os peixinhos, com a orquestra na frente, sonhando, embalados nos pensamentos mais doces, se precipitariam nas gargantas dos tubarões.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões.

Além disso, se os tubarões fossem homens também acabaria a idéia de que os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior freqüência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas etc. Em suma, haveria uma civilização no mar se os tubarões fossem homens".


Bertolt Brecht

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Hawaii

Havaí : Poster


Por esses dias, minha amiga A. me indicou este filme e até algumas críticas sobre ele. Por coincidência, encontrei-o no youtube. ( Detalhe, fui ver se conseguia o link, mas, o youtube apagou.)

Mesmo não dublado e com a legenda em inglês, pude perceber como o filme tem uma delicadeza fantástica, saindo um pouco do lugar comum de hoje em dia. A interpretação minimalista dos dois atores revela a tensão sexual, o amor que os personagens sentem e o regaste das lembranças da infância dos dois.

Não sei se isso é relevante, mas achei interessante a aparência comum dos dois atores, não são malhados. Acho que este fato torna o filme mais natural, inclusive, nas cenas eróticas. Como se mostrasse uma sensualidade mais pura e menos "fabricada". Lembrei-me um pouco do filme brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, porque ambos são sutis e pueris na forma como abordam o amor.

Enfim, gostei muito da indicação da minha amiga A., aprecio boas histórias e que fogem dos lugares comuns como a erotização em demasia e a estetização da violência.

Fugindo um pouco do assunto, na verdade, considero que usar a arte de forma panfletária enfraquece a obra como um todo. Tudo bem que a arte pode trabalhar com a política ou a questão de gêneros, mas quando fica "panfletário" e maniqueísta torna-se chata e desinteressante, para mim. Gosto de narrativas que se aproximam da realidade, inclusive, mostrando como somos universos dentro de um universo maior.