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Mostrando postagens de Maio, 2012

DO CÉU AO INFERNO

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Há pessoas envolventes que possuem uma capacidade de seduzir. Não me refiro ao aspecto sensual e sexual somente, mas sim em todos os níveis de relacionamentos humanos. Admiro indivíduos assim (eu não tenho um pingo de sedução), mas ao mesmo tempo sinto medo de cair num labirinto de dissimulações. Não gosto de me sentir manipulado. 
Porém, como tudo na vida têm os dois lados. Há os sedutores bons e os maus. O primeiro usa seu charme até as fronteiras éticas, enquanto o outro não tem limites. 
Outro fato é que a pessoa envolvente, não necessariamente precisa ser bela ou sensual. O bom humor e a inteligência são atrativos também, principalmente, para quem gosta de um bom papo e rir de uma boa piada.
Enfim, dependendo das circunstâncias os envolventes podem levar a gente do céu ao inferno.

PAI E FILHO, FILHO E PAI (MOACYR SCLIAR)

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Terminei por esse dia esse livro de contos. São narrativas agradáveis de ler e há uma ironia inteligente nelas. 
O que acho interessante no conto não é síntese, mas o que não se revela na escrita. Um bom contista faz isso com maestria. Em cada leitura, percebem-se outros elementos e histórias. Scliar fez isso muito bem. 
Só tinha lido um livro dele: A Festa no Castelo de Moacyr Scliar. O romance não é extenso, mas a narrativa prende o leitor por contar duas histórias: O mundo requintado da aristocracia idealista e a amizade de um velho sapateiro e um jovem idealista, em que vivem no Sul do Brasil nos meados dos anos de 1964, ano do Golpe militar. No início as histórias parecem não ter ligação, contudo com o passar das páginas, percebe-se que há uma intercessão.
Pelos contos que li, o autor mostra que escrever com simplicidade não significa mediocridade. Pelo contrário, seus textos são ricos e sem ser pedantes. Além da ironia que havia mencionado, o humor inteligente tempera ainda mais os…

OUTROS OLHARES

A CRONICA DE HOJE NO "Estado de Minas"e "Correio Braziliense"para não perder o hábito:


LER O LIXO


Affonso Romano de Sant’Anna


O lixo está na moda. Em todas as partes. Na novela “Avenida Brasil”um dos cenários é o lixão onde a Débora Falabela e o Cauã, digo, seus pesonagens cresceram.
Há pouco o Vik Muniz levou nosso lixo para Holywood, fez aquele documentário sobre um lixão carioca, levou o simpático catador de lixo ao Oscar. Lixo: material de exportação. O autêntico produto interno bruto.
Antes foi aquele filme documentário lírico e estarrecedor de Marcos Prado“Estamira”- ele jogou a loucura do lixo e o lixo da loucura na nossa cara. Não dava mais para fingir que somos limpos e sãos.
Bem, antes já havia a Boca do Lixo, lá em São Paulo, pólo cinematográfico e da vida boêmia. O lixo foi criando seus derivados e hoje parte daquele território virou a Cracolândia: o lixo humano. As cenas que vemos estão entre as gravuras do Inferno de Dante feitas por Gustavo Dorée, o gulag…

Apocalipse zumbi

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Tenho medo de me transformar em zumbi e de viver num mundo sem palavras e fantasia. Não mais ler um livro e assistir um filme. Viver o instante cru, sem a fábula e a poesia.


O mundo humano tem muitos defeitos, mas as várias manifestações de arte consertam as falhar e preenchem os vazios. Tenho medo de não poder mais sentir o prazer de beber um bom café ou deitar na minha e olhar para o teto. Os pequenos do cotidiano são maravilhosos para mim, como observar a paisagem se diluindo no carro. Nem imagino parar de escrever, que é para mim uma segunda forma de respirar. 


Ser morto vivo é ser outro e o distinto sempre me dá medo. Já pensou viver uma forma completamente diferente como um animal selvagem que é programado pelos instintos?


Se houver um APOCALIPSE ZUMBI, serei um dos primeiros a morrerem. Não tenho dinheiro a fim de comprar minha segurança e nem sou inteligente o bastante para ser útil aos poderosos. 


Enfim, irei me matar. Tomara que Deus me perdoe pelo meu ato. Mas, não quero ser ou…

DIREITO DE RESPOSTA

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"Olá Eduardo eu sou moderadora do fórum em questão e fui eu a responsável pelo seu banimento. Assisti ao seu vídeo e me senti na obrigação de te oferecer uma explicação mais detalhada. Eu vi que você não encontrou a regra sobre o titulo em caixa alta e eu busquei o link com todas as regras e vou disponibiliza-lo lá no seu perfil, aqui colocarei apenas a parte que nos interessa: [4. TÍTULOS DOS TÓPICOS - É muito importante seguir à risca as regras para elaboração dos títulos de seus tópicos. Qualquer tópico formatado com título fora das regras será imediatamente removido. As regras são: a) Proibido título escrito em caixa alta, ou seja, com todas as letras em maiúscula (se a maioria das letras estiver em maiúscula já será o suficiente para a remoção); b) O título deverá deixar claro o conteúdo do tópico. Ou seja, nada de criar tópicos com títulos genéricos. Exemplos de tópicos com títulos errados: "Vídeo novo, assistam", "ae galera se liga nesse vídeo", "t…
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ALGUMAS QUESTÕES

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Não sou especialista em cinema, mas pelo que sei, há diferença entre conceitos entre filme pornô e erótico. O primeiro é sexo explícito, enquanto o segundo, apesar das cenas eróticas, há roteiro e diálogo.

Uma famosa apresentadora infantil participou de um filme erótico Amor Estranho Amor e nessa semana, por causa de uma entrevista que ela deu no fantástico, está sendo alvo de criticas. Mas, não estou entendendo o motivo das pessoas a detonarem. No filme, Tarcísio Meira e Vera Fischer atuam e eles sempre integraram o primeiro time de atores da Globo, nunca fariam um filme pornô.

Tudo bem que foi uma apresentadora infantil, mas na época era uma jovem modelo que recebeu um convite para fazer um filme. Que hipocrisia, quem nunca fez um trabalho que se arrependeu depois?

Ao invés de criticar a pessoa Xuxa, por que não levantar a liberdade de expressão, já que o filme foi censurado vários anos? Onde a Xuxa trabalhava? Quem solidificou a personagem Xuxa como ícone das crianças dos anos oitenta…
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Outra vez me pego na contradição de criticar os outros e esquecer-se de minhas próprias atitudes. 
Fiquei irritado porque uma pessoa me convida toda hora para participar da fazenda virtual do facebook. Quis até desconectá-la, mas vi que isso é uma besteira. Deixa ela me convidar toda hora. Não está me fazendo mal.
E eu que toda hora divulgo meus vídeos, também muitas pessoas me acham chatíssimo. Por que eu posso e ela não? Por que sou tão conveniente comigo mesmo e um julgador implacável em relação ao outro?
Pois é... o ser humano é tão falho, impulsivo e contraditório. Quando ouço na racionalidade do bicho homem, acho graça. Não somos só movidos pela razão e sim por impulsos irracionais. Somos selvagens. 
Enfim, procurarei não mais julgar os outros e olhar para meu próprio rabo. Inclusive não me importar com os convites para fazenda virtual. 
Aliás, criam-se gados virtuais na fazenda virtual?

SCRAP AO VENTO

Não quero ter mais preconceitos. Qualquer ensinamento faz parte da construção da individualidade. 
Só não concordo com as receitas de bolo, o ser humano é complexo demais. Mas, aprender a ouvi é uma forma de se tornar melhor. 
Uma vez, me disseram que o sábio oriental valoriza o silêncio, enquanto o sábio ocidental que mostrar sua cultura. Não se estou engando, mais ficar calado e ouvir, em muitas ocasiões, é melhor do que arrotar soberba. 
Por isso, aprender com uma flor ao vento é o verdadeiro conhecimento. Muito mais do que ficar lendo vários livros para ter vocabulário para escrever textos vazios.

CADA CASO É UM CASO

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Já algum tempo ouço o argumento de que a vítima de bulling precisa reagir às agressões, usando a ironia e o sarcasmo e não se vitimizar. 
Compreendo que tem sentido este raciocínio, mas cada casa é um caso. Muitas vezes, as vítimas precisam de ajuda, porque rola uma violência sádica.  O bullying tem vários níveis. Sofri certas implicâncias, mas ninguém me agrediu ou me jogou na lata de lixo. Sempre fui acima do meu peso. Também, nunca encontrei sádicos... Graças a Deus!!
Por isso, a escola e a família precisa ajudar a vítima. Tudo bem que ela precisa agir, porém sozinha não dá. Muitas vezes, a situação sai de controle. Imagina a situação de três ou quatro pessoas querendo te bater ou alguém tirar uma foto sua sem permissão, colocando-o em situação constrangedora nas redes sociais. Nunca entendi as pessoas que gozam ao torturar uma pessoa. Será que ejaculam? Doideira.
 Realmente, há certas coisas que não entendo. É muito complexo para minha cabeça. 

OUTROS OLHARES

Falhas - Martha Medeiros

Uma das coisas que fascinam na cidade de San Francisco é ela estar localizada sobre a falha de San Andreas, que provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de tempos em tempos.

Você está muito faceiro caminhando pela cidade, e de uma hora para outra pode perder o chão, ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho. É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a possibilidade, e isso amedronta mas ao mesmo tempo excita, vai dizer que não?

Assim também são as pessoas interessantes: têm falhas. Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade linda, limpa, onde tudo funciona e você quase morre de tédio.

Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas. É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco na testa que as caracterize. Pessoas, como cidades, precisam ser limpas, mas não ao ponto de não possuirem máculas. É preciso suar na hora do cansaço, é precis…

Os Vingadores - The Avengers

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Sinceramente, mesmo com o avanço da tecnologia, o ritual de ir ao cinema não há nada que substitua. A sala escura e a tela enorme nos envolvem, tornando mágica a experiência de assistir um filme.Por isso que não concordo com a ideia de que com a evolução tecnológica o livro e a ida ao cinema se extinguirão. Há o valor sentimental e experimental de cada um.
Os vingadores é um filme que estimula nossa fantasia de ser um super-herói. Como seria interessante viver um dos personagens poderosos. Porém, eles não são tão perfeitos assim. Percebi um olhar repaginado dos heróis. Vivem conflitos e possuem defeitos como nós.  Inclusive, domar o ego, os interesses e a raiva de cada um deles para que possam agir em grupo. Realmente, conviver em grupo, hoje em dia, é muito complicado. Vivemos numa época em que individualismo está em voga. No filme, mostra isso e como os heróis tentam se entrosar.
Todavia, encontrei elementos clássicos como a estética dos inimigos. O outro é sempre feio, covarde e frac…

PRIVACIDADE, EXPOSIÇÃO E ÉTICA

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Quero comentar algumas questões sobre a liberdade de expressão, privacidade e ética. 

Vivemos num mundo que da vez mais compartilhamos fotos e pensamentos em redes sociais. A exposição, em muitas ocasiões, pode ocorrer constrangimentos, mas se deve ter um bom senso para analisar. Por exemplo, tenho blogs e faço vídeos. Ser criticado por causa de um texto ou vídeo faz parte da democracia. Como tenho direito de gostar ou não, os outros também.
Agora, manipular minha imagem ou fazer perfis falsos para me denigrir, isso é coisa de gente mau caráter. Isso não aconteceu comigo, é um caso hipotético, porém, aconteceu isso com muitas pessoas. Discordar de uma opinião, surgindo um “debate caloroso” permite a diversidade de pontos de vistas. Mas, bullings virtuais envergonha a humanidade dita evoluída.
Outro fato, nesses últimos dias ficou sabendo de uma famosa atriz de novelas que suas fotos foram expostas na internet, por criminoso. Ouvi muitas pessoas dizerem que ela foi culpada, por tirar foto…

FILME NOME PRÓPRIO( 2007)

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Camila é intensa, um trator que passa por cima de tudo e todos. Machuca e é machucada. Mantem um blog, onde se expressa através da palavra. Como ela disse, para uma “leitora”, que seu blog não é um diário, mas um espaço que ela escreve e que não gosta, não lê e vai embora. É uma jovem empenhada em se tornar escritora. Sua vida é sua narrativa. 
Camila escolheu a escrita como forma de expressão. Sente-se vazia quando não escreve. Aliás, escrever a salva do vazio e a faz se reconhecer como alguém, é um ato de revelação sobre si mesma. Vive perto do coração selvagem da vida e cada palavra que surge na tela branca do computador é um grito, gozo, raiva, amor e obsessão. Realmente, como personagem é fascinante, porém, não queria me envolver com uma pessoa como Camila. É visceral demais. Seus amigos tentam ajuda-la, mas precisam sair fora para não ser consumidos pelo caos-Camila. Ela não tem consciência que machuca, nunca pensa. Só vive e escreve seu livro errante. 
O filme tem uma bela fotogr…

Mãe

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Ensinou-me a observar, mas ainda não possuo seu olhar poderoso de águia. 
É uma mãe de verdade, não se projetou nos filhos como se fosse uma garotinha a brincar de bonecas. Viveu a maternidade plena, conhecendo o melhor e o pior de mim. Mesmo não concordando comigo, permaneceu ao meu lado no barco à deriva.
Às vezes, tenho medo de não conseguir retribuir o que faz por mim. Não sou você, sabe disso, né?  Carregarei comigo sua humanidade. A maior herança de todas. 

Escrevi esta singela homenagem ao som de Sonho Impossível - Altemar Dutra. Sua música predileta e que passou ser a minha também.

DETALHES

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Já comentei por aqui, que muitas vezes não ligo muito para história do filme, mas os detalhes. Por exemplo, O Prólogo do Céu dos Cavaleiros do Zodíaco o que me chamou a atenção foi os cenários em erosão e as poças da água nas pedras carcomidas.  Lembrou-me alguns quadros surrealistas, principalmente na melancolia e no vazio. Realmente, gosto do anime Cavaleiros do Zodíaco, porque há uma preocupação dos detalhes. 
Mais uma vez, Athena se sacrifica pelo planeta Terra e tenta proteger seus cavaleiros. Dá o controle do mundo para irmã Artêmis, a Deusa da Lua.  Logo, o vazio impera no planeta e o santuário de Athena parece que se desmancha na água e na areia, caindo na imensidão do esquecimento.
Então, comecei a pensar que será que o final dos tempos será assim? Uma imensidão vazia surgir e a gente andar entre poças de águas cristalinas e caindo em barrancos, devido à erosão. Como se tudo que acreditamos se desmanchasse, inclusive, a memória.
Lógico que houve a superação dos heróis, para salv…

X-MAN: PRIMEIRA CLASSE

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Ao assisti-lo não pude deixar de me lembrar de assunto cíclico que sempre me ronda: O trauma, que “em grego significa ferida e que, quando não são sanadas, as pessoas se tornam monstros”. Ouvi esta frase no filme Ilha do medo (2010). 
O filme mostra a origem dos personagens mutantes e algumas coisas ficaram mais claras para mim. Lógico, que para quem já acompanha os X-MAN desde as revistas em quadrinho, minhas conclusões serão óbvias. Mas, é ao termino da história, comecei a pensar como é difícil não se entregar às magoas. 
Principalmente o Magneto, que na sua infância sofreu vários tipos de tortura e a mãe foi assassinada por nazistas. Seu alvo de vingança era um poderoso mutante. Magneto quis tanto se vingar, que acabou se tornando igual ao seu algoz. Isso é muito estranho, esse mecanismo da vingança de um se tornar a imagem e semelhança do outro. 
Comecei a ter outro olhar em relação a ele. Não é um vilão somente, mas uma pessoa ferida no corpo e na alma e que a acha a humanidade repu…

A dor Marguerite Duras, 1985

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Terminei de ler o livro no sábado. Mas, antes de escrever sobre livro, relatarei quando conheci a autora francesa, já falecida. Quando era adolescente assisti ao filme O AMANTE( 1992), baseado no livro de Marguerite Duras, onde conta a história de uma garota, filha de colonos franceses em dificuldades financeiras e que vivem no Viatinã, envolve-se com um chinês rico e bem-sucedido, muito mais velho do que ela, depois que ele oferece uma carona em sua limusine. A paixão que surge entre os dois é alvo do forte preconceito da sociedade, que não aceita nem a diferença de idade, nem a de classes, o que acaba interferindo no relacionamento. Anos depois, li o livro e o adorei. A narrativa tem imagens lindas e ao mesmo tempo enxutas. Mesmo com poucas páginas, não deixa de ser um grande livro. Em 2009, comprei dois livros da autora por um real numa feira de livros. Primeiro li OLHOS AZUIS, CABELOS PRETOS e, agora A DOR. 
No primeiro livro, A imagem do título veio a minha mente como característi…

MEMÓRIA HISTÓRICA E AFETIVA

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Recordo-me que quando era criança nos anos oitenta e adolescente no início dos anos noventa, não se usava muito moedas só notas de dinheiro. Vivia-se numa época de inflação galopante e recessão. Então, ficava inviável utilizar moedas naquela época.
Eu acho curioso como nas nossas memórias afetivas existem elementos da História. Recordo-me que quando o Plano Real (27 de fevereiro de 1994 )  se consolidou, tinha toda uma conscientização de que moeda era dinheiro e que não se podia jogar fora. Isso foi complicado para mim, só gostava das notas e desprezava as moedas. Levei um tempo para me adaptar.
Tudo bem que cada indivíduo tem um olhar singular e um jeito de lidar com a vida, mas não se pode negar a influência do meio externo. Se observarmos nossos pensamentos, existe uma ordem do discurso coletivo. Por isso uma analise abrangente e interdisciplinar ajuda a compreender a complexidade do ser.
Uma vez, quando estava fazer um curso de literatura, ouvi falar pela primeira vez da Nova Históri…
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UMA QUARTA-FEIRA QUE É SEGUNDA-FEIRA

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Acordar no primeiro momento é angustiante, quero desparecer. Mas, não posso me afundar em mim. Poxa vida! Estou vivo e tenho uma família ótima. Não posso ser rabugento. Encararei esta quarta-feira com cara de segunda. Retomarei o trabalho e tentarei consertar os erros brevemente suspensos por causa do feriado. Hoje de manhã estava muito frio e demorei a levantar. 
Agora, no quarto tento escrever esta conta. Tinha várias ideias na cabeça, mas só escrevi dois parágrafos.  Não acredito! Imaginei que escreveria várias laudas sobre o dia de hoje.
Vamos lá... o trabalho em muitos aspectos é torturante, principalmente para uma pessoa que vive no mundo da lua( como eu). Entretanto, por outro lado pode ajudar como a ter noção de responsabilidade e disciplina. Vejo que preciso chamar a responsabilidade para mim, mesmo que quase me atrasei por não ter forças de sair da cama. Só que consegui chegar a tempo, tive uma carona até o ponto de ônibus. Venci minha preguiça, com ajuda da carona. Talvez não …

FÚRIA

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OUTROS OLHARES

Fazer 30 anos


Affonso Romano de Sant'Anna




QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.


Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.


Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar …

EM BUSCA DA FORMA

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Escrevo, gravo e não dá certo. Faço novamente. Desânimo e ansiedade, mas não posso desistir. Os tropeços vêm antes do salto mortal. Não posso me aborrecer com as críticas, tenho que usá-las ao meu favor, para continuar a minha busca. Deleto, deleto, deleto. Não tenho estilo, as ideias derramam, mas não consigo moldá-las. Mas por que continuo? É que não só desejo me transformar em artista. Estes ensaios me salvam.