domingo, 26 de agosto de 2012

O ESTRANGEIRO, ALBERT CAMUS





Ao terminar de ler o livre, senti-me estranhamente vazio. Até agora não sei como escrever as palavras certas sobre a história de Mersault, que leva uma vida ordinária e ao receba notícia da morte da mãe, não esboça nenhuma emoção. Comete o crime; é preso e julgado. Tudo gratuito e sem sentido.

O protagonista-narrador Meursault  vagava pela cidade e convivia superficialmente com as pessoas. Era um anti-herói muito próximo da vida real. Um homem que vive uma vida considerada insignificante e sem emoções. Se observarmos bem, encontramos muitas pessoas assim vazias de sentidos. O personagem não deixa de ser um reflexo da nossa sociedade recheada de banalidades e violência gratuita. “ Num universo repentinamente privado de ilusões ou de luzes, o homem se sente um estrangeiro.” Albert Camus, em O mito de Sísifo. Nesta citação da outra obra do autor, explicita a essência do romance.

Camus através do romance mostra um ensaio de um aspecto da natureza humano que a gente sempre quer ocultar. O absurdo do romance faz parte da vida que não é estruturada, mas caótica. A ficção é mais organizada que a vida. Já este livro é estranho, porque se aproxima da realidade.

Ao passar das páginas, perguntava-me para onde o mundo iria com tanta falta de sentido e que atitudes gratuitas podem ser fatais. A justificativa de Meursault de ter matado um homem, fora por causa do sol é equivalente quando uma pessoa avança o sinal vermelho ou buzina para um idoso de bengala, para ele andar mais depressa.  A vida é repleta de absurdos, vejam as guerras que massacraram muita gente inocente. Ler o estrangeiro é revelador, pois ajuda nos autoconhecer.

sábado, 25 de agosto de 2012

O PALHAÇO





Realmente, quem está por trás da pintura ou da persona do trabalho? Tem angustia, raiva e medo como a gente? Sempre vemos a alegria da representação deste artista particular cheio de cor e retalhos, entretanto, muitos se esquecem do indivíduo.

Nesse filme não conta só a história de dificuldades e alegrias de um grupo de circo que atravessa o país, mas a busca do protagonista encontrar seu lugar no mundo e de se encontrar como indivíduo. Benjamim atuava com o pai e apesar de gostar do convívio com todos os artistas do circo, sentia-se melancólico. Parecia estar à sombra do pai. Então, vai embora para se descobrir e tem uma revelação... Não contarei a história toda.

Confesso que o filme foi uma grata surpresa. Não pela história em si, mas como foi produzida a película. A narrativa do filme é linear e conta uma história simples e universal: “Um indivíduo que procura seu espaço no mundo.”. As fotografias, os pequenos detalhes das cenas e a construção dos personagens. 

Enfim, o Cinema Brasileiro deveria produzir mais filmes assim: Despretensiosos e Belos e valoriza os pequenos detalhes da vida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MUDANÇA




Excitação pelo novo.

Receio do desconhecido.

Entretanto quando tiramos os moveis do lugar, sempre encontramos restos arqueológicos de lembranças antigas.

Reencontramos nossos eus passados.

Um turbilhão de sensações e emoções nos invade.

A mudança é também uma trégua para a monotonia da vida. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012






SÓ NA VONTADE

Quero escrever poesias, mas não leio poesias...

Quero fazer histórias em quadrinhos, mas também não leio gibis e nem sei desenhar...

Quero cantar, entretanto, acho rídicos os exercícios...

Quero ser escritor, mas tenho preguiça de escrever...

Poxa vida, será que sou tão superficial assim, que só desejo?

sábado, 11 de agosto de 2012


Aliens, O Resgate





Por esses dias assisti a este filme e comei a pesar que como me equivoquei com a imagem do Aliem. 

Na realidade são criaturas que só querem sobreviver. Tudo bem que usam os outros como hospedeiros, mas se não fazem isso perecerão. Se observarmos a cadeia alimentar e a vida de muitos animais da terra, praticam a mesma coisa. 

É que homem constrói um mundo interpretado moralizante e coloca tudo que não é humano de mal. Observamos muito isso no cinema como nos filmes do Tubarão assassino ou quando os vilões são desfigurados.

Não condeno a protagonista de o filme matar as criaturas. Ela está salvada sua pele e de uma garotinha, única sobrevivente de uns colonos que tinham ido antes para o local de expedição. Faria a mesma coisa, o instinto de sobrevivência sempre fala mais alto. Até porque não dá para falar com os Aliens, pois precisam de nossos corpos para perpetuar a espécie.

Na história, a personagem além de enfrentar as criaturas, precisa lidar com a ambição humana. Tem um cientista que só quer saber do dinheiro que levara com os estudos das cobaias dos alienígenas que estão num laboratório da base. Ao saber disso, ela fala você é pior que as criaturas. Concordo, pelo menos não matam por ambição e sim pela vida.

Há outra parte do filme, quando o “Aliem-rainha” fica zangada quando a protagonista destrói seus ovos e a segue. Então ela entra num robô e a chama de vadia. Poxa vida, a mulher arrebenta os ovos da outra e ainda a chama de vadia. Tadinha!

Enfim, mesmo que sinta pena do Aliem e entenda sua situação, mas se o encontrasse mataria sim. Porém, não por achá-lo mal e sim para viver. 

Agora, o que me dá medo mesmo, pensar que há muitos seres humanos que tornam os outros como hospedeiros...

Que o Senhor me proteja!

Aliem perto destas criaturas são verdadeiros anjos.




Complexidades da vida





Sempre quando leio uma notícia sobre celebridades, principalmente e fofocas, pergunto-me o que isso me ajudará na prática? Passarei num Concurso Público? Serei uma pessoa melhor?

Não consigo entender essa curiosidade mórbida que temos em relação à vida dos outros. Não tenho na haver com isso, se uma atriz famosa enganou o marido-ator-famoso com um diretor de cinema famoso e quarentão. 

Isso é um assunto íntimo, mesmo que sejam “pessoas públicas” têm o direito da privacidade. 

Enfim, percebo-me numa imensidão de futilidades que me tira do foco dos assuntos importantes.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A MULHER QUE ESCREVEU A BIBLÍA DE MOACIR SCLIAR




Talvez seja um problema, mas a maioria dos livros que tenho em casa é de ficção. Adoro uma boa história e nunca me liguei de ler livros filosóficos, históricos e políticos. Meu tezão é ficção e ponto final.

Neste livro, nem quis saber das fontes históricas. Devorei a narrativa que contava a história de uma mulher feia e rejeitada que procurava seu lugar no mundo. Desprezada por todos, inclusive, pelo marido: O Rei Salomão. Confesso que achei estranho quando a personagem dizia mais ou menos assim: “ Salomão está cagando pra mim” ou “ Estou cagando pros anciões”.

A histórica começa com um historiador que se torna um famoso terapeuta de vidas passadas. Ao longo das sessões, fica atraído por uma paciente que lhe envia um manuscrito revelando que nas vidas passadas foi a esposa mais feia de Salomão. Ela vai embora sem deixar vestígios.

“ Continuo atendendo minha clínica, mas tenho pensado seriamente em mudar de rumo, em retornar o estudo da História. Vou ganhar menos, e me incomodar mais, mas espero não ter desilusões. Quero esquecê-la.
Que mais? Ah, sim, ela era feia.”

A personagem tem consciência de sua fealdade e quando aprende a escrever( nessa época a mulher nem podia imaginar praticar este ato), descobriu outras formas de conviver com as dificuldades. Há várias passagens no livro em que mostra a visão irônica da personagem em relação a sociedade preconceituosa e patriarcal da época e, principalmente, tirando sarro dela mesmo.

O livro é muito criativo e li sem dificuldades. Entretanto, apesar do texto leve e muitas vezes de baixo calão, fez-me pensar como o conhecimento pode nos fazer superar as dificuldades. Ela era feia, porém sabia escrever e de certa maneira pôde mudar sua história.

Ao fantasiar o regresso da protagonista, o romance revela a vida da jovem mais feia entre as esposas do soberano, porém a única capaz de ler e escrever. Seu dom a levaria à missão de escrever a história da humanidade.
***
Já ia me esquecendo... A ironia do texto é muito eficaz e mostra como o falecido autor é um mestre de contar uma boa história. Pois, muitas vezes, me deparo com textos bens escritos, mas frios e chatos.

domingo, 5 de agosto de 2012

ACHADOS




Ontem ( quero dizer no sábado), fui ao CCBB para assistir à peça Raimunda Raimunda com a Regina Duarte. Bem... não foi ela quem escreveu, a peça foi escrita pelo piauiense Francisco Pereira da Silva (1930-1985).



Ao entrar no espaço cultural, corri para ver se encontro um livro de poemas de uma artista polonesa Wislawa Szymborska. Encontrei-o por acaso, quando fui ver Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues no mês de abril.




Teve um poema que me tocou bastante e olha que não sou de ler poemas:


Agradecimento (Wislawa Szymborska)

Devo muito
aos que não amo.

O alívio de aceitar
que sejam mais próximos de outrem.

A alegria de não ser eu
o lobo de suas ovelhas.

A paz que tenho com eles
e a liberdade com eles,
isso o amor não pode dar
nem consegue tirar.

Não espero por eles
andando da janela à porta.
Paciente
quase como um relógio de sol,
entendo o que o amor não entende,
perdôo,
o que o amor nunca perdoaria.

Do encontro à carta
não se passa uma eternidade,
mas apenas alguns dias ou semanas.

As viagens com eles são sempre um sucesso,
os concertos assistidos,
as catedrais visitadas,
as paisagens claras.

E quando nos separam
sete colinas e rios
são colinas e rios
bem conhecidos dos mapas.

É mérito deles
eu viver em três dimensões,
num espaço sem lírica e sem retórica,
com um horizonte real porque móvel.

Eles próprios não vêem
quanto carregam nas mãos vazias.

"Não lhes devo nada" -
diria o amor
sobre essa questão aberta.

Na minha interpretação o poema discute a liberdade de não amar. Tudo fica menos pesado. Muitas vezes, o amor se torna uma idealização difícil de concretizar. Temos obrigações com elas e o sentimento de posse chega a ser obsessivo. 


Bem, esta foi minha interpretação particular e não definitiva.

***
Outro fato interessante, quando entrei no CCBB vi um monte de estátuas espalhadas de uma exposição que ainda acontecerá (Corpos presentes de Still Being).

Como estavam espalhadas pelo espaço de certa maneira interagiam com as pessoas. As pessoas não esbarravam nelas e mesmo com uma concentração de gente, tudo fluía bem. Por exemplo, colocaram uma estátua bem em frente de uma pequena escada que leva a uma lanchonete.

Logo pensei que poderia provocar um acidente. Mas, as obras interagiam com a gente. Isso é outra impressão particular, talvez alguém vai ler e achará tudo uma bobagem.












***





Agora, comentarei sobre a peça, um divertido épico sertanejo que conta a saga de uma cearense pobre e miserável que parte para o Rio de Janeiro para se formar em enfermagem.  Mas, O destino mostra outro caminho e ela vira “madame”.  Como espectador não senti a hora passar e quando acabou, deu-me o gostinho de quero mais. A Regina Duarte e os outros atores estavam muito engraçados.

Além de a história ter muito humor, não deixa de levantar uma crítica à sociedade. Principalmente, quando a protagonista na sua jornada, perde sua essência e tropeça por aí pelo mundo.
O preço da peça foi seis reais e o teatro estava cheio. E quando terminou a sessão, todos aplaudiram de pé.

Enfim, meu sábado foi de diversão e de achados.