segunda-feira, 28 de novembro de 2011

BOM SENSO

O Bom Senso
Imagem retirada na Internet


Há tempos atrás li uma matéria que entrevistas vários humoristas de diferentes gerações. A pergunta principal era qual o limite para piada? E ponto em comum entre eles foi o bom senso.

Confesso que nunca entendi muito bem o que é bom senso. Sempre achei seu significado subjetivo demais.

Então, fui fazer uma pesquisa rápida na internet. É um conceito utilizado no raciocínio ligado aos princípios de sabedoria e de razoabilidade, e que determina a competência média a qual um indivíduo possui tem de adaptar normas e costumes às determinadas realidades, podendo fazer bons julgamentos e escolhas.

Não deixa de ser uma forma de "filosofar" espontânea do homem comum, também chamada de "filosofia de vida", que conjetura certa capacidade de organização e independência de quem pondera o conhecimento de vida cotidiana.

Diferente do senso comum, que é um conjunto de crenças e proposições que aparecem como normal, sem estar amarrado numa averiguação particularizada para alcançar verdades mais profundas como científicas ou filosóficas.

Portanto, o bom senso se relaciona com a ética e o senso comum com a moral dos costumes. Muitas vezes, há uma confusão entre estes dois conceitos. Causando uma subjetividade do que é aceitável ou não para cada pessoa.

No caso do humor, os humoristas usam o senso comum como inspiração para as piadas. Não só reproduzem os preconceitos, mas com forma irônica ou sarcástica, pinta com cores grotescas um costume com forma de crítica. Entretanto, há outros que reproduzem preconceitos, reafirmando o status quo da sociedade.
Exemplos:



O bom senso no humor como na arte é muito discutido. Liberdade de expressão não pode significa esculachar os outros, ao mesmo tempo, a patrulha do politicamente correto terá um efeito de censura. Como sair desse problema? O bom senso talvez ajude a buscar a forma adequada para exercer a liberdade de expressão.

domingo, 20 de novembro de 2011

CISNE NEGRO






Assisti CISNE NEGRO, que é um tipo de filme que faz a gente pensar depois do término da sessão.

A história do filme é de uma jovem bailarina dedicada que almeja o papel de destaque no balé O Lago dos Cisnes, que narra a história da princesa Odette que é enfeitiçada por um bruxo malvado, transformando-a em cisne branco.

Com o tempo, ela se apaixona pelo príncipe, que depois se envolve com a linda filha do bruxo Odile, vestida de negro e com a aparência idêntica à de Odette. O Príncipe fica enfeitiçado pela beleza e sensualidade de Odile e se apaixona.

Logo, a nova jura de amor anula a promessa feita à Odette que permanecerá para sempre presa ao feiticeiro. O príncipe percebe o engano, mas é tarde demais e Odete se joga do precipício, encontrando a paz.

A história do filme faz uma analogia com este balé. Principalmente, na questão do antagonismo das imagens. Odette e Odile são idênticas, mas ao mesmo tempo opostas.

Nina, a protagonista, é uma jovem aparentemente angelical, porém sofre de problemas psicológicos e existência. Ao se olhar no espelho e para outras pessoas, vê outra Nina que é completamente diferente dela. O alicerce do filme é a questão da dualidade da imagem, o duplo. Este fato se agrava à medida que a obsessão da perfeição para desempenhar o cisne branco e o negro vai se agravando.

Uma vez, ouvi uma psiquiatra comentando que a personagem do filme é esquizofrênica e que construía outras realidades. O indivíduo que sofre este transtorno mental sofre por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas.

Mas, a meu ver, usar uma interpretação psicanalítica numa obra de arte qualquer, pode-se ocorrer um empobrecimento na interpretação imaginativa. O Cisne Negro mostra que o indivíduo não é uno, mas duplo ou diverso. Há forças antagônicas e ancestrais dentro da gente. Os mitos e as histórias bíblicas sempre revivem na gente.

Vivemos nos controlando, mas quem nunca teve desejos e pensamentos que ruborizam o rosto e a alma? Já me senti violentado por sentimentos e ideias estranhas a mim.

Não é só o esquizofrênico que é partido, todos nós somos. Entretanto, precisa-se administrar estes lados como bons zeladores de nós mesmos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESPELHOS



Acabei de ler Esaú e Jacó de Machado de Assis. É um livro misterioso, pois a narrativa machadiana, não é novidade para ninguém é oblíqua. É um autor conciso e foge da corrente literária naturalista, vigente na época.

No seu penúltimo romance, Machado de Assis arquiteta uma nova forma de narrar e proporciona uma alegoria dos conflitos políticos brasileiros do seu tempo por meio da história de dois gêmeos incompatíveis.

O enredo de Esaú e Jacó centra-se na história dos gêmeos Pedro e Paulo. Suas disputas, são iniciadas no útero materno, estendendo-se por toda a vida. Seus temperamentos são opostos: Paulo é republicano e Pedro monarquista. O que os une é a mãe, depois Flora, que ama dos dois e morre doente por não conseguir escolher.

Machado de Assis se utiliza de referências bíblicas para mostrar que os gêmeos são rivais, não por disputas de políticas, dinheiro e amores. Mas, há elementos míticos e místicos ancestrais que impulsionem a rivalidade entre eles. Há questão do jogo de imagens no espelho. Um é reflexo do outro, mas são invertidos. Quem nunca percebeu que as letras ficam ao contrário refletidas no espelho.

De repente, me lembrei do livro de contos do Borges O ALEPH, no qual os contos me chamaram mais atenção: História do guerreiro e da cativa, A escrita de Deus, O imortal, Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874). Porque me fizeram compreender a concepção de universo do escritor, mostrando que nada no mundo é original, mas reflexos que produzem um labirinto de espelhos, formando o infinito.

Em Esaú e Jacó, apesar dos fatores históricos e sociais, Machado(como Borges) mostra como os mitos estão vivos dentro da gente e que na “ História da humanidade” há um labirinto de espelhos que independente do espaço e do tempo, os mitos e as histórias antigas se manifestam.

Realmente é um livro de várias interpretações e que mostra como Machado é um autor de uma narrativa a frente do seu tempo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

OUTRO DIA NO CARRO...




 Eu, minha irmã e prima estávamos conversando sobre se o meio interfere ou não na vida do indivíduo.

O tema é complexo e, a meu ver, nós somos formados cinquenta por cento do meio e a outra metade pelo nosso temperamento. Existem as combinações de fatos que podem contribuir para os caminhos que cada um leva. Observamos até na família, os pais criam os filhos iguais, mas são completamente diferentes na essência.


Por isso, não deve generalizar demais. Cada caso é um caso. Por exemplo, há ocorrências de pessoas paupérrimas que conseguiram se dar bem na vida pelo próprio esforço, não roubaram e nem mataram.

Recentemente sei de um caso que um mendigo passou no concurso do Banco do Brasil. Porém, se formos utilizar estes exemplos como paradigmas de verdade absolutos, chegaremos à conclusão que vivemos numa sociedade ideal. Para que melhorar a educação, a saúde e distribuir renda se são o indivíduo tem o poder de mudar sua vida sozinho?  Logo, esta super valorização do indivíduo é muito conveniente para o discurso conservado e liberal que argumenta que a culpa do fracasso é dos próprios fracassados.

Por outro lado, o pressuposto que todos que não tiveram acesso às necessidades básicas serão revoltados e entraram para marginalidade, também é equivocada. Há vários moradores de áreas carentes que trabalham, estudam e melhoram de vida. Este discurso é muito usado pelo os assistencialistas demagogos e os esquerdistas.

Enfim como disse antes, é tema que precisa refletir bastante. A conclusão que tiro, temporariamente, é que a individualidade é construída a partir do meio e de sua índole.
  

domingo, 13 de novembro de 2011

EU TE AMO, CARA( Nova versão de uma crônica)




O que achei mais interessante no filme é a mudança de foco, ao invés do romance, tema batido nas comédias românticas, o roteiro narra a história de um homem que sempre se concentrou nas relações amorosas e com isso não criou laços de amizade.

Ele não tem amigos e este fato virou um problema, quando estava prestes a se casar e não tinha ninguém para ser seu padrinho. Portanto, começa a sair com vários caras a fim encontrar um amigo-padrinho.

O filme tem todas as situações clássicas e bizarras de comédia, mas existe certa originalidade ao protagonizar a busca pela amizade, que é tão quanto importante que a busca pelo amor.

Logo, comecei a me lembrar de casos de algumas pessoas que valorizam em demasia o amor romântico ou o de amizade. Por exemplos, homens que sentem atração por mulheres, mas gostam de passar a maior parte do tempo com os amigos e mulheres que acontecem a mesma coisa. Sentem o desejo do sexo oposto, mas acham chato ficar o tempo todo ao lado dos parceiros amorosos. Prezam muito mais a fidelidade da amizade.

Cada um tem um pensamento, julgar não compete a ninguém. A nossa sociedade atual valoriza o amor erótico e romântico. Se você não gozar e não encontrar sua cara metade é um recalcado. E esta imagem estereotipada não é verdadeira. Quantas pessoas casadas são infelizes...

Temos que ter liberdade de escolher. Bem, fugi um pouco do tema do filme. É que tenho uma tendência a viajar na maionese. Mas, vale a pena ver o filme, porque é original, colocando o gênero da comédia romântica para falar sobre amizade.



sábado, 12 de novembro de 2011

TRAVESSIA






Lembro-me que escrevi uma vez: “Tenho um twitter. E aí? A ausência de significado impera.”. Hoje, uso muitas vezes o twitter para escrever microconto ou divulgar algum vídeo ou um texto mais longo que produzi.

Sempre que entro numa rede social, sinto estes sentimentos de vazio e estranhamente. Por que quer participas desta rede? Qual minha proposta? O que farei?

Entrei numa nova mídia social que compartilha vídeos e tenho as mesmas impressões quando ingressei no Orkut, Facebook, Twitter e Youtube. Não sei o que fazer e quais são minhas pretensões?


Não quero encher o saco das pessoas e ficar adicionado um monte de gente para divulgar meu “ trabalho”. Sinto-me mal, quando vejo fotos de pessoas que nunca troquei uma palavra, tenho a impressão de ver espectros.

Estou chegando à conclusão que entro numa mídia ou rede social, para buscar um feedback. Sempre tive ideias e nunca houve oportunidade de expressá-las. Logo, com a Internet e os espaços virtuais gratuitos que surgiram através dela, possuo a oportunidade de encontrar um meio para divulgá-las. O balanço da experiência está sendo importante para meu amadurecimento. Pois, preciso lidar com a frustração e isso se torna um bem para mim.

Quando entrei nesta nova mídia, vi que um site de humor fez um canal lá, adicionei-o, mas ele não me aceitou. Entendo, deve ser tanta solicitação, que só um zumbi de computador tem paciência de ficar aceitando um monte de gente. Ou, simplesmente, não está interessado de me aceitar como amigo. Está no direito dele.

Observei os “amigos” do canal e tive o ímpeto de convidá-los para serem meus amigos. Felizmente, não concretizei meus impulsos. Depois, tudo se transformaria em algo sem sentido para mim. Como mencionei antes, já tomei esta atitude e com o tempo me frustrei.

Agora, preciso explicar uma coisa, argumento sobre mim, não generalizo. Quem toma esta atitude tem seus motivos. Não sou contra, respeito.

O que almejo? Gostaria de manifestar minhas ideias e aprender com as opiniões ou críticas construtivas. Quero aprender com meus erros, transformá-los em sabedoria e continuar minha travessia do autoconhecimento.

domingo, 6 de novembro de 2011

EM MIM



A história da humanidade está em mim. No simples ato do cotidiano, manifestam-se conhecimentos antigos. Não deixo de ser um museu ambulante. Entretanto, a história não se revela conscientemente e sim no inconsciente. 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A TRÉGUA DE MARIO BENEDETTI( 1960). Editora: L&Pm, 2008. (CRÔNICA ANTIGA 20/11/2008)

A TREGUA



Depois que li o livro, comecei a refletir sobre a palavra trégua. Procurei no dicionário, por perceber que só tinha em meus pensamentos só um significado desta palavra, como um período de paz entre as guerras.

sf (gót trigwa) 1 Suspensão temporária de armas e hostilidades; armistício (mais usado no plural). 2 Cessação temporária de trabalho, dor, incômodo ou desgraça; descanso. 3 Interrupção. 4 Férias. Não dar tréguas: não dar um momento de descanso. Pôr tréguas a: interromper.(Michaelis)

A história é de um senhor que por alguns momentos, foge do cotidiano maçante para viver um amor com uma mulher mais jovem. Experimenta o desejo e a ternura em simbiose, marcando sua vida “ medíocre”. Publicado em 1960, o romance é o mais respeitável construção narrativa do escritor e está no hall das obras-primas da literatura latino-americana a partir da década de 60 do século XX. A estrutura da narrativa possui a forma de diário, que mostra ótica pessimista e irônica do protagonista em relação ao seu dia-a-dia. Evidencia, também, a falta de uma comunicação profunda entre as pessoas, que se acomodam em um mundo de frivolidades e aparência. O personagem principal vivencia esta situação com os três filhos, moram na mesma casa com eles, entretanto não conhece realmente seus pensamentos mais íntimos.

A história de amor, que vive com a moça, é a trégua da sua vida inócua. Viúvo há muitos anos, sobrevivia entorpecido em furtivos casos amorosos, trabalho burocrático e a casa. Porém, a felicidade dura pouco...

Segunda-feira, 24 de fevereiro

É evidente que Deus me concedeu um destino escuro. Nem sequer cruel. Simplesmente escuro, É evidente que me concedeu uma trégua. A princípio, relutei em acreditar que isso pudesse ser a felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois me dei conta por vencido e acreditei. Mas não era a felicidade, era apenas uma trégua. Agora estou outra vez metido em meu destino. E é mais escuro do que antes, muito mais. “

No romance contem vários pontos do livro, que evidenciam problemas sociais do Uruguai como a corrupção e a falta de pulso dos cidadãos tomar iniciativa de reverter este quadro. Destacarei uma passagem que o namorado da filha do protagonista comenta:

“ ...Há gente que entende o que está acontecendo, mas que limita a lamentar. Falta paixão, esse é o segredo deste grande globo democrático em que nos convertemos. Durante vários anos, fomos serenos, objetivos, mas a objetividade é inofensiva, não serve para mudar o mundo, nem sequer para mudar um país de bolso como este. Falta paixão, e paixão gritada, ou pensada aos gritos, ou escrita aos gritos. É preciso gritar no ouvido das pessoas, já que sua surdez é uma espécie de defesa, de autodefesa covarde e malsã. É preciso que se consiga despertar nos demais e vergonha de si mesmos, que se lhes substitua a autodefesa pelo auto-enojamento. No dia em que um uruguaio sentir nojo de sua própria passividade, esse dia se converterá em algo útil.”

Esta passagem não deixa de ser adequada a toda América Latina. Lógico que muitas diferenças entre Uruguai e Brasil, no entanto, estruturalmente há bastante semelhança. Não pude deixar de pensar, que a história do livro se encaixaria muito bem na sociedade brasileira. Portanto, todo mundo precisa ter o direito de uma trégua uma vez na vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ZELADOR DE MIM






Termina minhas férias. Estou contente e triste ao mesmo tempo. Mas, sei que preciso trabalhar para fincar os pés. Preciso de responsabilidades. Ao mesmo tempo, gostei de ter o tempo livre para inventar meus vídeos e contos.

Acordarei na quinta-feira feliz e reencontrarei meus colegas de trabalho, que são pessoas boas e honestas. Quero viver bem e não ser “reclamão”, mesmo que seja difícil me acostumar novamente a acordar cedo.

Sinto falta do meu cotidiano de trabalho, é tão bom chegar a minha casa, depois de um dia no serviço. Lógico, que há os aborrecimentos e dias que quero sumir no mundo. Entretanto, buscar maturidade e enfrentar os problemas me torna mais maduro.

O ano está acabando e preciso pensar na vida. Tenho mais de trinta anos e trabalhar no que gosto já é impossível. Mas, gosto de viver e administrarei meus fracassos. Possuo uma família tão legal e que me apoia em tudo, isso é minha maior riqueza.

Como disse uma vez, serei zelador de mim e organizarei vitórias e derrotas que acumulei ao longo desses trinta e três anos. Além de meus outros eus que compõem minha individualidade.