sábado, 31 de março de 2012

VIVELIZAR




Eleição. Votar certo. Crise mundial. O que é ser brasileiro? O que é globalização? Medo do futuro. Desencaixe. Pergunta clichê: quem sou eu? Rostos sérios comentam sobre a crise na televisão, alguém diz: os ricos continuarão ricos e os pobres cada vez mais pobres. Idéias alheias emergem da minha mente, sempre tão perfeitas para explicar o mundo; porém, impotentes para melhorá-lo. Com as novas tecnologias as barreiras físicas estão se quebrando, entretanto, as muralhas internas que existem dentro da gente, estão sendo rompidas? Reforma da língua, tantas reformas em tempos idos e nada dela ser compreendida pela maioria de seu povo. Toda hora mudam os nomes dos períodos escolares, só que a essência continua a mesma, será que ter só imaginação para trocar nomes não é pura perda de tempo? Caminho em círculos, a vida é um labirinto circular; a palavra não alcança a velocidade dos meus pensamentos. Não vou mais me preocupar em entender, li isso em algum lugar. Parece que quem escreveu esse pensamento foi uma autora brasileira ou estrangeira... Acho que era brasileira mesmo, porque amava a nossa língua, mas a gente não fala brasileiro e sim português. Falamos semelhante ao português, mas nossa linguagem tem outra vida. Não quero mais explicalizar; quero vivelizar. Escrito em 

• 3/11/2008

domingo, 25 de março de 2012

CORRENTE CINEMATOGRÁFICA



Fui convidado para participar, mas não sabia quais filmes comentar. Pensando, escolhi três títulos.
Um Homem Bom( 2006) e O Leitor( 2008) comentarei paralelamente, pois me fizeram pensar sobre a questão da ética e moral.


No primeiro filme o protagonista John Halder é um professor e escritor, um homem comum. Vive tranquilamente com sua família e tem como um grande amigo Maurice, judeu. Ao longo da trama, ele se vê envolvido pelo movimento nazista: Alder se relaciona com uma de suas alunas (uma típica ariana) e, com a carreira em ascensão devido ao interesse dos integrantes do governo nazista. John Halder se encontra entre dois polos: o moral e o ético.

Quando o amigo judeu pede ao personagem principal ajuda para sair da Alemanha. Ele se vê dividido entre o bom cidadão que serve o seu país e a amizade de muitos anos. O conflito existencial do personagem mostra como, muitas vezes, somos frágeis e corremos para o caminho mais fácil. Outro aspecto interessante, é que Halder não era uma pessoa de cultura mediana, era um intelectual que deveria ter obrigação de pensar eticamente sobre as barbaridades que aconteciam ao seu redor. Portanto, deixou-se levar paro o que era mais conveniente, apesar da culpa martelar sua consciência.

Já no O LEITOR, Na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial o adolescente Michael Berg se relaciona com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece subitamente. Anos depois se passam e Berg, torna-se estudante de Direito e se surpreende ao reencontrar seu passado, quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas e encontra Hanna como ré.

Diferente do protagonista de Um Homem Bom( 2006), Hanna foi uma jovem ignorante que achava estar fazendo seu trabalho. Era um soldado a serviço do seu país. Moralmente estava correta, mas pela ética foi uma criminosa que praticou crimes terríveis.

Também, o interessante de assistir esses dois filmes foi questionar os estereótipos dos alemães nazistas que povoavam minha cabeça: Indivíduos psicopatas e que era monstros terríveis. Lógico que existia muitos, mas vários era cidadão comuns que foram manipulados pela ideia de viverem num mundo melhor. E nestes dois filmes mostram que tanto a classe intelectual como o proletário se encantaram com as ideias fascistas e nazistas.

Agora, discutirei sobre Melancolia(2011). Realmente, achei o Anticristo( do mesmo diretor) mais denso. Mas, não deixa de ser uma película intrigante e que faz a gente pensar no mundo em que vivemos.


Um planeta chamado Melancolia está prestes a colidir com a Terra, o que resultaria em sua destruição por completo. Tive a impressão que este planeta é uma metáfora, que na realidade vivemos num mundo tão apressado e com prazeres efêmeros, que quanto mais nos entregamos para as compulsões e desejos, mais a melancolia se torna presente em nossas vidas.

Na história Justine está prestes a se casar com Michael. Ela recebe a ajuda de sua irmã, Claire, que juntamente com seu marido John realiza uma festa suntuosa para a comemoração. Mas, Justine não consegue fugir da tristeza e desilusão com o mundo. Este é a primeira parte do filme.

A segunda é sobre o olhar da irmã mais velha Claire, que é protetora com a irmã e a família. Ela tem medo do planeta que se aproxima da Terra. Sente-se impotente...

Estres três filmes foram importantes para mim, pois me mostraram outros paradigmas e olhares. Muitas vezes, é mais cômodo se alienar e viver na ilusão de que o nosso mundo é imbatível. Porém, não devemos nos esquecer de que o universo é imensurável.

segunda-feira, 19 de março de 2012

PANTELEÓN E AS VISITADORES DE VARGAS LLOSA(1973)






Confesso que demorei alguns anos a ler este livro. Parei e recomecei várias vezes. Não foi um romance que me tocou como A Casa Verde( do mesmo autor). Mas, insisti porque a história não deixa de ser interessante.

Anos atrás, nos tempos da faculdade, um professor tinha recomendado o filme PANTELEÓN E AS VISITADORES e fui assistir. Nem sabia que a película era inspirada na obra de VARGAS LLOSA. Então, comecei a procurar o romance e quando achei, nem o li por causa do livro.

Algum tempo depois, fiz um curso de literatura hispano-americana e tive que escolher um livro para a monografia de final de curso. Não pude escolher PANTELEÓN E AS VISITADORES, pois não pertencia a grade do curso. Resolvi ler A Casa Verde. Vargas Llosa emprega inúmeras técnicas literárias para montar um romance complexo e que mostra os problemas sociais e as injustiças que ocorrem na América Latina. Além de beber na fonte do gênero realista e naturalista, rompe com a narrativa linear. Narra anacronicamente cinco histórias que se cruzam, simultâneas e fragmentadas, as quais se desmembram em dois lugares distantes e diferentes: Piura, lugar árido e Santa Marie de Nieva, região da Floresta Amazônica. A Casa Verde é um prostíbulo, onde algumas personagens das diferentes histórias se encontram.

Já, o segundo livro que irei escrever, não é tão complexo, porém, tem um senso crítico e faz uma reflexão sobre a sociedade. Pantaleón Pantoja tem um juízo de disciplina profundo. É encarregado pelo Exército peruano de organizar um bordel itinerante. Sua missão é restringir as taxas de estupro nas zonas militarizadas, oferecendo prostitutas aos soldados e que não haja mais abandono de soldados, que muitos estavam se transformando em fiéis da seita religiosa “ IRMANDADE DA ARCA”. Em cartas enviadas a seus superiores, ele relata o seu sucesso e os testes que faz pessoalmente com as visitadoras. O que chama a atenção no livro é a mistura de técnicas narrativas: Relatórios, cartas, linguagem de locutores de rádio e redações jornalísticas. Estas diferentes narrativas compuseram a história, mostrando que há diferentes olhares que formam a realidade.

Os conflitos do romance são Civilização X Barbarie e Razão X Fé pagã. Pantoja aceitou a missão e quis dar o melhor de si. Institucionalizou militarmente os serviços das visitaras e as encarou como soldados que serviam a pátria. Mesmo, que tenha sucumbido aos desejos, apaixonou-se pela visitadora “ Brasileira”, mantinha a disciplina do bordel e fez planejamentos administrativos e empresarias para estimular as “moças” no trabalho. Contrapartida, a selva e seus calores que impulsionavam a sexualidade dos militares e dos habitantes do lugar. Também, no livro há história do fanatismo religioso de “ Irmandade da Arca”, que fazia sacrifícios em nome da salvação do mundo e seu crescimento preocupava as autoridades( Estado Laico).

Percebe-se que o autor mostra nesses conflitos o pensamento conservador e hipócrita da sociedade da época e como Pantoja não compreende esta falsidade, devido ao raciocínio metódico e puro. Seus superiores, não concordam que ele trate as visitadoras como servidoras da pátria. Todavia, vai até as últimas consequências...

Enfim, vale a pena ler o livro e A CASA VERDE também.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O TEXTO( texto antigo)




No primeiro momento que o li,
Achei-o caótico.
Não compreendi
suas palavras complicadas e
arcaicas.


Apesar da minha falta
De entendimento,
O texto me instigava.
Escutava-o  dizer:
– Venha me conhecer.


Pela primeira vez,
peguei o dicionário.
Destrinchei seus códigos e
Enigmas.


Aprendi a me emocionar
com a história.









segunda-feira, 5 de março de 2012

ANSIEDADE( NOVA VERSÃO DE UM TEXTO ANTIGO)



imagem retirada no google


Prezados livros que ainda não li, não fiquem chateados comigo, tentarei lê-los até o fim dos meus dias.

Sou lento, mas conseguirei dar conta do recado. Devo confessar que ainda estou construindo o hábito da leitura, comecei depois de adulto. Não se desiludam, lerei todos vocês.

Não quero ser farsante, que tem um monte de livros, mas não abre nenhum. Leio sim, tens alguns que paro a leitura e recomeço anos depois; outros, que consumo vorazmente.

Lógico que a preguiça sempre está me rondando e tenho vontade de não fazer nada, mas insisto.

Prezados livros que ainda não li, aguardem-me. Quem sabe reencarno várias vidas e os assimilo, transformando-me numa biblioteca imortal.

domingo, 4 de março de 2012

outros olhares

Uma bela reflexão sobre o tempo e envelhecer, principalmente num mundo que cultua a juventude consumistas.

Ser efêmero não é ruim, viver bem no seu espaço do tempo é uma sabedoria, mas, transforma-se numa coisa fabricado, é deprimente.






sábado, 3 de março de 2012

ÀS VEZES





A autocrítica é uma arte que vou aperfeiçoar. Há momentos que quero fugir ou até tirar férias de mim. Mas, isso é impossível.


Viver é lutar todos os dias e gosto de estar vivo.



EM BUSCA







Na última quinta-feira, estava na condução quando ouvi uma discussão de dois passageiros que se encontraram de repente na van.

O assunto era sobre a burocracia para pegar o seguro de vida, quando acontece um acidente de carro. Mas, ao prestar a atenção, nesse conflito banal, encontrei muitos fatos escondidos nas entrelinhas. Ele é um cara sonhador que nunca se achou na vida, talvez ou nunca terminasse nada que começou. Seu olhar é de uma pessoa triste. Ela quer ser ouvida e respeitada. Negra, com muito esforço fez duas faculdades e precisa lutar o tempo todo para ser respeitada. Realmente, deve matar um leão por dia, já que o Brasil é um país preconceituoso.

O bate-boca não era só entre os dois, a discussão era com a sociedade, que muitas vezes exclui o diferente. Logo, houve um labirinto de imagens e sensações que produziu a projeção de experiências naquele conflito aparentemente normal.

Vivemos nesse labirinto em busca da identidade e encontrar nosso espaço no mundo.