segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ACIMA DAS NUVENS (2014)

Acima das Nuvens


Maria Enders  é uma famosa atriz que fica perturbada com o fato de que JoAnn, jovem estrela de Hollywood, interpretará o papel que a fez famosa há vinte anos. Convidada a dividir o palco com a novata, uma insegura Maria viaja até os Alpes para ensaiar e conta com o apoio de sua assistente.

Depois de assistir ao filme, comecei a pensar sobre o tempo, o ego e a diferença de ser artista e celebridade. Na peça que Maria foi convidada a fazer novamente, o novo diretor queria que ela fizesse a personagem da mulher mais velha que se apaixona cegamente por um jovem. Maria não conseguia se ver na pele do papel da senhora, pelo contrário, identificava-se com a juventude cruel da outra personagem. A juventude tem uma beleza tão poderosa e encantadora que vai se esvaindo com o tempo e o acumulo de experiências que se acumula ao longo do caminho. Maria ao ver JoAnn, sentiu falta de quando era uma jovem atriz que só tinha intuição e o viço.

Não conseguiu separar sua vida privada com a arte.  Na verdade, projetava a decadência e a ruína da personagem madura no que estava acontecendo com ela. A atriz Maria Enders vinha de um divórcio e meio desiludida com a vida. Principalmente, com a ascensão da Joan, jovem estrela de Hollywood, sentia-se jogada pelo escanteio. Logo, percebi que o ego de se ofuscou porque ela não queria ser uma atriz, mas, uma celebridade também. Só que todos sabem que o mundo das celebridades é inconstante e trata as pessoas como se fossem produtos descartáveis. Já que para a experiência par uma atriz fazer a mesma peça que a projetou anos antes. No ponto de vista de outro personagem seria muito enriquecedor.

Outro fato interessante que achei foi de como o filme mostra à relação das novas tecnologias com o mundo artísticos e das celebridades. Quando Maria soube que a mulher ( uma artista plástica alemã) de um escrito tenta suicídio porque o marido tem um caso com JoAnn, começa a procurar discretamente na internet móvel do celular na frente da outra.

Enfim, o filme faz uma crítica melancólica e com humor sobre este mundo superficial dos famosos e como certas pessoas não sabem lidar com o tempo. Não entendem que todas as idades são bacanas de ser curtidas e, principalmente, perceberem que se podem manter jovens ao se reciclarem e não ficar parados como rochas. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Sempre encontra uma brechinha


Guernica - pintura de Pablo Picasso



“Que há de mais absurdo que o progresso, já que o homem, como está provado pelos fatos de todos os dias, é sempre igual e semelhante ao homem, isto é, sempre em estado selvagem.” Charles Baudelaire


Em relação ao aniversário do supermercado Guanabara e as cenas impressionantes das pessoas se digladiando para pegarem os produtos na promoção... Não acredito que as causas foram somente coisa de gente muito pobre, por causa da crise e pela má educação. 

Na verdade, nosso lado animalesco sempre dá um jeito de escapar da jaula da racionalidade. Não adianta, ele sempre encontra uma brechinha. Se observarmos a História e os noticiários a irracionalidade constantemente aparece, mostrando que não somos tão civilizados como imaginamos ser. A vida é absurda e, muitas vezes, usar a razão não dá conta de compreendê-la.

Através das redes sociais, vi muita gente debochando das pessoas eufóricas no Guanabara, entretanto, fiquei com medo. Sou humano como eles e posso tomar a mesma atitude.

***



terça-feira, 13 de outubro de 2015

BELEZA ADORMECIDA



É um filme que conta a história de uma jovem solitária que sobrevive com trabalhos temporários e sua beleza encanta as pessoas. Através de um anúncio, encontra uma "agência" peculiar. No início, ela trabalha seminua como garçonete em um casarão repleto de idosos ricos. Não há sexo, os senhores só observam as jovens garçonetes. Depois, a moça é contratada para ficar dormindo, enquanto os senhores a observam e a tocam, mas é proibida a penetração. Bem, o filme me fez pensar sobre a questão da juventude e de como ela é tão admirada. No conto A BELA ADORMECIA, os leitores e o príncipe ficam admirados com a beleza jovial e pueril de Aurora e muitos almejam um pouco deste encanto para si. No filme, no meu ponto de vista, os clientes idosos parecem que almejam sugar a juventude da garota, contemplando-a e a tocando. Não é só o físico, a juventude de até vinte poucos anos tem um viço que chega a ser mágico, porém, que acaba com o tempo. Mesmo a pessoa se cuidando, não adianta, ele se esvai. Beleza Adormecida é um filme que deixa muitas coisas no ar, parece ser meio sem sentido e pode não ser considerado um filme que se tornará um clássico. Entretanto, não perdi meu tempo de assistir.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

PENSAMENTOS SOLTOS

Hoje é o Dia das Crianças, então, fiz uma pesquisa básica sobre a origem deste " dia especial. No primeiro momento, foi criado pela ONU com o intuito de reafirmar os direitos humanos das crianças. Ao longo da História, elas eram consideradas pequenos adultos e conceito de preservar a infância surgiu na modernidade. Antigamente, a criança não tinha desejo próprio e ficava subjugado pelos adultos. Mas, atualmente, ainda existem muitos abusos contra as crianças no mundo todo e que se precisa combater. Por isso, que o Dias das Criança não é só uma data para dar presentes para os pequenos e sim refletir sobre como se deve protegê-los dos flagelos da humanidade.
***
Assisti a reportagem do Fantástico sobre a faxineira que quase foi processada e quase demitida por justa causa porque comeu um bombom no escritório de um delegado. Achei a notícia kafkiana. Tudo bem que ela errou de comer o bombom, mesmo que seja unzinho de muitos de uma caixa, mas, não era para tanto. Ela não cometeu um crime terrível por causa disso. Pois é, essa história de " bandido bom é bandido morto" é só para o pobre mesmo... Status: Aterrorizado
***
Estava vendo na Internet o pessoal detonar uma menina que canta funk e diz que faz "falsete" muito bem. Achei tudo isso tão cruel, inclusive, o próprio pai expor a filha deste jeito. É ele que filma a garota de apenas oito anos. Sei lá, uma coisa é um adulto que escolhe este caminho da fama pela fama e com o princípio " Falem mal, mas falem de mim". O adulto(teoricamente) tem mecanismos de defesa, diferente da criança que se joga sem proteção, confiando que tem talento. Pois, seus pais sempre dizem que ele ou ela são os mais belos e especiais do mundo. Conclusão, a menina é usada tanto pelo pai como pelas pessoas que a zoam. Como o mundo é podre, muitas vezes...



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Deixa o tempo transcorrer tranquilamente...


Deixa o tempo transcorrer tranquilamente...

Quando era criança, gostava de brincar com bonecas. Havia certas pessoas que não tinham nada a ver comigo e se intrometiam, falando que não era “coisa de menino”. Meus pais sempre pegavam no meu pé em relação aos estudos e de ser um cara responsável, entretanto, nunca se meteram na minha vida pessoal e os admiro muito por isso. Inclusive, sempre cuidaram da própria família, nunca fizeram fofoca de ninguém e nem dos filhos dos outros. Este foi o maior ensinamento que me deram, além de que se deve respeitar alguém não pela conta bancária ou pelo diploma de faculdade e sim pelas boas atitudes.

Uma vez, um parente distante me fez enterrar todas as bonecas e ursinhos que eu brincava. Eu tinha quatro anos na época e me arrependi e desenterrei um a um, sujando o banheiro. Minha mãe nem brigou comigo, pois percebeu que eu estava transtornado, senti que cometi um crime terrível. O tempo passou e me assusto cada vez mais com as neuroses dos indivíduos. Ficam colocando medo nas crianças e não as deixam livre para descobrirem a sexualidade naturalmente. A violência simbólica é tão traumática que a física. O ato de fazer com que uma criança enterre seus brinquedos prediletos é tão quanto abusivo que um tapa.

Por isso, existem muitos indivíduos recalcados e com complexo de inferioridade por aí. Pois, ficam presos para atuar um papel social e não se aprofundam na própria existência com a intenção de encontrar a individualidade. Vivem castelos ilusórios de nada e quando encontram uma dificuldade na vida, ficam desnorteados. Acreditam piamente que a vida é certinha e lógica, “sabem de nada, inocentes.”.  Como diz Guimarães Rosa ( Sei que repetir esta citação é clichê demais, tem um monte de gente que a cita várias vezes, mas, ela é “fodástica”...) “viver é perigoso”. Não se pode prever o que acontecerá no próximo milésimo de segundo.


Queridos, não adianta colocar rótulos, uma vez que a natureza humana é vasta e diversa. Talvez, um menino que pega numa boneca e uma menina, numa bola, muitas vezes, pode não significar nada. Deixa o tempo transcorrer tranquilamente. 

sábado, 3 de outubro de 2015

O velho que acordou menino de Rubem Alves



Ultimamente estou a me interessar sobre a questão da memória, não referente à parte científica, mas sobre aquele tipo de lembrança que se transforma ao longo do tempo. Explicarei melhor, por exemplo, uma recordação de criança pode existir outra interpretação, quando se é adulto e acumulamos conhecimento e lembranças.

No início do livro, o autor faz um texto introdutório em relação à memória. Ela, na verdade, se divide entre dois tipos: memórias sem vida própria e memórias com vida própria. A primeira é registros de documentos, números, informações para fazer uma prova e senhas que só servem para nos orientar no mundo, por isso, tem utilidade pragmática e ficam inertes numa caixa. A segunda, pelo contrário, não ficam silenciosas e não surgem conscientemente e sim aparecem quando querem, voando com pássaros livres. Surgem de repente com um cheiro, música ou uma cena qualquer na rua.

Depois, desta introdução, Rubem Alves conta sobre suas lembranças de menino. Os pontos interessantes que achei, foi que ele fez citações de uma forma tão natural. Até anotei o nome de autor citado que gostaria muito de ler: Bachelard. Sabe, é interessante de ver intelectuais construindo pontes entre o mundo acadêmico e o que não é. Percebe-se que Rubem Alves além de ser um intelectual é um excelente contador de histórias, além, de ter certa pedagogia generosa que não torna o texto entediante.  

Outro aspecto que achei muito bacana foi que suas histórias me envolveram pelo fato de sua habilidade e sensibilidade. Os relatos não tinham nada de segredos “cabeludos” ou mistérios, pelo contrário, mostrou o lirismo e o lúdico das primeiras lembranças e como elas de repente nos invadem se pedir licença.

Confesso que demorei de ler o livro com pena de acabar. Talvez, um dia, quando for um escritor, gostaria de escrever semelhante, praticando uma literatura que proporcione conhecimento sem ser chato ou pedante.