quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Deixa o tempo transcorrer tranquilamente...


Deixa o tempo transcorrer tranquilamente...

Quando era criança, gostava de brincar com bonecas. Havia certas pessoas que não tinham nada a ver comigo e se intrometiam, falando que não era “coisa de menino”. Meus pais sempre pegavam no meu pé em relação aos estudos e de ser um cara responsável, entretanto, nunca se meteram na minha vida pessoal e os admiro muito por isso. Inclusive, sempre cuidaram da própria família, nunca fizeram fofoca de ninguém e nem dos filhos dos outros. Este foi o maior ensinamento que me deram, além de que se deve respeitar alguém não pela conta bancária ou pelo diploma de faculdade e sim pelas boas atitudes.

Uma vez, um parente distante me fez enterrar todas as bonecas e ursinhos que eu brincava. Eu tinha quatro anos na época e me arrependi e desenterrei um a um, sujando o banheiro. Minha mãe nem brigou comigo, pois percebeu que eu estava transtornado, senti que cometi um crime terrível. O tempo passou e me assusto cada vez mais com as neuroses dos indivíduos. Ficam colocando medo nas crianças e não as deixam livre para descobrirem a sexualidade naturalmente. A violência simbólica é tão traumática que a física. O ato de fazer com que uma criança enterre seus brinquedos prediletos é tão quanto abusivo que um tapa.

Por isso, existem muitos indivíduos recalcados e com complexo de inferioridade por aí. Pois, ficam presos para atuar um papel social e não se aprofundam na própria existência com a intenção de encontrar a individualidade. Vivem castelos ilusórios de nada e quando encontram uma dificuldade na vida, ficam desnorteados. Acreditam piamente que a vida é certinha e lógica, “sabem de nada, inocentes.”.  Como diz Guimarães Rosa ( Sei que repetir esta citação é clichê demais, tem um monte de gente que a cita várias vezes, mas, ela é “fodástica”...) “viver é perigoso”. Não se pode prever o que acontecerá no próximo milésimo de segundo.


Queridos, não adianta colocar rótulos, uma vez que a natureza humana é vasta e diversa. Talvez, um menino que pega numa boneca e uma menina, numa bola, muitas vezes, pode não significar nada. Deixa o tempo transcorrer tranquilamente.