sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MEMORIAL DE AIRES-MACHADO DE ASSIS


“Tudo serão modas neste mundo, exceto as estrelas e eu, que sou o mesmo antigo sujeito, salvo o trabalho das notas diplomáticas, agora nenhum.”( Aires)

Foi seu último romance e houve uma comunhão entre o livro e o momento em que estava passando. Ajudou-me a refletir como somos efêmeros em relação ao tempo e a própria vida.

A estrutura do livro é como se fosse um diário. Aires escreve fragmentos sobre seus pensamentos e as pessoas que conhece ao longo do caminho. O protagonista-narrador aparece em Esaú e Jacó, o qual conta a história dos gêmeos que sempre brigaram, mesmo no ventre da mãe.

No memorial, além das reflexões sobre a finitude das coisas, Aires é um diplomata aposentado, conta-se a história do casal Aguiar que apesar de viver o verdadeiro sentimento do casamento, há certa tristeza de não ter filhos. Por isso, apega-se ao Tristão, mas, o menino viaja para Europa e fica anos lá. Depois, o casal adota a jovem viúva Fidélia, que sofre muito com a perda prematura do marido. Não tem aventuras, mas relatos “aparentemente” monótonos, que evidenciam a finitude de todos nós.

Não quero fazer um resumo ou análise do livro.  É só procurar no google, que encontrará bastante material. Desejo compartilhar como o romance de certa maneira dialogou com o momento que estou passando.

Machado através de Aires mostra como não podemos nos importar tanto com Status, pois a vida é tão breve. Não se devem acumular as gavetas e a memórias com coisas sem importância, mas guardar as recordações que velem a pena. A morte faz parte da vida e quando ela acontece, o mundo continua a viver. O livro faz menção à abolição da escravidão, que foi um momento de ruptura com o tempo antigo.

A jovem viúva Fidélia mesmo amando o marido morto,  até brigou com o  pai, encontrou outro amor, Tristão. Então, mesmo tendo afeição ao falecido, foi viver uma nova história, já que não precisa exterminar o falecido da memória para viver um novo amor. “ A vida continua”, como a separação do casal Aguiar com os filhos postiços: Tristão e Fidélia:

“Praia fora (esqueceu-me notar isto ontem) praia fora viemos falando daquela orfandade às avessas em que os dois velhos ficavam, e eu  acrescentei, lembrando-me do marido defunto:  — Desembargador, se os mortos vão depressa, os velhos ainda vão  mais depressa que os mortos... Viva a mocidade!”

Campos não me entendeu, nem logo, nem completamente. Tive então de lhe dizer que aludia ao marido defunto, e aos dois velhos deixados pelos dois moços, e concluí que a mocidade tem o direito de viver e amar, e separar-se alegremente do extinto e do caduco. Não concordou, — o que mostra que ainda então não me entendeu  completamente.”

Mesmo o romance sendo melancólico há uma serenidade e resignação nos personagens para encarar os acontecimentos, inclusive, a brevidade de suas respectivas vidas. Aires quando se aposentou se desfez de muitas cartas e documentos que juntou quando era embaixador. Agora, encara a velhice e as dores reumáticas tranquilamente, sem ficar revoltado. Só fica um pouco irritado. O “declínio” é visto como uma ordem natural. Até a solidão do casal Aguiar: “Consolava-os a saudade de si mesmos.”.


Enfim, mostra que a vida é um ciclo e que é muito mais que fatos históricos, estátuas e documentos oficiais.  A velhice, solidão e a morte chegam para todos e precisamos estar preparados para isso, apesar de ser difícil compreender...

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Obs: Mesmo que os personagens e a história sejam serenos e até resignados, não se pode deixar de dizer que a ironia machadiana aparece no romance e que é muito engraçado por ser bastante atual. 


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Noite Adentro

Foto que tirada por mim...


Velório.

Imensidão silenciosa dos que dormem o sono eterno.

Som de funk e outros ritmos dançantes.

Ao longe, ruídos das criaturas da noite.

Barulho de avião.

Um cachorrinho faz festinha pra mim.

Vida e morte se tornam uno.


De repente entro em contato com o insondável mistério da vida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

MÃE

                   





Li em algum lugar que a verdadeira morte não está no corpo, mas nas lembranças. Sempre estará nas minhas recordações e a última lembrança que guardarei de você será no aniversário de quinze anos de sua neta, onde estava transbordando de alegria. É a imagem que reflete sua essência resplandecente. Para mim, não faleceu e sim nasceu para outra forma de existência. Até o fim, desta vida, ensinou a gente que a serenidade e o bom senso são importantes nas horas difíceis e que precisamos ser fortes para enfrentar as adversidades da vida. Sua viagem foi um ensaio para mim, para que possa enfrentar com dignidade a minha um dia. Não foi só minha mãe, mas minha melhor amiga e sentirei saudades. Não me despedirei, sempre estará comigo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ESCREVER...

Imagem encontrada no google

"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma."
Fonte - Revista Nós - Jornal i (2009)Autor - Cardoso , Miguel Esteves http://www.citador.pt/frases/citacoes/t/escrita

Há dez anos escrevo diariamente e essa prática me ajuda muito a clarear as ideias. Escrever é repassar a sensação, encontrando possíveis ângulos que não foram percebidos no calor da emoção. Lembro-me que já tentei vários estilos como artigos, crônicas e contos, mas minha escrita continua coloquial e ao vento.

Acho até graça do tempo em que enviava textos para vários sites, a fim de ouvir incentivos ou elogios. Só ouvi o silêncio da indiferença. Entretanto, quando descobri que poderia publicar meus originais no blog e depois em outras redes sociais, compreendi que poderia ser meu próprio editor. Não preciso ficar esperando por ninguém. Lógico, que houve pessoas que me ajudaram muito. Uma senhora me acudiu ao fazer críticas construtivas e me ensinou, inclusive, a ouvir mais, não deixando o ego inflar demais. Agradeço, também, a um escritor e jornalista que sempre publica meus textos e sempre foi muito gentil comigo.

Enfim, continuarei a escrever por mais anos, isto me salva da irracionalidade. Agora, o fato de não ser um escritor ainda, cada vez fica menos importante para mim.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Só sei que foi divino



Olá gente, poxa, voltei de viagem neste momento e preciso compartilhar com vocês a felicidade que tive na palestra “ EMPREENDEDORES PERDEDORES 2014”. Fui muito acarinhado e todos queriam ouvir minhas dicas de como ser um péssimo profissional e um ser humano displicente. Como perder tempo, fazendo fofoca no face ao invés de trabalhar e como atender mal os clientes para que eles nunca retornem. Mais tarde, postarei as fotos na minha página oficial do face. Não consigo encontrar palavras para expressar o que sinto.  Só se sei que foi divino.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Livre?

Imagem encontrada no google

Por esses dias, no ônibus, conversávamos sobre a hipótese de os laboratórios já terem a cura para AIDS, o câncer e outras doenças graves, mas não compartilham com o achado porque lucram muito ( A indústria farmacêutica entre outros, também.) com os remédios e os tratamentos que patenteiam.

Pode ser teoria da conspiração, entretanto, fico com medo de pensar que existem forças externas que manipulam minha vida. Como se não fosse um cidadão livre e sim uma rato de laboratório.

Por isso que o conhecimento tem um efeito colateral, o desencanto com a vida. Inclusive, por perceber que se está mais para uma marionete do que um pássaro livre.
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