domingo, 30 de outubro de 2011

ESVAZIAMENTO( crônica antiga)




Conto de Clarice Lispector narra a história de uma amizade e sua deterioração. O conto narra, em primeira pessoa, a história de dois amigos que se separam sem que haja uma briga ou traição. Separam-se simplesmente por não mais haver afinidade e pelo empobrecimento da relação entre eles. Contudo, ainda se gostam. Mostra que a amizade precisa ser cultivada, não sendo necessária apenas a presença física, mas, a proximidade existencial para manter o relacionamento.

Destaquei alguns trechos importantes que explicam o título (Esvaziamento):
“Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonema, encontrávamos-nos, e nada mais tínhamos a dizer .” (pág. 77)

“... Que rebuliço de alma. Radiantes arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto, eis-nos dentro de casa de braços abanando, mudos, cheios de apenas amizade.” ( pág.78)

“ Se ao menos pudéssemos prestar favores um pelo outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos só amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.” (idem)

“... Sabíamos que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros”. ( pág. 79)

No final do conto, mesmo continuando amigos, os personagens vão por caminhos diferentes. Isso pode acontecer em qualquer relação afetiva. Mesmo havendo sentimento, a angústia da existência de desejar algo mais, como a procura de uma identidade e novos caminhos, separa as pessoas.

Embora distantes, os dois continuaram amigos. Ao final, preferiram a distância física a ter que conviver com a hipocrisia de um relacionamento vazio e medíocre.

Esse conto me marcou bastante, porque já tive a experiência de esvaziamento e não conseguia defini-la, mas a sentia.

*ONDE ESTIVESTES DE NOITE. Editora Rocco, 1999
***

OFF

Ao reler este texto percebi que cometi micos horrendos, como citar Sartre sem ter lido um livro completo dele. Só consultei um, que fala sobre a sua teoria. Juro que numa mais escreverei sobre pensamentos que não conheço profundamente. Prefiro escrever pouco e ser autêntico a citar superficialmente. Sinto-me vazio e um mentiroso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AUTOCRÍTICA NÃO SIGNIFICA AUTODESTRUIÇÃO


Crédito da imagem: http://blogs.jovempan.uol.com.br/carreira/cuidado-com-a-autocritica/



Terminei a leitura do livro Triângulo das Águas de Caio Fernando de Abreu e ao ler o primeiro parágrafo da apresentação do escritor sobre a obra, comecei a pensar como posso me transformar ao longo do tempo:


“ Sempre é terrível para um escritor revisar seu próprio texto. Escrito às vezes num jorro de emoção, sem interrupções nem autocrítica, muitos anos depois, corre-se o risco de rejeitar o filho crescido, independente, talvez feio, deformado. Perdão e amor, então são os únicos sentimentos capazes de atenuar a crítica que, inevitavelmente impiedosa, não deverá jamais ser estéril ou esterilizante.”

Este trecho pode-se transferir para vida. Quantas vezes, olhamos fotos, trabalhos ou ideias antigas e nos consideramos estranho àquelas coisas que parecem ser de outra pessoa.  

Aponto falhas em escritos e fotos minhas, que não conseguia enxergar anos atrás. Com o passar do tempo, a autocrítica vem amadurecimento dentro de mim e, às vezes, rejeito muitos fatos do passado.


Mas, as falhas e os micos pretéritos fazem parte da minha história e tenho que ter benevolência. Se naquela ocasião fui impulsivo e me atrapalhei, na verdade, queria acertar e construir algo. Graças a ele, tenho experiências as quais me tornam uma pessoa melhor.

Autocrítica não significa autodestruição, pelo contrário, seremos nossos conselheiros para nos aprimorar sempre como indivíduo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

POR ESSES DIAS







Estou tentando fazer micronarrativos utilizando 140 caracteres do espaço do twitter. Na verdade, almejo fazer nanacontos, mas muitos tweets que produzo não tem estrutura de conto, o qual narra uma história, diferente de uma frase e citação. Alguns deram certos e outros não, ficaram truncados e incompreensíveis. Inclusive, as pessoas devem me considerar dois de escrever um monte de coisas no twitter, apagar e publicar de novo várias vezes. É que eu testava para ver se o texto cabia no espaço de 140 caracteres.

Miniconto, ou microconto, ou nanoconto, é um gênero de conto bastante pequeno, e seu desenvolvimento se associa ao minimalismo. O miniconto é distinto de um "conto pequeno".

No miniconto o fundamental é sugerir, proporcionado a quem for ler o compromisso de desvendar que está por de trás das entrelinhas.  Pois, este gênero sugere algo mais, que não está escrito, mas subliminarmente. O guatemalteco Augusto Monterroso é citado como autor do mais famoso miniconto, desenvolvido com apenas trinta e sete letras: Quando acordou o dinossauro ainda estava lá. O estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro surpreendente miniconto. Com vinte e seis letras, mostra uma história de tragédia familiar: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso. 

Os microcontos estabelecem o limite de 150 caracteres (contando letras, espaços e pontuação) para permitir seu envio através de mensagens SMS (torpedos) pelo celular, mostrando uma das características do microtexto, que é sua ligação com as novas tecnologias de informação e comunicação.

Existem várias teorias sobre os microcontos, mas o que me fascina é a síntese desde gênero, que só mostra a ponta do Iceberg, entretanto o leitor precisa refletir um pouco para perceber o que está oculto.

Todavia, minha opinião não bate com a perspectiva de que o microconto seja um gênero mais rápido de compreensão. “Os microcontos vêm ao encontro das ideias de Calvino. Para ele, a rapidez permite poupar o leitor de determinados detalhes em favor do ritmo da narrativa. É o nó de uma rede de correlações invisíveis no texto e a ferramenta essencial para a continuidade da narrativa, permitindo que o leitor transite com maior naturalidade entre as ideias contidas na história.”. Há microcontos que tem esta estrutura, todavia nem todos. Houve textos que tive que ler duas vezes, para entender o que estava por de trás da sua escrita. É provável que esteja equivocado, entretanto minha proposta é desenvolver minha escrita, torna-me claro. Ao longo do tempo, aprenderei coisas novas e me envergonharei das ideias erradas.

Esta semana, piei( tweet) bastante e, como já disse, escrevi textos bons e outro, um lixo. Inclusive, teve alguns que ficaram herméticos demais. Curioso, é que fiz uma produção em tempo real e isso, por um aspecto, não é  interessante porque revelo meus erros ou a confusão de ideias que acontecem na minha cabeça.

Revisarei e refletirei mais. Serei menos impulsivo. Tudo na vida é uma aprendizagem. 











http://www.youtube.com/watch?v=8O5GTMK7Lhg&feature=player_embedded


http://www.youtube.com/watch?v=ya3AtzKEVLY


http://www.youtube.com/watch?v=VFaCb2BUfVE

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Crédito na imagem: 
http://www.leoni.com.br/post.php?titulo=dia-do-silencio-por-karine-nunes

CALAR-SE NÃO É COVARDIA


Quis escrever sobre um assunto e fazer um vídeo, mas percebi que estava por fora do contexto. Resolvi deletar o texto e não filmar. É preferível pesquisar o tema e amadurecer meus argumentos a falar um monte de asneiras.

Calar-se não é covardia, pode ser um ato de sabedoria, principalmente hoje em dia, em que todos querem propagar opiniões a toda hora.

Apaguei o texto e confesso que tive pena. Estava prontinho. Porém, o que adianta postar nas redes sociais um monte de bobagens e ideias desconexas. Só para dizer que tenho opinião. Muitas vezes, não tenho nenhuma. Fico quieto no mar de pessoas que gritam seus pontos de vista. Preciso de tempo para assimilar e construir meus pensamentos.

Também, não desejo reproduzir notícias de jornais só para dizer que sou informado. Tenho ambição de ser um indivíduo que nunca será manipulado por pessoas que dominam o discurso e a oratória.

Não terei vergonha de dizer que estou por fora do assunto, pois é mais autêntico falar isso do que ser papagaio.

Nunca se sintam constrangidos de se calarem. Pensar antes de falar é uma virtude, mesmo que hoje em dia muitos pensam ao contrário.

Curioso que anos atrás, vários jovens e idealistas morreram nos anos de chumbo para que a agente pudesse manifestar nossas ideias. Porém, tudo na vida tem um reverso. Agora, precisamos filtrar o que é bom no turbilhão de informações, que ocupam desnecessariamente nossa cabeça.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O PRIMEIRO PEDAÇO DO BOLO



O vídeo a seguir é engraçado, apesar dos palavrões. Mas, ele me fez refletir como não podemos esperar muito dos outros. 

Muitos consideram o humor como um gênero inferior. Entretanto, este estilo nos leva também a reflexão sobre nossa sociedade. Quem nunca pensou algo, quando viu um filme de Charles Chaplin? 


Recordo que aprendi, em algum lugar, que a figura do bobo da corte divertia o rei em épocas passadas. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e conduzia as festas. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e achincalhava a corte. Com ironia mostrava as duas facetas da realidade, revelando “ os podres do rei”. Era geralmente um indivíduo de grotesca figura - corcunda ou anão. 


Mesmo que o bobo da corte não exista mais, os comediantes contemporâneos exercem esta função na sociedade. Quantas vezes me percebi ridículo quando um humorista fala sobre um assunto do cotidiano, que nem tinha me dado conta.

Concordo que o humor está agressivo, mas nossa sociedade anda muito hostil. Portanto, o gênero é reflexo dos valores atuais.


Enfim, vale a pena assistir o filme e pensar sobre todos os tipos de relacionamentos afetivos.





quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ALGUNS APONTAMENTOS




A corrupção é inerente do ser humano, mas o grande problema é quando ela se infiltra na cultura, tornando-se costume legitimada.

Percebemos isso ao longo da História do Brasil e nos últimos acontecimentos. Não só os políticos que precisam mudar de atitudes, mas os cidadãos também. O que adianta marchar contra a corrupção, se chaga no outro lado da esquina, avança o sinal ou aplica o famoso e degenerado “jeitinho” brasileiro. Dei um exemplo, não generalizo, entretanto, colocar a culpa exclusivamente nos políticos não resolve a situação, já que muitos que criticam, usam o mesmo remédio.

O que falta é uma discussão sobre a ética e a moral. A pirataria, subornar as autoridades para abrir estabelecimentos ou casas em lugares inapropriados e os graves abusos no trânsito são resultados da fata de conscientização das pessoas.
Recordo-me que, uma vez, escrevi uma crônica sobre a pirataria e meu argumento central foi que a sociedade capitalista estimula as pessoas consumirem este tipo de produto, porque o excesso de desejo produzido faz com que todas as pessoas desejem a mercadoria, procurando assim os produtos pirateados.

Hoje em dia, percebo que me equivoquei, tentando tirar a culpa dos consumidores e ao colocar a Sociedade Capitalista como a vilã. Na realidade, tonos nós podemos ser bandidos e mocinhos dependendo das diferentes perspectivas. Somos contraditórios.

A Pirataria sonega impostos e atrapalha o crescimento do país. Além de serem, mercadorias de baixíssima qualidade. E mesmo que tenha um costume de comprá-los, eticamente é errado. A ética vai além dos costumes e do tempo.  É valores que transcendem o local, que é a moral, que se relaciona à obediência de normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, inversamente, procura fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. Portanto, não é porque todo mundo pratica, farei também. O mesmo fato é avançar o semáforo, “molhar a mão” de um agente público para abrir um negócio ou desmatar o meio ambiente.

O Brasil há leis que são fundamentadas pela ética e não pela moral. Por isso, o Estado é laico e democrático. Entretanto, os costumes retrógados e interesses desvirtuam tudo. 

A falta de conscientização produz lacunas na educação. Já vi pessoas considerarem um absurdo roubar um alfinete, mas compra óculos escuros contrabandeados. Ou acha um absurdo o aborto e dirige como assassino nas ruas da cidade. O ser humano é muito contraditório. Por isso, que é importante uma reflexão profunda sobre a ética e a moral, para nos compreender e tornar a sociedade mais justa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011



Neste vídeo, fiz um paralelo entre O Balão Vermelho de Albert Lamorisse e A FITA BRANCA(2009).
Os dois vídeos são completamente diferentes, o primeiro aborda a fantasia infantil e o segundo é mais brutal. Entretanto mostram como a sociedade pode ser opressora e cruel.


A FITA BRANCA(2009)

cartaz de A Fita Branca


Numa aldeia no norte da Alemanha habitam as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário (Christian Friedel). Um acidente estranho com o médico (Rainer Bock), que cavalo tropeça em um arame afiado, desperta uma desconfiança entre os moradores, fazendo que haja a busca pelos responsáveis. Outros eventos acontecem, levantando um clima de desconfiança.
O filme não revela de cara os culpados, os expectadores precisam presta a atenção nas cenas e nas interpretações sugestivas dos atores.

Quando acabei de assistir o filme, pensei como o ser humano inventa regras e ao mesmo tempo tenta burlá-las. Somos bicho, não nos podemos esquecer-nos disto. Na aldeia, a moralidade é severa, principalmente com as crianças, que, ao longo da película, mostram-se dissimuladas e vingativas.

Logo, as longas cenas do campo, das plantações, dos riachos, das crianças brincando e as idas dos habitantes ao culto da igreja tornam-se uma serenidade aparente, que esconde uma cultura do medo, perversidades e hipocrisias.

O título do filme “A FITA BRANCA” vem do costume do pastor do vilarejo colocar fitas brancas nos filhos, para que nunca se esqueçam de ser puros e não serem contaminados por desejos pecaminosos”.
Tive a impressão que os moradores do vilarejo eram cúmplices e sabia quem estava por de trás dos atos de violência gratuita, mas preferiam ficar calados para não desestruturar a paz das recatadas famílias de bem.

O diretor do filme A FITA BRANCA é o mesmo de Caché(2005), no qual aborda os mesmos temas como a intolerância, a violência e a cultura do medo. Assisti este também.

MUNDOS PARALELOS

O conto A trama celeste do escritor Adolfo Bioy Casares narra as aventuras do Capitão Morris, quando sofre um acidente de avião e se encontra numa outra Argentina. Apesar das semelhanças de seu país de origem, ruas e dados históricos são distintos. Pessoas de seu convívio não o reconhecem e outras nem existem. A mensagem do conto é que há vários mundos paralelos. Só quero abordar esta questão. O que seria pior? Ser transportado para um mundo completamente diferente do seu, por exemplo, na época dos dinossauros ou a um lugar parecido, no qual se viveu a vida inteira?

Imaginei estar em outro Brasil, que existisse meus pais e irmãos, mas neste lugar eles não me veem da família, por nunca terem me conhecido. A dor que sentiria ao me olharem com indiferença. Em muitas ocasiões o semelhante nos dá a ilusão que podemos pertencer a ele, por isso é mais cruel do que o choque do completamente oposto, que é abrupto e, em relação ao espaço similar, é menos traumático.  A gente se torna mais prudente, já a ilusão de conhecer o outro, o tombo pode ser fatal.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Balão Vermelho de Albert Lamorisse




No facebook muitas pessoas estão colocando fotos de personagens de desenhos ou histórias infantis. Quis participar e me lembrei  de um filme que assisti adulto e me fez reviver a fantasia da infância.

 O Balão Vermelho de Albert Lamorisse , que narra a história de um garoto sozinho nas ruas de Paris, que encontra um balão vermelho amarrado a um poste de iluminação. Ao soltar o balão, ganha sua amizade, que passa a segui-lo  por Paris, por bondes, escolas, becos e avenidas. Professores e amigos tentam tirar o balão do garoto, mas eles fogem e aprontam, brincam de esconder, inventam planos para ludibriar todo mundo.

O filme, pois mostra como na nossa sociedade pune as pessoas sensíveis e imaginativas. A criança e o balão, apesar da grande amizade, irritavam as outras crianças. Já presenciei e ouvi muitos casos assim de a pessoa ser à margem e ser completamente discriminada. O diferente sempre incomoda, porque desarruma o ideal imposto pelo mundo dito normal.
É o tipo da história que me faz pensar no quanto é interessante optar pela "terceira margem do rio"....


CRÔNICA ANTIGA


Pelo twitter fiquei sabendo de um incêndio no Parque da Catacumba no Rio de Janeiro. O acidente pode ter sido provocado por um balão. No momento, não se pode julgar se foi realmente um balão. Como soube a notícia em tempo real pelo twitter, não há no momento provas concretas. Porém, o suposto incêndio provocado por balão levou-me a pensar sobre a modernidade e as culturas tradicionais.

Mesmo vivendo numa metrópolis, onde existem nomes estrangeiros espalhados por todo canto, há manifestações que resistem ao tempo e que provocam tragédias no espaço urbano. A cidade do Rio de Janeiro cresceu espremida entre as montanhas e o mar, em consequência deste fato, a mata atlântica foi quase extinta. Além dos ricos de acontecer desastres com aviões ou helicópteros.

O ritual de fazer um balão ao longo das décadas é uma herança cultural que se contrapões com os novos pensamentos e a lei. A eterna dialética do antigo e o nove. Como solucionar isto? Intensificar ainda mais programas educativos? Fiscalizar? Como derrubar um cerimonial tão antigo?

Realmente relativizar não soluciona o problema. Há necessidade de tomar atitude, mesmo que sejam equivocadas. Eu acho uma besteira soltar balão, entretanto o outro pode reviver histórias e lembranças ao praticar esta atividade, mesmo sendo criminosa. Por outro lado, as mudanças climáticas provocados pela poluição têm reflexos ao planeta. Como já mencionei no texto anterior( Desafio): Tudo bem que precisamos relativizar e compreender não existe uma opinião única das coisas; todavia, como pensar numa nação, sem englobar pessoas em um mesmo sonho de ver um país desenvolvido? O planejamento familiar é um dos fatores fundamentais para a prosperidade de uma nação.

Uma mudança cultural demora bastante, mesmo com a overdose de informações que explodem nos meios de comunicação. Precisa-se refletir profundamente. Em muitas ocasiões minha cabeça está tão cheia, que precisa esvaziá-la um pouco. Jogar fora ideias ou modelos entranhados no meu inconsciente e que me antecedem por gerações.

MÍDIA SOCIAL

Encontrei um site bacana, que fala de mídias sociais. Para quem se interessar: http://www.midiasocial.com.br/home/default.asp

OUTROS OLHARES

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

TWEETS






Contraditório 1: Não sou engraçado e quero fazer graça.


Contraditório 2: Ao mesmo tempo que quero ficar anônimo divulgo meus blogs e vlogs como as Casas Bahia.


Contraditório 3: Ouço boys boys boys da Sabrina a Vivaldi - Inverno (Largo) de As quatro estações

A Menor Mulher do Mundo de Clarice Lispector





Gosto muito de contos, não pelo motivo de serem curtos. Uma boa narrativa curta através da síntese mostra um pensamento ou um fato até então desconhecido.

Neste conto de Clarice mostra como uma notícia da descoberta de uma mulher pigmeu e grávida foi repercutida nas famílias e pelo pesquisador que a descobriu. Ao longo da narrativa, os assuntos sobre o amor, a felicidade e a solidariedade são questionadas. Principalmente, o que é o certo ou errado.
No primeiro momento todos a consideravam um brinquedo, uma pobre coitada, um animal  ou uma descoberta científica. O conto não deixa de fazer uma crítica a nossa sociedade, onde nos consideramos pessoas evoluídas e “caridosas” em relação.  A sempre dialética ente a Civilização(eu) X a Barbarie (o outro).

 “Há um velho equívoco sobre a palavra amor, e, se muitos filhos nascem desse equívoco, tantos outros perderam o único instante de nascer apenas por causa de uma suscetibilidade que exige que seja de mim, de mim! que se goste, e não de meu dinheiro. Mas na umidade da floresta não há desses refinamentos cruéis, e amor é não ser comido, amor é achar bonita uma bota, amor é gostar da cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha. Pequena Flor piscava de amor, e riu quente, pequena, grávida, quente.O explorador tentou sorrir-lhe de volta, sem saber exatamente a que abismo seu sorriso respondia, e então perturbou-se como só homem de tamanho grande se perturba. Disfarçou ajeitando melhor o chapéu de explorador, corou pudico. Tornou-se uma cor linda, a sua, de um rosa-esverdeado, como a de um limão de madrugada. Ele devia ser azedo.Foi provavelmente ao ajeitar o capacete simbólico que o explorador se chamou à ordem, recuperou com severidade a disciplina de trabalho, e recomeçou a anotar. Aprendera a entender algumas das poucas palavras articuladas da tribo, e a interpretar os sinais. Já conseguia fazer perguntas.Pequena Flor respondeu-lhe que "sim". Que era muito bom ter uma árvore para morar, sua, sua mesmo. Pois — e isso ela não disse, mas seus olhos se tornaram tão escuros que o disseram — pois é bom possuir, é bom possuir, é bom possuir. Fonte: http://claricelispector.blogspot.com/2008/04/menor-mulher-do-mundo.html

Para mim, este trecho é o ponto chave do conto.* Porque mostra que como em nossa sociedade há mecanismos e subterfúgios para se conseguir o que almeja. O amor muitas vezes é utilizado com moeda de troca.  Os valores cristãos são usados para inflar o ego dos indivíduos: “Como sou bom! Caridoso!”. Entretanto, a menor mulher do mundo, é autêntica na sua simplicidade. Ela fica feliz com coisas consideradas “banais”. 

Depois de ler o conto, veio-me a pergunta: “ Quem é mais feliz? Nós ou ela? Ou Eu ou Outro?”

* Espera um pouco, refiro-me sobre o tema que estou desenvolvendo, lógico que há outros temas, já que o texto é um universo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011






Como quero melhorar a escrita, vou escrever os motivos que me levaram a fazer este vídeo. O objetivo é discutir sobre o estereótipo construído dos vlogueiros e as pessoas que fazem vídeo para Youtube. 


Estou percebendo, ao longo do tempo, que esses indivíduos são tachados como exibicionistas, os quais só querem virar celebridades. Porém, não é bem assim. Há várias pessoas que almejam debater ideias e exercitar a democracia. Também, fazem vídeos ou vlogs, como forma de desabafo e revelar coisas do cotidiano, usando como diário.


No Youtube existe uma diversidade de objetivos e projetos. Não se pode rotular. Ouça primeiro o que o outro tem a dizer, para depois tirar suas conclusões. Entretanto, na prática, é impossível compreender o diverso - uno do universo. 


Precisamos recortar e optar caminhos, mas não podemos achar que nossas escolhas e pontos de vistas são os componentes da verdade absoluta.  

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TRIÂNGULO DAS ÁGUAS DE CAIO FERNANDO ABREU

triangulo+das+aguas

Crédito da foto: http://www.submarino.com.br/produto/1/121380/triangulo%20das%20aguas


“ Gostaria que o livro fosse lido e sentido assim. Como murmúrio do rio, um suspiro do lago ou um gemido do mar”( O autor)

O livro é composto por três novelas. “““Dodecaedro” reúne o inconsciente e o caos de Peixes; “O marinheiro” trata da capacidade redentora atribuída a Escorpião e que pode surgir da destruição de nossas redes de proteções; “Pela noite” fala da busca pela afetividade maternal perdida, a paz de Câncer.”.

É uma viagem pelos sentimentos, a busca pelo afeto. Como diz o autor: “ Todo o livro, percebi aos poucos, estruturava-se sobre a simbologia da água: a emoção.”. Os personagens são criaturas da noite esfomeadas,  que  quanto mais provam, a fome pelo prazer aumenta. Buscam a felicidade e encontrar um lugar no mundo, onde há intolerância e hipocrisia.

Triângulo das águas é uma viagem aos recantos profundos do ser. Quem vive só na superfície, não terá estrutura para ler a obra.

domingo, 2 de outubro de 2011

“ O nosso cérebro não é moderno”


 
Fonte da foto: Revista Época

Li uma entrevista na revista Época que me fez pensar como o ser humano não é perfeito como nosso ego, muitas vezes pensa. Nossa genialidade está na imperfeição e na tentativa de superá-las.

O título da matéria: “ O nosso cérebro não é moderno”*, já evidencia a ideia de que "o cérebro é uma máquina perfeita" está equivocada, apesar de sua estrutura complexa.

O entrevistado é Dean Buonomano, doutor de neurociência pela Universidade do Texas. Escreveu o livro “ O cérebro imperfeito- Como as limitações do cérebro condicionam nossas vidas.”

“O cérebro humano é um conjunto de 100 bilhões de neurônios e 100 trilhões de conexões entre eles, um aparato imponente e... cheio de falhas: a memória nem sempre funciona , a capacidade de calculo é limitada e, definitivamente, não adaptados às exigências do mundo moderno”

Este é o tema central do livro e comecei a pensar sobre o barato do cérebro humano não está na capacidade de calculo ou armazenamento de dados. Mas a capacidade de lidar com as situações e as emoções. Como disse o entrevistado: “ O cérebro não foi moldado para ter a capacidade de cálculo de um computador que se exige dele hoje em dia. Se nosso ancestral via cobras, corria, não contava.”

Este paradigma pode servir para questionarmos o turbilhão de informações que o mundo contemporâneo produz. O que é melhor? Ler uma notícia e tentar assimilá-la ou tentar memorizar várias informações sem senso crítico?

Por exemplo, com a internet chove sites de pesquisas inesgotáveis e que muitas vezes não são confiáveis. “ O cérebro humano pode ser convencido inconscientemente. Ele pode associar conceitos caso seja exposto de forma contínua e prolongada a alguns estímulos. É o que fazem os publicitários com imagens, sons e aromas.” ( Dean Buonomano)

Por isso, o cérebro precisa de tempo para avaliar os dados e perceber o que presta. Senão vamos consumir lixo de informações.

Outro ponto que me chamou a atenção na matéria foi o que o neurocientista disse sobre o preconceito: “Minha hipótese é que o cérebro está predisposto a desenvolver medos seletivos por certas coisas que eram ameaças no passado, como as cobras. Muitos pesquisadores acreditam, e eu concordo, que também estamos predispostos a desconfiar de gente que é muito deferente de nós. Hoje pode ser um  erro, mas era uma boa adaptação do passado.”

Sempre intuí que o preconceito vem de um lado bem antigo do ser humano, como forma de proteção e hegemonia dos grupos sociais. Portanto, por ser um mecanismo de defesa ancestral. Devemos discutir sempre e refletir, superando velhos juízos de valores. A busca de um conhecimento reflexivo é o caminho para superação do cérebro.

Enfim, mais um golpe no ego do Homem, que sempre se achou superior na História do planeta.

* 19 de setembro de 2011