terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ANIVERSÁRIO


Crédito da foto: http://www.verruganagordura.com/wp-content/uploads/2011/11/vela-de-casamento-2.jpg



Hoje, é meu aniversário e queria muito escrever alguma coisa. Confesso que fiquei sem inspiração e com receio de repetir ideias já abordadas em outros textos. Mas, tirarei leite de pedra. Preciso treinar a escrita.

Aniversário é o abraço do passado e do futuro. Morremos e nascemos.

Vejo-me com 33 anos e percebo que vivi vários ciclos. Fui várias pessoas vagando no mundo na busca de me encontrar. Cada uma representa um tijolo que constrói minha individualidade.

Mesmo em épocas diferentes, o sentimento de comum de atravessar um labirinto particular persiste e ele fica mais forte quando meu aniversário chega.

Início e fim se encontram e o outro eu continua a jornada do antigo. Sinto-me que vivi várias vidas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

AUTOCONTROLE


De repente sinto uma ira do mundo. Vejo-me uma força destruidora. Quando estou deste jeito, preciso escrever ou inventar algum vídeo. Canalizar esta raiva em algo terapêutico. Não quero ser Tsunami. Sou forte o bastante para me controlar, principalmente meu lado sombrio.

Esta crônica não deixa de ser um grito, não tem qualidade literária. É explosão de emoções e pensamentos.

Às vezes, sinto-me cansado de me domar. Mas, sei que para viver a liberdade, preciso ter controle de mim mesmo. Pois, ser levado pelos impulsos, irei me transformar num escravo dos instintos.

Meus pais sempre falam de equilíbrio e como odeio esta palavra. Quero extirpá-la do dicionário. Porém, preciso dela para conseguir me salvar.

Respirar fundo ajuda a pensar sobre o remorso que terei ao destruir a vida dos outros, refreia-me.


Sou livre por aprender a controlar meus instintos e delírios.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

SER RIDÍCULO



Tenho o direito de ser ridículo. Enganar-me ou me expor. Principalmente, nos meus espaços virtuais. Fiz até um vídeo sore o assunto, mas resolvi escrever para exercitar meu lado aspirante a cronista.


Por esses dias, tomei uma atitude que jurei nunca mais fazer. Antigamente, enviava textos por e-mails para jornais e isso foi um mico terrível, já que eles eram verdes para a publicação. Não tive resposta. Agora, mandei uma história para um site de humor e com certeza acontecerá a mesma coisa.

Percebo que quando viajo na maionese nesses devaneios de ser escritor ou artista, descarrego toda minha ansiedade e quando retorno, estou sereno para viver o cotidiano.

Por isso, não terei vergonha de ser ridículo. É uma forma de me autoconhecer, administrando minhas fantasias e obrigações.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

BOM SENSO

O Bom Senso
Imagem retirada na Internet


Há tempos atrás li uma matéria que entrevistas vários humoristas de diferentes gerações. A pergunta principal era qual o limite para piada? E ponto em comum entre eles foi o bom senso.

Confesso que nunca entendi muito bem o que é bom senso. Sempre achei seu significado subjetivo demais.

Então, fui fazer uma pesquisa rápida na internet. É um conceito utilizado no raciocínio ligado aos princípios de sabedoria e de razoabilidade, e que determina a competência média a qual um indivíduo possui tem de adaptar normas e costumes às determinadas realidades, podendo fazer bons julgamentos e escolhas.

Não deixa de ser uma forma de "filosofar" espontânea do homem comum, também chamada de "filosofia de vida", que conjetura certa capacidade de organização e independência de quem pondera o conhecimento de vida cotidiana.

Diferente do senso comum, que é um conjunto de crenças e proposições que aparecem como normal, sem estar amarrado numa averiguação particularizada para alcançar verdades mais profundas como científicas ou filosóficas.

Portanto, o bom senso se relaciona com a ética e o senso comum com a moral dos costumes. Muitas vezes, há uma confusão entre estes dois conceitos. Causando uma subjetividade do que é aceitável ou não para cada pessoa.

No caso do humor, os humoristas usam o senso comum como inspiração para as piadas. Não só reproduzem os preconceitos, mas com forma irônica ou sarcástica, pinta com cores grotescas um costume com forma de crítica. Entretanto, há outros que reproduzem preconceitos, reafirmando o status quo da sociedade.
Exemplos:



O bom senso no humor como na arte é muito discutido. Liberdade de expressão não pode significa esculachar os outros, ao mesmo tempo, a patrulha do politicamente correto terá um efeito de censura. Como sair desse problema? O bom senso talvez ajude a buscar a forma adequada para exercer a liberdade de expressão.

domingo, 20 de novembro de 2011

CISNE NEGRO






Assisti CISNE NEGRO, que é um tipo de filme que faz a gente pensar depois do término da sessão.

A história do filme é de uma jovem bailarina dedicada que almeja o papel de destaque no balé O Lago dos Cisnes, que narra a história da princesa Odette que é enfeitiçada por um bruxo malvado, transformando-a em cisne branco.

Com o tempo, ela se apaixona pelo príncipe, que depois se envolve com a linda filha do bruxo Odile, vestida de negro e com a aparência idêntica à de Odette. O Príncipe fica enfeitiçado pela beleza e sensualidade de Odile e se apaixona.

Logo, a nova jura de amor anula a promessa feita à Odette que permanecerá para sempre presa ao feiticeiro. O príncipe percebe o engano, mas é tarde demais e Odete se joga do precipício, encontrando a paz.

A história do filme faz uma analogia com este balé. Principalmente, na questão do antagonismo das imagens. Odette e Odile são idênticas, mas ao mesmo tempo opostas.

Nina, a protagonista, é uma jovem aparentemente angelical, porém sofre de problemas psicológicos e existência. Ao se olhar no espelho e para outras pessoas, vê outra Nina que é completamente diferente dela. O alicerce do filme é a questão da dualidade da imagem, o duplo. Este fato se agrava à medida que a obsessão da perfeição para desempenhar o cisne branco e o negro vai se agravando.

Uma vez, ouvi uma psiquiatra comentando que a personagem do filme é esquizofrênica e que construía outras realidades. O indivíduo que sofre este transtorno mental sofre por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas.

Mas, a meu ver, usar uma interpretação psicanalítica numa obra de arte qualquer, pode-se ocorrer um empobrecimento na interpretação imaginativa. O Cisne Negro mostra que o indivíduo não é uno, mas duplo ou diverso. Há forças antagônicas e ancestrais dentro da gente. Os mitos e as histórias bíblicas sempre revivem na gente.

Vivemos nos controlando, mas quem nunca teve desejos e pensamentos que ruborizam o rosto e a alma? Já me senti violentado por sentimentos e ideias estranhas a mim.

Não é só o esquizofrênico que é partido, todos nós somos. Entretanto, precisa-se administrar estes lados como bons zeladores de nós mesmos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESPELHOS



Acabei de ler Esaú e Jacó de Machado de Assis. É um livro misterioso, pois a narrativa machadiana, não é novidade para ninguém é oblíqua. É um autor conciso e foge da corrente literária naturalista, vigente na época.

No seu penúltimo romance, Machado de Assis arquiteta uma nova forma de narrar e proporciona uma alegoria dos conflitos políticos brasileiros do seu tempo por meio da história de dois gêmeos incompatíveis.

O enredo de Esaú e Jacó centra-se na história dos gêmeos Pedro e Paulo. Suas disputas, são iniciadas no útero materno, estendendo-se por toda a vida. Seus temperamentos são opostos: Paulo é republicano e Pedro monarquista. O que os une é a mãe, depois Flora, que ama dos dois e morre doente por não conseguir escolher.

Machado de Assis se utiliza de referências bíblicas para mostrar que os gêmeos são rivais, não por disputas de políticas, dinheiro e amores. Mas, há elementos míticos e místicos ancestrais que impulsionem a rivalidade entre eles. Há questão do jogo de imagens no espelho. Um é reflexo do outro, mas são invertidos. Quem nunca percebeu que as letras ficam ao contrário refletidas no espelho.

De repente, me lembrei do livro de contos do Borges O ALEPH, no qual os contos me chamaram mais atenção: História do guerreiro e da cativa, A escrita de Deus, O imortal, Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874). Porque me fizeram compreender a concepção de universo do escritor, mostrando que nada no mundo é original, mas reflexos que produzem um labirinto de espelhos, formando o infinito.

Em Esaú e Jacó, apesar dos fatores históricos e sociais, Machado(como Borges) mostra como os mitos estão vivos dentro da gente e que na “ História da humanidade” há um labirinto de espelhos que independente do espaço e do tempo, os mitos e as histórias antigas se manifestam.

Realmente é um livro de várias interpretações e que mostra como Machado é um autor de uma narrativa a frente do seu tempo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

OUTRO DIA NO CARRO...




 Eu, minha irmã e prima estávamos conversando sobre se o meio interfere ou não na vida do indivíduo.

O tema é complexo e, a meu ver, nós somos formados cinquenta por cento do meio e a outra metade pelo nosso temperamento. Existem as combinações de fatos que podem contribuir para os caminhos que cada um leva. Observamos até na família, os pais criam os filhos iguais, mas são completamente diferentes na essência.


Por isso, não deve generalizar demais. Cada caso é um caso. Por exemplo, há ocorrências de pessoas paupérrimas que conseguiram se dar bem na vida pelo próprio esforço, não roubaram e nem mataram.

Recentemente sei de um caso que um mendigo passou no concurso do Banco do Brasil. Porém, se formos utilizar estes exemplos como paradigmas de verdade absolutos, chegaremos à conclusão que vivemos numa sociedade ideal. Para que melhorar a educação, a saúde e distribuir renda se são o indivíduo tem o poder de mudar sua vida sozinho?  Logo, esta super valorização do indivíduo é muito conveniente para o discurso conservado e liberal que argumenta que a culpa do fracasso é dos próprios fracassados.

Por outro lado, o pressuposto que todos que não tiveram acesso às necessidades básicas serão revoltados e entraram para marginalidade, também é equivocada. Há vários moradores de áreas carentes que trabalham, estudam e melhoram de vida. Este discurso é muito usado pelo os assistencialistas demagogos e os esquerdistas.

Enfim como disse antes, é tema que precisa refletir bastante. A conclusão que tiro, temporariamente, é que a individualidade é construída a partir do meio e de sua índole.
  

domingo, 13 de novembro de 2011

EU TE AMO, CARA( Nova versão de uma crônica)




O que achei mais interessante no filme é a mudança de foco, ao invés do romance, tema batido nas comédias românticas, o roteiro narra a história de um homem que sempre se concentrou nas relações amorosas e com isso não criou laços de amizade.

Ele não tem amigos e este fato virou um problema, quando estava prestes a se casar e não tinha ninguém para ser seu padrinho. Portanto, começa a sair com vários caras a fim encontrar um amigo-padrinho.

O filme tem todas as situações clássicas e bizarras de comédia, mas existe certa originalidade ao protagonizar a busca pela amizade, que é tão quanto importante que a busca pelo amor.

Logo, comecei a me lembrar de casos de algumas pessoas que valorizam em demasia o amor romântico ou o de amizade. Por exemplos, homens que sentem atração por mulheres, mas gostam de passar a maior parte do tempo com os amigos e mulheres que acontecem a mesma coisa. Sentem o desejo do sexo oposto, mas acham chato ficar o tempo todo ao lado dos parceiros amorosos. Prezam muito mais a fidelidade da amizade.

Cada um tem um pensamento, julgar não compete a ninguém. A nossa sociedade atual valoriza o amor erótico e romântico. Se você não gozar e não encontrar sua cara metade é um recalcado. E esta imagem estereotipada não é verdadeira. Quantas pessoas casadas são infelizes...

Temos que ter liberdade de escolher. Bem, fugi um pouco do tema do filme. É que tenho uma tendência a viajar na maionese. Mas, vale a pena ver o filme, porque é original, colocando o gênero da comédia romântica para falar sobre amizade.



sábado, 12 de novembro de 2011

TRAVESSIA






Lembro-me que escrevi uma vez: “Tenho um twitter. E aí? A ausência de significado impera.”. Hoje, uso muitas vezes o twitter para escrever microconto ou divulgar algum vídeo ou um texto mais longo que produzi.

Sempre que entro numa rede social, sinto estes sentimentos de vazio e estranhamente. Por que quer participas desta rede? Qual minha proposta? O que farei?

Entrei numa nova mídia social que compartilha vídeos e tenho as mesmas impressões quando ingressei no Orkut, Facebook, Twitter e Youtube. Não sei o que fazer e quais são minhas pretensões?


Não quero encher o saco das pessoas e ficar adicionado um monte de gente para divulgar meu “ trabalho”. Sinto-me mal, quando vejo fotos de pessoas que nunca troquei uma palavra, tenho a impressão de ver espectros.

Estou chegando à conclusão que entro numa mídia ou rede social, para buscar um feedback. Sempre tive ideias e nunca houve oportunidade de expressá-las. Logo, com a Internet e os espaços virtuais gratuitos que surgiram através dela, possuo a oportunidade de encontrar um meio para divulgá-las. O balanço da experiência está sendo importante para meu amadurecimento. Pois, preciso lidar com a frustração e isso se torna um bem para mim.

Quando entrei nesta nova mídia, vi que um site de humor fez um canal lá, adicionei-o, mas ele não me aceitou. Entendo, deve ser tanta solicitação, que só um zumbi de computador tem paciência de ficar aceitando um monte de gente. Ou, simplesmente, não está interessado de me aceitar como amigo. Está no direito dele.

Observei os “amigos” do canal e tive o ímpeto de convidá-los para serem meus amigos. Felizmente, não concretizei meus impulsos. Depois, tudo se transformaria em algo sem sentido para mim. Como mencionei antes, já tomei esta atitude e com o tempo me frustrei.

Agora, preciso explicar uma coisa, argumento sobre mim, não generalizo. Quem toma esta atitude tem seus motivos. Não sou contra, respeito.

O que almejo? Gostaria de manifestar minhas ideias e aprender com as opiniões ou críticas construtivas. Quero aprender com meus erros, transformá-los em sabedoria e continuar minha travessia do autoconhecimento.

domingo, 6 de novembro de 2011

EM MIM



A história da humanidade está em mim. No simples ato do cotidiano, manifestam-se conhecimentos antigos. Não deixo de ser um museu ambulante. Entretanto, a história não se revela conscientemente e sim no inconsciente. 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A TRÉGUA DE MARIO BENEDETTI( 1960). Editora: L&Pm, 2008. (CRÔNICA ANTIGA 20/11/2008)

A TREGUA



Depois que li o livro, comecei a refletir sobre a palavra trégua. Procurei no dicionário, por perceber que só tinha em meus pensamentos só um significado desta palavra, como um período de paz entre as guerras.

sf (gót trigwa) 1 Suspensão temporária de armas e hostilidades; armistício (mais usado no plural). 2 Cessação temporária de trabalho, dor, incômodo ou desgraça; descanso. 3 Interrupção. 4 Férias. Não dar tréguas: não dar um momento de descanso. Pôr tréguas a: interromper.(Michaelis)

A história é de um senhor que por alguns momentos, foge do cotidiano maçante para viver um amor com uma mulher mais jovem. Experimenta o desejo e a ternura em simbiose, marcando sua vida “ medíocre”. Publicado em 1960, o romance é o mais respeitável construção narrativa do escritor e está no hall das obras-primas da literatura latino-americana a partir da década de 60 do século XX. A estrutura da narrativa possui a forma de diário, que mostra ótica pessimista e irônica do protagonista em relação ao seu dia-a-dia. Evidencia, também, a falta de uma comunicação profunda entre as pessoas, que se acomodam em um mundo de frivolidades e aparência. O personagem principal vivencia esta situação com os três filhos, moram na mesma casa com eles, entretanto não conhece realmente seus pensamentos mais íntimos.

A história de amor, que vive com a moça, é a trégua da sua vida inócua. Viúvo há muitos anos, sobrevivia entorpecido em furtivos casos amorosos, trabalho burocrático e a casa. Porém, a felicidade dura pouco...

Segunda-feira, 24 de fevereiro

É evidente que Deus me concedeu um destino escuro. Nem sequer cruel. Simplesmente escuro, É evidente que me concedeu uma trégua. A princípio, relutei em acreditar que isso pudesse ser a felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois me dei conta por vencido e acreditei. Mas não era a felicidade, era apenas uma trégua. Agora estou outra vez metido em meu destino. E é mais escuro do que antes, muito mais. “

No romance contem vários pontos do livro, que evidenciam problemas sociais do Uruguai como a corrupção e a falta de pulso dos cidadãos tomar iniciativa de reverter este quadro. Destacarei uma passagem que o namorado da filha do protagonista comenta:

“ ...Há gente que entende o que está acontecendo, mas que limita a lamentar. Falta paixão, esse é o segredo deste grande globo democrático em que nos convertemos. Durante vários anos, fomos serenos, objetivos, mas a objetividade é inofensiva, não serve para mudar o mundo, nem sequer para mudar um país de bolso como este. Falta paixão, e paixão gritada, ou pensada aos gritos, ou escrita aos gritos. É preciso gritar no ouvido das pessoas, já que sua surdez é uma espécie de defesa, de autodefesa covarde e malsã. É preciso que se consiga despertar nos demais e vergonha de si mesmos, que se lhes substitua a autodefesa pelo auto-enojamento. No dia em que um uruguaio sentir nojo de sua própria passividade, esse dia se converterá em algo útil.”

Esta passagem não deixa de ser adequada a toda América Latina. Lógico que muitas diferenças entre Uruguai e Brasil, no entanto, estruturalmente há bastante semelhança. Não pude deixar de pensar, que a história do livro se encaixaria muito bem na sociedade brasileira. Portanto, todo mundo precisa ter o direito de uma trégua uma vez na vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ZELADOR DE MIM






Termina minhas férias. Estou contente e triste ao mesmo tempo. Mas, sei que preciso trabalhar para fincar os pés. Preciso de responsabilidades. Ao mesmo tempo, gostei de ter o tempo livre para inventar meus vídeos e contos.

Acordarei na quinta-feira feliz e reencontrarei meus colegas de trabalho, que são pessoas boas e honestas. Quero viver bem e não ser “reclamão”, mesmo que seja difícil me acostumar novamente a acordar cedo.

Sinto falta do meu cotidiano de trabalho, é tão bom chegar a minha casa, depois de um dia no serviço. Lógico, que há os aborrecimentos e dias que quero sumir no mundo. Entretanto, buscar maturidade e enfrentar os problemas me torna mais maduro.

O ano está acabando e preciso pensar na vida. Tenho mais de trinta anos e trabalhar no que gosto já é impossível. Mas, gosto de viver e administrarei meus fracassos. Possuo uma família tão legal e que me apoia em tudo, isso é minha maior riqueza.

Como disse uma vez, serei zelador de mim e organizarei vitórias e derrotas que acumulei ao longo desses trinta e três anos. Além de meus outros eus que compõem minha individualidade.

domingo, 30 de outubro de 2011

ESVAZIAMENTO( crônica antiga)




Conto de Clarice Lispector narra a história de uma amizade e sua deterioração. O conto narra, em primeira pessoa, a história de dois amigos que se separam sem que haja uma briga ou traição. Separam-se simplesmente por não mais haver afinidade e pelo empobrecimento da relação entre eles. Contudo, ainda se gostam. Mostra que a amizade precisa ser cultivada, não sendo necessária apenas a presença física, mas, a proximidade existencial para manter o relacionamento.

Destaquei alguns trechos importantes que explicam o título (Esvaziamento):
“Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonema, encontrávamos-nos, e nada mais tínhamos a dizer .” (pág. 77)

“... Que rebuliço de alma. Radiantes arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto, eis-nos dentro de casa de braços abanando, mudos, cheios de apenas amizade.” ( pág.78)

“ Se ao menos pudéssemos prestar favores um pelo outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos só amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.” (idem)

“... Sabíamos que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros”. ( pág. 79)

No final do conto, mesmo continuando amigos, os personagens vão por caminhos diferentes. Isso pode acontecer em qualquer relação afetiva. Mesmo havendo sentimento, a angústia da existência de desejar algo mais, como a procura de uma identidade e novos caminhos, separa as pessoas.

Embora distantes, os dois continuaram amigos. Ao final, preferiram a distância física a ter que conviver com a hipocrisia de um relacionamento vazio e medíocre.

Esse conto me marcou bastante, porque já tive a experiência de esvaziamento e não conseguia defini-la, mas a sentia.

*ONDE ESTIVESTES DE NOITE. Editora Rocco, 1999
***

OFF

Ao reler este texto percebi que cometi micos horrendos, como citar Sartre sem ter lido um livro completo dele. Só consultei um, que fala sobre a sua teoria. Juro que numa mais escreverei sobre pensamentos que não conheço profundamente. Prefiro escrever pouco e ser autêntico a citar superficialmente. Sinto-me vazio e um mentiroso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AUTOCRÍTICA NÃO SIGNIFICA AUTODESTRUIÇÃO


Crédito da imagem: http://blogs.jovempan.uol.com.br/carreira/cuidado-com-a-autocritica/



Terminei a leitura do livro Triângulo das Águas de Caio Fernando de Abreu e ao ler o primeiro parágrafo da apresentação do escritor sobre a obra, comecei a pensar como posso me transformar ao longo do tempo:


“ Sempre é terrível para um escritor revisar seu próprio texto. Escrito às vezes num jorro de emoção, sem interrupções nem autocrítica, muitos anos depois, corre-se o risco de rejeitar o filho crescido, independente, talvez feio, deformado. Perdão e amor, então são os únicos sentimentos capazes de atenuar a crítica que, inevitavelmente impiedosa, não deverá jamais ser estéril ou esterilizante.”

Este trecho pode-se transferir para vida. Quantas vezes, olhamos fotos, trabalhos ou ideias antigas e nos consideramos estranho àquelas coisas que parecem ser de outra pessoa.  

Aponto falhas em escritos e fotos minhas, que não conseguia enxergar anos atrás. Com o passar do tempo, a autocrítica vem amadurecimento dentro de mim e, às vezes, rejeito muitos fatos do passado.


Mas, as falhas e os micos pretéritos fazem parte da minha história e tenho que ter benevolência. Se naquela ocasião fui impulsivo e me atrapalhei, na verdade, queria acertar e construir algo. Graças a ele, tenho experiências as quais me tornam uma pessoa melhor.

Autocrítica não significa autodestruição, pelo contrário, seremos nossos conselheiros para nos aprimorar sempre como indivíduo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

POR ESSES DIAS







Estou tentando fazer micronarrativos utilizando 140 caracteres do espaço do twitter. Na verdade, almejo fazer nanacontos, mas muitos tweets que produzo não tem estrutura de conto, o qual narra uma história, diferente de uma frase e citação. Alguns deram certos e outros não, ficaram truncados e incompreensíveis. Inclusive, as pessoas devem me considerar dois de escrever um monte de coisas no twitter, apagar e publicar de novo várias vezes. É que eu testava para ver se o texto cabia no espaço de 140 caracteres.

Miniconto, ou microconto, ou nanoconto, é um gênero de conto bastante pequeno, e seu desenvolvimento se associa ao minimalismo. O miniconto é distinto de um "conto pequeno".

No miniconto o fundamental é sugerir, proporcionado a quem for ler o compromisso de desvendar que está por de trás das entrelinhas.  Pois, este gênero sugere algo mais, que não está escrito, mas subliminarmente. O guatemalteco Augusto Monterroso é citado como autor do mais famoso miniconto, desenvolvido com apenas trinta e sete letras: Quando acordou o dinossauro ainda estava lá. O estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro surpreendente miniconto. Com vinte e seis letras, mostra uma história de tragédia familiar: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso. 

Os microcontos estabelecem o limite de 150 caracteres (contando letras, espaços e pontuação) para permitir seu envio através de mensagens SMS (torpedos) pelo celular, mostrando uma das características do microtexto, que é sua ligação com as novas tecnologias de informação e comunicação.

Existem várias teorias sobre os microcontos, mas o que me fascina é a síntese desde gênero, que só mostra a ponta do Iceberg, entretanto o leitor precisa refletir um pouco para perceber o que está oculto.

Todavia, minha opinião não bate com a perspectiva de que o microconto seja um gênero mais rápido de compreensão. “Os microcontos vêm ao encontro das ideias de Calvino. Para ele, a rapidez permite poupar o leitor de determinados detalhes em favor do ritmo da narrativa. É o nó de uma rede de correlações invisíveis no texto e a ferramenta essencial para a continuidade da narrativa, permitindo que o leitor transite com maior naturalidade entre as ideias contidas na história.”. Há microcontos que tem esta estrutura, todavia nem todos. Houve textos que tive que ler duas vezes, para entender o que estava por de trás da sua escrita. É provável que esteja equivocado, entretanto minha proposta é desenvolver minha escrita, torna-me claro. Ao longo do tempo, aprenderei coisas novas e me envergonharei das ideias erradas.

Esta semana, piei( tweet) bastante e, como já disse, escrevi textos bons e outro, um lixo. Inclusive, teve alguns que ficaram herméticos demais. Curioso, é que fiz uma produção em tempo real e isso, por um aspecto, não é  interessante porque revelo meus erros ou a confusão de ideias que acontecem na minha cabeça.

Revisarei e refletirei mais. Serei menos impulsivo. Tudo na vida é uma aprendizagem. 











http://www.youtube.com/watch?v=8O5GTMK7Lhg&feature=player_embedded


http://www.youtube.com/watch?v=ya3AtzKEVLY


http://www.youtube.com/watch?v=VFaCb2BUfVE

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Crédito na imagem: 
http://www.leoni.com.br/post.php?titulo=dia-do-silencio-por-karine-nunes

CALAR-SE NÃO É COVARDIA


Quis escrever sobre um assunto e fazer um vídeo, mas percebi que estava por fora do contexto. Resolvi deletar o texto e não filmar. É preferível pesquisar o tema e amadurecer meus argumentos a falar um monte de asneiras.

Calar-se não é covardia, pode ser um ato de sabedoria, principalmente hoje em dia, em que todos querem propagar opiniões a toda hora.

Apaguei o texto e confesso que tive pena. Estava prontinho. Porém, o que adianta postar nas redes sociais um monte de bobagens e ideias desconexas. Só para dizer que tenho opinião. Muitas vezes, não tenho nenhuma. Fico quieto no mar de pessoas que gritam seus pontos de vista. Preciso de tempo para assimilar e construir meus pensamentos.

Também, não desejo reproduzir notícias de jornais só para dizer que sou informado. Tenho ambição de ser um indivíduo que nunca será manipulado por pessoas que dominam o discurso e a oratória.

Não terei vergonha de dizer que estou por fora do assunto, pois é mais autêntico falar isso do que ser papagaio.

Nunca se sintam constrangidos de se calarem. Pensar antes de falar é uma virtude, mesmo que hoje em dia muitos pensam ao contrário.

Curioso que anos atrás, vários jovens e idealistas morreram nos anos de chumbo para que a agente pudesse manifestar nossas ideias. Porém, tudo na vida tem um reverso. Agora, precisamos filtrar o que é bom no turbilhão de informações, que ocupam desnecessariamente nossa cabeça.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O PRIMEIRO PEDAÇO DO BOLO



O vídeo a seguir é engraçado, apesar dos palavrões. Mas, ele me fez refletir como não podemos esperar muito dos outros. 

Muitos consideram o humor como um gênero inferior. Entretanto, este estilo nos leva também a reflexão sobre nossa sociedade. Quem nunca pensou algo, quando viu um filme de Charles Chaplin? 


Recordo que aprendi, em algum lugar, que a figura do bobo da corte divertia o rei em épocas passadas. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e conduzia as festas. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e achincalhava a corte. Com ironia mostrava as duas facetas da realidade, revelando “ os podres do rei”. Era geralmente um indivíduo de grotesca figura - corcunda ou anão. 


Mesmo que o bobo da corte não exista mais, os comediantes contemporâneos exercem esta função na sociedade. Quantas vezes me percebi ridículo quando um humorista fala sobre um assunto do cotidiano, que nem tinha me dado conta.

Concordo que o humor está agressivo, mas nossa sociedade anda muito hostil. Portanto, o gênero é reflexo dos valores atuais.


Enfim, vale a pena assistir o filme e pensar sobre todos os tipos de relacionamentos afetivos.





quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ALGUNS APONTAMENTOS




A corrupção é inerente do ser humano, mas o grande problema é quando ela se infiltra na cultura, tornando-se costume legitimada.

Percebemos isso ao longo da História do Brasil e nos últimos acontecimentos. Não só os políticos que precisam mudar de atitudes, mas os cidadãos também. O que adianta marchar contra a corrupção, se chaga no outro lado da esquina, avança o sinal ou aplica o famoso e degenerado “jeitinho” brasileiro. Dei um exemplo, não generalizo, entretanto, colocar a culpa exclusivamente nos políticos não resolve a situação, já que muitos que criticam, usam o mesmo remédio.

O que falta é uma discussão sobre a ética e a moral. A pirataria, subornar as autoridades para abrir estabelecimentos ou casas em lugares inapropriados e os graves abusos no trânsito são resultados da fata de conscientização das pessoas.
Recordo-me que, uma vez, escrevi uma crônica sobre a pirataria e meu argumento central foi que a sociedade capitalista estimula as pessoas consumirem este tipo de produto, porque o excesso de desejo produzido faz com que todas as pessoas desejem a mercadoria, procurando assim os produtos pirateados.

Hoje em dia, percebo que me equivoquei, tentando tirar a culpa dos consumidores e ao colocar a Sociedade Capitalista como a vilã. Na realidade, tonos nós podemos ser bandidos e mocinhos dependendo das diferentes perspectivas. Somos contraditórios.

A Pirataria sonega impostos e atrapalha o crescimento do país. Além de serem, mercadorias de baixíssima qualidade. E mesmo que tenha um costume de comprá-los, eticamente é errado. A ética vai além dos costumes e do tempo.  É valores que transcendem o local, que é a moral, que se relaciona à obediência de normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, inversamente, procura fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. Portanto, não é porque todo mundo pratica, farei também. O mesmo fato é avançar o semáforo, “molhar a mão” de um agente público para abrir um negócio ou desmatar o meio ambiente.

O Brasil há leis que são fundamentadas pela ética e não pela moral. Por isso, o Estado é laico e democrático. Entretanto, os costumes retrógados e interesses desvirtuam tudo. 

A falta de conscientização produz lacunas na educação. Já vi pessoas considerarem um absurdo roubar um alfinete, mas compra óculos escuros contrabandeados. Ou acha um absurdo o aborto e dirige como assassino nas ruas da cidade. O ser humano é muito contraditório. Por isso, que é importante uma reflexão profunda sobre a ética e a moral, para nos compreender e tornar a sociedade mais justa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011



Neste vídeo, fiz um paralelo entre O Balão Vermelho de Albert Lamorisse e A FITA BRANCA(2009).
Os dois vídeos são completamente diferentes, o primeiro aborda a fantasia infantil e o segundo é mais brutal. Entretanto mostram como a sociedade pode ser opressora e cruel.


A FITA BRANCA(2009)

cartaz de A Fita Branca


Numa aldeia no norte da Alemanha habitam as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário (Christian Friedel). Um acidente estranho com o médico (Rainer Bock), que cavalo tropeça em um arame afiado, desperta uma desconfiança entre os moradores, fazendo que haja a busca pelos responsáveis. Outros eventos acontecem, levantando um clima de desconfiança.
O filme não revela de cara os culpados, os expectadores precisam presta a atenção nas cenas e nas interpretações sugestivas dos atores.

Quando acabei de assistir o filme, pensei como o ser humano inventa regras e ao mesmo tempo tenta burlá-las. Somos bicho, não nos podemos esquecer-nos disto. Na aldeia, a moralidade é severa, principalmente com as crianças, que, ao longo da película, mostram-se dissimuladas e vingativas.

Logo, as longas cenas do campo, das plantações, dos riachos, das crianças brincando e as idas dos habitantes ao culto da igreja tornam-se uma serenidade aparente, que esconde uma cultura do medo, perversidades e hipocrisias.

O título do filme “A FITA BRANCA” vem do costume do pastor do vilarejo colocar fitas brancas nos filhos, para que nunca se esqueçam de ser puros e não serem contaminados por desejos pecaminosos”.
Tive a impressão que os moradores do vilarejo eram cúmplices e sabia quem estava por de trás dos atos de violência gratuita, mas preferiam ficar calados para não desestruturar a paz das recatadas famílias de bem.

O diretor do filme A FITA BRANCA é o mesmo de Caché(2005), no qual aborda os mesmos temas como a intolerância, a violência e a cultura do medo. Assisti este também.

MUNDOS PARALELOS

O conto A trama celeste do escritor Adolfo Bioy Casares narra as aventuras do Capitão Morris, quando sofre um acidente de avião e se encontra numa outra Argentina. Apesar das semelhanças de seu país de origem, ruas e dados históricos são distintos. Pessoas de seu convívio não o reconhecem e outras nem existem. A mensagem do conto é que há vários mundos paralelos. Só quero abordar esta questão. O que seria pior? Ser transportado para um mundo completamente diferente do seu, por exemplo, na época dos dinossauros ou a um lugar parecido, no qual se viveu a vida inteira?

Imaginei estar em outro Brasil, que existisse meus pais e irmãos, mas neste lugar eles não me veem da família, por nunca terem me conhecido. A dor que sentiria ao me olharem com indiferença. Em muitas ocasiões o semelhante nos dá a ilusão que podemos pertencer a ele, por isso é mais cruel do que o choque do completamente oposto, que é abrupto e, em relação ao espaço similar, é menos traumático.  A gente se torna mais prudente, já a ilusão de conhecer o outro, o tombo pode ser fatal.