segunda-feira, 30 de abril de 2012

CONTRADITÓRIO




Este vídeo é sobre como o ser humano é contraditório. Achamos que temos o controle de nossas atitudes, mas não é bem assim.

 Faço uma reflexão por qual motivo faço vídeos ou escrevo. Quero aparecer ou não desejo me mostrar? Fico dividido entre a ideia de “ produzir” como forma de terapia e a vontade de aparecer. Esta questão surgiu com um comentário de um vlogueiro famoso que argumentava sobre muitos vlogueiros sem criatividade e que não produziam seus vídeos com qualidade. Ele está certo em um aspecto. Se a pessoa almeja o aumento nas visualizações e a notoriedade, necessita melhorar a qualidade dos vídeos. Confesso minha mania de levar tudo para o pessoal. Fala sério! Ele nem sabe da minha existência. Sou tão tolo às vezes ou muitas... 

 Mas, se a pessoa não quer só sucesso? Faz filmes como forma de discutir sobre um assunto ou contribuir para o aperfeiçoamento da democracia. Também, às vezes me pego a esperar a aprovação do outro. Logo, vem a contradição. Uma parte de mim almeja a notoriedade e a outra só busca extravasar os pensamentos e ideias. De um lado espero que a professora me estrelinhas no caderno como parabéns por ser um bom menino e por outro lado da moeda, quero colocar as estrelinhas no meu caderno.

 Enfim, a natureza humana é muito louca. Não somos só racionais, somos regidos também pelos impulsos.


domingo, 29 de abril de 2012

UMA REFLEXÃO SOBRE O FILME " SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS"







Na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos provoca um choque com a direção conservadora do colégio, sobretudo quando fala aos seus alunos sobre uma sociedade secreta. 

Não gostaria de falar sobre o filme em si, mas como é complicado dar conselhos. No filme, teve um personagem que desejava ser ator, mas o pai não o permitia. Ele se pedia dicas para o professor liberal, que com ótimas intensões dizia para fazer com o pai abertamente sobre o sonho de o rapaz ser ator. Todavia, o jovem não era forte e não conseguia se livrar das amarras do pai. Resolveu se suicidar para se libertar da opressão paterna. Diferente de outros que saíram de casa e sofreram dificuldades para ir atrás do sonho. 

 Por isso, que dar conselhos é muito complexo. Se você tomou uma atitude e deu certo, não significa que para o outro dará certo. O ser humano é vasto e não tem como tentar padroniza-lo com conselhos e receitas. Também, comecei a refletir que ser adulto é adaptar o sonho com a realidade. Não significa acomodação, pelo contrário, é buscar uma forma de realizar seus objetivos.

 Na sociedade em que vivemos, precisamos trabalhar para sobreviver. Ser maleável como uma flor, que se defende de uma rajada de vento, será uma prova de força. Tornar-se concreto como uma parede, é derrubado num piscar de olhos. 


A adaptação e a reconstrução individual podem ser de grande valia para não deixar o sonho morrer.

sábado, 28 de abril de 2012

ALTERIDADE





Mais uma vez fui convidado para participar de uma corrente, mas esta é composta de perguntas pessoais.

 Quando li as questões comei a pensar como precisamos do outro para nos levar a pensas sobre nós mesmo. O conceito que representa este fato é Alteridade, o qual o pressuposto fundamental de que ser humano interage e interdepende do outro. Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais argumentam que a existência do "eu-individual" só é permitida em relação a um contato com o outro. 

 Em muitas ocasiões vivemos no automático do cotidiano e nos transformamos como autômatos. Portanto, ao responder as perguntas que vem do outro, tive que parar para pensar sobre mim.

domingo, 22 de abril de 2012

CAVALEIROS DO ZODÍACO







Não sou um fã-especialista da série, mas o que me marcou ao assisti-la pela primeira vez na extinta tevê Manchete foi a demonstração de superação dos cavaleiros de bronze para proteger Athena. Enfrentaram inimigos mais fortes e acreditando no poder da amizade deram a volta por cima.

 A mensagem da história mostra que a verdadeira força não está em si e sim na persistência de ultrapassar barreiras e acreditar na sua capacidade. O personagem principal que exemplifica muito bem esta mensagem e o Seiya de Pégaso, que mesmo reduzido a nada continua a lutar por Athena e seus amigos. Todos o admiram, principalmente Athena. A amizade é marcante na série do anime.

Quando o cavaleiro de Cisne (Yoga) foi congelado, o cavaleiro da Andrômeda o aqueceu com seu corpo, salvando-o. Um amigo verdadeiro ou uma pessoa de coração bom toma esta atitude sem reservas. Em Cavaleiros do Zodíaco a verdadeira força está na amizade, fé, na bondade e na superação dos limites humanos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

CANALIZAÇÃO



Uma das vantagens de ser artista é que ele canaliza os sentimentos, podendo exorcizá-los através da obra de arte. Os que não são artistas, muitas vezes, não conseguem expressar seus anseios e angústias. 

 Não sou artista, mas utilizando a escrita e fazendo alguns vídeos,  ajudam-me muito na adaptação do mundo em que vivo. Nem existe valor artístico, mas, é uma trégua momentânea ou válvulas de escape, com intuito de ter forças para seguir em frente. 

 Já ouvi falar de psicólogos ou terapeutas indicarem os pacientes a manterem um diário, inclusive, usar na terapia artes plásticas. No “hospício”, revelam-se muito artistas imaginativos e talentosos. 

 Por isso, que acho interessante praticar qualquer tipo de arte, mesmo não sendo artista. Com certeza, o mundo seria bem melhor.

sábado, 14 de abril de 2012

Scrap ao Vento

Imagem encontrada no google

Os objetos que acumulamos: livros, bilhetes, ingressos, fotos e outras coisas... Ao longo do tempo, constroem nossa identidade. De algum jeito, revelam um pouco como nós somos. 


Lógico que nem tudo, somos um enigma até para a gente mesmo.


Os objetos são espelhos que refletem nossa imagem ou o ideal do que almejamos ser.

domingo, 8 de abril de 2012

IMENSIDÃO




Existem pessoas que sempre estão na superfície, representam a si mesmas, ou pior, autocaricaturas. Não conseguem explorar a imensidão do ser.

sábado, 7 de abril de 2012

O CONTO A BILIOTECA DE LIMA BARRETO








Ao ler este conto confesso que me deu certa melancolia. A história narra à decadência decorrente das mudanças históricas. 

“ À proporção que avançava em anos, mais nítidas lhe enviam as reminiscências das cousas da casa paterna. Ficava ela lá pelas bandas da Rua Conde, por onde passavam então as estrondosas e fagulhentas “ maxambombas” da Tijuca. Era um casarão grande, de dous andares, rés-do-chão, chácara cheia de fruteiras, fâmulas, escravos; e a escada que servia os dous pavimento, situada um pouco além da fachada, a desdobra-se em toda a largura do prédio, era iluminada por um grande e lara claraboia de vidros multicoloridos...”

Como se percebe no primeiro parágrafo, o protagonista é um senhor que pertencia a uma família nobre da época do Império. O casarão dos seus antepassados com seus objetos de valor foram desaparecendo, principalmente, quando a Monarquia deixou de existir e a República a substituiu.  

Quando isto aconteceu, no conto é muito bem descrito, houve uma mudança do pensamento intelectual. A erudição da formação das famílias nobres foi trocada pelo a burocratização racional. Na nova época o importante é estudar para arranjar um bom emprego e não mais acumular saberes. O conhecimento técnico é valorizado. Logo, o protagonista resolveu ser funcionário público para sobreviver, mas nunca se esqueceu dos seus antepassados cultos. 

Aos longos dos anos, conseguiu salvar a biblioteca do avô e do pai, apesar de não compreender a funda os livros. Na realidade, os livros serviam como recordações de uma época. Quando constitui família, teve a esperança de que os filhos fossem lê-los, mas escolheram uma vida mais prática. 

“ Pôs-se a contemplar os volumes nas suas molduras de vinhático. Viu o pai, o casarão, os moleques, as mucamas, as crias, o fardão do seu avô, os retratos... Lembrou-se mais fortemente de seu pai e viu-o lendo, entre aquelas obras, sentado a uma grande mesa, tomando de quando em quando rapé, que ele tirava às pitadas de uma boceta de tartaruga, espirrar depois, assoar-se num grande lenço de Alcobaça, sempre lendo, com o cenho carregado, os seus grandes e estimados livros.”

No final do conto, ao perceber que os livros estavam mortos, por ninguém dos seus herdeiros os lerem, resolveu queimá-los. Porém, por que não os doou para bibliotecas públicas? Para o protagonista aquele saber não era para qualquer um, principalmente nas mudanças sociais da sua época, onde todos desejavam bons empregos e viver bom com a família. O mundo não era mais digno aos livros dos seus antepassados.

De repente, senti medo de não conseguir ler e compreender os livros que tenho. Não ter o tempo necessário. Também, não queria ser como protagonista, de guardar livros e nunca os assimilar. A velocidade da vida contemporânea congestiona tanto a mente, que me sito cansado de pensar e conhecer outros saberes. Mas, insisto no hábito da leitura.

Outra reflexão que tive é sobre a relação do tempo. Tudo bem que não podemos nos prender ao passado, mas só viver o presente é ruim. Para compreender o que acontece hoje, precisa-se conhecer o passado. Por isso, não concordo com este progresso que derruba outros saberes do passado.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

DOMINGO CULTURAL




Venci minha preguiça e fui com minha irmã ao CCBB. Nós fomos ver Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues, mas antes demos uma passada na exposição das obras da artista Tarsila do Amaral( Percurso afetivo). Logo, comecei a pensar que poderia fazer algumas relações sobre a exposição e a peça, principalmente, na busca de fazer uma arte espontânea e não ser uma cópia da arte europeia. 

Tarsila do Amaral iniciou o aprendizado na pintura em 1917, com Pedro Alexandrino Borges. Posteriormente, estudou com o alemão George Fischer Elpons. Em 1920, viaja a Paris e frequentou a Academia Julian, onde desenhava nus e modelos vivos intensamente. Também estudou na Academia de Émile Renard.

Tempos depois, aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco. Estudou com os artistas cubistas: frequentou a Academia de Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornou-se amiga do pintor Fernand Léger, visitando a academia desse mestre do cubismo, de quem Tarsila conservou, principalmente, a técnica lisa de pintura e certa influência do modelado legeriano.

Na mostra, deu para perceber essas tendências e como ela as assimilou para buscar uma identidade própria, inserindo o cotidiano dos brasileiros comuns das ruas e dos bairros humildes. 

Já Nelson Rodrigues, apesar de ser realista em pleno Modernismo, não deixou de inovar. O autor adaptou a tragédia grega para a sociedade carioca do início do século XX, surgindo assim a "tragédia carioca”, mas com um tom contemporâneo. O erotismo é uma característica marcante na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade da época. 

A nova adaptação que assisti mostra estas evidências. As notícias de crimes de jornais, as paixões avassaladoras, a hipocrisia e a loucura. Conta a história de Alaíde, uma moça que é atropelada por um automóvel e, enquanto é operada no hospital, ela relembra o conflito com a irmã (Lúcia), de quem tomou o namorado (Pedro), e imagina seu encontro com Madame Clessi, uma cafetina assassinada pelo namorado de dezessete anos. 

O que me chamou a atenção foi como foi montado o espetáculo. Não tinha a divisão clássica ente o palco e a plateia. Era uma arena, onde os atores transitavam no espaço dos espectadores e interagindo com eles. Entrei na arena e os atores diziam, sejam bem vindos... 


A peça teve como proposta construir um novo olhar sobre a história. Mostrar outro jeito de contá-la e mesmo que isso seja confuso para muitas pessoas. Confesso que nos primeiros minutos fiquei atordoado, porém, fui assimilando os acontecimentos. 

Enfim, relacionei a exposição da Tarsila, a peça de Nelson e esta nova versão como exemplo de antropofagia,  um ritual dos índios que se alimentavam do inimigo com a finalidade de obterem sua força. Assimilar as várias referências artísticas e do cotidiano e construir a partir deles um olhar autônomo. Também, faz refletir como Brasil pode pensar sobre si mesmo, sem tentar ser uma mera cópia da Europa e E.U.A.. Temos uma cultura tão vasta e diversa, que através das várias influências podemos construir nossa identidade. 
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Quando voltei para casa, explodindo de impressões, olhei a lua. As nuvens estavam atravessando-a. Uma bela imagem que fechou com chave de ouro meu domingo cultural.


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Fontes: