sábado, 27 de outubro de 2012





Tenho a impressão que é são poesias que mesmo uma pessoa que não aprecia ler poemas, irá curtir. São versos precisos e simples e que mostram algo, não somente construções de palavras que levam à abstração. E não necessita de ler a literatura crítica e manifestos poéticos para entender o que a poeta quer dizer.

Reconheci-me em alguns poemas e quero relê-los sempre.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pensem nos natimortos...





Não quero fazer um discurso moralista. Sou a favor de uma liberdade sexual consciente. Mas, não se pode negar que o prazer do sexo pode ser doloroso em muitas ocasiões. Hoje, vi uma guia de óbito de um natimorto e a causa da morte: Sífilis congênita. Fiquei estarrecido e me falaram que havia outros casos semelhantes. 

Poxa vida! Em pleno século XXI isso acontecer! Fala-se bastante sobre AIDS, mas as doenças venéreas são perigosas e podem até matar. Por que se continua a resistir o uso da camisinha? Segundos de prazer vale mais que sua vida e dos outros? Quantos natimortos espalhados pelo mundo por causa de um ato promíscuo, uma tragédia silenciosa e que parece que ninguém presta a atenção.

Vivemos num mundo erotizado e os meios de comunicação exploram isso. Mas até onde a liberdade sexual esbarra na promiscuidade? Como já disse, não quero ser moralista, mas sexo não é tão simples como trocar de roupa. Há consequências e precisam ser analisadas.

O que quero dizer é que não é para deixar de fazer sexo, não sou conservador. Mas, pensar que é um contato físico e precisa de precauções. Não dá para de deixar levar pelos instintos. 

Pensem nos natimortos que morrem de sífilis congênita.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Inscrevi-me no BBB. e daí?




Escrevi-me para participar do BBB. Lógico que não serei selecionado, ao responder o questionário eu me senti saltando no escuro. 

O que vou escrever? O que posso revelar? Como posso ser criativo na hora da resposta? Poxa vida! Considero-me um aspirante a escritor e fique sem inspiração para responder o questionário. Fiquei murcho. 

O estranhamento de tudo me tirou do eixo e pude me observar fora de mim, como se fosse outro. Mesmo que não tenha um retorno concreto, a experiência foi bacana.

Quando respondia as perguntas me lembrei do poema:

Escrevendo um currículo, Wislawa Szymborska

O que é preciso?
É preciso fazer um requerimento
e ao requerimento anexar um currículo.


O currículo tem que ser curto
mesmo que a vida seja longa.


Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
Trocam-se as paisagens pelos endereços
e a memória vacilante pelas datas imóveis.


De todos os amores basta o casamento,
e dos filhos só os nascidos.


Melhor quem te conhece do que o teu conhecido.
Viagens só se for para fora.
Associações a quê, mas sem por quê.
Distinções sem a razão.


Escreva como se nunca falasse consigo
e se mantivesse à distância.


Passe ao largo de cães, gatos e pássaros,
de trastes empoeirados, amigos e sonhos.


Antes o preço que o valor
e o título que o conteúdo.
Antes o número do sapato que aonde vai,
esse por quem você se passa.


Acrescente uma foto com a orelha de fora.
O que conta é o seu formato, não o que se ouve.
O que se ouve?
O matraquear das máquinas picotando o papel.

***
Depois de ler o poema, percebi que sempre tive uma dificuldade de me definir. Colocar a máscara certa para um lugar apropriado. Tenho a tendência de me desfocar em devaneios. 

Não quero ser hipócrita e dizer que o prêmio é insignificante para mim. Mas, ele é tão difícil como ganhar na loteria. Depende uma cominação de fatores: Público, o cotidiano estressante do programa e como irei reagir a isso tudo. 

O que me instiga no BBB é o desconhecido. De repente, para numa casa vigiada por câmeras e viver com pessoas tão diferentes de mim. Como se soltasse no mar escuro, sem saber o que encontrarei.

Não sou artista, modelo e ator. Sou um anônimo e despreparado pela fama instantânea. Precisarei de muita sabedoria e terapia para não me perder no próprio ego.

domingo, 21 de outubro de 2012

VANTAGEM DE SER UM BLOGUEIRO E VLOGUEIRO DESCONHECIDO






Assisti alguns vídeos de um crítico de cinema, ele não fala mal por falar. Mostra que conhece a arte de se fazer cinema e torna seus argumentos plausíveis. Mas, me dá uma pena dos filmes que ele detonou de um jeito elegante. Poxa, a pessoa se esforçou tanto em produzir um filme, principalmente aqui no Brasil, e a pessoa destrói o trabalho. NÃO SOU ARTISTA, mas quando imagino que essas pessoas críticas e cultas podem fazer com meus continhos que posto no blog e meus vídeos toscos que coloco no youtube, sinto um sopro gelado no meu coração. 


Mas enfim, sou um blogueiro e vlogueiro desconhecido. Estou salvo desses críticos elegantemente ferinos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

EM SI MESMA







No caos da cidade, olho uma nuvem breve e ao mesmo tempo ancestral. Ela é o que é. Não vive uma vida imaginada. De repente, fiquei com medo de meu olhar corrompe-la, entretanto já estou a manipulando com minha imaginação. Não! Só quero observá-la em si mesma.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Entender é sempre limitado (Clarice Lispector)




Eu não entendo. Eu não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Eu sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples estado de espírito. Bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: eu quero entender um pouco, não demais. Mas pelo menos entender que eu não entendo.

domingo, 14 de outubro de 2012

ser ignorado




SER IGNORADO



 É uma forma de conhecimento e liberdade. Descobri muitas coisas quando fui ignorado. Como a revelação de gostar de escrever, independente de ter talento ou não de ser escritor. 

Faz-me bem materializar meus devaneios através da escrita. A mesma coisa acontece com os vídeos que produzo. Independente de ser traço no youtube gosto de fazê-los como forma de terapia. 
Para mim, por enquanto, isto basta.

Lógico que ser ignorado é frustrante. Entretanto, ao mesmo tempo, existe a descoberta. Pode-se aprender com as coisas não muito agradáveis da vida. 

Se me ignoram é porque não estou no meu espaço. Portanto, preciso encontrar outros territórios até achar o meu.

Têm pessoas que não conseguem encontrar seu espaço e amigos. Atravessam para vida nessa busca incansável.

Para os que me ignora, mergulham no rio do esquecimento. E eu também faço o mesmo, para elas. Não vale a pena se remoer, pois se me ignoram não valem a pena para mim. 

Melhor pedir carona com o vento e se emaranhar nas veredas da vida.


CRIANÇA( CRÔNICA ANTIGA)

domingo, 7 de outubro de 2012

O RISCO DO BORDADO DE AUTRAN DOURADO









Você se lembra de como estivesse a ver um filme? Suas lembranças são precisas? 

No romance, mostra como a memória é complexa com um labirinto. Há fragmentos muito antigos e recentes que vão construindo um mosaico na cabeça. O protagonista João se recorda das primeiras lembranças como se fossem brumas de um sonho ou quimeras.  Inclusive, formar imagens míticas. Pergunta-se o tempo todo se reais ou inventadas por sua imaginação. 

O livro tem como foco a memória afetiva e como muitas vezes o personagem se perde nas suas impressões em ralação às lembranças. 

O bacana é como o autor mostra que as primeiras recordação são pintadas com cores vibrantes e como se fossem ficção com heróis, princesas e fadas. Depois, quando João fica adolescente a erotização dos causos que viveu e a confusão que hormônios causam. Depois, quando João se torna adulto e a sua memória torna-se mais próxima do real, sem fantasias de criança que continuam a povoar seus sonhos. 

Inclusive, o romance mostra como o tempo influencia a memória. A epígrafe do livro ilustra muito bem o romance:

“ Quando eu era mais jovem, podia lembrar-me de qualquer coisa, tivesse ou não acontecido; mas agora as minhas faculdades estão decaindo e em breve só serei capaz de me lembrar das coisas que nunca aconteceram.” – Mark Twain, AUTOBIOGRAFIA

O narrador se sobrepõe em primeira e terceira pessoa e há várias passagens em que se pergunta se está certo de suas lembranças ou se elas se misturam, formando um labirinto de imagens sobrepostas.

“ Quando ingressava na zona sombria e pastosa em que difícil saber se já estamos ou não dormindo, se sonhamos ou apenas lembramos...”

Enfim, o interessante do romance não é a história em si, mas como o narrador vai costurando os fragmentos das lembranças e formando um painel da memória afetiva do protagonista João e os outros personagens. E o olhar particular e solitário de cada um em relação ao mundo. 



Condição Humana




Depois assistir o capítulo de Avenida Brasil e vi a personagem Ivana completamente cega de amor pelo marido inescrupuloso Max,  comecei a pensar:

Será que a pessoa enganada, na realidade, não enxerga o outro, mas uma imagem projetada por ela? Logo, possui uma involuntária parcela de culpa?

Postei o pensamento no facebook e uma amiga virtual comentou: “Metade da responsabilidade diminui o ônus? Desculpe, mas é minha opinião...”. Respondi: “Claro que não diminui a responsabilidade. Só queria levantar a questão que a pessoa precisa prestar atenção na hora de se relacionar, para não correr o risco de viver com um encosto.”

Ai, ela tocou num ponto interessante: “Dudu, relacionamentos são tiros no escuro, há quem dê sorte de encontrar sinceridade, mas aqui no mundo virtual é muito difícil, mas não é impossível. As pessoas andam num nível de carência tal, que às vezes até preferem perpetuar as ilusões.”
Ela está certa, porque responsabilizar a Ivana, dizendo que ela foi burra por isso tem que pastar. Não percebeu que o Max era um crápula e que fugia dela. Ivana é vítima e não merece ser julgada como uma toupeira. Só quis ser feliz e encontrar o amor da sua vida. Talvez, se equivocou ao idealizar Max e não o enxergou realmente.

Também, há pessoas muito sedutoras que enreda o outro numa teia. A gente quando tem uma baixa imunológica, logo vem uma gripe. A mesma coisa acontece, quando se fica carente. Fica-se fraco e um maquiavélico encontra o alvo perfeito para manipular.

Ivana não é imbecil, foi vítima de um bandido e de sua própria ingenuidade. Não é para julgá-la, mas sim refletir sobre a condição humana.