terça-feira, 23 de outubro de 2012

Inscrevi-me no BBB. e daí?




Escrevi-me para participar do BBB. Lógico que não serei selecionado, ao responder o questionário eu me senti saltando no escuro. 

O que vou escrever? O que posso revelar? Como posso ser criativo na hora da resposta? Poxa vida! Considero-me um aspirante a escritor e fique sem inspiração para responder o questionário. Fiquei murcho. 

O estranhamento de tudo me tirou do eixo e pude me observar fora de mim, como se fosse outro. Mesmo que não tenha um retorno concreto, a experiência foi bacana.

Quando respondia as perguntas me lembrei do poema:

Escrevendo um currículo, Wislawa Szymborska

O que é preciso?
É preciso fazer um requerimento
e ao requerimento anexar um currículo.


O currículo tem que ser curto
mesmo que a vida seja longa.


Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
Trocam-se as paisagens pelos endereços
e a memória vacilante pelas datas imóveis.


De todos os amores basta o casamento,
e dos filhos só os nascidos.


Melhor quem te conhece do que o teu conhecido.
Viagens só se for para fora.
Associações a quê, mas sem por quê.
Distinções sem a razão.


Escreva como se nunca falasse consigo
e se mantivesse à distância.


Passe ao largo de cães, gatos e pássaros,
de trastes empoeirados, amigos e sonhos.


Antes o preço que o valor
e o título que o conteúdo.
Antes o número do sapato que aonde vai,
esse por quem você se passa.


Acrescente uma foto com a orelha de fora.
O que conta é o seu formato, não o que se ouve.
O que se ouve?
O matraquear das máquinas picotando o papel.

***
Depois de ler o poema, percebi que sempre tive uma dificuldade de me definir. Colocar a máscara certa para um lugar apropriado. Tenho a tendência de me desfocar em devaneios. 

Não quero ser hipócrita e dizer que o prêmio é insignificante para mim. Mas, ele é tão difícil como ganhar na loteria. Depende uma cominação de fatores: Público, o cotidiano estressante do programa e como irei reagir a isso tudo. 

O que me instiga no BBB é o desconhecido. De repente, para numa casa vigiada por câmeras e viver com pessoas tão diferentes de mim. Como se soltasse no mar escuro, sem saber o que encontrarei.

Não sou artista, modelo e ator. Sou um anônimo e despreparado pela fama instantânea. Precisarei de muita sabedoria e terapia para não me perder no próprio ego.