domingo, 30 de setembro de 2012

Quando Duas Mulheres Pecam ou Pesona de Ingmar Bergman ( 1966)









Este filme me impressionou pelas imagens e a interpretação das atrizes, mostrando o abismo que existe dentre de nós. 

A história começa com uma atriz de teatro famosa que perde a voz, devido a um trauma. Uma jovem enfermeira é encarregada de ajudá-la. As duas vão para uma casa de praia e iniciam uma relação profunda e conflituosa, a qual é revelada segredos das personagens. 

Apesar de diferentes, possuem algo em comum como sentimentos conflituosos e culpa.  

Na casa a enfermeira fala pelas duas e a outra continua muda, interagindo apenas com pequenos gestos. Num dia conta para a atriz sobre uma excitante experiência que teve numa praia, com desconhecidos, e o resultado não agradável disto. Pouco depois de fazer esta confidência ela lê uma carta da paciente tinha escrito e fica chocada ao descobrir o que a atriz pensa dela: como um objeto de estudo.  Também, a enfermeira ao longo do filme vai absorvendo a personalidade da atriz.

Mas, a atriz está errada. As duas são muito parecidas, pois tentam fugir da profundidade do ser ao nadar na superfície das máscaras. Logo, a arena se monta para as personagens, a media que se digladiam, vão despindo as máscaras e ficando nuas.  

O filme não deixa de fazer uma crítica à humanidade. Como nós podemos ser cruéis, mesquinhos e doentes. 

O filme foi rodado em 1966 e ainda é muito atual. Mostra como a superficialidade das relações sócias provoca incomunicabilidade e ficamos vivendo uma solidão acompanhada.

Depois de assisti-lo, fiz-me perguntas como o que é felicidade? E que é um preço muito alto em descobrir quem sou realmente em mim, sem as máscaras que acumulei ao longo dos anos e que bailam conforme a música.

Talvez esteja sendo um pouco maniqueísta ao dizer que as máscaras são falsas, elas fazem parte das nossas escolhas para a construção da individualidade. Usa-se a máscara não para dissimular, mas para viver. Pois, deixar a o rosto nu irá se machucar com certeza. 

Já precinto que ficarei bêbado com tantos pensamentos e amanhã terei uma puta ressaca.

***
Recordo que assisti uma poesia  de Clarice pela atriz Aracy Balabanian, que mostra as impressões da autora sobre o filme. É muito linda.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

GAFANHOTO





Deitado na cama. Vejo-o na porta antiga de ferro da varanda do quarto, está imóvel e grudado na grade. De repente, sinto uma paranoia dos tempos modernos: Será que é uma câmera? Alguém quer filmar a minha intimidade? Bato com o dedo no vidro, ele balança as antenas. Parece ser bicho mesmo. Não gosto de me sentir observado. A privacidade é uma coisa valiosa para mim, tantas famílias que moram em casas muito pequenas, em que uma cama dormem três pessoas ou um casal precisa sair para o quintal de madrugada para transar, porque os seis filhos estão no mesmo quarto. Como estas pessoas conseguem ser felizes? Mesmo que tente desvencilhar-me dos valores burgueses, continuam a exercer uma influência forte em meus pensamentos. Barulho de chuva, vento balança o sino de estilo oriental, agora, em todas as casas há estes sinos. Quando era criança, só os via nos filmes em que mostravam mansões em frente à praia, hoje em dia, é uma coqueluche, todas as casas que vejo, tem um fazendo barulhinhos. O vento bate na janela. Sempre achei o ruído do vento melancólico e me remete a um romance inquietante: O MORRO DOS VENTOS UIVANTES. Penso nos meus blogs, que são experiências e esboços. Escrevendo-os, não revelo a minha intimidade? Talvez... Contudo, mostro o que quero. As outras passagens só dizem respeito a mim. Existem sentimentos e pensamentos que não podem ser escritos, devem morrer e apodrecer comigo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Portugal, Jorge de Sousa Braga





O jovem se declara para Portugal, mesmo com todos os defeitos e o amor à pátria é mais forte.

Não é um patriotismo tolo que a gente vê por aí, mas um sentimento profundo, o qual mesmo não conhecendo muito a história de Portugal percebi.

Identifiquei-me com a relação que tenho com o Brasil. Mesmo com todos seus defeitos, eu o amo. Foi aqui que nasci e onde está minha família.

O poema fez pensar sobre um nacionalismo reflexivo, onde a base é o amor e a sinceridade.

Não sou poeta, mas também TE AMO Brasil, apesar de tudo...














Portugal, de Jorge Sousa Braga

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca




***



domingo, 23 de setembro de 2012

Paraísos Artificiais ( 2012)




Erika é uma DJ amiga de Lara. Juntas, durante um festival onde Erika trabalhava, elas conheceram Nando, vivendo um momento intenso. Mas, logo em seguida o trio se separa. Anos depois Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Somente Erika se lembra das razões deles se separaram pouco após se conhecerem, anos antes.

O filme conta a história de jovens vazios que buscam o prazer sem limite através das drogas e que descobrem a vida é muito mais do que isso. 

Vivemos num mundo sem paradigmas, diferente das outras épocas. Os jovens dos anos 60 e 70 do século XX viveram momentos completamente diferentes os de hoje em dia. Eles queriam quebrar com autoritarismo de uma sociedade hipócrita e ditatorial: Uns foram para luta armada e outros se entregaram às drogas com a “ideia” do autoconhecimento. Atualmente, diferente do passado, todo mundo sabe o que as drogas são capazes de fazer. Quem entra hoje, já tem consciência do que encontrará.

Hoje em dia, todos sabem o que as drogas são capazes de fazer e há liberdade de escolha que muitos dos nossos pais tiveram. Mas, muitos jovens se atrapalham com essa liberdade. 

Os protagonistas do filme mostram com eficácia essa confusão.  Caminham por aí, buscando um prazer sem limites através das novas drogas sintéticas. 
Depois de assistir o filme, comecei a pensar que se por um lado não se pode viver só para o coletivo, a individualidade é importante, mas também, só fazer o que instinto manda é se tornar escrevo dos impulsos. Então, o que significa liberdade que todos almejam? Transcender a moral da sociedade e os instintos é a forma mais libertadora que existe? 

Talvez seja esse grande desafio dos nossos jovens.  Não voltar ao conservadorismo e nem não ser uma cópia mal feita dos jovens do passado. 

Construir uma identidade sem estereótipos e que se equilibram as reponsabilidades do cotidiano e o desejo. Por isso, é importante assistir esse filme. Pois, faz refletir a condição de muitos jovens atualmente.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Alien, o 8º Passageiro




Depois de assistir o filme passageiro um pensamento surgiu para afligi-lo.  O alien, na verdade, é tudo que o ser humano quer esconder: Predador e parasita. 

Olhou por todos os cantos do quarto e a pergunta veio: “Quantos morreram sacrificados por milhares de anos para eu viver aqui?”. 

De repente, imaginava ser a criatura do filme. Capaz de tudo para sobreviver. 




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

PROCURANDO ELLY (Darbareye Elly, 2009)




Ahmad retorna ao Irã e seus amigos vão para uma casa de praia. Sem que o resto do grupo saiba, Sepideh chama a jovem Elly, professora de sua filha. Ahmad, que se separou recentemente, desejava começar uma nova mulher e acha que Elly seria a companheira perfeita. No dia seguinte, no entanto, ela desaparece misteriosamente. O ambiente entre os amigos muda e iniciam uma pequena investigação para achar o paradeiro da moça

Um final de semana numa casa de praia e que dá uma merda federal. Esse enredo pode acontecer em qualquer lugar do mundo. Neste filme iraniano o interessante é que me reconheci nos personagens, apesar da diferença cultural e religiosa. As mulheres com véu e super vestidas na praia, dá certo estranhamento. 

Lógico que na história do filme, apesar de ser universal, mostra a cultura local, principalmente, a superioridade dos homens em relação às mulheres. Por exemplo, tem uma cena que a Sepideh apanha do marido, pois ele perde a paciência por achar que ela mente para ele sobre o caso.  

Mas, será que no Brasil essa cena é tão irreal? Há muitas mulheres agredidas no mundo. A história é simples, mas conduzido de um modo delicado e ao mesmo tempo denso ( deve ser angustiante uma pessoa sumir do nada e não se ter notícia). 

Ou, quando comunicaram o noivo sobre o desaparecimento de Elly e houve a preocupação de não manchar a reputação da moça, já que ela fez a viagem para encontrar Ahmad. Sinceramente, aqui também seria “ bafão”. 

Inclusive o filme me fez pensar nas diversas realidades. No meio em que vivo as mulheres não são tão distantes das iraquianas. Muitas são subjugadas pelos homens, não saem sem a permissão do marido ou namorado e consideram isso normal. Portanto, não achei a relação de marido e esposa no enredo tão estranha assim. 
Em muitas passagens, como o desaparecimento de Elly, fica o mistério o porquê sumiu, levando o espectador a pensar as razões da personagem.

Enfim, gostei do filme porque enfoca a história e os personagens em si. Mostra os sentimentos que são universais.

sábado, 15 de setembro de 2012

A DÚVIDA




É um veneno que corrói a alma, deixando-a em ruínas. Leva a uma morte com vida, pois todos vão embora. Questionar a moral de uma pessoa corrompe sua imagem e quando cai na imaginação das pessoas, fodeu. Tudo fica possível, a mentira se transforma em verdade, a pessoa é culpada e fim de papo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Metamorfose - Franz Kafka




Há algum tempo li este livro e, nas minhas primeiras interpretações, achei que a breve história era um ensaio sobre como o ser humano usa o outro e quando não se precisa mais é jogado para o escanteio. Principalmente, na Sociedade Capitalista. Gregor Samsa era o provedor da família. Começou a trabalhar cedo para sustentar o pai doente e falido, a mãe e a irmã mais nova. Quando se tornou um inseto, não foi mais útil à família. Logo, começaram o desprezar e a irem à luta. 

Um dia desses, li outro fato sobre o romance que não tinha me dado conta. Gregor apenas observa seus novos membros, órgãos e hábitos e se preocupava com a família. Porém, com o tempo se acomodo na nova condição sem realmente entender no que se tornara. Resolvi reler Metamorfose e percebi a mesmo fato. Por isso, que é uma obra atual.

Gregor Samsa sempre quis desempenhar o papel de bom menino, eficiente e o grande mártir da família. O cara que veste a camisa da empresa, o cumpridor de todas as tarefas. Viveu, como muitos, uma vida superficial de persona, não conheceu sua individualidade. Sua vida foi uma peça do sistema, que quando deu problema, jogaram-na no lixo. Quantos indivíduos não viraram insetos nojentos? Não literalmente, mas simbolicamente. Já ouvi vários casos assim: “Um cara que tinha um ótimo emprego, muitos amigos e ao ser despedido ficou à mingua.”.

Metamorfose mostra que não somos Deuses e nem mais importante que um inseto nojento, que matamos por repulsa. Vivemos uma vida ilusória e interpretada. A vida não humanizada nos esmaga, ou melhor, faz a gente  desaparecer. 

***

Só um breve pensamento. Quando li a história pela primeira vez, fui maniqueísta. Achei a família do protagonista má. Mas, será que não teria a mesma reação de ver um parente meu se transformar num inseto nojento. Sou um cara mediano como qualquer outro. Não ficaria cantando para ele, com os personagens de Walt Disney.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UNIVERSO






Sou leão que caça a presa e a presa que foge dele. Gota d’água que cai da folha e se desmancha no chão. Também, a fruta podre na calçada quente. O bebê que chora com fome, a mãe que oferece seu seio para saciá-lo. O guerreiro que defende seu povo contra os inimigos, o feiticeiro que faz longos rituais para a chuva molhar a terra ressequida. O vinho compartilhado numa reunião em família, as lágrimas que percorrem a pele. Decomponho-me em vários e nos labirintos de formas, percebo que tudo é uma coisa só, mas que varia de acordo com o olhar de cada um.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Movimento



Confesso que quando alguém discordava dos meus textos, ficava triste. Mas, com o tempo, percebi que se a pessoa diverge ou não gosta do que produzo, pelo menos, coloca-o em movimento. É melhor que não ler, pois se tornará nulo.

domingo, 9 de setembro de 2012

ANCESTRAL




Vejo um jovem vender seus poemas na rua. De repente, suas roupas modernas mudam; ele está nos anos quarenta, sentado numa escrivaninha batendo a máquina. Depois, encontro-o com uma peruca branca, a escrever a pena, vários manuscritos. Em seguida o observo registrar, na pedra, suas inscrições. Sem saber, ele carrega uma ancestralidade artística, reencarnando várias vezes como poeta.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

tudo conspira contra





O vizinho coloca música alta. As crianças correm. Os cachorros latem. A vizinha grita por seu time. Quero fazer um vídeo e o pior que a bateria da minha câmera está fraca. E agora? Quero tanto fazer um vídeo, mas tudo conspira contra.



NÃO SE IMPORTA
Escrever errado
Interpretar equivocadamente
Tropeçar na calçada
Sujar a roupa quando come
Esquecer o zíper da calça aberto
Deixar alguma coisa quebrar
Isso prova que é humano e que vive todos os dias para se tornar numa pessoa melhor.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012




Eu e minhas questões inúteis. Mas, sempre me questiono sobre isso.

Muitos dizem que é um super-herói sem poderes e que resolve com suas habilidades normais os crimes. Porém, ele tem um grande poder: O DINHEIRO. Sem ele, não faria tantas coisas.

Não que diminuir as virtudes do Batman. Há muitos caras ricos que torra a herança dos pais e morrem de overdose. Pelo contrário, ele ajuda a cidade onde mora e as pessoas.

Mas, se não fosse rico, como Batman seria? Um policial miliciano? Para vocês, caros leitores, como ele seria? 

Poxa vida, tanta coisa mais útil para escrever e faço uma crônica de casos hipotéticos a partir de uma ficção. 

Caros leitores, não próxima crônica prometo escolher temas mais proveitosos para sociedade.