quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Metamorfose - Franz Kafka




Há algum tempo li este livro e, nas minhas primeiras interpretações, achei que a breve história era um ensaio sobre como o ser humano usa o outro e quando não se precisa mais é jogado para o escanteio. Principalmente, na Sociedade Capitalista. Gregor Samsa era o provedor da família. Começou a trabalhar cedo para sustentar o pai doente e falido, a mãe e a irmã mais nova. Quando se tornou um inseto, não foi mais útil à família. Logo, começaram o desprezar e a irem à luta. 

Um dia desses, li outro fato sobre o romance que não tinha me dado conta. Gregor apenas observa seus novos membros, órgãos e hábitos e se preocupava com a família. Porém, com o tempo se acomodo na nova condição sem realmente entender no que se tornara. Resolvi reler Metamorfose e percebi a mesmo fato. Por isso, que é uma obra atual.

Gregor Samsa sempre quis desempenhar o papel de bom menino, eficiente e o grande mártir da família. O cara que veste a camisa da empresa, o cumpridor de todas as tarefas. Viveu, como muitos, uma vida superficial de persona, não conheceu sua individualidade. Sua vida foi uma peça do sistema, que quando deu problema, jogaram-na no lixo. Quantos indivíduos não viraram insetos nojentos? Não literalmente, mas simbolicamente. Já ouvi vários casos assim: “Um cara que tinha um ótimo emprego, muitos amigos e ao ser despedido ficou à mingua.”.

Metamorfose mostra que não somos Deuses e nem mais importante que um inseto nojento, que matamos por repulsa. Vivemos uma vida ilusória e interpretada. A vida não humanizada nos esmaga, ou melhor, faz a gente  desaparecer. 

***

Só um breve pensamento. Quando li a história pela primeira vez, fui maniqueísta. Achei a família do protagonista má. Mas, será que não teria a mesma reação de ver um parente meu se transformar num inseto nojento. Sou um cara mediano como qualquer outro. Não ficaria cantando para ele, com os personagens de Walt Disney.