domingo, 26 de fevereiro de 2012

QUENTÕES DE ARTE

A arte pode ser avaliada a partir de critério objetivo, como numa competição? Sempre me questiono sobre isso. Cada vez mais vejo a premiação do Oscar como uma festa entre tantas.

Como avaliar um filme de comédia, drama e ficção científica, gêneros tão diferentes, como melhor filme. Não consigo encontrar critérios objetivos. A arte em geral mexe com emoções, diferente de uma corrida ou natação.

Já ouvi comentário que o Oscar existe cartas marcadas, não quero argumentar este mérito. Mas, um filme que ganha prêmio, não significa que ele marque sua vida ou toque seu coração. Assisti filmes que nem participaram do Oscar, porém, fazem parte de mim:


O CÉU QUE NOS PROTEGE (1990)



A Ostra e o Vento( 1998)


Terra Estrangeira ( 1995)

Casa de Areia( 2005)



O Homem que Copiava ( 2002)


Cinema de Lágrimas( 1995)


Casa Vazia( 2004)



A Dupla Vida de Véronique( 1991)







Lógico que foram películas premiadas em outros festivais e conhecidas por outras pessoas. Porém, o OSCAR é o evento mais popular de cinema. Principalmente pelos desfiles de artistas, celebridades e além de ser televisionado no mundo inteiro.

Por isso, acho muito complicado colocar a arte como competição. A interpretação é subjetiva, depende do gosto e sensibilidade de cada indivíduo.














sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

CRONICA ANTIGA (A Festa no Castelo de Moacyr Scliar)

A Festa no Castelo




O romance não é extenso, mas a narrativa prende o leitor por contar duas histórias: O mundo requintado da aristocracia idealista e a amizade de um velho sapateiro e um jovem idealista, em que vivem no Sul do Brasil nos meados dos anos de 1964, ano do Golpe militar. No início as histórias parecem não ter ligação, contudo com o passar das páginas, percebe-se que há uma intercessão.

Além de contar um pouco a história do Brasil recente, A Festa no Castelo faz uma crítica tanto da Sociedade Capitalista exploradora como aos revolucionários idealistas da época. Principalmente a difícil tarefa de conciliar a teoria socialista ou comunista com a prática. O narrador e protagonista, o jovem idealista Fernando, deixa claro que as histórias que contava não eram o que gostaria de narrar. Há uma certa desilusão por não concretizar os seus sonhos idealistas e revolucionários de ajudar o povo. O seu melhor amigo, o sapateiro comunista Nicolla Colleti se frustra também e Fernando se decepciona com ele. O livro mostrou o processo de desencantamento que sofremos quando crescemos, principalmente, uma geração que acreditava que o socialismo acabaria com as injustiças do Capitalismo e a falta de liberdade.

Conciso Moacyr Scliar evidenciou num prisma particular os paradigmas e ideais de uma época.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

NOTAS PARTICULARES ( CRÔNICA ANTIGA)



Gosto de ouvir o som dissonante da cidade. O costume é que me faz até apreciar a buzina alta de um carro.

Os ensinamentos do professor ecoam na cabeça, hoje, ele diferenciou a exoneração e demissão do cargo público; estou preocupado com o edital do concurso que ainda não saiu.
O sol desta manhã me aqueceu e almocei muito bem. Não sei quem vou votar e me dá ódio das musiquinhas das propagandas, que passam nas alturas.

Uma colega me disse que não vai votar e depois pagará uma multa de três reais, realmente, isso é tentador... Na tevê a cabo está passando um novo canal, só de desenhos animados japoneses. Não sou um conhecedor profundo, porém me atrai os olhos grandes das personagens, que mostram diversas emoções; o rosto só há um traço de nariz, salvo, mínimas rugas quando as personagens são idosas. Parei de ver novelas; leio um pouco e navego na Internet.

Tenho segredos que não prejudicam ninguém e quem não os têm... Eu gostaria de não sentir mais a necessidade de ser bom em alguma coisa e receber elogios. Não gosto muito deste meu lado exibido. Quero ser ação e parar de me preocupar com opiniões alheias. Lógico que as críticas construtivas são bastante relevantes.

Fiz um comentário no blog de uma pessoa amiga e ela me questionou a razão de sempre fazer elogios, deixando de articular comentários críticos. Respondi: “É que sempre gostei do estilo como escreve, faz pensar. Agora, dá palpite no estilo, sinceramente, estou muito verde para dizer algo e cometer gafes. Dizer algo sem fundamentos”. É a pura verdade, mesmo que eu sinta a mesma coisa, ao escutar um comentário artificial. Ela sempre me ajuda e dá boas dicas. Não quero passar por uma pessoa artificial, todavia o que as pessoas pensam da gente independe de nós.

O jeito é relaxar e jogar para fora as neuroses...

outros olhares

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VIOLÊNCIA GRATUITA



Fiz um vídeo sobre um assunto que sempre me intrigou: Violência gratuita. Nunca entendi agredir qualquer pessoa sem motivo, só pelo prazer de machucar o outro. E para piorar a situação este tipo de agressão não é feito por bandidos, mas sim pessoas consideradas “pessoas de bem”.

O que me dá medo e que estes casos de violência gratuita mostram como a psicopatia é muito mais comum como se imagina, diferente do estereótipo construído pelo cinema americano. Tudo é tão sem sentido, que parece o livro O Processo de Kafka, onde o protagonista é acusado de um crime que ele não sabe qual é. 


Os psicopatas são tão prosaicos que se transformam em um câncer a nossa sociedade. São predadores da própria espécie e capazes de tudo.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

FELIZ ANO NOVO DE RUBEM FONSECA





É um livro de contos publicado em 1975 e que foi censurado na época da ditadura. Não é para menos, o conto que leva o nome do livro é um soco na boca do estômago. A história narra uma invasão de marginais numa festa de final de ano numa casa de grã-finos, causando várias cenas de violência.

Os outros contos relatam personagens marginais, mesquinhos, sofridos e loucos que transmitem valores invertidos do status quo da sociedade da época. Principalmente, na década de setenta do século passado.

Em minha opinião, os contos são atuais, mas se deve levar em conta o contexto histórico do Brasil da época, onde o falso moralismo da ditadura imperava. Rubem Fonseca usa a violência e o sexo como forma de construir um estilo literário que choque e faça os leitores pensarem sobre o que acontecia naquele momento como, por exemplo, a hipocrisia, a crueldade das desigualdades sociais e o sadismo de uma burguesia que usa os outros como se fossem acessórios, principalmente, para obter prazer. O conto Passeio noturno chamou-me a atenção a crueldade de um homem de negócios e pai de família, que sai de noite para atropelas as pessoas. Este outro lado da natureza humana, assustou muito os poderosos da época, que sentira uma estranha repulsa. 


“ Suspender Feliz Ano novo foi pouco. Quem escreveu aquilo deveria estar na cadeia e que lhe deu guarida também. Não consegui ler nem uma página. Bastaram meia dúzia de palavras. É uma coisa tão baixa que o publico não devia tomar conhecimento.” Senador Dinarte Mariz. Folha de S. Paulo, 7.1.77.


O autor utilizou a crueza para levantar a poeira escondida do tapete. Não utilizou os subterfúgios da metáfora e artifícios subliminares. Também, mostra como a sociedade produz monstros que assustam como bichos papões as  "famílias de bem".

Seus contos são cinematográficos e ele consegue passar sua bagagem cultural sem ser pedante. Textos enxutos e impactantes são características de Rubem Fonseca, tornando uma referência na literatura contemporânea.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

LABIRINTO DE ESPELHOS


Tive este pensamento quando assisti Avatar. Apesar dos efeitos especiais do filme, não pude deixar de perceber ecos de histórias que aconteceram na realidade. Quantos exploradores, cientistas e entre outros abandonaram seus lugares de origem e mergulharam em um novo mundo e fazendo parte dele em seguida e se tornado outro. Acho isto fantástico e possível de acontecer.

No conto “ história do guerreiro e da cativa”, Borges narra duas histórias paralelas de diferentes épocas, mas que na essência, idênticas. A primeira parte do conto é de um guerreiro que traiu os seus para defender o que eram antes, seus inimigos e a segunda  relata, a história de uma inglesa que foi raptada pelos índios do “pampa” e ao longo do tempo se tornou uma “ aborígine”:

”... Droctulft foi um guerreiro lombardo, que no cerco de Ravena, abandonou os seus e morreu defendendo a cidade que antes atacara. Os ravenenses sepultaram-no num templo e compuseram um epitáfio em manifestavam sua gratidão: “ desprezou os seus entes queridos, para nos amar”.
... Em 1872, meu avô Borges era chefe das fronteiras Norte e Oeste de Buenos Aires e Sul de Santa Fé. O comando estava em Junín; mais além, a quatro ou cinco léguas um do outro, a cadeia dos fortins; mais além, o que então se denominava La Pampa e também Tierra Adentro. Uma vez, entre maravilhada e brincalhona, minha avó comentou seu destino de inglesa desterrada nesse fim de mundo; disseram-lhe que não era a única e lhe mostraram, meses depois, uma rapariga índia que atravessava lentamente a praça. Vestia duas mantas vermelhas e ia descalça; suas tranças eram loiras. Um soldado disse-lhe que outra inglesa queria falar com ela...
Talvez as duas mulheres, por um instante, se sentissem irmãs; estavam longe de sua ilha querida e num inacreditável país. Minha avó enunciou qualquer pergunta; a outra respondeu com dificuldade, procurando as palavras e repetindo-as, como que assombrada por algum antigo sabor. Faria quinze anos que não falava o idioma natal e não era fácil recuperá-lo. Disse que era de Yorkshire, que seus pais emigraram para Buenos Aires, que os perdera num ataque, que os índios a levaram e que agora era mulher de um capitãozinho a quem já tinha dado dois filhos e que era muito valente. Foi dizendo isso num inglês rústico, intercalado de araucano ou pampa, e por trás do relato se vislumbrava uma vida cruel: os toldos de couro de cavalo, as fogueiras de esterco, os festins de carne chamuscada ou de vísceras cruas, as sigilosas marchas ao amanhecer; o assalto aos currais, o alarido e o saque, a guerra, a caudalosa boiada tangida por cavaleiros desnudos, a poligamia, a hediondez e a magia. A tal barbárie se rebaixara uma inglesa. Movida pela lástima e pelo escândalo, minha avó exortou-a a não voltar. Jurou ampará-la, jurou resgatar seus filhos. A outra lhe respondeu que era feliz e voltou, nessa noite, para o deserto. Francisco Borges morreria pouco depois, na revolução de 74; minha avó, então, pôde talvez perceber na outra mulher, também arrebatada e transformada por este continente implacável, um espelho monstruoso de seu destino…
Mil e trezentos anos e o mar punham-se entre o destino da cativa e o destino de Droctulft. Os dois, agora, são igualmente irrecuperáveis. A figura do bárbaro que abraça a causa de Ravena, a figura da mulher européia que opta pelo deserto podem parecer antagônicas. No entanto, um ímpeto secreto arrebatou os dois, um ímpeto mais fundo que a razão, e os dois acataram esse ímpeto que não souberam justificar. Talvez as histórias que contei sejam uma única história. Para Deus, o anverso e o reverso desta moeda são iguais. ”

Ao fazer relações com o filme, o conto e algumas histórias reais, começo a concordar com a teoria de Borges que a História da humanidade é um labirinto de espelhos e que o eu e o outro, na realidade, são um só. E que a existência não deixa de de ser diversa e una. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

AMADOR




Quando escrevo e filmo me torno amador. Viro criança outra vez e me imagino em outras realidades.


Tenho a liberdade de produzir o que quiser, sem me preocupar com retorno material. Paro de pensar e vivo a imaginação.


Sou amador louco, mas não mordo ninguém. Só quero produzir e exorcizar minhas ideias tresloucadas. Na internet, sou DUDU OLIVA O LINDO DE VEGA .


Em muitas ocasiões precisa-se se tornar outro para descansar da gente mesmo e dos problemas.

Isso não é fuga, é só um tempo para descansar e voltar disposto à batalha do cotidiano.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

INVEJA







Outra vez, este sentimento me persegue. Não gosto de senti-lo. Mas, preciso seguir em frente!


Hoje( terça-feira), encontrei uma crônica que com certa ironia criticava como as pessoas gostam de escrever frases feitas em acontecimentos trágicos, que muitas vezes não levam a nada. Concordo em parte com a autora do texto, o que adianta compartilhar mensagens e fotos de mazelas se não se faz nada na prática para mudar a situação. Entretanto o que me chamou mais a atenção foi o humor sarcástico sem ser agressivo. Confesso que gostaria de ter este estilo para escrever, sou direto em colocar minhas ideias. Como já falei muitas vezes, tenho pressa em escrever e isso me leva a muitos erros. Não tenho paciência, portanto este fato é o meu " calcanhar de Aquiles" para ser um bom cronista.


A jovem que postou a crônica num site de humor tem um twitter e vi sua suposta foto( não do perfil, mas o álbum que fica ao lado dos tweets). Puxa vida, além de ser bela, é inteligente, irônica e sarcástica.


O que posso fazer? Sentir inveja faz parte da minha caminhada para minha construção da minha individualidade. Também, quanto mais almejo algo mais ela irá surgir. Preciso aprender lidar com este sentimento. Não se pode esquecer-se da relação que existe entre a relação da admiração da admiração e da inveja. Pois, só há a segunda se houver a primeira.











domingo, 5 de fevereiro de 2012

APRENDENDO COM A LITERATURA 18/12/2006


Imagem encontrada no google

Remexendo alguns textos antigos, encontrei esta crônica que fiz há alguns anos. Reproduzo-a, porque ainda penso desta forma. Principalmente como a literatura pode nos ajudar a entender a vida.

Como é interessante a sensibilidade dos escritores em expor sentimentos e situações conflitantes, que à maioria das ocasiões, são mascaradas pelo cotidiano.

Na crônica de Rubem Braga HISTÓRIA TRISTE DE MIM ilustra esse amor onipotente que nós (seres racionais) temos para com os bichos. Um menino corta as asas do passarinho. Queria protegê-lo, mas um gato o comeu e o garoto nem pôde defendê-lo.

Já no conto A LEGIÃO ESTRANGEIRA de Clarice Lispector mostra que a gente pode matar por amor. “ ... Ofélia, tentei eu inutilmente à uma distância o coração da menina calada. Oh, não se assuste muito! às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia agente esquece, juro! a gente não ama bem...”.

Antes quando via um animal preso na gaiola, pensava que era por pura maldade. Agora, sei que muitas vezes não é e sim por amor, enclausuramos a pessoa amada. Realmente, amar é uma arte complicada.