sábado, 27 de julho de 2013

O Morro dos Ventos Uivantes



Em uma área rural da Inglaterra, surge com o tempo uma violenta paixão entre Catherine Earnshaw e Heathcliff (Ralph Fiennes), seu irmão adotivo. Criados juntos, eles são separados pela morte do pai de Catherine e a crueldade de como Hindley Earnshaw , seu irmão, trata Heathcliff. Quando Heathcliff fica sabendo que ela vai casar com Edgar Linton, um homem rico e gentil, Heathcliff foge para ter fortuna, não tendo conhecimentos do fato de que Catherine o ama, e não o futuro marido. Dois anos depois, Heathchliff retorna para vingar-se de Hindley e Edgar e  suposto abandono que Catherine.

Lembro-me que li o livro de  Emily Bront numa tarde chuvosa e num longo período de greve da faculdade. Antes, tinha assistido um filme feito em 1992 com Juliette Binochenew e Ralph Fiennes.

O que me encantou na história foi o amor que chega a ser uma obsessão entre Catherine Earnshaw e Heathcliffnew e ainda há elementos da literatura gótica, que aborda imaginário sobrenatural de fantasmas. O lugar não deixa de ser personagem também. É um ambiento hostil e frio, mas que foi testemunha do amor de Catherine e Heathcliffnew.]

Na sexta-feira assisti uma nova versão, que foi uma adaptação mais livre que a outro de 1992. Não há o elemento gótico, e o filme é feito com mais realismo. A câmera é intimista e faz com que o espectador veja através dos personagens. Para mim, a história ficou ainda mais intensa e brutal.

Realmente, as cenas ficaram mais cruas, deixando de lado os elementos da literatura gótica do romance de Emily Bront. Considerei uma nova história, que não deixa de ser interessante.

Sei lá, versão cinematográficas de livros sempre causam muita polêmica. Se a pessoa que assistir o livro no cinema, sempre vai se decepcionar. O livro é um espaço e tempo, diferente de um filme. De algum jeito, no filme sempre irá suprimir alguns elementos.

O interessante é assistir as diferentes interpretações, apesar de ser frustrante em muitas ocasiões. 

Gostei dessa versão e acho que contribui para o  imaginário desse romance que consegue ser tão vivo, apesar do tempo. Emily Bront o escreveu  1847.

domingo, 21 de julho de 2013

Filme KES ( 1970) E o livro Infância de Graciliano Ramos(1945)





Ao assistir o filme e ao acabar de ler o livro, não pude deixar de encontrar pontos em comum como a violência que é cometida nas crianças através dos tempos. 

Em kes conta a história de um menino Billy Casper que sofre violência na escola e em casa. Alheio ao mundo em vive, vaga pela cidade e pelo campo. Um dia, encontra um pequeno falcão e passa o seu tempo cuidando dele, inclusive, como ele estuda o comportamento da ave. Admira como a ave voa no silêncio, ele não quer ser seu dou, mas se admirador ao velo voar na plenitude do silêncio. É um filme doído e belo.

No livro Infância publicada em 1945, “Infância”, de Graciliano Ramos, é um romance que se distingue pelo traço memorialístico (narrativa que fica entre a história e a ficção). Porém, a obra não deve ser entendida como um documento da vida do autor e nem mesmo como um texto puramente autobiográfico. Infância narra às primeiras experiências de um menino, o qual é narrado-protagonista. À medida que o tempo passa, a criança percebe as injustiças cometidas pelos pais e a sociedade em que vive, inclusive, as relações de poder dos coronéis e seus apadrinhados. Quando descobre os livros, surge de forma mágica e prazerosa e que o faz observar mais criticamente o meio onde vivia, tornando-se ainda mais fora do contexto.

Tanto o personagem do filme como o do livro encontraram um caminho diferente para suportarem o mundo. Mas, essencialmente, os caminhos foram semelhantes. A ave fez com que Billy Casper abstraísse do lugar miserável onde morava e voasse também com a ave. Enquanto o menino (do romance Infância) voou através dos livros, dando asas à imaginação.

Espanta-me como os adultos podem ser verdadeiros déspotas e praticar as injustiças, formando um círculo vicioso.  Aí, vêm pergunta: Se dentro de casa há violência é devido à sociedade ou ao contrário? É uma questão a se pensar, a violência faz parte da natureza humana e pode ser  Institucionalizada de acordo com os interesses.

Outo ponto que gostaria de argumentar é que como as duas obras tratam a Educação e como a instituição é falha, pois não formam cidadãos reflexivos e éticos, pelo contrário, subjugam os alunos e estes reproduzem valores do status quo, reproduzindo o mesmo modelo repressor nos filhos e alunos.  

Foi interessante essa coincidência de ler o livro e assistir o filme ao mesmo tempo. Principalmente, quando assisti algumas palestras da Viviane Mosé, que ela discute sobre educação. Concordo com seu discurso, quando argumenta que não adianta acumular  somente conhecimento e reproduzir como gravador. Mas, usar o conhecimento na prática e criando coisas novas.  Para isso, a Educação precisa melhorar e fazer com que os alunos pensem por eles mesmos.

Tenho esperança que essa nova Educação chegue e que o mundo seja mais ético. Não estou querendo o ideal, mas o possível.




Muito Prazer, Eu Existo

Vou postar de novo, porque acho a letra relevante e faz pensar. Abstraiam a voz da cantora e prestem a atenção na letra.


sábado, 20 de julho de 2013

FELIZ DIA DO AMIGO


Mensagem ao vento


"Escrevi inúmeras vezes, e reitero aqui, que juventude e velhice não são questões cronológicas, de calendário, mas um estado de espírito. Não me canso de repetir que conheço inúmeros “velhos” de 18 anos, desanimados, sem perspectiva e buscando a fuga da realidade no álcool e, não raro, nas drogas, e muitos “jovens” prestes a atingir a idade centenária. Exagero? De forma alguma! Querem um exemplo? Alguém que não conhecesse Barbosa Lima Sobrinho pessoalmente – que foi por um tempão presidente da Associação Brasileira de Imprensa – e que lesse, com atenção e assiduidade, os textos que escrevia aos cem anos (isso mesmo, em idade centenária) para o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro diria, em sã consciência, que se tratava de um “velho”? Duvido! Era tamanha a sua lucidez, tão grande o seu entusiasmo, tão ativa a sua participação na vida do País, que se diria que se tratava de um moço de 20 anos, se tanto. E esse não é um caso único e nem o mais surpreendente. Conheço inúmeros outros."


Pedro J. BondaczukJornalista, radicado em Campinas, mas nascido em Horizontina, Rio Grande do Sul. Tem carreira iniciada no rádio, em Santo André, no ABC paulista. Escritor, com dois livros publicados e detentor da cadeira de número 14 da Academia Campinense de Letras. Foi agraciado, pela sua obra jornalística, com o título de Cidadão Campineiro, em 1993. É um dos jornalistas mais veteranos ainda em atividade em Campinas. Atualmente faz trabalhos como freelancer, é cronista do PlanetaNews.com e mantém o blog pedrobondaczuk.blogspot.com. Pontepretano de coração e autêntico "rato de biblioteca". Recebeu, em julho de 2006, a Medalha Carlos Gomes, da Câmara Municipal de Campinas, por sua contribuição às artes e à cultura da cidade. 

 Blog do autor: http://pbondaczuk.blogspot.com.br/

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Por mais um dia


O sol ilumina o quarto e incomodam meus olhos
Levanto da cama, ouvindo passarinhos e carros indo embora.
Estou molhado, sonhava que estava em alto mar.

Não sei se fico feliz ou triste por mais um dia.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Não quero isso para mim



Fiquei abismado com a cena sem edição de um artista tirando fotos pelos paparazzi e fãs, sempre assistia a essas sessões de fotografia editadas e com músicas glamorosas.

 Nunca tinha me dado conta o quanto é violento, os flashes invadindo as retinas.  Tanta luz que pode chegar à escuridão do abismo.  E o que resta depois? A essência reduzida a uma mercadoria. Não consigo me imaginar jogado na arena das feras, onde não posso ser devorado literalmente, mas, minha essência através dos flashes.

Nesse ritual das celebridades e fotos tudo parece ser tão forçado, um ensaio mal feito da vida.

 Alguns podem achar que estou com dor de cotovelo ou exagerando.


 Só que não quero isso para mim.

domingo, 14 de julho de 2013

Histórias de cronópios e de famas de JÚLIO CORTÁZAR



O livro se divide Manual de instruções, Estranhas ocupações, Matéria plástica e Histórias de cronópios e de famas.

As instruções abordam como se deve chorar ou cantar, ou, a maneira de ter medo. Também, como compreender quadros célebres e como exterminar as formigas em Roma.

A família da rua Humboldt, em Buenos Aires, insere no capítulo das ocupações estranhas. É uma família que trabalha unida em fabulosas tarefas como, por exemplo, construir um patíbulo no jardim em frente da casa.  Adotar o comando de uma agência de correio e oferecer balões coloridos como brindes aos compradores de selos.

O outro capítulo esclarece, por exemplo, sobre a maravilhosa aventura de cortar uma pata de aranha e mandá-la pelo correio ao ministro do Exterior.

Já em Histórias de cronópios e de famas, os textos parecem fábulas e que explicam as diferenças entre os famas, cronópios e os esperanças.

Os famas são seres acomodados, criteriosos, dados ao cálculo, e embalsamam suas recordações.

Os cronópios sentem por eles uma compaixão infinita. São seres estranhos, sensíveis e voltados para a poesia.

 Além dos cronópios e famas, existem também as esperanças, que são sedentários e não têm expediente para nada.

“TARTARUGAS E CRONÓPIOS
Agora acontece que as tartarugas são grandes admiradoras da velocidade,como é natural. As esperanças sabem disso e não ligam. Os famas sabem e caçoam. Os cronópios sabem e cada vez que encontram uma tartaruga, puxam a  caixa de giz colorido e na lousa redonda da tartaruga desenham uma andorinha.”

Nessa historinha mostra muito bem a diferença entre famas, esperanças e cronópios.

Enfim, o livro é composto de pequenos relatos ou contos que mostram outros olhares do cotidiano e da vida. Há o fantástico para mostrar que o mundo em que vivemos não é certinho, pelo contrário, existem paradoxos e o inexplicável.

Não se pode esquecer que o livro é repleto de ironia de humor, para quebrar a chatice das convenções sociais e do cotidiano.


sábado, 13 de julho de 2013

Querida Amiga Prudência



Gosto de você, mas é muito chata. Sei que muitas vezes está certa, só que se eu seguir seus conselhos vou viver uma vida chata. Mesmo que fique ferido por causa das minhas escolhas, pelo menos, estou vivendo. Não fique chateada porque deletei das minhas redes sociais e até a bloquei. É que suas mensagens equilibradas me dão enjoo. Amiga, querida, você é muito pentelha e certinha demais. Não consigo imaná-la fazendo cocô. Perdoe-me, sim...


Mensagem ao vento

Nossa vida é curta, curtíssima; é breve, brevíssima; é como um raio, um quase imperceptível lampejo de luz, entre duas eternidades de trevas. Pode ser comparada a uma ligeira observação inserida entre dois parênteses em determinada sentença. Se pertinente ou não, se valiosa ou inútil, se explicativa ou obscura, dependerá só de nós. Dependerá dos valores que cultivarmos, dos pensamentos e obras que criarmos e de nossas ações. Por mais que se queira, não há como fugir dessa incômoda realidade. Octávio Paz tratou desse tema, nestes versos do poema “Certeza”:

“Se é real a luz branca/desta lâmpada, real
a mão que escreve
são reais
os olhos que vêem o escrito?

De uma palavra a outra
o que digo se desvanece.
Eu sei que estou vivo
entre dois parênteses”.


Preenchamos, pois, este brevíssimo intervalo do texto da nossa existência com atos e fatos e feitos de grandeza e de amor. É só o que podemos e o que nos compete fazer.




Pedro J. Bondaczuk



domingo, 7 de julho de 2013

LIMITE BRANCO DE CAIO FERNANDO ABREU



É o primeiro romance de Caio Fernando Abreu( ele escreveu com dezenove anos), que narra introspectivamente o amadurecimento de Maurício.

O protagonista está na busca de se encontrar e através de um diário tenta dar conta de si mesmo, revelando a ambiguidade de sua existência e sexualidade. Aliás, comum na adolescência quando um mundo novo de sensações desperta.

Confesso, quando estava a ler o livro, não pude deixar de fazer relações com Demian de Hermann Hesse, o qual se faz  pensar, também, como é importante nos autoconhecer e  perceber que existe um universo diverso dentro de cada indivíduo. Encontrei dois pensamentos parecidos nos dois romances: “Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Porque isso me era tão difícil?”( Emil Sinclair, Demian)\ “Quero ser eu mesmo. Será difícil”?(Maurício, Limite Branco).

Maurício através das experiências particulares e o amadurecimento tenta romper o casulo ou o ovo em que vivia para alçar voo para outras terras.

Outras partes que achei interessante no livro é o desencantamento que Maurício teve com a família e com o primo Edu. Quando criança, o primo mais velho era impiedoso e revolucionário, mas com o tempo virou um bonachão pai de família. Maurício, sentiu-se triste ao ver seu herói da infância se transformar num “medíocre” preso a um cotidiano e ele não queria que isso lhe acontecesse. Assim, a desilusão de perceber seus heróis caídos é uma forma de crescer e quebrar as cascas do ovo.

Enfim, gostei de ler Limite Branco porque é um romance atemporal. Qualquer pessoa de outras épocas futuras pode se identificar com a história. Como acontece com Demian. São histórias universais, pois falam de crescimento e amadurecimento individual.








segunda-feira, 1 de julho de 2013

SALVADORES DA PÁTRIA



Nas últimas semanas ao observar as manifestações populares para um Brasil melhor, observo que estamos deixando de esperar salvadores da pátria. Pelo contrário, começamos a tomar as rédeas de nossas próprias vidas. 

Não adiante esperar um ser que resolverá todos os problemas do país. Devemos ser nossos próprios salvadores. Precisamos participar da política e fiscalizar o que nossos representantes ou agentes públicos fazem.
Essa ideia de independência me alegra tanto e me faz ter esperança. Pois, estamos vivendo o possível da construção de um mundo melhor. Sem ficar à espera, na janela da torre mais alta, do príncipe que matará o dragão da corrupção.  

O homem é um ser político na sua essência. Portanto, a política não está exclusivamente no Planalto Central, mas no cotidiano de nossas vidas.  Então, se buscarmos viver eticamente, isso se refletirá nos três poderes: Executivo, legislativo e judiciário.