domingo, 7 de julho de 2013

LIMITE BRANCO DE CAIO FERNANDO ABREU



É o primeiro romance de Caio Fernando Abreu( ele escreveu com dezenove anos), que narra introspectivamente o amadurecimento de Maurício.

O protagonista está na busca de se encontrar e através de um diário tenta dar conta de si mesmo, revelando a ambiguidade de sua existência e sexualidade. Aliás, comum na adolescência quando um mundo novo de sensações desperta.

Confesso, quando estava a ler o livro, não pude deixar de fazer relações com Demian de Hermann Hesse, o qual se faz  pensar, também, como é importante nos autoconhecer e  perceber que existe um universo diverso dentro de cada indivíduo. Encontrei dois pensamentos parecidos nos dois romances: “Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Porque isso me era tão difícil?”( Emil Sinclair, Demian)\ “Quero ser eu mesmo. Será difícil”?(Maurício, Limite Branco).

Maurício através das experiências particulares e o amadurecimento tenta romper o casulo ou o ovo em que vivia para alçar voo para outras terras.

Outras partes que achei interessante no livro é o desencantamento que Maurício teve com a família e com o primo Edu. Quando criança, o primo mais velho era impiedoso e revolucionário, mas com o tempo virou um bonachão pai de família. Maurício, sentiu-se triste ao ver seu herói da infância se transformar num “medíocre” preso a um cotidiano e ele não queria que isso lhe acontecesse. Assim, a desilusão de perceber seus heróis caídos é uma forma de crescer e quebrar as cascas do ovo.

Enfim, gostei de ler Limite Branco porque é um romance atemporal. Qualquer pessoa de outras épocas futuras pode se identificar com a história. Como acontece com Demian. São histórias universais, pois falam de crescimento e amadurecimento individual.