segunda-feira, 30 de maio de 2016

A SAGA JOGOS VORAZES


Assisti ao último filme da saga, infelizmente, não li os livros. Pontuarei alguns aspectos interessantes dos filmes, os quais podem servir para refletir sobre o mundo em vivemos.

1- Reality show organizado para os jovens se digladiarem como uma forma da " política de pão de circo". As pessoas muitas vezes deixam de viver suas vidas para assistir a um jogo que reduz a condição humana, mostrando o pior. Enquanto isso, ninguém liga para os desmandos de um ditador despótico e ainda os espectadores descarregam a agressividade ao assistirem os jogos. Podemos observar estas técnicas para enganar o povo ao longo dos anos.

2- Mesmo a história ser de ação, expõe como a construção das imagens de heróis, vilões e mártires são fundamentais para ganhar uma guerra. Não adianta só ter armas, mas, uma PROPAGANDA eficaz que mexa com inconsciente coletivo e individual. Transformar a imagem em mercadoria possui uma força extraordinária. Não adianta só vender coisas, mas sim um modo de viver.

3- A protagonista mesmo sendo uma jovem forte e corajosa, ela fraqueja em alguns momentos. Não almeja vestir totalmente o papel de heroína. Logo, sua fragilidade é sua força de não se iludir com a vaidade e egos inflados. Quer ser ela somente. Lutar pela sua família, depois pela sua liberdade e dos outros.

 4- No final da saga, reafirmou um conceito que concordo bastante. Cuidado na hora de lutar e não se tornar no que você mais detesta. Na História da humanidade isto acontece bastante, algozes e vítimas tornam-se farinha do mesmo saco em períodos diferentes.

5- Nunca seja manipulável. Questione sempre e não tenha verdades imutáveis.

 6- A verdadeira força vem da coragem e de não se corromper com efêmeros confortos e fama.

sábado, 28 de maio de 2016

DICAS PARA NÃO CAIR EM ARMADILHAS



Ninguém é perfeito, príncipe ou princesa e nem vai preencher seus espaços vazios. 

Arrume um companheiro e companheira possíveis e não personagens de filmes e livros românticos, ok. O primeiro empurrão, cai fora! Agressores são reincidentes!

 É carente, procure um psicólogo URGENTEMENTE. 

Pois, é uma potencial vítima de um crime mortal. 

Confie desconfiando, não viva num mundo de conto de fadas. Seja atento ou atenta nos detalhes! Desconfie de pessoas que sempre são agradáveis e sedutoras demais. 

 Escolha melhor suas amizades e parceiros.

 Mantenha sempre a atenção. 

Na verdade ninguém conhece o outro totalmente e nem a si mesmo.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Fato isolado?

Sempre quando ouço falar de um crime violento que envolve muitas pessoas praticando, fico a refletir quando é doença mental individual ou um reflexo de nossa sociedade. As agressões das torcidas organizadas que levam à morte, a violência no trânsito mostra como estamos embrutecidos e com falta de empatia.

Nesta semana, fiquei sabendo de um caso de estupro coletivo de uma menor e que foram trinta homens a praticar esta barbaridade. Será que todos são psicopatas? Foi um fato isolado? Ou existe a cultura de estupro realmente?

Tantas notícias de jovens violentadas nas festas de faculdade, dopadas e humilhadas. Fora os assédios nas ruas com palavrões. Meninas que nem têm corpo de mulher direito são assediadas por homens mais velhos. Esta prática precisa ser combatida.

A notícia desta semana expõe como nossa sociedade não é tão civilizada. Será que as mulheres brasileiras são tão diferentes das iranianas? Há bolhas de modernidade no Brasil, mas ainda é um país arcaico e até fundamentalista. Não adianta negar, muitos não conseguem viver a plenitude da liberdade individual e da cidadania. Ainda é muito forte a cultura de o homem ser garanhão e partir pra cima, enquanto a mulher tem que ser recatada e do lar. Logo, ele precisa assediar para mostrar que é macho.

A solução para este problema é mudar a educação, mostrando que tanto o homem e a mulher possuem direitos e deveres. Dissipar de vez o machismo, que só atrasa o país.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A função da arte (Eduardo Galeano)



"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!"

 ***

 GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. - 9. ed. - Porto. Alegre: L&PM, 2002.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Opinião ao vento



Acabei de assistir O som ao redor, filme nacional. O roteiro realmente é de alto nível. Consegue expor assuntos que nos atingem atualmente como o caos barulhento da cidade, desigualdades sociais, especulação imobiliária( que causa perda da identidade ou de memória nas cidades) e a violência de uma forma original, sem entrar no clichê muito utilizado nos filmes nacionais. Inclusive, no enredo, tem uma incursão histórica da formação do povo de Recife bem sutil e sem ser didática.

Bem, gente, posso estar a fazer uma comparação esdrúxula, mas, me lembrei do filme CACHÉ e Fita Branca de Michael Haneke pelo jeito perspicaz de tratar os temas sem entrar nos chavões.

***

Confesso que estava com resistência de assisti-lo. Por isso,  sempre devemos rever preconceitos para não cair no mito " a primeira impressão é a que fica".

domingo, 15 de maio de 2016

Ciranda de Pedra (1954) de Lygia Fagundes Telles




Confesso que me surpreendi ao ler o livro, inclusive, a forma cuidadosa e envolvente da autora. Conhecia a história por alto, quando foi lançada uma segunda versão da novela inspirada no romance em 2008. Por isso, quando me deparei com a narrativa me senti atraído pelo livro, mesmo sabendo alguns elementos do enredo. Tive sensação igual quando li outro livro de Lygia, "As meninas”, como em Ciranda de Pedra, os personagens vão se descortinando, mostrando suas ambiguidades psicológicas e conflitos interiores. Ciranda de Pedra se divide em duas partes.

A primeira narra a história de Virgínia, quando era menina. Os pais eram divorciados e ela vivia com a mãe e seu companheiro (Tio Daniel) e Luciana, uma empregada. Além de visitar o pai e as irmãs de vez em quando. Nesta faze, Virgínia percebe os acontecimentos, mas não entende. Por que a mãe é louca? Por que os pais estão separados? Por que a mãe não volta para o pai? Por que o pai a trata diferente das outras irmãs e a governanta alemã, também? Por que as irmãs sempre a deixam de fora das brincadeiras? Aí, vem a explicação do título do romance. Quando ia à casa paterna, havia uma ciranda de anões e no meio uma fonte e Virgínia fez uma comparação com as irmãs e seus amigos que não permitiam sua entrada na roda. A menina entrava numa tormenta de emoções, idealizava a casa do pai e a vida das irmãs e não gostava da casa, onde vivia com a mãe e o tio Daniel. Ainda desconfiava da empregada Luciana de gostar de Daniel e de almejar ficar livre da sua mãe, que se chama Laura. Então, Daniel decide que Virgínia more com o pai e as irmãs, pois a Laura está piorando muito. No início, fica contente, porém, percebeu que continuava sozinha, já que ninguém a deixava entrar na ciranda. Depois de um acontecimento trágico e uma revelação, decide ir a um internato.

Na segunda parte, Virgínia está uma moça e retorna para casa. Ainda se sente rejeitada pela família. Porém com tempo, percebe que as pessoas que idealizou não eram bem como pensavam. Sente-se um peixe fora d´água e faz uma jornada interior para descobre qual seu lugar no mundo. Acredita que ainda não deixam entrar na roda. Todavia, percebe que todos possuem suas feridas, defeitos e não poderia cobrar nada. A solução será encontrar seu caminho. O interessante do livro foi que, mesmo tendo elementos trágicos, houve um olhar moderno em relação ao comportamento dos personagens, sem maniqueísmo tolo, pelo contrário, eles têm seus defeitos e virtudes. Virgínia na sua busca de afeto errou, mas, não queria simplesmente vingança, pelo contrário, tinha fome de afeto. Há elementos psicológicos no romance que o aproxima da realidade. Também, aborda questões polêmicas da época como o Divórcio, a emancipação da mulher e a homossexualidade.

Enfim, foi uma grata surpresa o romance e o achei bem atual. Pois, ainda muitas pessoas vivem na superfície das mascaras e ainda não sabem lidar com turbilhão de sentimentos que eclodem dentro da gente.

terça-feira, 10 de maio de 2016

FILME QUE VI NO FINAL DE SEMANA


Sempre gosto de filmes que narram histórias que podem passar em qualquer lugar e neste final de semana assisti a um deste tipo, Ponte Aérea. A produção brasileira é bem feita e o roteiro bem construído. Além dos atores Caio Blat e Leticia Colin estarem afiadíssimos na interpretação. 

A história do filme conta sobre um encontro inesperado de dois personagens muito diferentes e acabam se apaixonando. Para complicar moram em lugares diferentes. A única coisa que me incomodou foi que no filme foi utilizado o rótulo do paulista e do carioca, a personagem da Letícia é uma paulista que adora trabalho e o personagem do Caio Blat, um carioca descolado. Sei lá, deve ter muitos paulistas descolados e cariocas executivos. Mas, o filme consegue não se lambuzar com os estereótipos, mantendo a elegância no enredo. 

Enfim, Ponte Aérea pode não ser um clássico, porém é um filme que mostra o cinema brasileiro tem profissionais competentes desde a elaboração de um roteiro de qualidade e a capitalização de fazer o filme.