sábado, 29 de dezembro de 2012

UM CONTO DE NATAL DE CHARLES DICKENS( 1843)




No dia 24 de dezembro assisti Os Fantasmas de Scrooge e percebi que é uma adaptação de uma pequena obra bem famosa, Um conto de natal. Comecei a pensar que sempre assisti várias versões cinematográficas da história de Dickens e nunca a li.

Deu-me vontade de conhecer o conto e procurei na estante até encontrar o livro de bolso que comprei anos atrás. No outro dia, inicie a leitura.

O enredo todo mundo conhece:

Ebenezer Scrooge é um homem avarento que odeia o Natal.  Numa véspera de Natal, Scrooge recebe a visita do fantasma de seu ex-sócio Jacob Marley.  Ele diz que seu espírito não pode ter paz, devido a sua falta de generosidade em vida. Entretanto, diz ao Scrooge, que tem uma chance de fugir da condenação eterna. Para isso, três espíritos o visitariam.

A história do conto é bem atual, pode-se passar em qualquer época ou lugar. Fala dos verdadeiros sentimentos natalinos como a generosidade e a bondade, os quais muitos esquecidos pelo egoísmo e a falta de escrúpulos de muitos por aí. Consequentemente, há várias passagens no livro que relatam a pobreza das pessoas, vielas escuras em que ficam os mendigos e que tentam fugir do frio.

Num trecho que argumenta a questão da religiosidade, quando Scrooge pergunta para o espírito presente por qual motivo limita “as ocasiões que essa gente pobre tem de se divertir de um modo inocente.”. Então o espírito diz:

" Há certas pessoas na sua terra", respondeu o fantasma, " que pretendem nos conhecer e cometem em no nosso nome seus atos de paixão, orgulho, malevolência, ódio, inveja, mesquinharia e egoísmo. Essas pessoas, no entanto, estão tão longe de nós e de toda nossa espécie quanto estariam se nunca tivessem vivido. Lembra-se disto, e ponha a culpa nelas, e não em nós."

Dickens resgata na narrativa a essência genuína da época natalina e como podemos estendê-la para acabar com a miséria tanto física como da alma.

Mesmo leve e com um final feliz, não deixa de ser uma reflexão sobre a redenção e a generosidade.

***

Curiosidade... Achei esse texto no livro:

" Em toda ação humana, quase por necessidade, ocorrem erros; porém onde surgem mais facilmente e com diferentes formas, é na impressão dos livros; e não posso imaginar outra coisa onde possa haver mais. E parece-me que a empresa de corrigi-lo se possa comparar com a luta de Hércules com a Hydra das cinquenta cabeças: por um lado, assim como quando com seu valor e força, cortava uma, nasciam duas, da mesma forma, no entanto com conhecimento e diligência se corrige um erro, quase sempre surgem não dois mas três ou quatro, com frequência e maior importância do que tinha o primeiro."



Esta declaração é extrato do prefácio do tipógrafo Cavallo da obra de Achille Fazio Alessandro, impressa em Veneza em 1563.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

feliz ano novo




solitário diz aos seus gatos na sala/



bandido diz apontando a arma para o casal que caminhava numa rua deserta/



com um olhar, o homem diz ao ver a mulher e o bebê dormirem profundamente na poltrona da sala/


filha diz ao pai inerte na cama/


amigo diz ao outro, interrompendo uma briga de muitos anos/


ele, o mar, diz através de suas águas para os esperançosos/

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Deus e o Diabo na Terra do Sol( 1964)



O Sertanejo Manoel e a mulher Rosa levam uma vida sofrida no interior do país, uma terra marcada pela seca e a falta de oportunidades. Entretanto, Manoel tem um objetivo: usar o ganho obtido na divisão do gado com o coronel para comprar um pedaço de terra. Quando leva o gado para a cidade, alguns animais morrem no caminho. Chegado a hora da divisão, o coronel diz que não vai dar nada ao sertanejo, porque o gado que morreu era dele, ao passo que o que chegou vivo era seu. Manoel se aborrece, assassinando o coronel. Ele e sua esposa fogem. Manoel resolve se integrar  grupo religioso liderado por um santo (Sebastião) que lutava contra os grandes latifundiários e em busca do paraíso após a morte. Os senhores de grandes latifúndios decidem contratar Antônio das Mortes para perseguir e matar o grupo.

Depois de terminar o filme, fiquei pesando como iria comentá-lo. É uma obra que precisei entendê-la para poder apreciar. Há filmes que gosto intuitivamente e outros que preciso construir um olhar. 

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol necessitei entender primeiro o contexto histórico de quando foi feito. É um dos marcos do cinema novo. O lema dos cineastas dessa corrente era: "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça". Os filmes seriam voltados à realidade brasileira e com uma linguagem adequada à situação social da época. Os temas mais abordados estariam fortemente ligados ao subdesenvolvimento do país.

Não se pretendia produzir filmes com uma narrativa linear e para entretenimento, mas obras que pensassem sobre os problemas do país. 

O interessante do filme foi misturar vários estilos poemas populares, cordel; rezas evidenciando a religiosidade e a fé do povo que vive abandonado na seca, ao mesmo tempo a câmera denunciava a realidade social e econômica de uma época mostrando-a muitas vezes sem rodeios, logo, havia momentos que parecia documentário. 

Confesso que há dez anos, se assistisse ao filme, dormiria profundamente e, quando o vi, senti certo estranhamento. Mas, é interessante se desafiar e construir outros expectativas e olhares.
***
Outra coisa que gostaria de tirar uma dúvida. Já ouvi algumas pessoas misturarem os filmes das chanchadas com os da pornochanchada. Pelo que sei superficialmente, esses filmes são completamente diferentes, o primeiro era comédia e musical, o segundo eram eróticos mesmo ( com história e diálogos.). 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O meu olhar é nítido como um girassol - Alberto Caeiro


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MINHA ÁRVORE DE NATAL




Faz-me retornar à infância, quando imaginava que ela era um universo mágico, em que cada bolinha colorida era planetas repletos de aventuras fantásticas.

Pode não ser uma árvore de natal de foto de revista de decoração. Mas, ela faz parte da minha memória afetiva. Por anos, ela foi  várias fisicamente, porém, na essência, a mesma.

A cada ano que passa, o encanto pelo natal está se apagando. O preço de crescer e amadurecer é a perda da inocência. Mas, ao ver a árvore de natal, fico criança outra vez e imagino outros mundos. 

O sono chega, agora vou sonhar com ela. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Deixe Ela Entrar( 2008)







Skar é um garoto de 12 anos que é só. Na escola ele sobre bullying. Um dia, ao brincar no pátio em pleno inverno europeu, ele conhece Eli, uma garota pálida e solitária, que se mudou recentemente, em companhia de seu suposto pai. Embora tenha temor em se aproximar de Oskar, Eli se torna sua amiga. 

Simultaneamente, uma série de assassinatos acontece, inclusive, com a retirada do sangue das vítimas. Eli está envolvida com estes casos, de um jeito que Oskar nunca poderia pensar.

O filme não tem glamour da imagem do vampiro. Pelo contrário, há uma fome animal. Eli anda pela neve de pés descalços, parece uma menina selvagem.

Quando encontra Oskar brincando no pátio se identifica com ele. O vampiro ser uma criança, achei interessante, porque a criança está mais próxima dos impulsos e instintos. Ela ainda está aprendendo as etiquetas. Então, a personagem ser uma criatura noturna e menina, torna-a feroz e voraz para matar sua fome. 

Enfim, a história não deixa de contar a vida de personagens solitários, que estão na busca para deixar de ser tão sozinhos. 

A incomunicabilidade é um grande problema no mundo em que vivemos. Tanto para os vampiros e nós, seres humanos. 

Noite brava


OUTROS OLHARES

clarice-lispector-fumando
As águas do mar 
por Clarice Lispector

O mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar. Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra. São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é um mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar. Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação à vastidão do mar porque é a exigüidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo, mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem. Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal – a alegria é uma fatalidade – já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda – e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que oposição pode ser um pedido. O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo – espantada de pé, fertilizada. Agora o frio se transforma em frígido. Avançando ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora, já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol, quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes, bons. E era isso que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. Mergulha de novo, de novo bebe, mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, e ela mergulha de novo; está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois.Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas – ah nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas – mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos são de náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

The Hunger (Fome de vive, 1983)










Miriam Blaylock é uma vampira que consegue se manter viva e linda através dos séculos com o sangue dos seus amantes. Em retribuição os jovens e as moças que se envolvem com ela não envelhecem, até Miriam ter tirado muito sangue deles. Seu atual parceiro, John está tendo um envelhecimento extremamente rápido e a expectativa de vida é de apenas 24 horas.

O filme expõe a fome ancestral que o ser vivo possui e o ideal de eternidade, torna-lo o solitário. Através do alimento e do sexo a fome ancestral se manifesta. O prazer nunca é saciado pela alma imortal. O instinto de sobrevivência transforma os personagens cruéis, pois, precisam ser para sobreviver. Não é uma luta moral entre o bem e o mal. 

A produção do filme é impecável. As cenas são sombrias e delicadas ao mesmo tempo. A trilha sonora compõe muito bem a história. Em particular, gostei muito da Catherine Deneuve, como a vampira Miriam. 

Apesar da história ser muito diferente do outro filme que assisti O Vampiro da Noite do diretor alemão Wladimir Herzog ( 1979), percebi alguns pontos em comum como a solidão e que a eternidade não é tão maravilhosa como alguns pensam.

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Para fixar


Qual a diferença entre "ter a ver" e "ter haver"?



Haver a ver são parônimos, ou seja, palavras que apresentam similaridade na grafi a e produzem o mesmo som, mas têm significados diferentes. A expressão ter a ver (não ter nada a ver, na forma negativa) vem normalmente seguida pela preposição com e é usada no sentido de ter relação com. Já a expressão ter a haver tem sentido de ter a receber, ter algo como crédito. A expressão ter haveres, por sua vez, significa ter bens, riquezas, crédito.
Confira abaixo alguns exemplos:
Formas incorretas
"O aumento do preço das mercadorias tem haver com a escassez dos produtos."
"Paulo recebeu a primeira parcela do crédito, mas ainda tem a ver 100 reais."
Formas corretas
"O aumento do preço das mercadorias tem a ver com a escassez dos produtos."
"Paulo recebeu a primeira parcela do crédito, mas ainda tem a haver 100 reais."
"A queda das vendas não tem nada a ver com os problemas de trânsito."

***



Tropecei de novo. Não tem problema. O importante é aprender com os erros e os micos. Obrigado, amiga A. por me mostrar que estava equivocado.

O LUSTRE DE CLARICE LISPECTOR





“Com o correr do tempo nascera nela uma secreta vida atenta; ela se comunicava silenciosa com os objetos ao redor numa certa mania tenaz e despercebida que no entanto estava sendo o seu modo mais interior e verdadeiro de existir.”



O que me encanta quando leio um livro de Clarice Lispector é que as palavras pulsam, tornando o texto uma coisa viva.

Confesso que muitas vezes não entendi várias passagens do romance O LUSTRE. Mas, identifiquei-me com a protagonista Virgínia, que sempre viveu em desencaixe com o mundo. Mesmo na granja, onde passou a infância e na cidade buscava algo que não definia o que era. 

A história é um turbilhão de sensações e sentimentos, como a vida. Virgínia vive simplesmente, por isso, torna-se intensa. Percebia a maravilha dos intervalos e dos momentos efêmeros. Parece ser mais algo vivo do que personagem. Inclusive, a narrativa mostra a irracionalidade do ser, há um mundo vivo dentro da gente nos devora.

O lustre me iluminou, principalmente regiões desconhecidas dentro de mim.  Fiquei zonzo ao descobrir como sou ignorante, por pensar ter conhecimento.

Virgínia não tem moral. É uma criatura pura vive sua particularidade, às vezes chega a ser violenta. 

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

lascivo



Em sua época, realizou seus desejos mais profanos e era considerado um revolucionário. Hoje, ao ver tudo que fez e suas ideias transformadas em fetichismo barato para consumo, resolveu se refugiar ao celibato.

domingo, 16 de dezembro de 2012

outros olhares


Texto da atriz polonesa Maryna Zalezowska 




ADOREI ISSO. Mas isso não só acontece com o ator profissional e o personagem que vai interpretar. A gente vive isso quando construímos ao longo do tempo nossas máscaras.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ARMÁRIOS( 11 de outubro de 2010)




Moradia do bicho papão. Lugar em que os eus passados de alguém são guardados. Onde alguns objetos são escondidos e só revelados para dar prazer. Um portal para outros mundos. Esconderijo de evidências de um crime. Breve refúgio de um amante em apuros. “Móvel de madeira, aço ou outro material, com porta de uma ou duas folhas, com ou sem prateleiras, movediço ou embutido, para guardar objetos ou para a proteção de aparelhos, no lar, oficinas, laboratórios etc.” (Michaelis)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll



Encantei-me com o livro. Principalmente, pelas passagens que não entendi ( jogos de palavra e poemas enigmáticos). Realmente, não é um livro só para crianças, mas para adultos também.
Alice vai para um mundo maravilhoso e lá se descobre como indivíduo. Percebe que sempre está mudando e precisa resolver sozinha, os problemas que acontecem. Utilizando-se o raciocínio lógico para desvendar os enigmas encontrados pelo caminho.

A história é considerada “nonsense”. Mas, a vida real não é certinha. Há o absurdo e o inesperado. 
Alice no país das maravilhas é uma viagem de autoconhecimento que leva a questionar filosoficamente sobre quem somos. 

O trecho que achei mais interessante:

A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio.
Por fim, a Lagarta tirou o cachimbo da boca e dirigiu-se a Alice com voz lânguida e sonolenta: “Quem é você?”. Não era um começo de conversa encorajador. Alice respondeu muito tímida: “Eu... já nem sei, minha senhora, nesse momento... Bem, eu sei quem eu era quando acordei esta manhã, mas acho que mudei tantas vezes desde então...” “O que você quer dizer com isto?” perguntou a Lagarta com rispidez. “Explique-se melhor!”. “Acho que eu mesma não posso me explicar melhor, senhora”, disse Alice, “porque eu não sou eu mesma, compreende?”

Quem nunca se questionou sobre isso ao longo da vida. Estamos sempre mudando ou se adaptando para atravessar o rio da vida. 


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http://www2.tvcultura.com.br/artematematica/ed_p01.html


http://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_no_Pa%C3%ADs_das_Maravilhas


http://www.youtube.com/watch?v=HYAh-VnhNnM


domingo, 9 de dezembro de 2012

AMANHECER PARTE II




O que dizer? Realmente, não é meu estilo. Mas, passei uma tarde agradável assistindo-o. Vi toda a saga e ótica da história são os sentimentos e as escolhas que se faz pelo caminho. Bela vivia perdida e se encontrou realmente, quando encontrou seu amado e ao se tornar vampira. 

Li e ouvi algumas críticas que argumentavam que a saga tinha valores antiquados. Bela e Edward eram cafonas por serem românticos. Principalmente Bela, por não pensar em trabalhar e só desejar amar e ser amada. Logo, as jovens deveriam ter cuidado com as mensagens subliminares machistas que permeiam o filme. 

Acho essa crítica meio forçada, pois se fosse assim, quem curte jogos violentos ou filmes sairão metendo porrada em todo mundo.

Os “valores morais” do filme existem há muito tempo por aqui. Há muitos jovens que só querem amar e ser amados e outros que veem históricas românticas somente como válvula de escape. 

Não considero a Saga Crepúsculo tão prejudicial, é fantasia. Agora, quem acredita que é verdadeira esses indivíduos precisam de cuidados especiais, como aqueles que acham que estão num jogo e precisa matar inocentes para ganhar pontos.

Não é segredo para ninguém que as criaturas mágicas que rondam o filme são metáforas que mostram a construção de identidade dos adolescentes, principalmente no ingresso à vida adulta. O que você é e o que quer ser fazem parte da construção da identidade de uma pessoa. Bela atravessou esse processo de descoberta. Na vida real se atravessa nessa dialética. 

O filme é sentimental, não é ação. Os personagens querem ser felizes, amar e ser amados. Quem não quer?

Na ficção se pode tudo, por isso que as pessoas precisam viajar um pouco para retornar ao cotidiano. Quem nunca pensou no amor eterno? Ou ficar eternamente jovem?

Repito, não foi minha saga predileta. Mas, foi um bom passatempo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Na Carne e na Alma





Assisti ao filme ontem no Canal Brasil e ele mostra como é tênue a fronteira entre o amor e obsessão.  Rodrigo é um jovem perdido e conquistador, relaciona-se superficialmente com as mulheres que encontra pelo caminho. 

Na realidade, é ignorado pelos pais separados. Sua vida se resume a botecos, faculdades e ora na casa da mãe ora na casa do pai. 

Na faculdade, ele conhece Mariana, uma jovem que o desperta para um amor intenso.

A estética do filme não é tradicional, foi filmado com câmera digital. Tornando as cenas mais reais. 

As cenas de sexo são viscerais, chegam a ser escatológicas, por mostrarem a paixão que Rodrigo sente por Mariana. Rodrigo queria Mariana em todos os sentidos e maneiras, até sua urina e fezes. Logo, o filme não mostra um amor sublime, porém feio e doentio. Expõe um lado muitas vezes oculto deste sentimento.

Mariana, aparentemente fútil e vazia, tem seus traumas familiares. Ao mesmo tempo que acha Rodrigo um inútil, sente uma forte atração por ele. 

A história não deixa de ser um exemplo de rito de passagem da juventude e da vida adulta. O amadurecimento é doloroso, mas necessário para a gente crescer.

Ao pesquisar na internet, descobri que o filme foi baseado no romance "Deusa Cadela", de André Abi Ramia. Já anotei na lista dos livros que quero ler.









terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Flash do passado



Não sei a razão, mas por esses dias uma lembrança emergiu das profundezas. Foi há mais de dez anos, fui fazer um trabalho escolar na casa de um colega. Quando fui embora, caminhei completamente sozinho até a portaria. No curto trajeto, que pareceu quilômetros, só escutei os meus passos; as casas luxuosas pareciam vazias e o silêncio gritava por toda parte. Para completar, o aroma de flor que entrava sem bater nas minhas narinas me remetia à ideia de velório; nesse momento, pensei que era a única pessoa viva que andava por ali.

domingo, 2 de dezembro de 2012


CLOSE-UP






Cidade de São Paulo


Vista panorâmica da cidade. Aleatoriamente focaliza-se um ponto. O rapaz corre com a moto para fazer um entrega. Trabalha bastante, quer juntar algum para o casamento. Chegou ao seu destino e entrega a uma moça o envelope. Ela está triste por estar sozinha em uma cidade estranha, o marido só chega à noite. A moça tenta se adaptar. Liga para o marido e diz que o documento importante chegou. Ele está com muitos afazeres, precisa desta promoção. Fala apressadamente com a mulher, porque tem uma reunião com o chefe. O senhor que fala com o rapaz a sua frente, é um sargento na empresa, porém em casa, uma manteiga derretida. O filho mais novo telefonou, tentou convencê-lo a lhe dar de presente uma moto. Ele argumentou que vai pensar sobre o assunto. A servente bate na porta, pergunta se pode limpar o recinto. Está lá há pouco tempo e muito contente com o emprego. Vai poder ajudar o marido na prestação da casa e fazer uma bela ceia de natal. Desfoca. Retorna à vista panorâmica da cidade.





quinta-feira, 29 de novembro de 2012

FILME DRIVE 2011





“Durante o dia um motorista (Ryan Gosling) trabalha como mecânico e dublê em filmes de Hollywood, enquanto que à noite ele presta serviços para a máfia. Ele é vizinho de Irene (Carey Mulligan), que é casada e tem um filho com Standard (Oscar Isaac). Percebendo a situação difícil de Standard, que saiu há pouco tempo da prisão, o motorista o convida para realizar um assalto. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, Irene e seu filho.”

Ao ler somente a sinopse do filme, pode-se pensar que é mais uma história de ação e com várias cenas clichês de manobras radicais de carro. Mas, o roteiro do filme se utilizou de elementos tradicionais de histórias de ação, fazendo uma nova abordagem no filme. Tornando-o mais humanizado. 
O enredo valoriza muito mais a construção dos personagens. A trilha sonora, para mim, leva ao clima muito mais reflexivo, contrastando com as trilhas de filmes de ação convencionais. 

O protagonista( o motorista) é um homem solitário. Em seu carro, atravessa um labirinto de ruas. Ninguém sabe sua origem, aparece de repente. Aparentemente é contido, mas através do olhar transborda emoções. Principalmente nas cenas com Irene e o filho dela, através de discretos gestos mostra afeto e amor por eles.  Não precisa falar “ Eu amo vocês”, mostra com atitudes. 


A solidão urbana dos personagens é avassaladora. Curioso, as grandes cidades há tanta gente, porém não existe muitas vezes um diálogo, muitas pessoas tropeçam por aí. 

Drive coloca essas questões e a busca de encontrar um lar. Por isso, ficou mais interessante e mais instigado sobre o protagonista. Qual era sua origem? Quantos indivíduos vagam por aí, como fantasmas pela noite em busca de amor.


sábado, 24 de novembro de 2012

O Vampiro da Noite do diretor alemão Wladimir Herzog





Não sou cinéfilo, mas tem filmes que me marcaram de alguma forma.

Quando assisti a este filme, fiquei com a alma inquieta. Angustiou-me a solidão do Nosferatu. Reconheci-me nele, havendo uma relação de alteridade.  

Ele estava cansado da eternidade e buscava uma companhia. Não era mau, mas provocava danos por ser obsessivo por um amor e exausto de viver eternamente.

Essa visão humanizada do Vampiro fez-me pensar como a solidão pesa nos indivíduos. Mesmo acompanhados, há momentos solitários. Quantos Nosferatus encontramos por aí, sugando o outro e o tornando um objeto de sua obsessão.

Também, deve ser tão exaustivo se aguentar para sempre. Mesmo sem mudar fisicamente, a alma de ficar cansada de tanto viver. A solidão deve ser terrível.


Ideias do canário-Machado de Assis

terça-feira, 20 de novembro de 2012

MENSAGEM NO FACE






Imagem encontrada no google



O preconceito faz parte do ser humano. A pessoa que diz não ter preconceito, realmente, é muito ingênua ou pseudo-liberal que acha tudo lindo, porém na realidade...



A questão está em se reconstruir e tirar das áreas mais remotas do nosso ser os ranços que herdamos dos nossos antepassados. Livrar-se dos modelos construídos a partir do imaginário da sociedade em que se vive. 



Eu tenho muitos preconceitos, mas todos os dias tento tirá-los de mim. É um exercício árduo. 



Outra coisa, não precisa concordar com estilo ou orientação de uma pessoa, mas respeitar a diferença. Faça um exercício simples, ponha-se no lugar do outro e veja se gostaria de ser desrespeitado ou até ultrajado. 



Pensem sobre isso, sem caminhos fáceis e palavras bonitas. Usem o silêncio ao seu favor.

MUNDOS PARALELOS




O conto A trama celeste do escritor Adolfo Bioy Casares narra as aventuras do Capitão Morris, quando sofre um acidente de avião e se encontra numa outra Argentina. Apesar das semelhanças de seu país de origem, ruas e dados históricos são distintos. Pessoas de seu convívio não o reconhecem e outras nem existem. A mensagem do conto é que há vários mundos paralelos. Só quero abordar esta questão. O que seria pior? Ser transportado a um mundo completamente diferente do seu, por exemplo, na época dos dinossauros ou a um lugar parecido no qual se viveu a vida inteira? 

 Imaginei estar em outro Brasil, que existisse os meus pais e irmãos, mas neste lugar eles não me veem da família por nunca terem me conhecido. A dor que sentiria ao me olharem com indiferença. Em muitas ocasiões o semelhante nos dá a ilusão que podemos pertencer a ele, por isso é mais cruel do que o choque do completamente oposto, que é abrupto e em relação ao espaço similar. Tornamo-nos mais prudentes, já a ilusão de conhecer o outro, o tombo pode ser maior.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

prometheus







O filme lança muitas dúvidas e não fecha nenhuma resposta. Fiquei realmente confuso.

Até entendi as questões que fundamentaram a história: “Quem somos?”, “ Da onde a gente veio?” e “ Quem são nossos criadores?”. Mas, ao longo do filme, elas se perdem.
Realmente, gostei mais do Alien, o oitavo passageiro. Um roteiro mais coeso que executou muito bem o que tinha proposto: Um suspense de ficção Científica. 

Para mim, Prometheus só ficou na promessa. A história ficou confusa, pois parecia que havia duas criaturas os alienígenas engenheiros( nosso possíveis criadores) e outros seres hospedeiros que invadem nossos corpos. Pareceu-me que os Engenheiros foram destruídos por outros seres alienígenas. 

Enfim, achei o roteiro muito pretensioso e tudo ficou muito vago. 

AO VENTO




Em muitas ocasiões, para mim, a palavra é indomável. Sempre me machuco quando penso que estou prestes a subjugá-la. Possui vida própria e muda de forma todo o tempo: em uma ocasião é um substantivo, em outra um adjetivo ou pode ser um verbo. Não adianta só decorar regras, precisa interpretar tudo que estar em volta pra entender o seu todo. Ela viaja junto com o vento e eu fico chupando dedo.