quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Deus e o Diabo na Terra do Sol( 1964)



O Sertanejo Manoel e a mulher Rosa levam uma vida sofrida no interior do país, uma terra marcada pela seca e a falta de oportunidades. Entretanto, Manoel tem um objetivo: usar o ganho obtido na divisão do gado com o coronel para comprar um pedaço de terra. Quando leva o gado para a cidade, alguns animais morrem no caminho. Chegado a hora da divisão, o coronel diz que não vai dar nada ao sertanejo, porque o gado que morreu era dele, ao passo que o que chegou vivo era seu. Manoel se aborrece, assassinando o coronel. Ele e sua esposa fogem. Manoel resolve se integrar  grupo religioso liderado por um santo (Sebastião) que lutava contra os grandes latifundiários e em busca do paraíso após a morte. Os senhores de grandes latifúndios decidem contratar Antônio das Mortes para perseguir e matar o grupo.

Depois de terminar o filme, fiquei pesando como iria comentá-lo. É uma obra que precisei entendê-la para poder apreciar. Há filmes que gosto intuitivamente e outros que preciso construir um olhar. 

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol necessitei entender primeiro o contexto histórico de quando foi feito. É um dos marcos do cinema novo. O lema dos cineastas dessa corrente era: "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça". Os filmes seriam voltados à realidade brasileira e com uma linguagem adequada à situação social da época. Os temas mais abordados estariam fortemente ligados ao subdesenvolvimento do país.

Não se pretendia produzir filmes com uma narrativa linear e para entretenimento, mas obras que pensassem sobre os problemas do país. 

O interessante do filme foi misturar vários estilos poemas populares, cordel; rezas evidenciando a religiosidade e a fé do povo que vive abandonado na seca, ao mesmo tempo a câmera denunciava a realidade social e econômica de uma época mostrando-a muitas vezes sem rodeios, logo, havia momentos que parecia documentário. 

Confesso que há dez anos, se assistisse ao filme, dormiria profundamente e, quando o vi, senti certo estranhamento. Mas, é interessante se desafiar e construir outros expectativas e olhares.
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Outra coisa que gostaria de tirar uma dúvida. Já ouvi algumas pessoas misturarem os filmes das chanchadas com os da pornochanchada. Pelo que sei superficialmente, esses filmes são completamente diferentes, o primeiro era comédia e musical, o segundo eram eróticos mesmo ( com história e diálogos.).