terça-feira, 26 de março de 2013

Ferreira Gullar... Traduzir-se





Ferreira Gullar:
Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Entre o preconceito e a saúde



Esse final de semana compartilhei um texto muito interessante no meu facebook. Uma mulher respondeu, por e-mail, uma academia que um outdoor em São Paulo que dizia o seguinte: Neste verão, qual você vai ser? Sereia ou Baleia?

Com um texto inteligente argumentou as vantagens de ser uma baleia: “Baleias estão sempre cercadas de amigos. Baleias tem vida sexual ativa, engravidam e tem filhotinhos lindos. Baleias amamentam. Baleias andam por ai cortando os mares e conhecendo lugares legais como a Antártida e os recifes de coral da Polinésia.Baleias tem amigos golfinhos. Baleias comem camarão à beça. Baleias esguicham água e brincam mto...”. Diferente da sereia, que nem existe. 

Ao pensar sobre o texto e a atitude da academia, comecei a pensar sobre o limite entre o preconceito e a saúde. É óbvio que não é obrigatório ter uma barriga super definida para ser feliz. Eu, particularmente, acho feio. 

Ao mesmo tempo, acumular muitos quilos acarreta vários problemas de saúde. Não sou um bom exemplo de bom condicionamento físico, entretanto, vivo bem e não deixo de fazer as coisas.  Já vi programas de tevê que narram a vida dos obesos e como sofrem por não poderem se locomover, nem para buscar tratamentos. Há casos que a casa precisa ser quebrada com o intuito de eles sair.

O assunto sobre o preconceito sobre os gordos é polêmico, porque entra na subjetividade da estética, estilo de vida e saúde. “O que é bonito?”, “ Como você vive?” e “ O que é ser saudável?” são perguntas que não são tão fáceis de responder.

O indivíduo tem o direito de viver como quiser, mas viver para ter um infarto fulminante? Ou ficar preso no seu próprio corpo pesado? Mas, ser manipulado para consumir um estilo de aparente saúde, ficando obsessivo com aparência, é vantagem?

Confesso! Concordo mais com a mulher sobre em ser baleias. Porém, tirando o lado metafórico, não temos a mesma estrutura de aguentar tanta magnitude. Enquanto as sereias... São “forever alone”, coitadas.


SOU...


domingo, 24 de março de 2013

Breve Opinião


No BBB, na última prova do líder, Pedro Bial fazia perguntas e teve uma que ele fez cara de ironia: " É falso ou verdadeiro: Alunos que tiraram nota máxima do ENEM na redação escreveram "enchergou" e "trouche".

Realmente, um programa que promove tanto a cultura e como escrever corretamente, deve ter sido um absurdo para os produtores do programa, tão cultos e ligados ao aprendizado da língua portuguesa.

Lógico, que muita coisa tem que ser mudada na educação do país. Mas, só jogar pedra no ENEM é muito fácil. Se são melhores, por que não colocam a mão na massa e encontrem o problema estrutural e de muitos anos da educação?

Criticar é muito fácil, quero ver tomar uma atitude. 
Gostaria de viver num mundo utópico, entretanto, ele não existe. O jeito( geito?) é a cada dia é se aperfeiçoar. Isso é para as pessoas comuns, não para os DEUSES que não erram e cagam pétalas de rosa.
Por favor, se encontrar "vários erros básicos", podem me corrigir. Sempre estarei aberto a críticas construtivas.

sábado, 23 de março de 2013

Bênção





Estava me sentido pesado e não queria sair da cama. Mas, precisava trabalhar e, de repente, deu-me vontade de fazer cocô.

Senti-me tão feliz e dei a descarga com olhos cheios de lágrimas. Despedi-me do meu cocô e me arrumei rapidamente para trabalhar. O dia estava lindo e queria abraçar todos os transeuntes.
Cagar de manhã é uma a bênção. Significa que estamos vivos para vida e não precisamos ficar aborrecidos por bobagens.

Amigos queridos, vamos todos cagar de manhã! Sei que a vida é apressada, mas esse ato pode proporcionar a diferença. Como, por exemplo, amarmos mais uns aos outros e tornar a sociedade mais justa.

Cagar de manhã é a libertação mais profunda de nosso ser. Por isso, sento no vaso e esporo ser abençoado mais uma vez.
Vamos cagar todos juntos de manhã, AMIGOS AMADOS.

quarta-feira, 20 de março de 2013

DÚVIDAS BÁSICAS




De repente, tive uma dúvida banal: Sem grassa ou sem graça? 

Muitos acharão um absurdo de com senhor, de trinta e quatro anos e formado, possuir essa dúvida tão básica. 

Mas, em muitas ocasiões, acumular dúvidas não representa ser ignorante. Elas nos ajudam a sair da mesmice, proporcionando o pensamento. “   Dúvidas bobas” fazem enxergar( ou enchergar?) o óbvio, que não é tão simples assim. 

Nosso cérebro ( ou célebro)  prega peças( ou pessas?) e questionar nos salva. Por isso, não tenho vergonha de ter qualquer tipo de dúvida. O importante é correr atrás para aprender. 

Outro fato, não liga para os “sabichões”( ou “sabixões”?)  falam. Entretanto, saibam distinguir os comentários construtivos e os que só querem sacanear.  Há pessoas muito bacanas que gostam de dividir o conhecimento.

segunda-feira, 18 de março de 2013

ESCREVER BEM




Lógico que é preciso, principalmente, quando se ingressa na vida adulta em que se necessitam saber regras gramaticais e ortográficas com a finalidade de se fazer provas, entrevistas de emprego e outros tipos de avaliações. 


Inclusive, a língua formal e escrita é fundamental para a comunicação clara. Todos os dias, tento escrever certo e vivo tropeçando... Nas redes sociais, não utilizo a linguagem da internet. Tenho medo de desaprender o pouco que sei. 



Por que estou escrevendo isso?  Ouvi no rádio que o jornal O Globo fez uma matéria sobre s redações de alunos, que obtiveram a maior pontuação e foram detectados “ erros básicos” de ortografia e concordância.  Apontou falhas na avaliação do Enem por considerar que as redações tiveram erros básicos para serem conceituadas com a nota máxima. 



Escrever bem no Brasil é um problema de muitos anos. Como exigir que o domínio da língua, se há déficits estruturais na educação. Além do mais, a escola não incentiva a leitura e a escrita. Tudo fica muito no teórico. 



Outro fato também, ao longo da vida, quem nunca teve dúvida se uma palavra se escreve com “ X” ou “CH”, ou teve dúvida numa concordância verbal? Quando não se faz prova, a gente procura o dicionário e dá uma lida na gramática. Porém, numa prova, a pressão psicológica e o tempo podem influenciar algumas gafes, na hora de elaborar uma redação. Qual jornalista ou um professor não recorreu ao dicionário? Aí, dirão: “Procuramos palavras não corriqueiras”. E eu pensarei: “ Será?”



Reafirmo que sou a favor de escrever corretamente e gosto quando alguém me corrige. Aprendo com meus erros e tento nãos mais cometê-los. Aspiro ser escritor, mas estou ciente que ainda estou longe de ser, devido à falta de domínio da Língua Portuguesa.  Não vou esmorecer, todo dia é uma batalha.



Por fim, uma dica de um pobre mortal. Leiam, escrevam e não se abalem com críticas, aprenda com elas. Nossa língua é difícil pra caramba, até jornalistas erram. 



O importante não é errar “ coisas básicas”, mas consertar, aprender e praticar.



Com certeza, tem vários erros nessa crônica. Ao  decorrer do tempo, descobrirei e consertarei. Se alguém quiser me ajudar, fiquem à vontade. 


Manuel da Costa Pinto entrevista Lygia Fagundes Telles | Revista Vitrini


segunda-feira, 11 de março de 2013

NUMA QUALQUER SEGUNDA-FEIRA( nova versão)




No carro, quando vejo a paisagem fluir velozmente. Penso no livro Sertão Veredas de Guimarães Rosa que mostrava o universo imensurável, mas fragmentado em vários caminhos. Sinto-me perdido nesse emaranhando de veredas e ao vê-las passar pelos meus olhos, parece que esta imensidão arrebata minha alma como se fosse uma onda gigante. Por isso, escrever e fazer vídeos são um jeito de me salvar desse turbilhão de realidades que invade minha retina, irradiando minha alma.

domingo, 10 de março de 2013

“ O importante é ser uma boa alma.”




Por esses dias, foi o dia o Dia Internacional da Mulher e não é novidade para ninguém a razão desse dia, como o Dia da Consciência Negra e o Dia Mundial do Orgulho LGBT(lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ...).

Compreendo que essas datas são muito importantes para esses grupos como forma de se posicionarem na sociedade. Anos atrás, não eram vistos como cidadãos e nem seus direitos respeitados. 

Até hoje, mulheres, negros e homossexuais são agredidos e esses dias comemorativos faz a gente pensar sobre essas injustiças, contra as “minorias”. Mas, gostaria de viver num mundo que não houvesse um dia particular para um gênero. 

Realmente, o mundo só melhorará quando as pessoas enxergarem a alma, sem se preocupar com as diferenças de gênero.

Nesse meu mundo ideal, o lema será: “ O que importa é que seja uma boa alma.”

domingo, 3 de março de 2013

Continuar a viver




O que se faz, quando as instruções, que aprendeu desde criança, não dão certo? Quando o que planejou, não se concretiza? Quando percebe que, na realidade, a vida não é programada e sim caótica?  A única certeza que tenho é que quero continuar a viver.

outros olhares





Se os tubarões fossem homens (Bertold Brecht)

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos
Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .
Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.