domingo, 28 de novembro de 2010

O OLHO DA FECHADURA de ANGELA SCHNOOR( Editora Multifoco, 2010)

É um apanhado de contos curtos, que mostra a diversidade da vida e sua complexidade. A síntese dos textos leva os leitores a tentar decifrar o que está nas entrelinhas, possibilitando a construção de novas histórias. Diferente de alguns textos longos que fornecem tudo ao leitor, estes minicontos, ao contrário, permitem a interação. Como diz a autora: “Microcontos ou micronarrativas me parecem ser um meio de acesso à imaginação ampla. Eles servem como isca e possibilitam, a quem os lê, desenvolver toda uma história plena de detalhes, totalmente original e única a cada novo leitor.”

Estas pequenas narrativas também demonstram que os mitos estão vivos dentro da gente, independente de vivermos numa sociedade racionalista. Eles se manifestam, através de sonhos e desejos que muitas vezes nem temos consciência. Angela Schnoor nos convida a olhar por pequenas frestas, a vastidão de sentimentos que estão por trás das portas aparentemente inofensivas.


Outro ponto interessante no livro é a forma como a escritora desenvolve as histórias. Mesmo alguns temas considerados proibidos, ela os trata de forma delicada e original.



O OLHO DA FECHADURA é um livro agradável de se ler e uma ponte para outros conhecimentos que, muitas vezes, são esquecidos na correria dos dias de hoje: o verdadeiro autoconhecimento e os mitos presentes em nossas vidas.



Pequena amostra:
Caixa de anzóis
Escritor inigualável, seus contos plenos de beleza enchiam de prazer quem os lia, apenas não se sabia porque escrevia ou desenhava alguns textos confusos e indecifráveis. Papéis cheios de interrogações e sinais matemáticos, escritos como em transe em qualquer hora e lugar, eram guardados por ele como preciosidades na gaveta da escrivaninha.Os amigos pensavam ser uma forma de limpar a mente, como uma meditação gráfica. Só ele sabia que, durante noites insones, era dali que vinha a inspiração para as histórias que contava. Aqueles sinais eram anzóis que pescavam toda a magia de sua alma singular.
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EPITÁFIOS
Trabalhava num jornal e fazia epitáfios. Naquele dia, escreveu omesmo para duas figuras públicas que haviam falecido. As famíliasficaram bastante satisfeitas.
Aqui jaz Alfredo.
Viveu cem anos e morreu aos vinte – 1905-2005
Aqui jaz Rodrigo. Viveu cem anos e morreu aos vinte – 1985-2005 Epitáfios Trabalhava num jornal e fazia epitáfios.
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ÉDEN RECONQUISTADO
Vivia em um porão pequeno e escuro, forrado de livros e muito pó. Havia, há muito, perdido a memória. Só saía quando a chuva ameaçava, pois, então, só esquilos e passarinhos habitavam o parque. Ali se sentia imenso, maior que si mesmo. Parecia que o mundo o acolhia como em um paraíso. De si, só sabia chamar-se Adão.
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UMA OUTRA PENÉLOPE
Por anos, desde que ele se fora, ela bordava um longo calendário sobre sua manta de dormir. A cada ano bordado, mais um pretendente era aceito em seu leito. Quando o esposo retornou, ofereceu-se mais experiente e sexy que a própria Afrodite.

sábado, 20 de novembro de 2010

NOTAS DE FILMES QUE VI ESTA SEMANA

ABRAÇOS PARTIDOS(2009)
Amor, paixão, ódio, sexo, desencontros, melodrama, suspense, tudo isso batido no liquidificador sem desandar. Almodóvar como sempre mescla diferentes estilos e sentimentos para fazer um filme surpreendente.


CHICO XAVIER (2010)
Um homem que viveu a religiosidade de um jeito intenso e sublime. Só distribuiu amor e sinceridade. Um verdadeiro sacerdote.

TROPA DE ELITE II(2010)
O sistema corrompe, brutaliza as pessoas, torna a vida triste e feia. Mas, apesar de tudo isto, tenho esperança de um mundo melhor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DETALHES

Nunca me preocupei com detalhes. Sempre achei que não tinha nada demais em trocar o s com z num nome de uma pessoa. Hoje, trabalhando em cartório, vejo que os pormenores são fundamentais para não haver o caos em uma sociedade. Os profissionais que manuseiam documentos alheios precisam ter muita atenção, pois podem prejudicar vidas.
Fico assustado com este fato e se prejudico alguma pessoa por ser distraído, a culpa fica martelando na cabeça. É muito ruim pensar que de alguma forma interferi negativamente na vida de uma pessoa. Por outro lado, percebo que este trabalho esta me ajudando desenvolver melhor minha concentração. Portanto, no futuro, isto pode me ajudar para outros voos e principalmente para o meu crescimento profissional.
Ter uma boa concentração e disciplina pode me ajudar a escrever melhor crônicas e contos, tornando-me assim um escritor de verdade. Digo escritor de verdade no sentido de ter o domínio da língua portuguesa e com ela fazer belas esculturas de palavras.
Cronica escrita em 28/09/2010

sábado, 13 de novembro de 2010

MICO E CREDIBILIDADE


Clotho- CAMILLE CLAUDEL


Nos tempos de escola, fui a uma exposição da artista CAMILLE CLAUDEL 1864-1943. Interessei-me muito pela história dela, foi muito atribulada e angustiante. Foi uma mulher a frente de seu tempo e que sofreu muito com isso. Aliás, os diferentes sempre são mal vistas pelas pessoas medianas.


Então quis fazer um vídeo com algumas obras suas. Pesquisei na internet. Depois de pronto, postei no youtube. Ainda bem, que tenho uma amiga entendedora da vida e obra da artista que me corrigiu, dizendo que algumas imagens não eram de Camille. Paguei o maior mico.


" Rodin fazia obras grandes, imensas às vezes. As de Camille são, em sua maioria, pequenas, delicadas, mesmo que trágicas ou "feias" como Rodin fazia obras grandes, imensas às vezes. As de Camille são, em sua maioria, pequenas, delicadas, mesmo que trágicas ou "feias" como Clotho. Há um feminino presente em suas obras enquanto as de Rodin são masculinas - encomendadas, públicas, externas etc..." ( minha amiga)



Realmente, pesquisar na internet é complicado. Há muitas informações equivocadas, as quais se transformam em toneladas de lixo virtual. É importante filtrar os dados.


Acredito que nem seja com intuito de prejudicar, mas, a falta de senso fazem as pessoas publicarem o que quiser nos sites, blogs e vlogs. Tudo bem que possa não existir a responsabilidade jornalística, entretanto, como cidadãos, necessitamos refletir mais o que escrevemos e dissemos.


Refiz várias vezes o vídeo. Talvez não fique legal; pelo menos, tentei.


OLHOS AZUIS, CABELOS PRETOS DE MAGUERITE DURAS

A imagem do título veio a minha mente como características não muito comuns do que se vê por ai. Uma pessoa loira de olhos claros é mais corriqueiro, por exemplo. Portanto, o título se refere a um personagem de passagem, um estrangeiro-exótico que se transforma em uma quimera para uma mulher de comportamentos não covencionais e um homossexual. Ele será o elo que ligará estes dois personagens.
O homossexual é apaixonado por uma visão, apenas conheceu o rapaz de vista. Ela ama uma ilusão, conheceu-o somente por encontrá-lo num hotel. Desesperados e melancólicos por perder o rapaz de olhos azuis e cabelos pretos, o homem e a mulher se encontram num café e começam a construir uma estranha relação. Com o passar do tempo, essa mulher apaixona-se por esse homossexual que sente atraído, com medo e repulsa dela, em vários momentos. Todavia, insiste em vê-la nua e lhe toca enquanto ela dorme. O livro mostra uma crise existencial entre os dois personagens.
Principalmente, por serem à margem da sociedade convencional. Na narrativa não há nomes. Mostra o intervalo que a mulher e o homem ficam isolados a espera do moço estrangeiro e, ao decorrer da narrativa, começam a se apaixonar e experimentar sensações vertiginosas.
“ A uma determinada hora da noite não há mais nenhum ruído em torno da casa. Com a maré baixa àquela distância do quarto ouve-se apenas o martelar espaçado da arrebentação, sem eco algum. Nessa treva não há mais latidos de cachorros ou sacolejar de caminhões. É depois das últimas caminha, ao aproximar-se do dia, que as horas se esvaziam de toda substância até se tornarem espaços nus, areias de pura travessia. Então a lembrança do beijo fica muito forte, queima-lhe o sangue, faz com que não falem, eles não podem.”
A linguagem do enredo tem uma estrutura teatral. Cada parágrafo é uma cena e há também, pelo que me parece, uma metalinguagem.
“ No fundo do teatro, diz o ator, teria havido uma parede azul. Essa parede fechava o palco. Era maciça, exposta ao crepúsculo, fronteira ao mar. Originalmente teria sido um forte alemão abandonado. Essa parede era definida como indestrutível, embora seja açoitada pelo vento do mar, dia e noite, e receba cheio as tempestades mais fortes.O ator diz que em torno dessa parede e do mar o teatro fora construído, para que o rumor do mar, próximo ou distante, esteja sempre presente no teatro.”.
OLHOS AZUIS, CABELOS PRETOS é tão bem escrito e vertiginoso como O AMANTE, elaborado pela mesma escritora.
Ps: Comprei este livro e mais alguns por 1 real numa feira de livros. Como o significado de tesouro pode ser tão subjetivo para cada um...
Cronica escrita em 16/9/2009

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MINIMALISMO


Imagem que resume as várias teorias sobre a nossa sociedade de consumo.