sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a brevidade da vida- Sêneca



Como lida com o tempo? Acha que passa rápido demais? Desperdiça-o ou aproveita a cada instante? Sei que são perguntas óbvias que todos já tiveram em algum momento. Mas, quando li esta obra de Sêneca compreendi que os questionamentos sobre o tempo são atemporais, apesar de cada época ser diferente.

O gênero literário do livro é epistolar a certo Paulino e através das cartas, Sêneca desenvolve sua filosofia de vida. “ A maior parte dos mortais, Paulino, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona.”. Criticava o comportamento dos poderosos de Roma que se parecem muito com os de hoje em dia. Era filósofo, dramaturgo, político e escritor e foi um dos expoentes intelectuais de Roma do início da era Cristã. 

Sêneca desenvolve um ensaio de que a vida não é curta, quando não nos deixamos levar pelo ego, ambição de poder ou dinheiro e pelos impulsos. Por meio de exemplos, nos mostra que a busca do conhecimento precisa estar relacionada com o crescimento individual e não como forma de esnobar os outros. O autor tem muito da filosofia grega e considera os pensadores deste tempo, seus verdadeiros amigos. 

Em muitas ocasiões, damos importância ao supérfluo e gastamos nossa vida. Se realmente vivêssemos sem ficar na superfície dos papeis sociais, das amizades falsas, coleguismo e dos relacionamentos de fachada, nós poderíamos aproveitar melhor os momentos./ É um ensaio que ainda é bastante impactante para quem lê. Na época que foi escrito, No Império Romano mesmo que seja super diferente desta sociedade tecnológica, a essência do ser humano é o mesmo. Inclusive, o medo da morte, o desejo da imortalidade e de querer ter mais tempo.

 Ao invés disso, viva cada momento qualidade e como as pessoas que desejam realmente seu bem.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Um bom exemplo...



Depois de tanta mediocridade, corrupção e egos inflados, assisti ao documentário sobre a vida da psiquiatra Nise de Oliveira. Realmente, que mulher maravilhosa em todos os sentidos. Além de culta era intuitiva e essas características a ajudaram a revolucionar a psiquiatria. 

 Ela iniciou tratamentos mais humanistas e a prestar a atenção nos mínimos gestos dos seus pacientes, não os tratando como consequências de um surto. Ajudou-os a se reencontrarem por meio da arte. Outro fato que me emocionou foi ver as pinturas de seus pacientes. São fortes e mostram um pouco as essências deles. 

A arte feita de um jeito instintivo e as obras pareciam vivas. Nise percebeu que, por meio dessas obras, os pacientes contavam o que aconteciam com eles, mas, de um jeito não lógico. De certo aspecto, ela proporcionou um espaço para que os loucos pudessem ter uma voz. Antes, eram marginalizados, torturados e abandonados nos hospícios.

 Poxa vida, confesso que fiquei com inveja da Nise de Oliveira e de seus pacientes. São indivíduos especiais e talentosos, diferente de mim, sem talento, medíocre e que vive uma vida normalzinha demais.

Se nada der certo...



Serei amigo de pessoas influentes para entrar na política. Farei fortuna, pois só legislarei para os poderosos, fodam-se os pobres. Só servem como massa de manobra. Para quê educá-los? São mais vantajosos ignorantes. Quanto mais flexibilidade nas leis trabalhistas e na aposentadoria, melhor para meu bolso. Além, de usar minha influência para meus "amigos" empresários ganharem licitações e empréstimos milionários.

 Direi que sou a favor da família, da moral e que sou o mais honesto de todos. Enquanto isso, farei muitas negociatas e terei tanta grana que nem meus bisnetos precisarão trabalhar. Irei espalhar milhões em todos os cantos do planeta e minha fortuna será imensurável, mesmo que me prendam. Ninguém conseguirá rastrear tudo, sou muito esperto e sei fazer muita grana.

Muitos podem me esculachar, mas, na verdade, sentem inveja. Será que esta raiva é um desejo secreto de ser que nem a mim? Será que são tão virtuosos assim? Não adianta fugir contra o instinto de ter hegemonia. Todos nós queremos poder e deixar nossas sementes cada vez mais influentes. Ninguém quer ser um Zeninguemfodidodesdentado.

Enfim, ainda tem gente que acha que as coisas deram errado para mim, porque fui preso. Como são idiotas, não sabem de nada e nem percebem que são marionetes de algo que nem compreendem.

 #senadadercerto

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mulher maravilha



Não quero falar da parte técnica ou da qualidade estética do filme, já existem muitas críticas abordando.

O que me encantou na história foi a inocência infantil de Diana em relação à humanidade. No início, ela não entendia as dissimulações.

 Quem, quando criança, não entendeu uma "mentirinha" dos adultos para manter uma social? Aí, questionou-se: " Ué, falam para mim que é errado mentir, mas estão faltando com a verdade agora?"

Realmente, é triste descobrir que a sociedade é hipócrita e que os adultos cometem o que disseram ser errado.

 Em várias cenas as pessoas riram pelas gafes da protagonista, por ela não entender de que no mundo o qual estava os indivíduos precisavam usar máscaras. Além de perderem a essência, corrompendo-se pelo meio do caminho.

Hoje em dia, há vários exemplos na política e no cotidiano, que nos levam a desesperança. Será que o mundo e as pessoas têm jeito?

A Mulher Maravilha pode ser uma inspiração para continuarmos a manter nossa inocência e a fé na humanidade, atravessando o abismo que todos possuem dentro de si.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Estou com medo

Sou ignorante, mas, como o face é meu, posso me manifestar. Quem não gostar, achar que é muita burrice, deleta-me ou me bloqueia. Amo quando isso acontece. Bem, não sou contra reformas, mas, tenho medo de reformas que são feitas por uma elite que está cagando para o pobre. Não confio nessas pessoas que estão lá em Brasília, que como todos sabem estão sujas até a alma no mar de lama da corrupção, que a Operação Lava Jato mostra por aí.

 Não sou de esquerda e nem sei em quem votar. Não consigo enxergar uma luz no final do túnel​. Pois, não há uma liderança forte. De um lado há uma direita que só quer poder, uma esquerda que se deslumbrou com os jogos de interesses e outra esquerda idealista que acha que vai governar sem fazer alianças, logo, não governará, pobre inocente.

E o pior que tem pessoas que compram a ideia de que os EUA é o melhor modelo a ser seguido. Lá, não há tantos benefícios para o povo, mas, o salário é alto. Um indivíduo pode viver melhor com um salário mínimo que aqui.

Entretanto, se não tiver um seguro-saúde será expulso do hospital e nem conseguirá ficar no corredor de um hospital público, como os pobres daqui. 

Não acredito num Estado Neoliberal, onde se incute a ideia de que você não está bem, a culpa é sua. Acho desumano. Agora, não se pode culpar os outros e o país por seus fracassos, porém, o Estado precisa visar o bem coletivo da população. 
Administração pública é diferente da Administração Privada.

Enfim, estou com medo. Não sou empreendedor, não sou rico e nem tenho um trabalho especializado. A tendência de me foder é bem grande.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Mais um textão verborrágico sobre "13 Reasons Why"




Não tenho hábito de acompanhar séries, mas, minha irmã me indicou esta séria "13 Reasons Why" e fiquei curioso. A história da série contém temas polêmicos como suicídio, bullying . 

Seria muito interessante pais, professores e os adolescentes verem e procurarem construir um diálogo para reflexão sobre o mundo em que vivemos. 

 O que quero argumentar, não é nem a questão do suicídio. É um tema complexo e não estou habilitado. Só acho que quando a pessoa decide se matar, há um conjunto de fatores internos e externos. Não tem como rotular os indivíduos, cada um tem uma reação. O único jeito é buscar ajuda especializada.

Bullying é diferente de uma zoação, o primeiro não é uma brincadeira inocente, mas sim ataques sistemáticos de assédio moral. Sempre existiu, no livro o Ateneu(1888), mostra-se como a escola pode ser um inferno é uma amostra da Sociedade. Eu já sofri bullying , entretanto, só foi agressão verbal e havia épocas que não queria ir para escola e passei muito tempo desestimulado. Agora, muitos podem dizer que estou me vitimizando, tenho consciência que não. Sempre assumi meus erros e somente relato o que aconteceu comigo. 

Agora, ainda bem que as pessoas que me sacanearam eram apenas imprudentes. É neste ponto que quero chegar. Com certeza, hoje, são pais de família e quase avós, até. São pessoas de bem. A questão é quando existe um psicopata na parada, manipulando os outros para fazer coisas piores.

Tanto o jovem como o psicopata deseja viver o agora e não pensam nas consequências. A diferença está que o primeiro só é imaturo e o outro, perverso.

 Por isso, precisa-se refletir sempre para não ser " soldadinho de ninguém". Prestar a atenção nos seus "líderes". Será que são confiáveis? Querem ser amigos, realmente? São dignos de sua amizade?Porque ser uma marionete e inconsequente causam danos ao redor, também. Tudo bem que não é por maldade, mas o estrago acontece. Como minha irmã Fernanda me disse uma vez: " Existem pessoas que acham que por não matar ou roubar, são boas pessoas". Não praticar nada ilegal, faz mais do que sua obrigação e não significa que é virtuoso.

 Há gente bastante perigosa no mundo, capaz de levantar multidões. É só dar uma pesquisa rápida no Google e na História dá Humanidade para perceber que nos grandes genocídios de guerras, tiveram psicopatas nos comandos mais altos, planejando tudo. Enfim, precisamos cuidar mais da nossa essência, estamos miseráveis de autoconhecimento. Não podemos só viver na superfície das máscaras e nos transformando em caricaturas distorcidas de nós mesmos.

Os pais precisam ficar mais atentos sobre o que acontece com seus filhos e a escola necessita ser mais educadora, além de acolhedora.

sábado, 8 de abril de 2017

Mais uma sessão de verborragia

 O feminismo foi um movimento de empoderamento muito importante para a história da humanidade. Pois, ao longo da História, muitas morreram e foram subjugadas pelo machismo. Este fato ninguém pode negar ou achar que é besteira.

Agora, todo movimento e ideologias há falhas, o ser humano é falho. É impossível usar o maniqueísmo e dizer todos os homens são maus e as mulheres vítimas. 

Há homens bons e outros ruins, o mesmo acontece com as mulheres. Sei de casos de mulheres que agridem e sacaneiam os homens que, muitas vezes, ficam calados para não passar vergonha e rotulados como fracos. Pois, o homem nunca pode se mostrar fraco e este peso não o liberta para refletir sobre seu papel no mundo.

Por outro lado, fisicamente, o homem é mais forte que a mulher e para ela ter mais segurança, além de ter seus direitos respeitados, deve-se aplicar leis e que as protejam. Daí, surge o princípio da isonomia, que significa igualdade “de todos perante a lei. Refere-se ao princípio da igualdade previsto no art. 5º, "caput", da Constituição Federal, segundo o qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Assim, de acordo com tal princípio, os méritos iguais devem ser tratados de modo igual, e as situações desiguais, desigualmente, já que não deve haver distinção de classe, grau ou poder econômico entre os homens.” http://www.direitonet.com.br/dicionario/exibir/888/Isonomia.

Nos tempos de curso preparatório aprendi que este princípio tem o mecanismo de tratar diferente “ as minorias” para que possa ter mais igualdade.

 Exemplos... Cotas para negros, índios e alunos de escola pública. Como eles competirão uma vaga nunca faculdade público com um "povo" que estuda nos colégios preparatórios mais caros do país? Leis que protegem a mulher como Lei Maria da Peña e até projetos de lei que tem como finalidade proteger os homossexuais e os transgêneros.

 Finalmente, o grande problema hoje em dia é que as pessoas discutem, mas, não pensam antes. Preferem as generalizações e frases de efeito para serem irreverentes. O bom senso tem que prevalecer para avaliar o caráter de uma pessoa, independente do sexo, cor e opção sexual. Porém, para se viver num mundo mais justo, precisa-se se por no lugar do outro e perceber que o princípio da isonomia é fundamental à sociedade.

 Nem precisa pesquisar profundamente, quantos casos de mulheres assassinadas pelos namorados, noivos e maridos. Não são fatos isolados, existem valores machistas nas entrelinhas.

domingo, 5 de março de 2017

Mentes Perigosas - o Psicopata Mora ao Lado de Ana Beatriz Barbosa Silva




É muito importante para a democratização do conhecimento livros que servem como pontes para os conhecimentos acadêmicos ou científicos. Mentes perigosas faz parte deste gênero, uma vez que a autora em uma linguagem acessível mostra diversas teorias sobre os psicopatas e descortina alguns estereótipos do cinema, os quais pairam em nosso imaginário sobre a imagem de um psicopata. 

O conhecimento acadêmico não deve só ficar nas universidades, mas sim fora delas e exposto a qualquer um. Agora, é óbvio que o indivíduo que lerá um “livro-ponte”, precisa ter bom senso de que é uma fonte primária e que se almeja se aprofundar mais sobre o assunto, deverá pegar as referências bibliográficas e até textos especializados. 

 A autora delimita bem qual a mensagem de sua obra, pretende que as pessoas abram os olhos e fiquem alerta para as pessoas más que existem por aí. Narra casos que evidenciam características psicopáticas, entretanto, diagnosticar um psicopata precisa-se de um olhar mais aprofundado. Por exemplo, os psicopatas adoram contar uma história de amor e sofrimento para se utilizar da compaixão alheia, adoram encontrar os pontos fracos de suas vítimas e enredá-las numa teia de mentiras e intrigas até tirar tudo e jogar fora depois e possuem a habilidade de inverter o jogo, colocando-se como e vítima e o outro, bandido. Ela frisa bem isto e conduz o livro com a finalidade de alertar a todos, já que ele deixa um rastro de destruição em suas vítimas e estas precisam de tratamento para lidar com os traumas.

 No primeiro capítulo, há uma breve discussão sobre consciência. Lembrei-me da citação do filme Metrópolis: “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração.”. Estar consciente é ter capacidade de fazer o necessário, porém, ser consciente é pensar e sentir ou, melhor dizendo, razão e emoção simultaneamente influenciando em nossas atitudes, é isto que nos tornam humanos. Logo, o psicopata está consciente, só que não sente nada, como diz a autora “ coração de gelo”. São racionais, inteligentes, sedutores e impulsivos e fazem de tudo para conseguir o que desejam, sem pensar em ninguém. Interpretam uma música ou filme, todavia, não se emocionam.  Ao decorrer da leitura, descobre-se que o este ser terrível nasce deste jeito, incapaz de ter empatia e se utiliza das outras pessoas como se fosse um vampiro. Detalhe, todo psicopata sabe o que está fazendo, não é um “doente mental.” e sim seu jeito de ser, um transtorno comportamental. Há estudos descritos no livro, que na parte do cérebro no qual é responsável para estimular as emoções, o psicopata em este lado desligado, diferente do “indivíduo normal”.

Logo, o paradigma de que um indivíduo será cruel ou problemática só porque nasceu numa família desestruturada será questionada. Para a formação de uma personalidade há um conjunto de fatores genéticos e sociais. 

Mas, agora, não só os psicopatas que cometem crimes, a diferença está na culpa ou remorso que uma “pessoa comum” sente ao fazer algo errado, diferente dos primeiros. Inclusive, não são todos que matam, contudo, não significam que não causam danos. Por isso, a importância de diagnosticá-los e separá-los de outros presidiários, com a finalidade de quem pode ser recuperado para o convívio na sociedade quando for solto. Além, das decisões judiciais as quais precisam ser levadas em conta os laudos psiquiátricos. É uma questão de segurança pública.

Outro ponto que considerei importante foi sobre a solidariedade como sendo algo não social-humano, mas, também, biológico. Há bondade nos “animais irracionais” e como este sentimento contribuiu para a evolução das espécies. Não foi somente capacidade de adaptação ou força que algumas espécies sobreviveram a outras. O amor, empatia e a consciência se originam da natureza biológica e perpassa pelo DNA. É uma reflexão fundamental, principalmente, no mundo competitivo em que se vive. 

A autora faz uma abordagem em relação aos valores da nossa sociedade e de como de alguns anos para cá está se valorizando o comportamento psicopata. Realmente, é só dar uma olhada rápida o que acontece ao redor. Motoristas que avançam sinais, gente que faz gato de luz para não pagar conta de luz entre outras ilicitudes. “Que se dane o coletivo, o que importa é o meu bem estar. “, é o lema de muitos hoje em dia. É um ambiente profícuo aos psicopatas, chega até ser um paraíso. Como já disse antes, a autora argumente que não são todos os psicopatas que matam. Há os leves e moderados que se espalham no mundo das corporações e na política, promovendo para todos nós que o importante é ter grana e poder, naturalizando a corrupção. 

Deste modo, uma sociedade mais justa e de bons valores poderá inibir estes indivíduos de sangue frio e que infelizmente não tem cura. A mensagem do livro é um alerta para todos nós, para ficarmos de olho e não cair não mãos de um lobo em pele de cordeiro.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O quarto do Jack



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O filme  narrou a história de um menino de cinco anos que junto com sua mãe foram confinados em quarto e reféns de um homem louco ou psicopata. Tema bem pesado, mas, o enredo nos mostrou uma forte relação de amor entre mãe e filho, além, da superação do pós-trauma. 

O olhar do garoto ( ele é o narrador) expõe como se relaciona com o quarto-cativeiro. Como nasceu ali, considerava o lugar como seu lar e por meio do lúdico e do lirismo infantil, percebeu-se numa relação de afeto com o recinto. Lembrei-me de um livro de memórias de Rubem Alves( O velho que acordou menino), que num texto, o autor abordou a felicidade da infância. Quando se  é muito pequeno, fica-se feliz por tudo. Isto acontece porque ainda não há como comparar sua vida com a do outro. À medida que se cresce, encontramos paradigmas, os quais distanciam da felicidade. Estamos sempre querendo ou buscando mais para a realização de nossos sonhos. 

" Tudo o que eu disse sobre a "roça" como lugar que a esperança abandonou só valia para os grandes. Eu era uma criança feliz. Infelicidade começa com a comparação. E eu não tinha como comparar. Bachelart observou que " a infância conhece a infelicidade através dos homens" ( A poética do devaneio. P.9.)”.

 Tem um conto do Machado de Assis( Ideias do Canário) que abordou esta questão. A partir do encontro do homem com o pássaro, Machado expos questões filosóficas e existenciais do ser. O homem ficou surpreso, quando o canário disse que seu mundo era: O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.”. Então, ele comprou o canário, para estudá-lo e mostrar para a ave outras definições de mundo. 

 A concepção de mundo se relaciona com o lugar onde a pessoa vive, quanto mais se conhecem,  outras possibilidades surgem. No primeiro momento, o canário estava satisfeito numa gaiola nova; em seguida, na casa do novo dono: “um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto.”. Depois, “espaço infinito e azul, com o sol por cima.”. Depois, o canário concluiu: “— Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.”

 Jack quando descobriu que o mundo é bem maior que o quarto, despediu-se dele. Por meio da mãe e dos familiares, percebeu que precisava experimentar o mundo e não permanecer preso no quarto.

O processo de habitação da mãe foi diferente. Como conhecia o outro mundo antes de ser raptada, sabia que era prisioneira e junto com seu filho corria risco de vida. Queria muito fugir e retornar para casa. Como era adulta tinha esperança de fugir. Como Rubem escreve " ...Esperança é coisa de gente grande, que vive no tempo, o passado, o futuro". Diferente de seu filho que só vivia o momento, sem passado e futuro para comparar. Mas, o tempo passou e nada mais era como antes. Então, sentiu-se em desencaixe. Além, de ter sofrido pressão psicológica por muito tempo. Precisava se cuidar logo para as feridas não se tornarem traumas.

Por fim, a abordagem do filme do antes e depois da mãe sair com o filho no cativeiro, foi bem rico e nos mostrou que apesar de um fato terrível ou trágico, pode-se encontrar um novo sentido de viver e seguir a diante. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Impulsividade na Internet



Tempos atrás, quando fazia uma prova para um concurso público qualquer, havia um texto que argumentava como o e-mail poderia ajudar na ponderação das pessoas. Por exemplo, quando alguém escreve e-mail, dá-se o tempo de esfriar a cabeça e escolher melhor as palavras para não ter problemas desagradáveis.

Bem, não concordei muito com o texto, mas, ao pensar que o surgimento das redes sociais, cada vez mais a impulsividade reina. Mesmo as pessoas deletando o que postou, existe o famigerado "print" que registra TUDO. Por isto, publicou na rede, já era! Inclusive, hoje em dia, as mensagens não são só escritas, mas sim por vídeos e áudios. No "whatzapp" tem gente que só envia mensagem de voz ou liga por meio do aplicativo.

Até entendo que na época do texto da prova, a banda larga era muito mais inacessível e, com a internet discada, as pessoas conectavam para receber as mensagens, desconectavam para ler e responder e-mails. Daí, o tempo para esfriar a cabeça de repente.

Atualmente, quem envia um e-mail para um amigo ou ao ser amado? Ele está mais restrito ao mundo corporativo ou relacionamentos formais como escola, faculdade entre outros.

Além das redes sociais e cada vez mais a internet 3G ou 4G e banda largar popularizadas, postamos em tempo real com os sentimentos a flor da pele. Gafes pipocam por segundos e sempre tem um fofoqueiro de plantão ou alguém mal intencionado para "printar" os desabafos e erros de português alheios, com a finalidade de tirar um sarro, compartilhando viralmente na rede e os transformando em "memes".

Será que estamos prontos para este novo tipo de comunicação que se torna cada vez mais instantâneo? Confesso que sou impulsivo às vezes( só que não, muitas vezes). E coleciono gafes e erros de português bem cabeludos. Nesta semana que começou, quase escrevi paSSiência! Detalhe, reedito minhas postagens sempre. Porém, o que já foi publicado não tem mais jeito.

Haverá um que encontrará meus equívocos no mundo virtual.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Arte de rua






O que acho interessante na arte da rua é a questão do direito autoral. Como os desenhos e pinturas estão em espaço público, todos podem tirar foto e compartilhar nas redes sociais à vontade. Lógico que tem artistas de rua famosos e suas obras são reconhecidas, mas, não há um distanciamento "sacralizado" entre elas e o público. 

A arte contemporânea, inclusive, trabalha bastante a interação da arte com o espectador. 

 Por isso, antes de tomar uma atitude de sair "limpando" uma cidade, precisa distinguir o que é arte e o que não é, no caso, a pichação. E outro fato, só reconhecer a arte pela "História Oficial da Arte" é retrógrado.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Som ao redor e Aquarius

Propaganda enganosa




Ao ver isto, pensei como a ironia e o deboche podem ser escrachados. É isto mesmo? Como a propaganda, muitas vezes, é podre e perversa! Irei reproduzir um desabafo que fez no face sobre a "querida" Unimed...

 Na semana passada soube da notícia que a " querida" Unimed deseja cancelar seus serviços por excesso de uso. Todos do trabalho acharam a notícia surreal, pois pagamos assiduamente a metade e a chefe, outra. 

 Logo, quando se precisa é óbvio que o plano será usado. Aí, surgem explicações técnicas, jurídicas e letras miúdas de contrato, as quais dão nó na cabeça. Além de parecer que estamos num romance de Kafka, O Processo. Tudo é tão sem nexo e sempre se culpa a crise econômica. 

Mas, quem provoca está instabilidade? Uma minoria que só quer dinheiro e que reduz os outros em números frios. Não possuem empatia, parecem até psicopatas! A lógica capitalista é perversa e como se compra este conceito. 

 Entretanto, a morte é democrática. Tanta num quarto luxuoso de hospital ou numa maca em um estabelecimento público, quando chega hora dela, não adianta tentar compra-la com dinheiro. Como diz, o mundo dá voltas... 

Vocês que se acham donos do mundo irão aprodecer, também!

domingo, 15 de janeiro de 2017

Limite dá banda larga fixa aqui Brasil




Outra vez, li que a Anatel deseja liberar a limitação da banda larga fixa. Não sou radical, mas, A prestação de serviços aqui no país é precária. As operadoras citadas na reportagem são campeãs de processos na justiça, devido à ineficiência e a falta de transparência nos serviços prestados. Limitar a banda larga aqui no Brasil pode haver mais um retrocesso para o país, já que quem se beneficiará, serão as empresas de comunicação. Além, de prestarem um serviço péssimo!

sábado, 7 de janeiro de 2017

A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói






Leva ao leitor à reflexão sobre a morte e como se está despreparado para enfrentá-la.

Na primeira parte do relato expõe como todos reagiram com o falecimento do protagonista. As hipocrisias e reações não muito grandiosas de amigos e parentes. 

Depois, na segunda parte, mostra como o protagonista reagiu com sua enfermidade. A partir da doença, repensou sobre tudo que fez. Inclusive, ao perceber que não tinha uma vida tão imponente, viveu ordinariamente.

Na verdade, habituou-se a estar na superfície das relações sociais. E nunca construiu um afeto profundo com ninguém, além de “coleguismos” ou “trocas de favores”. 

 A história é ainda muito realista e atual, pois, mostra como a sociedade é de fato e que todas as pessoas possuem um lado mesquinho. Então, a morte é uma forma de despir o indivíduo da “ persona”. 

É óbvio que a sociedade na qual vivemos, a morte é um assunto polemicamente assustador. O ser humano sempre quis mostrar sua superioridade em relação ao outros seres vivos, construindo riquezas e buscando hegemonia. Este antropocentrismo em demasia, o transforma num tolo egocêntrico e que se apega a uma fama efêmera ou descartável.