domingo, 13 de novembro de 2016

ZOOTOPIA



Judy Hopps é uma coelha, filha de agricultores que plantam cenouras há décadas. Mas ela possui sonhos grandiosos, pretende se mudar para a cidade grande, Zootopia, em que todas as espécies de animais convivem em harmonia. Judy deseja ser a primeira coelha a ser policial e sofre com a manipulação e o preconceito dos outros animais. Porém, tem uma ajuda inusitada da raposa Nick Wilde, conhecida por sua malícia e suas infrações. A improvável dupla se dedica à procura de um animal desaparecido, descobrindo uma conspiração que afeta toda a cidade.

É uma fábula contemporânea que faz uma referência à obra Utopia de Thomas More. Na verdade, More se utiliza da ilha Utopia para criticar a sociedade da sua época, onde havia muita ganância de dinheiro em detrimento do povo. Logo, compreende-se que para ter uma discussão sobre ética, precisa-se existir uma “utopia” para fazer analogias, criticando assim um sistema vigente opressor.

 As ideologias são fundamentais com o intuito de transformação social. Se elas não existirem, tudo ficará imutável. O lugar ilusório serve como um paradigma de como seria um mundo mais justo, onde não há tantas injustiças sociais ou desigualdades. 

Portanto, todos nós devemos lutar para se aproximar aos bons valores com a intenção de construir uma sociedade melhor.

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano

Enfim, Utopia precisa existir em nossas mentes para a gente questionar o que acontece ao redor. Sem ela, todos nós nos tornaremos autômatos.

 No filme infantil, a moral da história é que independente da natureza dos animais, eles podem lutar por seus sonhos e objetivos. Nada é imutável pelo determinismo biológico. Como, por exemplo, os protagonistas do desenho animado. Uma coelhinha que mesmo frágil e pequena consegue ser grandiosa com sua coragem e “um raposo”, o qual não sendo muito confiável pelos outros, pode mudar sua história e mostrar não ser traiçoeiro. Além, de ser confiável e um bom amigo. 

O desenho não se refere aos bichos em si, mas, ao ser humano e que sempre se deve fazer a diferença para tornar o mundo melhor. Assim, como toda fábula que se preze, utiliza-se de personagens animais que agem como seres humanos, ilustrando um preceito moral.

Além, de expor a questão de respeitar as diferenças, uma questão bastante importante hoje em dia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

EM BUSCA DE SENTIDO- UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, VIKTOR E. FRANKL




 Frankl compartilha suas experiências e de outros indivíduos prisioneiros de campos de concentração no período da Segunda Guerra Mundial. 

 No primeiro momento faz até um recorte de seu objeto de estudo: “ Este livro não se trata de fatos e acontecimentos externos, mas de experiências pessoas que milhares de prisioneiros viveram de muitas formas. É a história de um campo de concentração visto de dentro, contado por seus sobreviventes.”. Portanto, o autor pretende expor que não quer dar conta de tudo, mas, mostrar seu entendimento e o método terapêutico que ele desenvolveu, a logoterapia. Na primeira parte do livro há os relatos no campo de concentração e no segundo, uma introdução à logoterapia. 

O que me impressionou foi a franqueza de Frankl ao mostrar como a natureza humana é muito mais complexa que os estereótipos. Relata a violência dos nazistas e ao mesmo tempo mostra como outros judeus foram algozes de seus próprios “irmãos”, para terem privilégios e salvarem a própria pele. Foram designados como Kapos, os quais os alemães designavam tarefas especiais nos guetos e campos de concentração. Atuavam no conselho e polícia judaicos, e nos campos como comandantes, chefes de alojamentos, e nos crematórios. Entretanto, houve oficiais alemães que ajudaram muito mais os prisioneiros que os próprios Kapos. 

A partir dessas experiências, o autor percebeu que muitos ficaram embrutecidos ou apáticos ou se agarravam ao passado. Não tinham mais sentido para viver. A logoterapia mostra o contrário, podem-se encontrar novos sentidos de viver e aprender a lidar com a dor, tornando-a produtiva. “O termo "logos" é uma palavra grega que significa "sentido". Assim, a "Logoterapia concentra-se no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por este sentido" (Frankl). "Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano..." A Logoterapia é considerada e desenhada como terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido". (Frankl). 

Este método terapêutico procura estruturar e colocar o paciente no ponto central do seu ser, que é, inclusive, o ponto mais alto: 
“O escritor e psiquiatra Viktor Frankl costuma perguntar a seus pacientes quando estão sofrendo muitos tormentos grandes e pequenos "Por que não opta pelo suicídio?" É a partir das respostas a esta pergunta que ele encontra, freqüentemente, as linhas centrais da psicoterapia a ser usada. Num caso, a pessoa se agarra ao amor pelos filhos; em outro, há um talento para ser usado, e, num terceiro caso, velhas recordações que vale a pena preservar. Costurar estes débeis filamentos de uma vida semi-destruída e construir com eles, um padrão firme, com um significado e uma responsabilidade - este é o objetivo e o desafio da logoterapia, versão da moderna análise existencial elaborada pelo próprio Dr. Frankl.”( Prefácio- Edição Norte Americana de 1984) 

É desnecessário buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é una para todos. Cada um precisa se transcender para encontrar seu sentido da vida, uma vez que, cada um de nós possuiu uma individualidade e não existe uma receita de bolo de um sentido da vida para todos. Precisam-se regatar as lembranças e os momentos de tudo que se viveu e seguir em frente. 

 O livro expõe que o ser humano precisa encontrar seu sentido na vida e perceber que o sofrimento ou a dor há algo positivo, fortalecendo o indivíduo continuar a vida.