quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

FRESTAS, Contos de ANGELA SCHNOOR




A vida é composta de episódios que são expostos por frestas das janelas e das portas. Por meio dos contos de uma página ou duas e minicontos reunidos em uma folha, encontram-se diferentes facetas da natureza humana.

Conheço a autora há dez anos ou mais e, não querendo rasgar seda, o que me encanta na sua narrativa é a liberdade de abordar qualquer assunto, sem perder o cuidado com a palavra e a classe. Sua concisão nos permite viajar e até construir outras histórias, pelo menos eu percebo assim. Como a autora diz em seu blog: 
 “Microargumentos: Microcontos ou Micronarrativas me parecem ser um meio de acesso à imaginação ampla. Eles servem como isca e possibilitam a quem os lê desenvolver toda uma história plena de detalhes, totalmente original e única a cada novo leitor. “

 Confesso que alguns contos deixaram um gostinho de quero mais, por exemplo, um romance ou filme. Entretanto, poderiam quebrar o conceito do miniconto, a concisão que torna o desfecho da história mais impactante e abrem as várias possibilidades de interpretação.

Também, o que torna as histórias peculiares é o domínio que Angela tem em relação às imagens do inconsciente. Além de ser psicóloga, possui uma identificação com outras artes como a pintura e o desenho. Não sei se as micronarrativas ou microargumentos de Angela se transformarão em Clássico da Literatura. O que posso dizer é que ela escreve por prazer e com muito zelo a sua língua materna. Seu trabalho é imaginativo, honesto, cuidadoso e talentoso. 

Com certeza, quem lerá FRESTAS ou outros livros que virão, irá refletir sobre si e o mundo. Para mim, este é o verdadeiro significado da arte, fazer como que o expectador saia do piloto automático para observar as frestas que podem revelar demônios internos, fantasmas, imperfeições ou lembranças adormecidas. 

 ***

 Frestas, não pode ser encontrado nas livrarias. Foi uma edição de autor. Deixarei seu blog para contato: 

 http://microargumentos.blogspot.com.br/

domingo, 4 de dezembro de 2016

POR QUÊ?



Sempre ouço a pergunta de por qual motivo a filosofia é importante? Além de a disciplina ser preterida em relação às outras matérias. 

 Não sou filósofo e especialista de nada, mas, ao pesquisar um pouquinho sobre o tema, percebo que desconsiderar a filosofia pode ser uma ordem do discurso de alienar a capacidade de pensamento das pessoas. Juro, não sou adepto da teoria da conspiração. É que o mundo está cada vez pragmático e o conhecimento fragmentado. 

A filosofia é a origem das ciências biológicas e humanas que conhecemos. Todas as discussões sobre a ética e os princípios que formam as leis se baseiam nos questionamentos filosóficos. Então, como não é importante? Será que não é um perigo para a humanidade e o mundo em geral deixá-la em segundo plano? Como já disse, o mundo visa à praticidade das coisas e a cultura da especialização compartimenta em demasia o conhecimento. Lógico que ninguém tem a capacidade de conhecer tudo, as especializações contribuem para o saber. 

 Na verdade, o que almejo expor é a necessidade da abrangência da filosofia, porque sem ela, os indivíduos vão se reduzir as suas funções e se tornarem alheios a outros saberes e acontecimentos que surgirão ao longo do tempo. 

Vale se lembrar de seu significado: "Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem." https://www.significados.com.br/filosofia/ 

 Com certeza, o que acabei de escrever é senso comum. Porém, não tenho pretensão de ser original e inventar a roda. Sou um cara comum que tenta enxergar o óbvio e não ser um autômato.

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domingo, 13 de novembro de 2016

ZOOTOPIA



Judy Hopps é uma coelha, filha de agricultores que plantam cenouras há décadas. Mas ela possui sonhos grandiosos, pretende se mudar para a cidade grande, Zootopia, em que todas as espécies de animais convivem em harmonia. Judy deseja ser a primeira coelha a ser policial e sofre com a manipulação e o preconceito dos outros animais. Porém, tem uma ajuda inusitada da raposa Nick Wilde, conhecida por sua malícia e suas infrações. A improvável dupla se dedica à procura de um animal desaparecido, descobrindo uma conspiração que afeta toda a cidade.

É uma fábula contemporânea que faz uma referência à obra Utopia de Thomas More. Na verdade, More se utiliza da ilha Utopia para criticar a sociedade da sua época, onde havia muita ganância de dinheiro em detrimento do povo. Logo, compreende-se que para ter uma discussão sobre ética, precisa-se existir uma “utopia” para fazer analogias, criticando assim um sistema vigente opressor.

 As ideologias são fundamentais com o intuito de transformação social. Se elas não existirem, tudo ficará imutável. O lugar ilusório serve como um paradigma de como seria um mundo mais justo, onde não há tantas injustiças sociais ou desigualdades. 

Portanto, todos nós devemos lutar para se aproximar aos bons valores com a intenção de construir uma sociedade melhor.

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano

Enfim, Utopia precisa existir em nossas mentes para a gente questionar o que acontece ao redor. Sem ela, todos nós nos tornaremos autômatos.

 No filme infantil, a moral da história é que independente da natureza dos animais, eles podem lutar por seus sonhos e objetivos. Nada é imutável pelo determinismo biológico. Como, por exemplo, os protagonistas do desenho animado. Uma coelhinha que mesmo frágil e pequena consegue ser grandiosa com sua coragem e “um raposo”, o qual não sendo muito confiável pelos outros, pode mudar sua história e mostrar não ser traiçoeiro. Além, de ser confiável e um bom amigo. 

O desenho não se refere aos bichos em si, mas, ao ser humano e que sempre se deve fazer a diferença para tornar o mundo melhor. Assim, como toda fábula que se preze, utiliza-se de personagens animais que agem como seres humanos, ilustrando um preceito moral.

Além, de expor a questão de respeitar as diferenças, uma questão bastante importante hoje em dia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

EM BUSCA DE SENTIDO- UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, VIKTOR E. FRANKL




 Frankl compartilha suas experiências e de outros indivíduos prisioneiros de campos de concentração no período da Segunda Guerra Mundial. 

 No primeiro momento faz até um recorte de seu objeto de estudo: “ Este livro não se trata de fatos e acontecimentos externos, mas de experiências pessoas que milhares de prisioneiros viveram de muitas formas. É a história de um campo de concentração visto de dentro, contado por seus sobreviventes.”. Portanto, o autor pretende expor que não quer dar conta de tudo, mas, mostrar seu entendimento e o método terapêutico que ele desenvolveu, a logoterapia. Na primeira parte do livro há os relatos no campo de concentração e no segundo, uma introdução à logoterapia. 

O que me impressionou foi a franqueza de Frankl ao mostrar como a natureza humana é muito mais complexa que os estereótipos. Relata a violência dos nazistas e ao mesmo tempo mostra como outros judeus foram algozes de seus próprios “irmãos”, para terem privilégios e salvarem a própria pele. Foram designados como Kapos, os quais os alemães designavam tarefas especiais nos guetos e campos de concentração. Atuavam no conselho e polícia judaicos, e nos campos como comandantes, chefes de alojamentos, e nos crematórios. Entretanto, houve oficiais alemães que ajudaram muito mais os prisioneiros que os próprios Kapos. 

A partir dessas experiências, o autor percebeu que muitos ficaram embrutecidos ou apáticos ou se agarravam ao passado. Não tinham mais sentido para viver. A logoterapia mostra o contrário, podem-se encontrar novos sentidos de viver e aprender a lidar com a dor, tornando-a produtiva. “O termo "logos" é uma palavra grega que significa "sentido". Assim, a "Logoterapia concentra-se no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por este sentido" (Frankl). "Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano..." A Logoterapia é considerada e desenhada como terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido". (Frankl). 

Este método terapêutico procura estruturar e colocar o paciente no ponto central do seu ser, que é, inclusive, o ponto mais alto: 
“O escritor e psiquiatra Viktor Frankl costuma perguntar a seus pacientes quando estão sofrendo muitos tormentos grandes e pequenos "Por que não opta pelo suicídio?" É a partir das respostas a esta pergunta que ele encontra, freqüentemente, as linhas centrais da psicoterapia a ser usada. Num caso, a pessoa se agarra ao amor pelos filhos; em outro, há um talento para ser usado, e, num terceiro caso, velhas recordações que vale a pena preservar. Costurar estes débeis filamentos de uma vida semi-destruída e construir com eles, um padrão firme, com um significado e uma responsabilidade - este é o objetivo e o desafio da logoterapia, versão da moderna análise existencial elaborada pelo próprio Dr. Frankl.”( Prefácio- Edição Norte Americana de 1984) 

É desnecessário buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é una para todos. Cada um precisa se transcender para encontrar seu sentido da vida, uma vez que, cada um de nós possuiu uma individualidade e não existe uma receita de bolo de um sentido da vida para todos. Precisam-se regatar as lembranças e os momentos de tudo que se viveu e seguir em frente. 

 O livro expõe que o ser humano precisa encontrar seu sentido na vida e perceber que o sofrimento ou a dor há algo positivo, fortalecendo o indivíduo continuar a vida.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Tentativa frustada de fazer um snap



Apesar da minha sobrinha dizer que sou muito velho para abrir a conta no snap, resolvi me cadastrar assim mesmo. Ela até mudou de ideia e me ajudou a mexer nas ferramentas. Detalhe, até me adicionou!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A GAROTA NO TREM DE PAULA HAWKINS



Pode não considerado um clássico da literatura mundial, mas, faz pensar na sociedade em que vivemos. Como nos iludimos com a superficialidade produzida pelo consumo em relação ao ideal de vida e família. 

Meu objetivo não é fazer uma resenha e sim mostrar como por meio dos personagens, podemos nos identificar com a dor e o abismo que todo ser humano carrega. Nesse ponto, o romance é visceral ao mostrar a face obscura da natureza humana que muitos não conseguem lidar, preferindo se refugiar nas superfícies das máscaras sociais, na bebida ou nas drogas gerais. A história mostra que o inconsciente sempre estará martelando a cabeça com a finalidade de mostrar que não adianta fugir. 

Com uma narrativa simples, mas, não simplória, os personagens vão mostrando suas camadas mais profundas e evidenciando que nada é como parece ser. Inclusive, nos dias de hoje em que todos querem se mostrar felizes e bem resolvidos nas redes sociais. Será que são mesmo? Ou interpretam? Ou tem a ilusão que felizes? É interessante observar como é importante mostrar o sucesso e isso é uma forma de insegurança, também. Se você for bem sucedido, não precisa se expor toda hora. 

 Cada vez mais a sensação de estabilidade se desmancha no ar e, como no romance mostra, não adianta se refugiar no outro e viver uma fantasia. Se continuar, cairá ainda mais no poço e se sentirá em desencaixe com tudo e com todos. 

Por isso, acho bacana não só ler A GAROTA NO TREM como puro entretenimento. Observe com a atenção e analise os personagens, os quais mostrarão muitas semelhanças com você e com os outros que passam por nossas vidas. 

Outro fato que almejo dizer, fugindo um pouco do livro, muitas vezes nos preocupamos com a educação formal e acadêmica para arranjar um emprego. Todavia, esquece-se de cuida do lado emocional e existencial. Quando terminei a leitura, refleti sobre essa questão. Como no romance e na vida real, os indivíduos deixam de cuidar da parte emocional e se transformam em bombas-relógios prestes a explodirem.

domingo, 18 de setembro de 2016

MEIA-NOITE EM PARIS DE WOODY ALLEN



Começando com minha impressão subjetiva e insignificante... Assim, reconheço o talento de Woody Allen, inteligência e cultura, mas, dos filmes que assisti não consegui ver estrelinhas. Já sentiram isto, assistir ou ler alguma coisa e compreender um talento, só que não consegue se emocionar?

Quando assisti no Netflix, Meia-noite em Paris, consegui me comover e a ver estrelinhas bem brilhantes. Justamente porque a borda a questão do tempo e do olhar que cada um tem sobre um tema ou assunto. Curioso, que tinha listado há muito tempo o filme para assistir e tinha sumido da minha lista. Aí, neste final de semana, retornou. 

A história do filme é sobre um cara que não quer mais escrever roteiros e almeja elaborar um romance profundo como seus ídolos do passado. É um crítico da sua época, porque acha tudo muito “fast-food”. Sua noiva é uma dondoca e não o apoia. Um dia, andando pelas ruas de Paris, encontra um carro antigo e que o leva à Paris dos anos vinte do século XX. Encontrou autores que o influenciou e tem a convicção que encontrou seu paraíso. Todavia, ao logo dos acontecimentos, percebe que esta fuga para o passado é uma idealização, a qual comum em todas as épocas. 

 É normal se encantar com fotos antigas e artistas de outros tempos. Adoraria tomar um chá com Machado de Assis e Clarice Lispector, por exemplo. Porém, a imagem que construí deles são realmente o que são ou os transformei em meus personagens? Os registros biográficos e históricos são versões diversas que se juntam para elucidar sobre um fato ou alguém. 

Por fim, o filme faz uma reflexão poética e bem humorada sobre o mundo em que vivemos e a vida vivida sempre será imperfeita em qualquer tempo. E que em cada época terá a fuga para um passado.

*** 

Um pensamento breve que me ocorreu e que não tem muito a ver com o filme. Fugir da vida não é construtivo, muito pelo contrário. Agora, viajar um pouco na imaginação para espairecer e depois retornar é uma ótima terapia. Sem imaginação e lirismo, as pessoas se tornam doentes.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Não sou contra reformas...

Sei que são necessárias devido ao crescimento e o envelhecimento da população brasileira, mas, o que me preocupa são os INTERESSES dos poderosos que num estão em comunhão com a do povo. 

O que me preocupa na flexibilização das leis trabalhistas e as mudanças da previdência é transformar o trabalhador em escravo. Por exemplo, já ouvi barbaridades sobre empresas de telemarketing em que a carga horária é de seis horas, o salário e os benefícios são reduzidos, além, de os empregados serem massacrados por seus superiores e só poder ir ao banheiro cinco minutos. Justamente, estas firmas multinacionais vão para os lugares mais pobres para poder explorar a mão de obra com o intuito de ter mais lucro. Por isso, que tenho receio desta história de flexibilizar para geração de empregos, os quais são fantasias para ocultar a escravidão. 

 Como sempre, a nossa elite( estou falando da elite MESMO, não da classe média deslumbrada que pensa ser elite, ok) está dando um bote e estou temeroso. Sou pobre e assalariado, logo, qualquer mudança na minha aposentadoria ou direitos trabalhistas pode me prejudicar bastante.

Nosso país é carente de tudo, não precisa ser especialista para perceber isto. O povo brasileiro se equilibra no fio da navalha. Ainda, planejam cortar mais o quê? Será que se fizer um ajuste nos salários dos juízes, deputados e senadores, poderá melhorar na economia da Administração Pública? Sei lá, diminuir os auxílios. Tem tanta gente que reclama do bolsa família. Esse pessoal que citei antes nem é carente e possui muito mais ajuda.

 Enfim, não sou capitalista e nem socialista. Só almejo o justo para os brasileiros. Não merecemos sermos usados pelos poderosos que se consideram Deuses porque têm dinheiro, imunidade parlamentar, foro privilegiado ou o prestígio de ser magistrado de qualquer instância. 

 Uma observação, eu tenho ciência que na nossa bandeira não existe a cor vermelha. Adoro suas cores genuínas, só fico encucado com a frase “Ordem e Progresso”. 

Pois, questiono-me: - Para quem? Outro porém... Como já escrevi por aqui, a existência humana é muito complexa para o maniqueísmo pobre de mocinhos e bandidos, a partir do prisma de cada um. Tanto a direita como a esquerda precisam rever seus conceitos!

sábado, 3 de setembro de 2016

PETER PAN

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Assisti na tevê a notícia de que a polícia desmantelou uma rede de pedófilos. Eles compartilhavam por meio da internet, materiais de pornografia infantil. Parabéns para a polícia, mostra que a instituição tem inteligência e não só truculência. Mas, o que me intrigou foi o título da operação: "Peter Pan". Comecei a pensar sobre este fato. 

Antes de qualquer coisa, respeito às inúmeras interpretações, pois, ajudam na construção do conhecimento. Agora, o que me preocupa é certa interpretação se tornar um rótulo, causando a restrição do saber. Peter Pan morava na terra do nunca e era líder dos meninos perdidos. Tudo bem que se pode interpretar a história como o medo das pessoas envelhecerem, almejando sempre ser jovens. Contudo, não se pode levar pelo lado patológico. Há o lirismo da imaginação. Inclusive, a criança que existe dentro da gente nunca morre e se manifesta nos sonhos e na curiosidade de sempre conhecer algo novo. 

 Na realidade, não existe este esquema certo de criança, adulto e velho. Ao longo do tempo, estes estágios se misturam. Quem nunca fez algo imaturo? Ou se sentiu velho demais, mesmo não sendo idoso? 

Retornando ao assunto, viajei um pouco. O que me preocupa é tornar uma interpretação psicológica quase um clichê, por exemplo, colocar o personagem Peter Pan como uma síndrome, que ocorre em pessoas mentalmente dementes. Este conceito começou a ter força com o polêmico Michael Jackson, o artista fez até sua Terra do Nunca, chamando crianças para passar um período com ele em seu reino. Apesar das excentricidades do artista, nunca houve provas concretas que abusou sexualmente de alguns meninos em sua propriedade. 

Por fim, Michael Jackson foi uma pessoa com problemas emocionais, mentais e psíquicos devido a sua trajetória, ainda o relacionamento tumultuoso com pai. Nunca, até então, provou-se ser criminoso.  Enfim, o que quero dizer, cuidado de rotular características humanas a partir de " clichês psicológicos". 

A natureza humana é diversa de singularidades.


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Mais um mico na minha vasta coleção. Antes tinha escrito Maicon Jackson. Ainda bem que uma amiga deu-me um toque. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ALGUNS PONTOS INTERESSANTES DO LIVRO DRÁCULA DE BRAM STOKER


Meu objetivo, não é fazer o resumo do livro, já que existe um vasto material, inclusive, na Internet. Levantarei algumas questões, as quais considerei relevantes.

Narrativa polifônica, o romance em forma epistolar, dá voz às várias personagens. Além de notícias de jornais e telegramas. Não há o depoimento do Conde Drácula. Assim sendo, o eleitor possui a liberdade de interpretar como quiser quem foi este terrível personagem, o qual se transformou nessa criatura das trevas.

A história se inicia, ao mostrar como o castelo em uma remota zona da Transilvânia é diferente da Inglaterra, onde a paisagem e as pessoas são exóticas, selvagens e muito supersticiosas. Percebe-se a dicotomia entre a civilização e Barbárie. 

 O romance foi escrito em 1897 e o auto por meio dos diários e notícias de jornais, expõe como a Inglaterra, também, os países da Europa Ocidental, viviam em pleno vapor da modernidade. As inovações tecnológicas ajudaram no combate da maldição do Drácula como, por exemplo, o telegrama, as notícias de jornais e o aparelho onógrafo, inventado em 1877 por Thomas Edison para a gravação e reprodução de sons através de um cilindro e a máquina de escrever. Ao pesquisar a ocasião que a história foi desenvolvida, descobri que se relaciona à era Vitoriana no Reino Unido. Foi o período do “reinado pela rainha Vitória, em meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901. Este foi uma longa temporada de prosperidade e paz para o povo britânico, com os lucros adquiridos a partir da expansão do Império Britânico no exterior, bem como o auge e consolidação da Revolução Industrial e o surgimento de novas invenções. Isso permitiu que uma grande e educada classe média se desenvolvesse.”

Reuniram tudo e organizaram a informação e o conhecimento para lutar contra o mal iminente. O método e a disciplina inglesa e da Europa Ocidental venceram o caos demoníaco e repulsivo do Conde Drácula, o qual é descrito como um ser não evoluído, com um cérebro de criança e que fez pacto com Demônio para se tornar um monstro. Há a construção do outro, o inimigo como exótico, amaldiçoado, terrível, um parasita e arquétipo do mau. Observação! Recorto a imagem construída do vampiro no romance, visto que o mito deste ser das trevas é bem vasto e de origens diversas. O autor Bram Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros, a partir de suas análises construiu o seu personagem vampiresco. 

Diferente da imagem glamorosa dos vampiros de hoje em dia, que são bonzinhos-belos-depilados-fazendo-biquinho. O contexto de agora é bem diferente daquela época. Atualmente há uma valorização cada vez maior da estética da juventude. Mas, na época em que o livro foi escrito, havia a religião de a alma ser salva e não vagar pelas madrugadas como um não morto, vivendo a danação eterna. 

Não se pode se esquecer da crítica que o livro faz do pensamento cético por meio do personagem Van Helsing, o qual como homem da ciência, para combater o mal antigo, saiu da sua zona de conforto e se utilizou dos conhecimentos antigos e supersticiosos. Os outros personagens, no início ficaram perplexos, pois, viviam na Inglaterra no auge da modernidade e da religião protestante, que crê só na palavra e não em crucifixo e superstições.

 Há a construção da imagem da mulher que evidencia os valores vigentes do final do século retrasado. As mulheres eram tuteladas pelos homens por serem fracas e influenciáveis. As vampiras são voluptuosas demais. Elas são noivas de Drácula completamente opostas aos valores vitorianos, utilizam-se da sedução para conseguir seus objetivos de sugar sangue. Explicitam o desejo e gozam despudoramente.

A melhorzinha descrita no livro é Mina, representa a moral vitoriana, ajuda seu marido a prosperar! Religiosa e respeita o marido e o casamento. Faz sexo só para procriar e satisfazer o esposo. Além de ser uma excelente dona de casa, recatada e do lar, consegue ser inteligente “como o homem” e ajudou como secretária na organização dos relatos, com a finalidade de descobrir o ponto fraco de Drácula. Até eu quis uma Mina para mim.

 Enfim, é uma história que ainda dá muito caldo para pensar sobre os mistérios deste mundo, principalmente, em relação ao ser humano. Por que os vampiros são presentes no nosso imaginário? Será que o ser humano possui características vampíricas? Como o fato de almejar a hegemonia e se perpetuar através da infelicidade do outro? O que o Drácula queria, muitos de nós desejam tão quanto? 

O bicho homem sempre brincando em ser Deus e até flertando com o diabo para conseguir.

domingo, 28 de agosto de 2016

Tudo ficou fast-food demais




Fui ao cinema, ver a um filme de terror. Os jovens fizeram a maior algazarra e achei engraçado que este comportamento não muda ao logo das gerações. Na minha época de adolescente era a mesma coisa, parecia que estava retornando ao passado. Porém, a viagem não foi completa, por causa dos celulares ligados. Estou impressionado como as pessoas não conseguem ficar desconectadas nem um segundo para curtir um filme. Um rapaz ao meu lado mandava mensagem para alguém o tempo todo e na cadeira da frente, um cara ficou o tempo todo com o celular aceso. Não existe mais aquela escuridão mágica que apimentava ainda mais o suspense das cenas de suspenses e de terror.

O encanto de ir ao cinema acabou, pois muitos filmes são baixados gratuitamente pela internet. Todavia, para mim, ir ao cinema é um ritual que faz reviver meus tempos de infância. Não sei se estou sendo um pouco nostálgico, mas com desenvolvimento das tecnologias, as pessoas estão cada veis mais frias, desatentas em relação ao outro e com carência de imaginação.

 Tudo ficou fast-food demais. Agora, ao gênero do terror, tenho a impressão que perde força. O mundo dos vivos está tão violento que até as assombrações ficam com medo dos vivos. Hoje, no cinema, todos riram e debocharam de filme de terror( acho que o título se chama " Quando as luzes se apagam").

Depois, saíram, deixando o lixo na sala de cinema e com seus smartphones, conectados com vários e ninguém ao mesmo tempo.

domingo, 21 de agosto de 2016

OLÍMPIDAS 2016



Para mim, todos os atletas brasileiros desta olimpíada são vencedores. Chegar numa competição deste nível, não é para qualquer um. 

Principalmente, num país que não investe na educação como nosso país. Os EUA entre outros primeiros no ranking de medalhas investem bastante na base do esporte, que são as escolas e as faculdades. Aqui, no Brasil, as escolas públicas não possuem nem quadra direito e, muitas delas, nem merenda digna às nossas crianças. 

Apesar de tanto descaso, o país vem melhorando como pode. Ao longo dos anos a educação em todos os níveis está sendo sucateada. 

Em relação ao futebol feminino, as meninas arrebentaram e foram dignas até o final. Não ganharam medalhas, mas, um atleta de verdade não se faz só de medalhas e sim com atitudes. E elas foram guerreiras até o fim. Tomara que um dia tenha um investimento bacana no futebol feminino como no masculino.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Uma reflexâo importante!

Recebi uma reflexão muito importante de uma amiga e que me chamou a atenção sobre o neologismo: "processo de criação de uma nova palavra na língua devido à necessidade de designar novos objetos ou novos conceitos".
Na verdade foi uma troca de e-mails com um amigo dela e, depois, compartilhou comigo seus pensamentos. 
 Confesso que não conhecia este conceito ou nem me lembrava. Viver é sempre uma aprendizagem e não podemos ter verdades absolutas, pois, o tempo mostra que todas elas se desmancham. 

Outra coisa, não confundam fazer literatura com redigir uma redação para escola ou para um concurso de escola, OK! Inclusive, não se pode corrigir uma obra literária com um olhar pragmático do cotidiano. 

Outra questão, não confiem muito nos conteúdos da internet. Tentem checar primeiro, pois, muitos textos são manipulados. 

*** 

"Querido Dudu, pensei em te mandar este trecho de mensagem que escrevi para um amigo de muita idade e que se dizia com vergonha por ter escrito errado algumas palavras em seus contos. Quando fui buscar exemplo no Thiago de Mello me deparei com mais um absurdo dos muitos que se encontra na internet de gente que acha muito natural e sem problema algum, nomear qualquer texto piegas e sem valor literário como se fora escrito por nomes da literatura como Pessoa ou Lispector. Deve ser gente cuja origem tupiniquim trás um rei na barriga e querem parecer cultos. Achei que vc poderia fazer uma chamada pelo facebook ou qualquer outro meio que alerte aos desavisados, caso concorde e queira colaborar. Um beijo grato. Angela. esta foi a mensagem:

Pois é, eu já acho que Guimarães Rosa, por exemplo, não o seria se não tivesse criado alguns neologismos, mas a maioria acha que esses "gênios" podem tudo por serem os tais, esquecendo que se tornam genios pq mandam os chatos às favas e não temem inovar. Fui procurar o poema de Thiago de Mello - Os estatutos do homem para te lembrar exatamente uma belíssima criação dele e eis que encontro o poema "consertado, reparado" exatamente na bela palavra!

Que mundo cretino este em que a plebe ignara corrige o mestre se considerando capaz e correta! veja lá: Artigo VII ( http://pensador.uol.com.br/frase/NTIwNTA5/) 

 Por decreto irrevogável fica estabelecido
 o reinado permanente da justiça e da (claridade),
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
 A palavra que o poeta cunhou é claridão! (muito mais que claridade!)

 aqui, dito por ele, pelo próprio Thiago de Mello, embora na Internet esteja sempre, ou quase, corrigido para claridade, o óbvio... o senso comum, de quem nada entende de claridão. bjs.

 escreva o seu certo com consciência e sem vergonha alguma, como um menino não sente por estar nu, mesmo que seu pinto seja pequeno ou torto!"


domingo, 7 de agosto de 2016

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER



A Insustentável Leveza do Ser é um livro lançado em 1984 por Milan Kundera. O romance se passa na cidade de Praga em 1968. Ao término do livro, fiquei a digerir a histórias e as questões filosóficas que abordou. Agora, tentarei pontuar alguns pontos que assimilei. Para compreensão da trajetória dos personagens, precisam-se entender os contextos filosóficos em que se baseiam as narrativas.

O conceito de eterno retorno de Nietzsche:me “O eterno retorno é uma ideia misteriosa e, com ela, Nietzsche pôs muitos filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir como foi vivido e que tal repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato? […] Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um núro infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Essa ideia é atroz. No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que levava Nietzsche a dizer que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).”

Se este processo cíclico acontecesse, o ser humano teria mais consciência de seus atos e os fatos histórias não iria se diluir ao esquecimento. Por exemplo, o narrador cita um episódio quando viu uma foto de Hitler bebê: “Não há muito, eu próprio me defrontei com o fato: parece incrível mas, ao folhear um livro sobre Hitler, comovi-me com algumas das suas fotografias; faziam-me lembrar a minha infância passada durante a guerra; diversas pessoas da minha família morreram nos campos de concentração dos nazistas, mas o que eram essas mortes comparadas com uma fotografia de Hitler que me fazia lembrar um tempo perdido da minha vida, um tempo que nunca mais há-de voltar? Esta minha reconciliação com Hitler deixa entrever a profunda perversão inerente ao mundo fundado essencialmente sobre a inexistência de retorno, porque nesse mundo tudo se encontra previamente perdoado e tudo é, portanto, cinicamente permitido.”

 Nesta passagem, evidencia-se que os episódios fluem com velocidade e leveza, provocando o esquecimento da sensação do momento histórico. Então, surge outra ideia que é fundamental para entender o romance: a leveza e o peso. “Se cada segundo da nossa vida tiver de se repetir um número infinito de vezes, ficamos pregados à eternidade como Jesus Cristo à cruz. Que idéia atroz! No mundo do eterno retorno, todos os gestos têm o peso de uma insustentável responsabilidade. Era o que fazia Nietzsche dizer que a idéia do eterno retorno é o fardo mais pesado (das schwerste Gewicht). Se o eterno retorno é o fardo mais pesado, então, sobre tal pano de fundo, as nossas vidas podem recortar-se em toda a sua esplêndida leveza. Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela?”. Realmente, esta pergunta faz pensar bastante, pois, muitas vezes, o peso não é somente um fardo, pode ser nossa salvação ou identidade. Em quanto à leveza em demasia pode ser insuportável.

Em seguida, Parmênides é citado sobre a teoria de o peso ser negativo e a leveza negativa: 
“Foi a questão com que se debateu Parmênides, no século VI antes de Cristo. Para ele, o universo estava dividido em pares de contrários: luz-sombra; espesso-fino; quente-frio; ser-não ser. Considerava que um dos pólos da contradição era positivo (o claro, o quente, o fino, o ser) e o outro, negativo. Esta divisão em pólos positivos e negativos pode parecer de uma facilidade pueril. Exceto num caso: o que é positivo: o peso ou a leveza? Parmênides respondia que o leve é positivo e o pesado, negativo. Tinha razão ou não? O problema é esse. Mas uma coisa é certa: a contradição pesado-leve é a mais misteriosa e ambígua de todas as contradições.”

Ao longo da narrativa, este ponto de vista é voltado para a existência dos personagens e como eles compreendem o mundo. 

 Além dos questionamentos filosóficos, o livro expos o impacto da invasão da União Soviética sobre a Tchecoslováquia(hoje não existe mais, agora é República Checa). O romance se passa no episódio da Primavera de Praga, movimento da liberalização política da Tchecolosváquia durante a época da dominção pela União Soviética.  

A falta de liberdade, a opressão e como o kitsch¹ político manipulou gerações inteiras nas guerras na manutenção dos governos despóticos. Inclusive, como o kitsch reduz a condição humana ao piegas. 

 Bem, estes foram os pontos que achei importantes expor antes, porque explicam a existências dos personagens e os caminhos que escolheram. Os protagonistas são Tomas, Tereza, Sabina, Franz. O que fique surpreso e como o narrador discorre sobre um mesmo episódio, mas, pela perspectiva de cada personagem. Logo, uma mesma história de decompõe em vários prismas. Tomas é um médico que almeja viver livre, para isso, abandona o próprio filho, sendo renegado pela família. Mas, encontra Tereza, uma jovem insegura e romântica, completamente anacrônica para sua época. Não gosta do seu corpo, almeja encontrar sua alma e deseja que Tomas seja só dela. Já a artista Sabina, amante de Tomas, acredita que ser infiel com os homens é ser fiel consigo mesma. Pretende ser leve e livre com uma pena ao vento. Franz é um idealista e não enxerga como as coisas são e sim como deseja. É apaixonado por Sabina e ela o abandona. 

 Eles são pessoas comuns que vivem num turbilhão de acontecimentos e sensações. Vivem na contradição entre a leveza e o peso. Cada um experimenta esta sensação e paga um preço por isto. Tomas decidiu ficar com Tereza, apesar de perder tudo que conquistou. Tereza tem lidar com arrependimento de prejudicar Tomas. Sabina tornou-se tão livre, que começou a sentir a insustentável leveza do ser de não ter nenhuma raiz. Franz foi às últimas consequências de seus ideais, apesar de perceber que o mundo não era como ele pensava ser. 

Finalmente, A insustentável leveza do ser nos traz uma verdade de que como sempre estamos entre a leveza e o peso ao longo da História da humanidade. Agora, é uma intepretação minha, o romance pode ser uma reflexão de como se precisam equilibrar entre estas duas medidas para não ficar pesado de mais e nem leve em demais.


" ¹ kitsch kɪtʃ/ adjetivo de dois gêneros e dois números 1. 1. que se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista, freq. com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético). "literatura, pintura, decoração k." 2. 2. substantivo masculino estilo artístico, tendência estética que apresenta estas características.☞ inicial maiúsc., em al. "as massas manifestam amor pelo k.""

domingo, 31 de julho de 2016

O espelho Esboço de uma nova teoria da alma humana de Machado de Assis





Li este conto há muitos anos e de algum jeito ele me fez compreender certas coisas da vida. O que me chama mais a atenção é o fato de como é atual. 

A narrativa começa com em encontro numa casa cidade da cidade em Santa Tereza, onde um grupo de homens discutia sobre “várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos”. Vale lembrar que o bairro de Santa Tereza no século dezenove é completamente de diferente de hoje em dia. 

Primeiro, o narrador se questiona se eram quatro ou cinco, mas, depois, percebe-se que esta “confusão” é proposital, porque o quinto homem que não dizia nada, irá revelar uma teoria singular sobre a alma. O narrador o caracteriza como “homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico.”.

 Começa a contar para os outros que possui uma teoria de que a alma se divide em duas: “uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro...”. Por exemplo, que um botão ou outro objeto pode ser a alma exterior de um indivíduo, além, de outros elementos como um fluido, um homem, muitos homens, uma operação( " faculdade ou uma ação, um órgão e etc que, segundo sua natureza, produz um efeito. Ou, conjunto de atos ou medidas em que se combinam os meios de obtenção de determinados resultados ou de determinados objetivos( políticos, militares, financeiros, sociais e etc.").

A segunda alma é transmiti a vida, como a primeira e as duas completam o homem. Vale lembrar que a alma interna é o lado individual e particular, o qual está por de trás da persona social. Bem, esta foi minha interpretação particular, ok. 

Depois, conta sobre sua experiência de quando foi promovido para alferes e todos começaram a olhar diferente para ele. Uma tia o convida para passar um tempo no seu sítio. Ela como os moradores e os escravos o bajulavam, chamando-o se “senhor alferes” pra lá é pra cá. De repente, o prestígio que ele conquistou se sobressaiu em relação ao seu indivíduo. “- O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.”

Aconteceu uma emergência qualquer e a tia de que se ausentar do sítio, deixando o “alferes” sob os cuidados dele. Quando ficou só, os escravos fugiram e ele ficou sozinho, sem os elogios e os grados. Este fato foi pior que a morte, pois ele se sentiu na beira do abismo. Quando se olhou ao espelho antigo e imponente da casa, não se reconhecia e não conseguia se olhar nitidamente. O mal estar passou ao vestir o uniforme de alferes. 

Enfim, este conto é atualíssimo, já que evidencia como nos ligamos muito para aparência e status e nos esquecemos da “alma interior” dos outros. Todavia, confesso, que foi minha primeira impressão quando li o conto anos atrás. Agora, percebo que interpretei de um jeito um pouco maniqueísta sobre a alma exterior e a alma interior. 

 Na verdade, Machado explicita nesta história que nossa existência não é uma, mas fragmentada. Somos o que somos e, também, o que os outros pensam de nós. Não se pode viver sem um destas partes. Por isso, que, no conto, o personagem argumente que a alma é como se fosse duas laranjas. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência. Ainda há e casos em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

No meu ponto de vista revisado do conto, percebi como Machado de Assis percebeu um achado da alma humana e que quando não há um equilíbrio entre as duas partes dela, o indivíduo se perde. Precisam-se conciliar nossas máscaras sociais e nosso lado individual para não cair do precipício da existência humana.

sábado, 9 de julho de 2016




Em um mundo que se vive pelo status da riqueza e prestígio, Forrest estava em desencaixe.

Aparentemente podem acha-lo retardado, mas, na verdade, não era ele, o retardado. Foi uma pessoa especial que tinha um olhar diferenciado do mundo.

 Transbordava tanto afeto, que o amor de sua vida fugiu dele, por se não se considerar merecedora. Por onde passou deixou sua marca registrada. Entretanto, nem se importou para isto, não tinha vaidade. Sinceramente, invejo Forrest Gump. Queria ser que nem ele, livre e fiel a mim mesmo. 

Vivia o que sentia na pureza da alma, diferente de certas pessoas que dizem belas palavras, mas, vazias. Além de só desejarem tirar foto, fazendo pose para os outros. 

Ele é o cara!

domingo, 3 de julho de 2016

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE O FEMINISMO

Resultado de imagem para feminismo

Antes de tudo, é lógico que não há perfeição. Em todos os movimentos ao longo da história sempre existiram desgastes e certos indivíduos que desvirtuaram as ideias iniciais. Mas, não se pode rotular um grupo por causa disto.

 Por exemplo, por esses dias, comei a ler e ouvir sobre o feminismo e que é um sinônimo do machismo, devido às “feministas” argumentarem que são iguais e melhores que os homens. Achei isto reducionista e o maniqueísmo tolo. Fiz uma rápida pesquisa e achei um breve conceito feminismo: “um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias que advogam pela igualdade entre homens e mulheres, além de promover os direitos das mulheres e seus interesses.”. Já o machismo, “o conceito que se baseia na supervalorização das características físicas e culturais associadas com o sexo masculino, em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. Em um termo mais amplo, o machismo, por ser um conceito filosófico e social que crê na inferioridade da mulher, é a ideia de que o homem, em uma relação, é o líder superior, na qual protege e é a autoridade em uma família.”.

 É evidente que há feministas radicais que usam do empoderamento¹ para rivalizar com os homens, ao fazer comentários que são mais fortes e tal. Todavia, não são todas as feministas que praticam esta atitude. Aliás, a história do feminismo é vasta e existem teorias feministas que entram em dialética o tempo todo, inclusive. Antigamente, a mulher não era considerada como cidadã e era exposta a qualquer tipo de violência da família e do esposo. As feministas do passado lutaram( muitos levaram muita porrada e até morreram) deviam ser admiradas por mulheres e homens do presente, já que serviram como exemplo de ir à luta para conquistar seus direitos. 

Enfim, apesar dos excessos ou erros de algumas militantes, não se pode negar que o feminismo ajudou bastante às mulheres de hoje, como na elaboração de leis que as defendem contra a violência doméstica, inclusive.

 ¹ ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis.

***

E só uma nota... Ultimamente, estou a perceber que com o descontentamento das ideias de esquerda, surge uma corrente de negação a tudo que se refere aos movimentos sociais, desmerecendo-os e os colocando como corruptos e histéricos. Sei lá, tenho receio, porque os direitos civis e sociais que conquistamos foram de muita luta no passado. Logo, deve-se ponderar primeiro. Outro fato, não existe perfeição, quando entra o homem no meio, fodeu.  

quarta-feira, 29 de junho de 2016

INTERPRETAÇÕES



Quero desaprender
 quero esquecer tudo
vivo em um mundo
onde todos sabem muito
 onde todos sabem tudo
como amar
como viver
 como sonhar
chegou a hora de desaprender
esquecer 
ver o deslumbramento surgir
ver a vida dançar com meus olhos
como se fosse a primeira vez... (Zack Magiezi)


Sites do autor

http://estranherismo.tumblr.com/

 https://www.instagram.com/zackmagiezi/?hl=pt-br

https://twitter.com/zackmagiezi

segunda-feira, 27 de junho de 2016

MERAMENTE EU





Fiquei meio encucado de falar sobre isto, mas, abordarei a questão não por sensacionalismo ou porque quero ganhar alguma coisa, não sou escritor ou jornalista. Sou aquele que escreve.

Em 1992, fui reprovado e fiquei arrasado, achando-me os piores dos piores. Passei o natal e meu aniversário( 27 de dezembro) com vergonha sobre o que amigos e familiares iriam comentar. Naquele tempo, não conhecia o botão do FODA-SE e me importava muito com a opinião dos outros.

 Na manhã seguinte do meu aniversário(28 de dezembro), ouvi um burburinho em casa. O clima estava pesado e fui ver o que era. Minha irmã do meio e minha mãe de olhos arregalados me disseram: “ Mataram Daniella Perez”. 

 Fiquei sem ação, pela primeira vez, presenciei um fato de uma atriz morrer assassinada atuando numa novela. Aí, veio um pensamento mesquinho que me envergonho: “Estou vivo!”. 

 Sou humano, horas. Tenho o lado bom e o mau, que vivem em conflito em mim. Ao mesmo tempo em que me sentia melhor por não ter morrido daquela forma ( só repeti o ano), fiquei com remorso de experimentar este sentimento não nobre, precisava ser solidário. É a questão de empatia, o que aconteceu com a atriz pode acontecer comigo ou com meus familiares, vivemos em um mundo tão violento.

 O pessoal de casa só falava disto e assistia todos os noticiários da tevê. Com o passar do tempo, o crime foi solucionado e os assassinos presos. Até hoje, não sei o motivo de eles terem cometido este crime horrendo. Bem, talvez não haja. O homem é absurdamente cruel e mesquinho muitas vezes, pratica o mal banalmente. 

Quanto a mim, tenho a esperança de me tornar um ser mais evoluído e nem ficar com a consciência pesada.

***

sexta-feira, 24 de junho de 2016

SINOPSE REPROVADA DE UMA TELENOVELA

O VENDEDOR DE PASSADOS


Imagem encontrada no google

Nesta semana, assisti ao filme que conta a história de um cara que inventa um passado para as pessoas que não gostam muito dos seus. Não quero falar do filme em si, mas da reflexão que eu tive ao vê-lo.

Será que se deve acreditar em tudo que dizem, ou em documentos e fotos? Será que a História com seus monumentos e museus inventa uma memória, de certa maneira? O que de fato aconteceu? E se uma mentira legitimada juridicamente e através do tempo possui o poder de se tornar verdade? Quantos heróis históricos foram construídos ao longo do tempo com propaganda e trilha sonora?

 Em muitas ocasiões, a realidade humana se confunde com a verdade e a mentira. Logo, precisa-se estar atento para não acreditar em castelos encantados de areia. 

Hoje em dia, principalmente, em relação ao culto a imagem, vive-se numa superficialidade da máscara. 

 Será que somos o que pensamentos ser? Ou na verdade inventamos e editamos nossa vida de acordo com nossos interesses. 

E você? É tudo o que diz ser?