segunda-feira, 27 de junho de 2016

MERAMENTE EU





Fiquei meio encucado de falar sobre isto, mas, abordarei a questão não por sensacionalismo ou porque quero ganhar alguma coisa, não sou escritor ou jornalista. Sou aquele que escreve.

Em 1992, fui reprovado e fiquei arrasado, achando-me os piores dos piores. Passei o natal e meu aniversário( 27 de dezembro) com vergonha sobre o que amigos e familiares iriam comentar. Naquele tempo, não conhecia o botão do FODA-SE e me importava muito com a opinião dos outros.

 Na manhã seguinte do meu aniversário(28 de dezembro), ouvi um burburinho em casa. O clima estava pesado e fui ver o que era. Minha irmã do meio e minha mãe de olhos arregalados me disseram: “ Mataram Daniella Perez”. 

 Fiquei sem ação, pela primeira vez, presenciei um fato de uma atriz morrer assassinada atuando numa novela. Aí, veio um pensamento mesquinho que me envergonho: “Estou vivo!”. 

 Sou humano, horas. Tenho o lado bom e o mau, que vivem em conflito em mim. Ao mesmo tempo em que me sentia melhor por não ter morrido daquela forma ( só repeti o ano), fiquei com remorso de experimentar este sentimento não nobre, precisava ser solidário. É a questão de empatia, o que aconteceu com a atriz pode acontecer comigo ou com meus familiares, vivemos em um mundo tão violento.

 O pessoal de casa só falava disto e assistia todos os noticiários da tevê. Com o passar do tempo, o crime foi solucionado e os assassinos presos. Até hoje, não sei o motivo de eles terem cometido este crime horrendo. Bem, talvez não haja. O homem é absurdamente cruel e mesquinho muitas vezes, pratica o mal banalmente. 

Quanto a mim, tenho a esperança de me tornar um ser mais evoluído e nem ficar com a consciência pesada.

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