domingo, 31 de julho de 2016

O espelho Esboço de uma nova teoria da alma humana de Machado de Assis





Li este conto há muitos anos e de algum jeito ele me fez compreender certas coisas da vida. O que me chama mais a atenção é o fato de como é atual. 

A narrativa começa com em encontro numa casa cidade da cidade em Santa Tereza, onde um grupo de homens discutia sobre “várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos”. Vale lembrar que o bairro de Santa Tereza no século dezenove é completamente de diferente de hoje em dia. 

Primeiro, o narrador se questiona se eram quatro ou cinco, mas, depois, percebe-se que esta “confusão” é proposital, porque o quinto homem que não dizia nada, irá revelar uma teoria singular sobre a alma. O narrador o caracteriza como “homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico.”.

 Começa a contar para os outros que possui uma teoria de que a alma se divide em duas: “uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro...”. Por exemplo, que um botão ou outro objeto pode ser a alma exterior de um indivíduo, além, de outros elementos como um fluido, um homem, muitos homens, uma operação( " faculdade ou uma ação, um órgão e etc que, segundo sua natureza, produz um efeito. Ou, conjunto de atos ou medidas em que se combinam os meios de obtenção de determinados resultados ou de determinados objetivos( políticos, militares, financeiros, sociais e etc.").

A segunda alma é transmiti a vida, como a primeira e as duas completam o homem. Vale lembrar que a alma interna é o lado individual e particular, o qual está por de trás da persona social. Bem, esta foi minha interpretação particular, ok. 

Depois, conta sobre sua experiência de quando foi promovido para alferes e todos começaram a olhar diferente para ele. Uma tia o convida para passar um tempo no seu sítio. Ela como os moradores e os escravos o bajulavam, chamando-o se “senhor alferes” pra lá é pra cá. De repente, o prestígio que ele conquistou se sobressaiu em relação ao seu indivíduo. “- O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.”

Aconteceu uma emergência qualquer e a tia de que se ausentar do sítio, deixando o “alferes” sob os cuidados dele. Quando ficou só, os escravos fugiram e ele ficou sozinho, sem os elogios e os grados. Este fato foi pior que a morte, pois ele se sentiu na beira do abismo. Quando se olhou ao espelho antigo e imponente da casa, não se reconhecia e não conseguia se olhar nitidamente. O mal estar passou ao vestir o uniforme de alferes. 

Enfim, este conto é atualíssimo, já que evidencia como nos ligamos muito para aparência e status e nos esquecemos da “alma interior” dos outros. Todavia, confesso, que foi minha primeira impressão quando li o conto anos atrás. Agora, percebo que interpretei de um jeito um pouco maniqueísta sobre a alma exterior e a alma interior. 

 Na verdade, Machado explicita nesta história que nossa existência não é uma, mas fragmentada. Somos o que somos e, também, o que os outros pensam de nós. Não se pode viver sem um destas partes. Por isso, que, no conto, o personagem argumente que a alma é como se fosse duas laranjas. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência. Ainda há e casos em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

No meu ponto de vista revisado do conto, percebi como Machado de Assis percebeu um achado da alma humana e que quando não há um equilíbrio entre as duas partes dela, o indivíduo se perde. Precisam-se conciliar nossas máscaras sociais e nosso lado individual para não cair do precipício da existência humana.

sábado, 9 de julho de 2016




Em um mundo que se vive pelo status da riqueza e prestígio, Forrest estava em desencaixe.

Aparentemente podem acha-lo retardado, mas, na verdade, não era ele, o retardado. Foi uma pessoa especial que tinha um olhar diferenciado do mundo.

 Transbordava tanto afeto, que o amor de sua vida fugiu dele, por se não se considerar merecedora. Por onde passou deixou sua marca registrada. Entretanto, nem se importou para isto, não tinha vaidade. Sinceramente, invejo Forrest Gump. Queria ser que nem ele, livre e fiel a mim mesmo. 

Vivia o que sentia na pureza da alma, diferente de certas pessoas que dizem belas palavras, mas, vazias. Além de só desejarem tirar foto, fazendo pose para os outros. 

Ele é o cara!

domingo, 3 de julho de 2016

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE O FEMINISMO

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Antes de tudo, é lógico que não há perfeição. Em todos os movimentos ao longo da história sempre existiram desgastes e certos indivíduos que desvirtuaram as ideias iniciais. Mas, não se pode rotular um grupo por causa disto.

 Por exemplo, por esses dias, comei a ler e ouvir sobre o feminismo e que é um sinônimo do machismo, devido às “feministas” argumentarem que são iguais e melhores que os homens. Achei isto reducionista e o maniqueísmo tolo. Fiz uma rápida pesquisa e achei um breve conceito feminismo: “um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias que advogam pela igualdade entre homens e mulheres, além de promover os direitos das mulheres e seus interesses.”. Já o machismo, “o conceito que se baseia na supervalorização das características físicas e culturais associadas com o sexo masculino, em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. Em um termo mais amplo, o machismo, por ser um conceito filosófico e social que crê na inferioridade da mulher, é a ideia de que o homem, em uma relação, é o líder superior, na qual protege e é a autoridade em uma família.”.

 É evidente que há feministas radicais que usam do empoderamento¹ para rivalizar com os homens, ao fazer comentários que são mais fortes e tal. Todavia, não são todas as feministas que praticam esta atitude. Aliás, a história do feminismo é vasta e existem teorias feministas que entram em dialética o tempo todo, inclusive. Antigamente, a mulher não era considerada como cidadã e era exposta a qualquer tipo de violência da família e do esposo. As feministas do passado lutaram( muitos levaram muita porrada e até morreram) deviam ser admiradas por mulheres e homens do presente, já que serviram como exemplo de ir à luta para conquistar seus direitos. 

Enfim, apesar dos excessos ou erros de algumas militantes, não se pode negar que o feminismo ajudou bastante às mulheres de hoje, como na elaboração de leis que as defendem contra a violência doméstica, inclusive.

 ¹ ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis.

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E só uma nota... Ultimamente, estou a perceber que com o descontentamento das ideias de esquerda, surge uma corrente de negação a tudo que se refere aos movimentos sociais, desmerecendo-os e os colocando como corruptos e histéricos. Sei lá, tenho receio, porque os direitos civis e sociais que conquistamos foram de muita luta no passado. Logo, deve-se ponderar primeiro. Outro fato, não existe perfeição, quando entra o homem no meio, fodeu.