domingo, 12 de dezembro de 2010

O LIVRO DO DESASSOSSEGO DE FERNANDO PESSOA (1888-1935, Lisboa)


Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Uma autobiografia sem fatos, mas sim uma explosão de sensações. Fragmentos que mostram a caótica da vida: turbilhão de cores e sentimentos. É a biografia de alguém não tem história, mas uma radiografia da imensidão do eu. Na realidade, não é uno e sim partido em vários que se juntam como um mosaico ou uma colcha de retalhos.
Realmente é um livro que não é para acalmar. A cada página viajamos em companhia do sentimento oceânico que ultrapassa a racionalidade. O livro é uma prosa poética que mostra que se não entrarmos em contado com o sonho, mitos e os Deuses remotos, a vida fica sem graça.

Senti-me angustiado pela força das palavras e por ter a certeza de não ter compreendido muitas coisas. Tive inveja também de Bernardo Soares, álter ego de Fernando Pessoa, por mergulhar no oceano bravio da vida e perceber a mediocridade do cotidiano pequeno burguês.
Como diz o poeta Fenando Pessoa: Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso;  viver não é preciso".   Arriscar-se num sonho e sentir dor é melhor do que viver anestesiado numa vida autômota.
Com certeza lerei o livro novamente e descobrirei outros livros e leituras. O importante é tive a coragem de me machucar com a primeira leitura, na tentativa de construir minhas primeiras impressões.
Até me inspirei e fiz um poema, que publiquei no meu outro blog:


NOITE BRAVA
Espírito rebelde
Coração saindo pela boca
Pensamentos e sonhos se misturam
Quero estar com os Deuses!
As estrelas dançam para mim
Sou gigante e como carne humana
Noite brava
Não tenho medo
Sou gigante-bravo-guerreiro
Nenhuma pedra vai atingir minha testa
Vou pegar o ouro que está no fim do arco-íris
Sou movido pelo prazer
O sentimentalismo barato não me atinge
Sou o próprio mito
Começa a amanhecer
A noite brava me dá uma lambida
Vai embora
Amanhece
Acordo
Viro grão de areia outra vez

PRECONCEITO E ESPAÇO PÚBLICO



Há algum tempo, caminho numa praça e constantemente pessoas colocam despachos de macumba. A praça fica suja, pois os cachorros reviram tudo.


Não sou contra a religião e seus praticantes, mas não podiam fazer seus rituais em um lugar específico?



Está na constituição a liberdade religiosa, mas até quando a liberdade não interfere no espaço público? Todos têm o direito de crer e manifestar sua fé, entretanto, como exercer isso, sem invadir o espaço alheio?


Hoje em dia, somos invadidos a todo tempo. Quantas vezes fui obrigado a ouvir no ônibus funk ou música evangélica nas alturas. Nada contra os estilos, todavia não queria ser obrigado a ouvi-los.



Cada vez mais as cidades estão mais populosas e se precisa discutir uma ética urbana que torne a convivência mais tranquila. Porque se cada um praticar o que deseja nas ruas e praças, a cidade se transformará num caos.



Todos têm liberdade de acreditar no que quiser, mas precisa ter o bom senso de respeitar os outros que não compartilham da mesma fé ou gosto.



Principalmente, nos espaços públicos, onde se precisa de ordem para não existir a barbárie.









sábado, 4 de dezembro de 2010

SALVE GERAL



O filme mostra que a vida é um turbilhão e que de repente tudo pode mudar. A professora de piano Lúcia passa por dificuldades financeiras e tem como objetivo tirar o filho adolescente da cadeia. Rafael está preso por ter se envolvido num incidente que acabou em assassinato.




O contexto histórico do filme se passa no Dia das Mães de 2006, a cidade de São Paulo está sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é o Comando PCC.


Lúcia e o filho são pessoas frágeis e não conseguem lidar com a realidade atual. Antes viviam numa bolha, protegidos num apartamento confortável e com a pensão do marido morto. Entretanto, falidos e sem a pensão, veem-se perdidos num bairro da periferia. O adolescente fica revoltado e a mãe sem saber o que fazer. Esse argumento foi a justificativa para Lúcia e seu filho se envolverem com crime. Não quero julgar, mas, apesar da carência afetiva dos personagens, nada se justifica entrar no crime. Tem muitas pessoas pobres que trabalham honestamente.


Todo bem que o Sistema pode nos levar à corrupção, entretanto precisamos lutar contra. Outro fator é que por amor, não podemos ultrapassar o valor da ética. Na história, Lúcia fez tudo pelo filho, porém, se pegarmos esta linha de raciocínio: Por amor a família, um político pode roubar verbas públicas para dar uma boa via à sua família, ou, por amor um traficante pode destruir vidas com a droga que vende a fim de proporcionar conforto às suas várias mulheres e filhos. Esta tênue fronteira entre o certo e o errado confunde muita gente, principalmente quando há diferentes pontos de vista do que é ter bom senso.