domingo, 28 de agosto de 2016

Tudo ficou fast-food demais




Fui ao cinema, ver a um filme de terror. Os jovens fizeram a maior algazarra e achei engraçado que este comportamento não muda ao logo das gerações. Na minha época de adolescente era a mesma coisa, parecia que estava retornando ao passado. Porém, a viagem não foi completa, por causa dos celulares ligados. Estou impressionado como as pessoas não conseguem ficar desconectadas nem um segundo para curtir um filme. Um rapaz ao meu lado mandava mensagem para alguém o tempo todo e na cadeira da frente, um cara ficou o tempo todo com o celular aceso. Não existe mais aquela escuridão mágica que apimentava ainda mais o suspense das cenas de suspenses e de terror.

O encanto de ir ao cinema acabou, pois muitos filmes são baixados gratuitamente pela internet. Todavia, para mim, ir ao cinema é um ritual que faz reviver meus tempos de infância. Não sei se estou sendo um pouco nostálgico, mas com desenvolvimento das tecnologias, as pessoas estão cada veis mais frias, desatentas em relação ao outro e com carência de imaginação.

 Tudo ficou fast-food demais. Agora, ao gênero do terror, tenho a impressão que perde força. O mundo dos vivos está tão violento que até as assombrações ficam com medo dos vivos. Hoje, no cinema, todos riram e debocharam de filme de terror( acho que o título se chama " Quando as luzes se apagam").

Depois, saíram, deixando o lixo na sala de cinema e com seus smartphones, conectados com vários e ninguém ao mesmo tempo.

domingo, 21 de agosto de 2016

OLÍMPIDAS 2016



Para mim, todos os atletas brasileiros desta olimpíada são vencedores. Chegar numa competição deste nível, não é para qualquer um. 

Principalmente, num país que não investe na educação como nosso país. Os EUA entre outros primeiros no ranking de medalhas investem bastante na base do esporte, que são as escolas e as faculdades. Aqui, no Brasil, as escolas públicas não possuem nem quadra direito e, muitas delas, nem merenda digna às nossas crianças. 

Apesar de tanto descaso, o país vem melhorando como pode. Ao longo dos anos a educação em todos os níveis está sendo sucateada. 

Em relação ao futebol feminino, as meninas arrebentaram e foram dignas até o final. Não ganharam medalhas, mas, um atleta de verdade não se faz só de medalhas e sim com atitudes. E elas foram guerreiras até o fim. Tomara que um dia tenha um investimento bacana no futebol feminino como no masculino.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Uma reflexâo importante!

Recebi uma reflexão muito importante de uma amiga e que me chamou a atenção sobre o neologismo: "processo de criação de uma nova palavra na língua devido à necessidade de designar novos objetos ou novos conceitos".
Na verdade foi uma troca de e-mails com um amigo dela e, depois, compartilhou comigo seus pensamentos. 
 Confesso que não conhecia este conceito ou nem me lembrava. Viver é sempre uma aprendizagem e não podemos ter verdades absolutas, pois, o tempo mostra que todas elas se desmancham. 

Outra coisa, não confundam fazer literatura com redigir uma redação para escola ou para um concurso de escola, OK! Inclusive, não se pode corrigir uma obra literária com um olhar pragmático do cotidiano. 

Outra questão, não confiem muito nos conteúdos da internet. Tentem checar primeiro, pois, muitos textos são manipulados. 

*** 

"Querido Dudu, pensei em te mandar este trecho de mensagem que escrevi para um amigo de muita idade e que se dizia com vergonha por ter escrito errado algumas palavras em seus contos. Quando fui buscar exemplo no Thiago de Mello me deparei com mais um absurdo dos muitos que se encontra na internet de gente que acha muito natural e sem problema algum, nomear qualquer texto piegas e sem valor literário como se fora escrito por nomes da literatura como Pessoa ou Lispector. Deve ser gente cuja origem tupiniquim trás um rei na barriga e querem parecer cultos. Achei que vc poderia fazer uma chamada pelo facebook ou qualquer outro meio que alerte aos desavisados, caso concorde e queira colaborar. Um beijo grato. Angela. esta foi a mensagem:

Pois é, eu já acho que Guimarães Rosa, por exemplo, não o seria se não tivesse criado alguns neologismos, mas a maioria acha que esses "gênios" podem tudo por serem os tais, esquecendo que se tornam genios pq mandam os chatos às favas e não temem inovar. Fui procurar o poema de Thiago de Mello - Os estatutos do homem para te lembrar exatamente uma belíssima criação dele e eis que encontro o poema "consertado, reparado" exatamente na bela palavra!

Que mundo cretino este em que a plebe ignara corrige o mestre se considerando capaz e correta! veja lá: Artigo VII ( http://pensador.uol.com.br/frase/NTIwNTA5/) 

 Por decreto irrevogável fica estabelecido
 o reinado permanente da justiça e da (claridade),
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
 A palavra que o poeta cunhou é claridão! (muito mais que claridade!)

 aqui, dito por ele, pelo próprio Thiago de Mello, embora na Internet esteja sempre, ou quase, corrigido para claridade, o óbvio... o senso comum, de quem nada entende de claridão. bjs.

 escreva o seu certo com consciência e sem vergonha alguma, como um menino não sente por estar nu, mesmo que seu pinto seja pequeno ou torto!"


domingo, 7 de agosto de 2016

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER



A Insustentável Leveza do Ser é um livro lançado em 1984 por Milan Kundera. O romance se passa na cidade de Praga em 1968. Ao término do livro, fiquei a digerir a histórias e as questões filosóficas que abordou. Agora, tentarei pontuar alguns pontos que assimilei. Para compreensão da trajetória dos personagens, precisam-se entender os contextos filosóficos em que se baseiam as narrativas.

O conceito de eterno retorno de Nietzsche:me “O eterno retorno é uma ideia misteriosa e, com ela, Nietzsche pôs muitos filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir como foi vivido e que tal repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato? […] Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um núro infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Essa ideia é atroz. No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que levava Nietzsche a dizer que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).”

Se este processo cíclico acontecesse, o ser humano teria mais consciência de seus atos e os fatos histórias não iria se diluir ao esquecimento. Por exemplo, o narrador cita um episódio quando viu uma foto de Hitler bebê: “Não há muito, eu próprio me defrontei com o fato: parece incrível mas, ao folhear um livro sobre Hitler, comovi-me com algumas das suas fotografias; faziam-me lembrar a minha infância passada durante a guerra; diversas pessoas da minha família morreram nos campos de concentração dos nazistas, mas o que eram essas mortes comparadas com uma fotografia de Hitler que me fazia lembrar um tempo perdido da minha vida, um tempo que nunca mais há-de voltar? Esta minha reconciliação com Hitler deixa entrever a profunda perversão inerente ao mundo fundado essencialmente sobre a inexistência de retorno, porque nesse mundo tudo se encontra previamente perdoado e tudo é, portanto, cinicamente permitido.”

 Nesta passagem, evidencia-se que os episódios fluem com velocidade e leveza, provocando o esquecimento da sensação do momento histórico. Então, surge outra ideia que é fundamental para entender o romance: a leveza e o peso. “Se cada segundo da nossa vida tiver de se repetir um número infinito de vezes, ficamos pregados à eternidade como Jesus Cristo à cruz. Que idéia atroz! No mundo do eterno retorno, todos os gestos têm o peso de uma insustentável responsabilidade. Era o que fazia Nietzsche dizer que a idéia do eterno retorno é o fardo mais pesado (das schwerste Gewicht). Se o eterno retorno é o fardo mais pesado, então, sobre tal pano de fundo, as nossas vidas podem recortar-se em toda a sua esplêndida leveza. Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela?”. Realmente, esta pergunta faz pensar bastante, pois, muitas vezes, o peso não é somente um fardo, pode ser nossa salvação ou identidade. Em quanto à leveza em demasia pode ser insuportável.

Em seguida, Parmênides é citado sobre a teoria de o peso ser negativo e a leveza negativa: 
“Foi a questão com que se debateu Parmênides, no século VI antes de Cristo. Para ele, o universo estava dividido em pares de contrários: luz-sombra; espesso-fino; quente-frio; ser-não ser. Considerava que um dos pólos da contradição era positivo (o claro, o quente, o fino, o ser) e o outro, negativo. Esta divisão em pólos positivos e negativos pode parecer de uma facilidade pueril. Exceto num caso: o que é positivo: o peso ou a leveza? Parmênides respondia que o leve é positivo e o pesado, negativo. Tinha razão ou não? O problema é esse. Mas uma coisa é certa: a contradição pesado-leve é a mais misteriosa e ambígua de todas as contradições.”

Ao longo da narrativa, este ponto de vista é voltado para a existência dos personagens e como eles compreendem o mundo. 

 Além dos questionamentos filosóficos, o livro expos o impacto da invasão da União Soviética sobre a Tchecoslováquia(hoje não existe mais, agora é República Checa). O romance se passa no episódio da Primavera de Praga, movimento da liberalização política da Tchecolosváquia durante a época da dominção pela União Soviética.  

A falta de liberdade, a opressão e como o kitsch¹ político manipulou gerações inteiras nas guerras na manutenção dos governos despóticos. Inclusive, como o kitsch reduz a condição humana ao piegas. 

 Bem, estes foram os pontos que achei importantes expor antes, porque explicam a existências dos personagens e os caminhos que escolheram. Os protagonistas são Tomas, Tereza, Sabina, Franz. O que fique surpreso e como o narrador discorre sobre um mesmo episódio, mas, pela perspectiva de cada personagem. Logo, uma mesma história de decompõe em vários prismas. Tomas é um médico que almeja viver livre, para isso, abandona o próprio filho, sendo renegado pela família. Mas, encontra Tereza, uma jovem insegura e romântica, completamente anacrônica para sua época. Não gosta do seu corpo, almeja encontrar sua alma e deseja que Tomas seja só dela. Já a artista Sabina, amante de Tomas, acredita que ser infiel com os homens é ser fiel consigo mesma. Pretende ser leve e livre com uma pena ao vento. Franz é um idealista e não enxerga como as coisas são e sim como deseja. É apaixonado por Sabina e ela o abandona. 

 Eles são pessoas comuns que vivem num turbilhão de acontecimentos e sensações. Vivem na contradição entre a leveza e o peso. Cada um experimenta esta sensação e paga um preço por isto. Tomas decidiu ficar com Tereza, apesar de perder tudo que conquistou. Tereza tem lidar com arrependimento de prejudicar Tomas. Sabina tornou-se tão livre, que começou a sentir a insustentável leveza do ser de não ter nenhuma raiz. Franz foi às últimas consequências de seus ideais, apesar de perceber que o mundo não era como ele pensava ser. 

Finalmente, A insustentável leveza do ser nos traz uma verdade de que como sempre estamos entre a leveza e o peso ao longo da História da humanidade. Agora, é uma intepretação minha, o romance pode ser uma reflexão de como se precisam equilibrar entre estas duas medidas para não ficar pesado de mais e nem leve em demais.


" ¹ kitsch kɪtʃ/ adjetivo de dois gêneros e dois números 1. 1. que se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista, freq. com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético). "literatura, pintura, decoração k." 2. 2. substantivo masculino estilo artístico, tendência estética que apresenta estas características.☞ inicial maiúsc., em al. "as massas manifestam amor pelo k.""