domingo, 18 de setembro de 2011

KIKO




Os animais de estimação são de certa forma uma aprendizagem de como nos iremos relacionar com o outro na fase adulta. Os sinais de amores obsessivos ou falta de apatia surgem nessa primeira etapa e os pais precisam ficar atentos de como as crianças lidam com seus bichinhos.

Sempre fui contra passarinho na gaiola e ainda mais cortar as asar para ele não fugir. Ponho-me no lugar dele, já pensou uma raça superior corta nossos braços ou pernas com finalidade de sermos seus animais de estimação? Sinto calafrio na espinha. Porém, a vida me pregou uma peça...

Minha sobrinha quis ganhar de presente uma Calopsita. Fui contra, mas não posso impor minhas convicções. Então, veio o Kiko e, ao longo do tempo, vem ocupando um espaço nos nossos corações.  É muito carinhoso e anda por toda casa. 

Porém, às vezes, dá-me remorso de saber que cortaram sua asa. Será que não seria mais feliz, solto na natureza? Que amor é esse que nós temos de acharmos que os outros animais estão mais protegidos com a gente? Vejo-me algoz, que não maltrata, mas domina através do carinho e uma aparente segurança.

Por outro lado, jogá-lo na natureza, Kiko morrerá. E sempre está nos seguindo e se fazendo presente. Será que pensa que é gente? A única certeza que tenho é que Kiko faz parte da família agora.

UM DIA DESSES... ( Cronica Antiga postada em 28/04/2006 11:26)

pequeno+polegar,+o
Crédito da imagem: http://www.submarino.com.br/produto/1/123898/pequeno+polegar,+o


Vi pela Internet um curso de pós-graduação Latu Seno de Literatura infanto-juvenil. Fui ao último dia de inscrição. Não passei, mas acho que não perdi o meu tempo. Aprendi bastante e tive contato com histórias infantis nas suas origens. Antigamente, muitas histórias para crianças vinham da cultura popular ou das adaptações de gêneros literários para adultos. Não pude deixar de fazer uma conexão com as últimas notícias: pais que abandonam os filhos, a miséria e a violência. Dos vários contos, destaquei O PEQUENO POLEGAR de Charles Perrault.


A narrativa começa, quando um casal de lenhadores desesperados pela miséria que vivia resolveu abandonar os filhos na floresta. Mas, O Pequeno polegar escutou a conversa dos dois e ao ficar perdido com os seus irmãos, fez uma trilha de pedrinhas brancas que catou àquela noite, em que escutou a conversa dos pais.


Quando os meninos voltaram, os pais os receberam bem. Haviam recebido um dinheiro de quem lhes devia. Todavia, a fome assolou novamente. O pai e a mãe abandonaram de novo os filhos na floresta. O Pequeno Polegar tentou de novo se preveni, todavia não pôde pegar as pedrinhas brancas, a porta estava fechada. Resolveu pegar o pão e fazer bolinhas para jogar no percurso. Só que os passarinhos tinham comido a trilha e o protagonista e os irmãos ficaram perdidos. O Pequeno Polegar subiu numa árvore e viu uma casa. Os irmãos foram até lá e bateram na porta. Uma mulher atendeu e lhe deram assistência. Só que a casa era o lar de um Ogro. Ao ver os meninos, o monstro quis comê-los. O Pequeno Polegar percebeu as verdadeiras intenções. Astutamente trocou as coroas das filhas do Ogro com o seu gorro e com gorros dos seus irmãos. Depois, os meninos fugiram. O Ogro matou suas próprias filhas. Revoltado por enganado, ele caçou os garotos velozmente com suas botas sete léguas. O Pequeno Polegar mandou os irmãos fugirem e esperou a oportunidade de pegar a bota rápida. Aproveitou que a besta cansada dormia e as roubou. Enfim, o pequeno polegar com a bota de sete léguas conseguiu salvar os irmãos e tirar os pais da miséria.


Lógico que, na realidade na maioria das vezes, não há final feliz. Porém, usando o conceito de catarse de Aristóteles, as representações dramáticas do conto evocam sentimentos de terror ou piedade nos leitores. Para o filósofo a fábula é uma imitação da ação. “Chamo fábula a reunião das ações; por caráter entendo aquilo que nos leva a dizer que as personagens possuem tais ou tais qualidades: por ideais, refiro-me a tudo o que os personagens dizem para manifestar seu pensamento”. Não se pode esquecer, que os contos de fadas herdaram essa estrutura da fábula.


Perrault, Charle, 1628-1703. Belo Horizonte: Villa Rica ed.
ARISTÓTALES. Os pensadores. Ed. Nova Cultural.

BULLYING ( cronica posta no antigo blog em 27/04/2006 15:31)








Define-se como atitude agressiva, intencional e frequente, que acontecem por acaso. É uma prática adotada por grupos de estudantes contra um jovem, que sente dor e angústia. A pessoa que sofre esse tipo de tirania pode sofrer sequelas irrecuperáveis.

Essa é a definição que sempre escuto na mídia (teve, radio e Internet). Contudo, essa prática existe desde os "tempo das cavernas". É uma manifestação de poder, que tenta enquadrar os indivíduos à ideologia dominante de cada época da sociedade. Quem for diferente, sofre repetidas humilhações no seu cotidiano.

"Isto é uma multidão; é preciso força de cotovelos para romper. Não sou criança, nem idiota; vivo e só vejo de longe. Não pode imaginar. Os gênios fazem aqui dois sexos, como se fosse escola mista. Os rapazes tímidos, ingênuos, sem sangue, são dominados, festejados, pervertidos como meninas ao desamparo.". O trecho do livro O ATENEU, escrito por Raul Pompéia no final do séc. XIX ilustra como a tirania se inicia no ambiente escolar. A instituição é uma amostra da sociedade hostil, onde vivemos. É no colégio que aprendemos o egoísmo, hipocrisia, a ambição desmedida e a violência. Gilberto Freire em CASA & CASA-GRANDE E SENZALA: “ Quase todo moleque leva-pancadas se pode dizer que desempenhou entre as grandes famílias escravocratas do Brasil as mesmas funções de paciente que na organização patrícia do Império Romano o escravo púbere escolhido para companheiro do menino aristocrata: espécie de vítima, ao mesmo tempo em que camarada de brinquedos, em que exerciam os “ premiers génésiques” do filho-família” .
No ambiente familiar e na rua encontram-se também o bullying. Pais, tios, irmãos, colegas vizinhos cometem essa prática dia a dia. Não deixa de ser uma herança cultural.

Até pouco tempo, não concordava que pessoas com problemas mentais estudassem em escolas comuns. Contudo, percebi que estava errado. A escola que frequentei é excludente; transforma o aluno num simples número, para a estatística do desempenho do vestibular e para aumentar o seu prestígio. Estimula explicitamente e implicitamente a intolerância.

A escola deve formar cidadãos humanistas, que visam construir um mundo melhor.
FONTES:
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. Rio de Janeiro: Record, 2000


domingo, 11 de setembro de 2011

1984 de George Orwell



É meio complicado de escrever sobre um livro tão discutido e famoso. Então, prefiro desenvolver minhas impressões.

A história mostra como o Sistema esmaga o indivíduo. Winston Smith é uma pessoa comum( como nós), que tenta sobreviver no mundo em que vive. Mesmo sendo observado e controlado, deseja ser livre para exercer sua individualidade. Seu crime contra o Governo autoritário foi ter um diário e amar Júlia. Portanto, burlar o Partido, O GRANDE IRMÃO.

1984 é um livro que nunca poderá ser esquecido. É, também, uma aula sobre a História da Humanidade, apesar de ser ficção. Por isso, que em muitas passagens chega a ser assustador ao compararmos com vários episódios históricos.


O livro não tem heróis, mas Winston e Júlia que buscam a felicidade em mundo totalitário, onde só visa o coletivo, modificando constantemente a História para realização desse objetivo. 

“ Ao futuro ou ao passado, a uma época em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros e que não vivam sós- a uma época em que a verdade existir e o que foi feito não puder ser desfeito...”

Encontrei um pouco de mim nestes personagens.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CONSTRANGIMENTO





Há alguns anos uso imagens para ilustrar meus textos. No início, colocava os devidos créditos. Entretanto, existem muitas fotos que são reproduzidas em diferentes sites sem fonte e pensei que podia usá-las para acompanhar os textos produzidos por mim. Nunca disse que as imagens eram minhas e não ganho dinheiro com meus blogs. Realmente não gostaria que os outros roubassem meus textos. Nunca disse as imagens eram minhas.

Também, uso músicas nos meus vídeos do youtube e recebo a seguinte mensagem:  “Corresponde a conteúdo de terceiros... Você não deve tomar nenhuma ação. Seu vídeo ainda está disponível no mundo todo. Em alguns casos, os anúncios podem aparecer perto do vídeo.”. Logo, não são criminosos, porque não sou parceiro do youtube e os vídeos nem geram receita. E todo munda sabe que não fui eu que produzi a música.  Então, pensei que não haveria problemas.

 Hoje, quando abri a minha caixa de e-mail, vi um comentário educado que me fez pensar bastante: “Sei que é comum não se fazer referência aos autores das imagens... Mas, confesse, não custava muito, pois não? Aposto que não gostaria de ver os seus textos (de resto bem interessantes) publicados noutros blog, certo?”. Foi uma crítica construtiva que estou tentando digerir. A pessoa está certa, não posso capturar imagens e reproduzi-las no meu espaço virtual. Amadurecer é perceber que está errado e voltar atrás, não quero magoar ninguém e, se fui imprudente, desculpa. Agora, colocarei a fonte das fotos.

Estou muito envergonhado. Mas, vou tirar proveito desta situação para melhorar com indivíduo e amadurecer. Obrigado, pessoa que fez o comentário. Será sempre bem vindo aos meus espaços virtuais e pode sempre me dar um “puxão de orelha”. Em muitas ocasiões é necessário.

domingo, 4 de setembro de 2011

AMOR POR CONTRATO



Os Jones são uma família “ perfeita”.  O marido, esposa e filhos são modelos perfeitos para a sociedade rica americana. Sempre com objetos eletrônicos de última geração e roupas que ainda não foram lançadas ainda nas lojas chiques. A situação provoca a inveja dos vizinhos. Entretanto, não são uma família de verdade e sem funcionários de uma empresa, que formam uma “inovadora” estratégia de marketing, que insere falsas famílias para vender os produtos com mais sucesso.

Esta empresa não quer só vender produtos, mas transmitir um ideal de família bem sucedida americana, em que os produtos de ponta são fundamentais para confirmar os status. O filme faz uma crítica perspicaz do consumo desenfreado dos EUA que levam a falência de muitas famílias e também sobre os pacotes ideológicos que penetram na mente das pessoas e muitas vezes ninguém percebe. Este “ marketing oculto” é poderosíssimo porque adentra não somente pelo consciente, mas inconsciente também. Formam conceitos e paradigmas.

Este “ marketing oculto”  pode ser comparado com o merchandising das novelas. Os personagens mostram os produtos indiretamente, vendendo ideias e mercadorias. Portanto, em muitas ocasiões, são mais eficazes que a propaganda direta.

No caso do filme, a família inventada é muito mais cruel, porque se infiltram na realidade das pessoas, interagindo com elas e as manipulando. ***

Realmente é muito complicando refletir hoje em dia. Todos os dias somos bombardeados por imagens e informações, que não conseguimos digeri-las.  Amor por Contrato foi um bom achado no sábado à noite, pois me fez questionar muitas coisas, especialmente, meu lado consumista.

*** Todavia, não se pode apontar o lado negativo do merchandising. Nas telenovelas, o merchandising social ajuda na conscientização dos telespectadores. Questões como a Leucemia, Doenças mentais e Síndrome de Down e a tolerância com as minorias foram fundamentais para mudanças de pensamentos de muitos indivíduos. Bem, este é um tema para outro post.