domingo, 18 de setembro de 2011

BULLYING ( cronica posta no antigo blog em 27/04/2006 15:31)








Define-se como atitude agressiva, intencional e frequente, que acontecem por acaso. É uma prática adotada por grupos de estudantes contra um jovem, que sente dor e angústia. A pessoa que sofre esse tipo de tirania pode sofrer sequelas irrecuperáveis.

Essa é a definição que sempre escuto na mídia (teve, radio e Internet). Contudo, essa prática existe desde os "tempo das cavernas". É uma manifestação de poder, que tenta enquadrar os indivíduos à ideologia dominante de cada época da sociedade. Quem for diferente, sofre repetidas humilhações no seu cotidiano.

"Isto é uma multidão; é preciso força de cotovelos para romper. Não sou criança, nem idiota; vivo e só vejo de longe. Não pode imaginar. Os gênios fazem aqui dois sexos, como se fosse escola mista. Os rapazes tímidos, ingênuos, sem sangue, são dominados, festejados, pervertidos como meninas ao desamparo.". O trecho do livro O ATENEU, escrito por Raul Pompéia no final do séc. XIX ilustra como a tirania se inicia no ambiente escolar. A instituição é uma amostra da sociedade hostil, onde vivemos. É no colégio que aprendemos o egoísmo, hipocrisia, a ambição desmedida e a violência. Gilberto Freire em CASA & CASA-GRANDE E SENZALA: “ Quase todo moleque leva-pancadas se pode dizer que desempenhou entre as grandes famílias escravocratas do Brasil as mesmas funções de paciente que na organização patrícia do Império Romano o escravo púbere escolhido para companheiro do menino aristocrata: espécie de vítima, ao mesmo tempo em que camarada de brinquedos, em que exerciam os “ premiers génésiques” do filho-família” .
No ambiente familiar e na rua encontram-se também o bullying. Pais, tios, irmãos, colegas vizinhos cometem essa prática dia a dia. Não deixa de ser uma herança cultural.

Até pouco tempo, não concordava que pessoas com problemas mentais estudassem em escolas comuns. Contudo, percebi que estava errado. A escola que frequentei é excludente; transforma o aluno num simples número, para a estatística do desempenho do vestibular e para aumentar o seu prestígio. Estimula explicitamente e implicitamente a intolerância.

A escola deve formar cidadãos humanistas, que visam construir um mundo melhor.
FONTES:
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. Rio de Janeiro: Record, 2000