segunda-feira, 30 de maio de 2011

A PROCURA DE UM MESTRE


 
Por que sempre estou procurando um professor, para corrigir meus erros e dizer que tenho potencial? Não quero mais isso. Buscarei meus próprios caminhos.

 
Ninguém tem obrigação comigo, sou adulto suficiente para me corrigir, ler meus próprios textos e revisá-los sem ajuda.


Preciso ser menos impulsivo. Respirar, dando pausa aos pensamentos. Ser escritor é isso, conciliar as ideias com as palavras, transformando-as em obras de arte. Ainda sou, como escrevi inúmeras vezes, uma pessoa que só escreve.

Há certos dias, quando as ideias não chegam, os dedos ficam nervosos para digitar. Busco no deserto uma inspiração, fico ansioso de não conseguir escrever. Leio livros e vejo filmes para surgir algo, insisto...



Por fim, vou me encontrar sozinho, sem buscar desesperadamente um mestre.






“ILHA DESCONHECIDA” ( JOSÉ SARAMAGO)




O mar sempre foi considerado um mistério para o homem. Todos nós temos um dentro da gente, que é imenso e enigmático como o de fora. Como diz Fernando Pessoa: “ Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso, viver não é preciso”. No conto no meu ponto de vista mostra muito bem essa idéia. A tentativa de romper com o cotidiano, que muitas vezes não permite ver certas coisas. Sonhar é preciso, as grandes descobertas foram feitas, através de um ideal de um sonho. O conto não deixa de ser uma fábula intrigante,que leva o leitor a pensar sobre o que acontece ao redor e sobre si. É uma viagem filosófica, que evidencia as grandes questões existências humanas.

Crônica escrita em 14/05/2006


O conto: http://www.releituras.com/jsaramago_conto.asp

domingo, 29 de maio de 2011

OUTROS OLHARES

O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa
por Marcelo Spalding

 Chegou aos noticiários nacionais o dilema de cada professor de língua portuguesa: diante das novas teorias linguísticas e, em especial, da sociolinguistica, como lidar com variações como “nós pega” ou “os carro” em sala de aula? Simplesmente apontar o erro seria reforçar o que tem se chamado de preconceito linguístico, mas deixar de fazê-lo poderia colocar a disciplina num limbo perigoso onde o vale-tudo acaba com a especificidade da disciplina.
 O tema ganhou relevância graças à polêmica provocada pelo livro Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender – adotado pelo Ministério da Educação (MEC) e distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD-EJA) a 484.195 alunos de 4.236 escolas. Confira um trecho do livro, publicado pela Editora Global:
“Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?’ Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico (…) Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas.”
Professores respeitados, como Claudio Moreno, foram enfáticos na defesa do ensino do português chamado padrão, reafirmando que o papel da escola é ensinar o futuro cidadão a se utilizar da língua escrita culta, “cujas potencialidades espantosas aparecem na obra de nossos grandes autores”. Para Moreno, “os lingüistas sabem que nosso idioma é muito mais amplo do que a língua escrita culta que é ensinada na escola — mas a escola sabe, mais que os lingüistas, que essa é a língua que ela deve ensinar”.
Por outro lado, lingüistas de consistente formação acadêmica, como Pedro Garcez, reiteraram que não é uma questão de certo e errado, mas de adequação: “de certa forma, todos nós brasileiros produzimos frases com falta de concordância. Isso do nosso ponto de vista não é erro, é a linguagem natural. Esse é o português brasileiro.”, afirma o professor da UFRGS.
 Claro que a questão é mais profunda do que esses exemplos um tanto grosseiros pegos pela mídia, pois outras tantas construções corriqueiras são erradas do ponto de vista gramatical, mas continuam sendo repetidas por pessoas das mais variadas classes sociais e pela própria mídia. Exemplos? “Tu vai”, “duzentas gramas”, “Houveram momentos”, “Me empresta”, “Ele trouxe para mim ver”, “Assisti o show”, etc.
 No fundo o que está em jogo é a entrada de novos atores sociais no dia a dia da língua portuguesa, com suas influências e estilos. O paulistano usa “então” no começo de cada frase, um vício de linguagem horrível, mas nem por isso se discrimina o paulistano ou, por outro lado, se usa isso em filmes, novelas e livros didáticos. Mesma coisa o “r” carregado dos cariocas ou o “tu vai” dos gaúchos. Essas são as variações geográficas, por isso não causam tanto furor como as variações sociais, marcas linguísticas de classes ou grupos sociais específicos. Essa variação pode ser de interpretação, léxico, sintaxe e até ortografia (como os sempre criticados “vc” ou “tb” da Era Digital).
 E o professor, em sala de aula, faz o quê? Uma das formas de lidar com o problema sem encara-ló de frente tem sido concentrar o trabalho com a Língua Portuguesa em textos, evitando a normatização da gramática e da ortografia. Mas será que, afora os exageiros, não é importante que os jovens tenham um conhecimento técnico de sua língua, e não apenas intuitivo, para melhor interpretação, correção, clareza e variação na leitura e na produção textual? Não será importante, especialmente aos futuros profissionais da língua, como comunicadores, advogados, professores de todas as áreas, cientistas sociais, etc, saber onde se utiliza ou não o “a” craseado, a vírgula, a preposição antes do “que”? E não é importante que, para isso, eles saibam pelo menos o queé um sujeito, um verbo, um objeto, um adjunto adverbial? Um adjetivo, um advérbio, um substantivo, um pronome, uma preposição?
 Pode parecer espantoso, mas nem sempre eles sabem. Não com facilidade. Vejamos um exemplo bem prático do meu dia a dia em sala de aula, a frase "A expansão desenfreada da cidade é uma grande ameaça para seu desenvolvimento". Para muitos, o verbo é "expansão", o que pode causar grande confusão na hora de concordar o verbo com o sujeito e faria com que muitos escrevessem essa frase com “Há” ou “À” no lugar do “A”. Adiante, poucos percebem que “seu” é um pronome que retoma “a cidade”, ainda que um esteja no masculino e o outro no feminino.
 Claro que o mais importante não é a gramatiquice, é que nosso cidadão saiba expressar-se com coerência, coesão e, mais ainda, tenha postura crítica e ideias originais. Também é importante, entretanto, que não sejam sonegadas desse cidadão as regras sociais, incluindo aí o português padrão, pois ali adiante esse desconhecimento pode acabar excluindo, ou, pelo menos, subvalorizando pessoas de alta capacidade e que lutaram muito para reescrever seus destinos.
 O papel da escola, enfim, é apresentar e ensinar ao aluno a variante “culta” da língua: aprender ou não, interessar-se ou não por ela, é um direito do aluno, mas se ele precisar dessa variante e não conhecê-la por omissão da escola teremos praticado, sem exagero, um crime. Dos grave.

sábado, 28 de maio de 2011

NECESSIDADE FISIOLÓGICA



Concordo que tudo na vida precisa-se de regras, principalmente quando escrevemos uma redação ou uma crônica. As normas gramaticais não podem der transgredidas, pois haverá interferências na comunicação.

Não me importo de me corrigirem. Aprendo e tento não errar mais. Entretanto, reprovo totalmente o escárnio que muitos fazem quando observam um equívoco. Por exemplo, sempre são mostradas listas de “gafes” cometidos no vestibular e todos riem desbragadamente, fazendo piadas a respeito.

Isso não ajuda em nada. Por muitos anos fiquei bloqueado, tinha medo de errar. As ideias vinham, mas me sentia incapaz de concretiza-las em texto. Recordo-me de um coordenador que riu da minha cara, porque cometi um erro grosseiro ( “difício”). Realmente é inaceitável para um pré-vestibulando, porém como coordenador pedagógico poderia ter me orientado melhor, indicando-me livros...

Não quero me fazer de vítima, dizendo que sou da geração da televisão ( 70 e 80). Há escritores mais novos que possuem vasta bagagem cultural e publicaram até livros. Iniciaram na literatura desde a tenra idade e outros têm a genialidade para o ofício. Quanto a mim, comecei mais de vinte anos e, ao longo do tempo, percebi como tenho déficits adquiridos pelos anos de indiferença a tudo. Na minha adolescência sofri de uma apatia terrível, não gostava de nada e achava que não tinha capacidade.


Mas, agora, sei que escrever, para mim, é o mesmo que uma necessidade fisiológica. Continuarei a praticá-lo mesmo com os erros básicos ( uma vez no trabalho da faculdade, ao invés de escrever voz, coloquei “vos”.); persistirei. Buscarei novas leituras e treinarei nos meus blogs, onde constantemente republico os posts quantas vezes quiser.


Por isso, podem comentar e criticar à vontade. Tenho mais de trinta anos e tenho que aprender a filtrar o que é bom do ruim. Não vou mais me trancar.


CARTAS A UM JOVEM POETA








Não é um livro que aborda questões de arte, mas da vida em geral. Ao longo das cartas, percebemos como é importante fazer uma viagem para de dentro de si e aproveitar os momentos de solidão a fim de refletir o que realmente desejamos.

Um jovem Franz Kappus aspira-se a ser poeta e começa a se corresponder com Rainer Maria Rilke. No primeiro momento, o veterano poeta diz que não há formulas e que o aspirante precisa buscar seu próprio caminho. “ As coisas em geral não são tão fáceis de apreender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível, realiza-se em um espaço que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa.”

O livro faz uma reflexão sobre a arte e como não devemos nos seduzir pelos modelos prontos. A busca de construir a nossa identidade vem de muitos momentos de introspecção.

Rilke desempenhou o papel do verdadeiro mestre, fazendo o jovem poeta encontrar as próprias soluções para os problemas. Conversou de igual para igual e não lhe empurrou fórmulas prontas.




OUTROS OLHARES: "Vlogs: estilos e tendências. "

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Cronica escrita em 21/04/2004

Escrevo; Meu Deus, o computador está fazendo um barulho estranho; toca uma música da Madona que adoro, mas não sei o título, sou assim, não guardo nome de música; vários pensamentos passam por minha cabeça; o dia está nublado e abafado, estava no ônibus, queria preencher um formulário, mas não conseguia por causa das freadas do ônibus; tenho que caminhar; vou fazer concurso público; está chegando o final do ano, o tempo está passando rápido, lembro-me que quando criança, ele parecia que passava devagar; continuo a escrever, estou esperando algo acontecer; são 18:28; o barulho de novo no computador, tomara que não estrague outra vez; de novo está tocando uma música que gosto, mas não sei o nome dela e nem quem canta; quero arriscar, tudo ou nada, não quero mais me guardar, prefiro me machucar, vou tentar, não agüento ficar mais na inércia, tenho que aproveitar o restinho de juventude; em algumas ocasiões, sonho que saio da minha janela e me transformo num dragão voador; medo, quero arriscar essa palavra do meu dicionário; amanhã tenho que tirar xerox, ir para oficina de conto que estou fazendo, levo duas horas para chegar lá; estou com um conto que não me sai da cabeça, quero fazer uma paródia do livro O Retrato de Dorian Gray, o meu conto será O Retrato de Dolores Gray, que narra a história de Dolores, uma moça que nasceu com uma bunda escultural; um fotógrafo ficou tão admirado com suas nádegas que pediu à moça que deixasse tirar uma foto; no início, ela não quis, ficou com vergonha, mas a mãe incentivou: "Filha, sua bunda é linda! Não desperdice o que deus lhe deu.", Dolores sempre escutou mãe, foi um sucesso só, Dolores ficou tão admirada com sua bunda, que desejou que ela nunca ficasse velha, o tempo passou e suas nádegas continuam lindas, mas o retrato (que o fotógrafo deu especialmente para ela) a bunda era outra, totalmente muxibenta , Dolores escondeu o retrato e... aí pensarei num desfecho para essa paródia mais tarde, estou sem saco agora; são 19: 00, é Horário de Brasília, acho um saco, não posso mais ouvir música; quero continuar a escrever; quero ler de novo Sol e Aço de Yukio Mishima; adoro desenhos de mangá, tem um que não consigo esquecer: A Viagem de Chihiro; como serei daqui à vinte anos; morte, nem penso nisso, abafa o caso; está escuro, vou ligar a luz, voltei e desliguei o rádio; queria ler todos os textos dos sites literários, mas não posso, se não, a conta de telefone vem alta; a INTERNET é uma mar de possibilidades e de aprendizagem, porém, para mim, impossível aproveitá-la totalmente; fico num conflito quase existencial, me perco no emaranhado de links e sites ou economizo, para a conta não vim alta; ainda não me acostumei a ler na tela do computador e não sei sé o meu monitor, mas as letras das páginas digitais são, na maioria das vezes, muito pequenas, tenho até dor de cabeça; hoje é tudo muito rápido, meu ritmo é mais lento; parece que sempre estou em defasagem, não estou me subestimando, é meu jeito de ser; imagino imagens em minha cabeça, gostaria de ser pintor para reproduzi-las; às vezes, tudo está tão silencioso, que deitado na minha cama, só escuto as batidas do meu coração, isso me deixa um pouco agoniado, o silêncio é pra poucos; chega de escrever, se não, ninguém vai entender e nem eu mesmo; quero escrever o agora, mas não consigo, quando acabo de pensar e ao colocar no papel, já foi; erro muito escrevendo, por isso, apago o texto e escrevo de novo, fico um pouco triste de errar tanto, porém, descobri que antes da perfeição há os defeitos; ter uma opinião sobre tudo, não consigo; estou esperando, desejo que algo aconteça, lembro-me de um poema, que espelha muito bem o que sinto: O MARTÍRIO DO ARTISTA, nesse exato momento, não estou conseguindo me expressar em palavras, essa coisa que escrevo não é lógica, vem de pensamentos confusos e sentimentos conflitantes...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DEPEDÊNCIA


Odeio quando percebo que estou dependente de algo. Quando meu computador deu defeito, nessa segunda-feira, fiquei arrasado.

Não posso me sentir triste por causa de um objeto. Tudo tem solução, tenho saúde e minha família. Não posso fazer tempestade em copo d’água.

Lutar contra as pequenas obsessões do cotidiano é muito cansativo. A vida é tão mais bela, por que se preocupar com o computador e ficar que nem zumbi por causa dele? É sem sentido isso. Falo para mim mesmo: “ Aprenda a ser gente!”.




Um dia quem sabe, irei me tornar uma pessoa evoluída que não se estressa por qualquer coisa.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SOU TÃO FALHO... HUMANO



Hoje, como sempre, vi-me em pensamentos que não gosto de ter. Estava no balcão do cartório atendendo e duas pessoas viram tirar uma dúvida sobre procuração pública.

A moça que acompanhava o homem trabalhava numa empresa que o representaria na alfandega para pegar seus pertences. No desenvolver da conversa, ela disse: “ Mandaram pra gente estes papel.”. Doeu o meu ouvido na hora. Porém, depois de atendê-los, comecei a perceber que estava sendo preconceituoso com a moça por causa do erro de concordância. Quem sou eu para julgar a capacidade dela? Não sou o modelo de profissional, cometi deslizes tão desagradáveis no trabalho, que poderia ser mandado embora de mediato.

Não quero ser o tipo da pessoa que só percebe os erros dos outros e não enxerga os próprios. No trabalho e pela vida, acumulei muitos equívocos, não posso me esquecer deles. Ficar dando de virtuoso da língua portuguesa é o que não posso. Os leitores dos meus blogs sabem muito bem disso. Inclusive, no tempo da faculdade, meus trabalhos vinham recheados com tinta de caneta vermelha e observações.

Nunca devo me esquecer disso. Se não gosto de ser questionado ou detonado, por qual razão tomarei esta atitude com os outros. Sou tão falho, humano.




quarta-feira, 18 de maio de 2011

MEME



Pensava que eram só desenhos de carinhas e correntes que se espalhavam pela Internet viralmente. Mas, com o tempo, comecei a pesquisar a origem da palavra MEME.

Fui direto para a Wikipédia, pois sou uma pessoa que se aprofunda nos conhecimentos. Descobri que meme, foi um conceito utilizado em 1976 por Richard Dawkins no seu best-seller O Gene Egoísta, que significa ser um o processo de transmissão de informação de uma mente para outra, sua característica fundamental é ser propagado por imitação. A comunicação de conhecimentos e pensamentos é repassada por essa transmissão repetida, conduzindo uma maior potencialização da comunicação humana.

Nunca pude imaginar que os desenhos e as correntes que via na internet tinham uma razão de ser. O meme é um mecanismo de seleção das ideias que continuarão a serem passadas às gerações futuras. Mas, o meme usado na internet, será que terá esta importância? Ou só é um meio de conquistar mais consumidores de uma marca ou ideia?

De um lado a repetição é importante para o conhecimento, entretanto, como tudo na vida, pode ser usado para manipular as pessoas. Porque a grande questão hoje em dia, não é a informação que as pessoas absorvem, mas o tempo que possuem para assimilar o que estão sendo transmitidas a elas.

O Meme da internet como um jeito para aproximar as pessoas e para diversão é muito saudável. Agora, uma ressalva, cuidado ao imitar sem fazer uma reflexão antes, para não se tornar um autômato.

domingo, 15 de maio de 2011

PREGUIÇA


Quero ler, escrever, fazer vídeo ou arrumar o quarto. Mas, a cama me prende com suas ventosas invisíveis. Lá fora, vários ruídos invadem meu espaço, porém, estou com preguiça demais para sentir raiva. Parece que o tempo está congelado. Doce ilusão... Quer saber de uma coisa, vou deixar-me curtir este momento. Estou descansando a alma.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Idéias do canário-Machado de Assis




Hoje, li este conto e fiquei mais uma vez abismado com a sabedoria de Machado de Assis. Ele tem um conhecimento profundo da vida e passa esta sabedoria na sua literatura. 

Um homem por acaso encontra um canário numa loja de belchior, um lugar que só tem objetos velhos e sem utilidades. No meio de tanta quinquilharia, ele encontrou um canário cheio de vida numa velha gaiola.

A partir do encontro do homem com o pássaro, Machado mostra questões filosóficas e existenciais do ser. O homem ficou surpreso, quando o canário disse que seu mundo era: “O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.”. Então, ele comprou o canário, para estudá-lo e mostrar para a ave outras definições de mundo.

Machado reafirma mais uma vez sua maestria, quando o homem ficou doente, o canário fugiu e não quis voltar para o seu dono, pois se admirou com uma nova concepção de mundo. O animal superou seu mestre, fazendo sua própria escolha.

O conto evidencia como a concepção de mundo se relaciona com o lugar onde a pessoa vive, quanto mais conhecemos mais a gente enxerga outras possibilidades. No primeiro momento, o canário estava satisfeito numa gaiola nova; em seguida, na casa do novo dono: “um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto.”. Depois, “espaço infinito e azul, com o sol por cima.”.

Neste conto, o autor usa a ironia para criticar a sociedade e, principalmente, os intelectuais empolados e vazios da época. Tem um trecho que o canário diz para o homem que o comprou que ilustra a crítica do Machado de Assis: “— Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.”.

Enfim, vale a pena ler o conto e tirar suas próprias conclusões. Machado de Assis é daquele tipo de escritor que ensina bastante sobre a vida.



domingo, 8 de maio de 2011

FILME ANTICRISTRO




Ps:Não sou estudioso da área, mas esta cena fará parte da História do Cinema. Bem... isso é tão óbvio como dizer que a água é molhada.


FILME ANTICRISTRO
Casal assolado com a morte do único filho muda-se para uma casa no meio da floresta( que se chama Edén) para superar a perda. Mas, o questionamento do marido, psicanalista, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desenrola uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. Os resultados dessa investigação psicológica são as piores possíveis. A história divide-se em um prólogo, quatro capítulos e um epílogo.
 O filme é perturbador, porque mostra como somos sombrios e faz uma viagem aos sentimentos e os mitos que estão adormecidos em nosso consciente. Somos feras, que machucadas podemos cometer barbaridades.
A floresta Éden é o inverso do paraíso narrado na bíblia: agressiva, perturbadora e caótica. No filme, vemos outros significados sobre a floresta.
“A floresta possui uma grande conexão como simbolismo da mãe, pois é o lugar onde a vida deriva. Entretanto, pode também ser vista como um contraste da cidade e do conforto do lar. " a floresta ancora todos os tipos de perigos e demônios, inimigos e doenças"- Zimmer em Cirlot (112). é o lar dos fora-da-lei. Desde que ela está fora da área cultivada, também pode estar fora da razão e do intelecto.”(http://www.salves.com.br/dicsimb/dicsimbolon/floresta.htm)
Esta citação ilustra o conflito dos protagonistas. O marido, um terapeuta, utiliza-se de seus conhecimentos acadêmicos para ajudar a mulher deprimida. Mas, ela está caótica e este caos o vai dominado aos poucos.
Bem, o filme tem vários pontos de vista e significações. Precisa ser visto outras vezes, porque há nele várias camadas.       
 Só sei que depois de assisti-lo, os pensamentos ficaram rodopiando minha cabeça.
Outros textos sobre o filme:






terça-feira, 3 de maio de 2011

SER DISTRAÍDO




Significa, para muitos, relaxamento e falta de consideração. Como sou desligado, sofri muitas críticas e fui acusado de não me importar com o outro. Inclusive, a pessoa distraída perde a credibilidade. Quando acontece de uma porta amanhecer aberta, com certeza será acusada.

Estou tentando mudar, mas, às vezes, algo me escapa e não consigo finalizar cem por cento. Preciso me concentrar em uma atividade para depois fazer outra, senão fico atrapalhado. Se uma pessoa perguntar ou pedir algo e eu não faço, não é por má vontade, mas é que estou compenetrado numa tarefa.

Errar por distração gera culpas terríveis, principalmente quando prejudica alguém. Já passei por momentos que cometi um erro e sem querer atrapalhei os outros. Fiquei arrasado e com vontade de sumir do mapa.

Além de cometer gafes terríveis, escrevi no blog agora pouco "embernar" ao invés de hibernar. Logo, passei por imbecil na Internet. Quem me corrigiu foi uma amiga: “Hibernava Dudu!”. Escreverei várias vezes hibernava, hibernava, hibernava para não mais esquecer.

Mas, ser adulto é administrar perdas e ganhos. Também, usar as cicatrizes como paradigmas para não cometer mais equívocos e nem permitir que se transformem em monstros, que nos apavoram através de pesadelos.