quinta-feira, 26 de maio de 2011

Cronica escrita em 21/04/2004

Escrevo; Meu Deus, o computador está fazendo um barulho estranho; toca uma música da Madona que adoro, mas não sei o título, sou assim, não guardo nome de música; vários pensamentos passam por minha cabeça; o dia está nublado e abafado, estava no ônibus, queria preencher um formulário, mas não conseguia por causa das freadas do ônibus; tenho que caminhar; vou fazer concurso público; está chegando o final do ano, o tempo está passando rápido, lembro-me que quando criança, ele parecia que passava devagar; continuo a escrever, estou esperando algo acontecer; são 18:28; o barulho de novo no computador, tomara que não estrague outra vez; de novo está tocando uma música que gosto, mas não sei o nome dela e nem quem canta; quero arriscar, tudo ou nada, não quero mais me guardar, prefiro me machucar, vou tentar, não agüento ficar mais na inércia, tenho que aproveitar o restinho de juventude; em algumas ocasiões, sonho que saio da minha janela e me transformo num dragão voador; medo, quero arriscar essa palavra do meu dicionário; amanhã tenho que tirar xerox, ir para oficina de conto que estou fazendo, levo duas horas para chegar lá; estou com um conto que não me sai da cabeça, quero fazer uma paródia do livro O Retrato de Dorian Gray, o meu conto será O Retrato de Dolores Gray, que narra a história de Dolores, uma moça que nasceu com uma bunda escultural; um fotógrafo ficou tão admirado com suas nádegas que pediu à moça que deixasse tirar uma foto; no início, ela não quis, ficou com vergonha, mas a mãe incentivou: "Filha, sua bunda é linda! Não desperdice o que deus lhe deu.", Dolores sempre escutou mãe, foi um sucesso só, Dolores ficou tão admirada com sua bunda, que desejou que ela nunca ficasse velha, o tempo passou e suas nádegas continuam lindas, mas o retrato (que o fotógrafo deu especialmente para ela) a bunda era outra, totalmente muxibenta , Dolores escondeu o retrato e... aí pensarei num desfecho para essa paródia mais tarde, estou sem saco agora; são 19: 00, é Horário de Brasília, acho um saco, não posso mais ouvir música; quero continuar a escrever; quero ler de novo Sol e Aço de Yukio Mishima; adoro desenhos de mangá, tem um que não consigo esquecer: A Viagem de Chihiro; como serei daqui à vinte anos; morte, nem penso nisso, abafa o caso; está escuro, vou ligar a luz, voltei e desliguei o rádio; queria ler todos os textos dos sites literários, mas não posso, se não, a conta de telefone vem alta; a INTERNET é uma mar de possibilidades e de aprendizagem, porém, para mim, impossível aproveitá-la totalmente; fico num conflito quase existencial, me perco no emaranhado de links e sites ou economizo, para a conta não vim alta; ainda não me acostumei a ler na tela do computador e não sei sé o meu monitor, mas as letras das páginas digitais são, na maioria das vezes, muito pequenas, tenho até dor de cabeça; hoje é tudo muito rápido, meu ritmo é mais lento; parece que sempre estou em defasagem, não estou me subestimando, é meu jeito de ser; imagino imagens em minha cabeça, gostaria de ser pintor para reproduzi-las; às vezes, tudo está tão silencioso, que deitado na minha cama, só escuto as batidas do meu coração, isso me deixa um pouco agoniado, o silêncio é pra poucos; chega de escrever, se não, ninguém vai entender e nem eu mesmo; quero escrever o agora, mas não consigo, quando acabo de pensar e ao colocar no papel, já foi; erro muito escrevendo, por isso, apago o texto e escrevo de novo, fico um pouco triste de errar tanto, porém, descobri que antes da perfeição há os defeitos; ter uma opinião sobre tudo, não consigo; estou esperando, desejo que algo aconteça, lembro-me de um poema, que espelha muito bem o que sinto: O MARTÍRIO DO ARTISTA, nesse exato momento, não estou conseguindo me expressar em palavras, essa coisa que escrevo não é lógica, vem de pensamentos confusos e sentimentos conflitantes...