sábado, 29 de janeiro de 2011

CONTRADITÓRIO


Eu me sinto assim toda hora. Não quero ter preconceitos e me percebo tendo vários pensamentos e ideias conservadoras. Desejo viver em plena liberdade, mas adoro conforto e nem me consigo imaginar fazendo necessidades fisiológicas no mato.
Sou tolo, pois tropeço na minha hipocrisia de achar que sou diferente dos demais. Entretanto, nunca desistirei de arrancar dentro de mim preconceitos e a falta de ética que assolam o meu país por gerações. 
Observo as pessoas ao redor e elas sempre tropeçam no próprio ego. Não quero isto para mim. Sou um indivíduo somente e que tenta ser alguém melhor.
Não serei mentiroso de dizer que não ligo para conforto, mas ao longo da minha vida procuro algo mais que posição social. Estou à espera de uma revelação.
Nem estou parado, caminho na busca de me realizar em todos os sentidos.

texto antigo: “As meninas” de Lygia de Fagundes Telles

Por uma indicação de uma querida professora comprei este livro para ler. Da autora li o conto fantástico As Formigas e A disciplina do amor. O livro é classificado como de contos, porém encontrei alguns. Os outros pareciam fragmentos de memórias e de pensamentos anotados em um caderno que ora parece um mosaico ora uma colcha de retalhos.

O romance As Meninas conta a história de três jovens que vivem num período conturbado de descobertas e repressão. Lião ativista política, luta contra a ditadura militar. Ana Clara, viciada, vive a ter alucinações. Lorena, irônica é, para mim, a mais enigmática das três. Aparenta ser uma estudante universitária dondoca, fútil e alienada, mas no decorrer da história, mostra sua personalidade complexa. Viviam num pensionato de freiras.

A narrativa é em primeira pessoa, as personagens narram seus pensamentos, desejos, delírios e o ponto de vista que uma tem da outra. Logo, esta estrutura narrativa produz um clima intimista, que muitas vezes constrói imagens insólitas ou fantásticas. “O tecido assim criado de presenças, esperanças, sonhos e frustrações, todo esse tecido com seus objetos e bichos é que encanta, atormenta e arrebata porque é esse o pungente universo de As meninas e dos leitores de Lygia Fagundes Telles.” ( Paulo Emílio Salles Gomes). O consciente e inconsciente estão o tempo todo em conflito e impulsionando a história.

O romance também tem características realistas. Mostra problemas, conflitos de uma geração que viveu numa ditadura, repressão sexual e familiar. O ano de publicação dele foi em 1973. A década de 70 foi considerada a dos “anos de chumbo” e do desbunde, apologia à liberdade sexual e ao uso das drogas. Tanto os hippies, quanto os estudantes revolucionários socialistas, detonavam a família, a moral e os bons costumes.

As protagonistas assimilaram de jeitos diferentes estes ideais novos e libertários. Ana Clara, para se esquecer do seu passado problemático, se entregou às drogas; Lião, à luta contra a ditadura e Lorena envolve-se com um homem casado, mas ainda é virgem. Fica submersa em vários conflitos emocionais e psíquicos, apesar de sua aparência serena.

Tive a impressão que o romance deixa muitas coisas em aberto, para o leitor viajar. Eu viajei bastante na maionese...


Publicado no blog:
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domingo, 23 de janeiro de 2011

LUGAR COMUM
Um dos grandes problemas quando resolvo escrever uma crônica é o tema. Como posso desenvolver meus textos de uma forma original?
Por exemplo, as enchentes e deslizamentos de terra que acontecem todos os anos no verão. A ordem do discurso remete às palavras chaves especulação imobiliária, politicagem e falta de planejamento urbano. Em qualquer parte, todos falarão as mesmas palavras e sem querer repetirei a mesma coisa.
Como já sabem, não sou um bom cronista. Aliás, já escrevi isso nos meus primeiros posts. Não consigo dar um traço bacana nas minhas crônicas e elas acabam um amontoado de palavras vomitadas no blog. E não tenho uma gama de assuntos atraentes para argumentar. Tenho a sensação que estou sempre me repetindo ou andando em círculos.
Também, dizer o que todo mundo já sabe, não vale a pena e o silêncio, pode ser uma maneira de protesto num mundo que é imperado pelo barulho.
Outra dificuldade que tenho é o desfecho da crônica. Não sei como vou terminá-la. Fico pensando e reescrevendo. Na realidade, penso que o motivo de não conseguir acabar é porque o texto ainda não está pronto. Está verde ainda.
Terminarei por aqui. Um dia, concluo...
Encontrei um belo texto que define de uma maneira lírica a crônica e que concordo bastante. Parece que foi escrito por Eça de Queirós:
O Valor da Crónica de Jornal

A crónica é como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um serão ao braseiro, ou como no Verão, no campo, quando o ar está triste. Ela sabe anedotas, segredos, histórias de amor, crimes terríveis; espreita, porque não lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a crónica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facécias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o pé da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espírito, pela beleza, pela mocidade; ela não tem opiniões, não sabe do resto do jornal; está nas suas colunas contando, rindo, pairando; não tem a voz grossa da política, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.
A crónica é como estes rapazes que não têm morada sua e que vivem no quarto dos amigos, que entram com um cheiro de Primavera, alegres, folgazões, dançando, que nos abraçam, que nos empurram, que nos falam de tudo, que se apropriam do nosso papel, do nosso colarinho, da nossa navalha de barba, que nos maçam, que nos fatigam... e que, quando se vão embora, nos deixam cheios de saudades.

Eça de Queirós, in 'Distrito de Évor

sábado, 22 de janeiro de 2011

ÀS VEZES


"É uma grande conquista aprender manejar a própria vida." (L. Martinez)



Acho a minha vida um saco, quero desaparecer. Há manhãs que preciso achar forças para me levantar da cama. Então começo a colocar na balança minhas escolhas e experiências. Percebo que reclamo de barriga cheia.


O desejo de mudar de vida é fundamental para o crescimento profissional e pessoal, mas a vontade constante de começar do zero leva a pessoa semear vento e colher tempestade.


Conciliar as obrigações e os sonhos é bastante difícil. Sou adulto e tenho responsabilidades. Entretanto, não posso afogar a minha outra parte. Preciso sobreviver e sonhar.



 Tomarei rédea de minha vida para administrar a dosagem de quanto adentro nesses dois lados que fazem parte da minha identidade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

BUSCA DA FORMA





Escrevo, publico, erro; escrevo de novo. Não vou desistir, continuarei tentando. Conseguirei esculpir meu texto e os leitores terão prazer de lê-lo.

Sempre me pergunto qual tipo de texto que quero fazer? Desejo desenvolvê-lo de uma forma simples, sem ser simplório e complexo, mas não de difícil entendimento. Almejo que meus textos sejam pontes para outros conhecimentos e que se tornem um bom entretenimento para as pessoas.

Tenho muitas ideias e minhas mãos não as acompanham. Consequentemente, muitos escritos que produzo ficam truncados e erros ortográficos e gramaticais. Mas, sempre estou reescrevendo e publicando no blog. Não terei vergonha de expor meus enganos e tropeços.

Entretanto, não serei ridículo. Tenho a consciência que tenho muito caminho a percorrer.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Por que escrevo?




Sempre faço esta pergunta e cada vez mais tenho a certeza:
·      para me salvar de mim mesmo.
·      uma forma de respirar.
·      uma âncora que não me deixa à deriva na tormenta

Ao longo do tempo, surgirão outras razões. A única certeza que possuo é que continuarei a escrever até o último suspiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Amigo cotidiano,


Tenho consciência que às vezes sou injusto com você. Mas, sei que preciso de você para domar meu lado selvagem. Não desista de mim, apesar dos meus xingamentos.

Devo confessar que em várias ocasiões, você me inspirou algumas histórias. Não é tão sem graça assim, pode servir como inspiração também.

Publicado no blog: http://dudv-descarrego.blogspot.com/