quarta-feira, 29 de junho de 2016

INTERPRETAÇÕES



Quero desaprender
 quero esquecer tudo
vivo em um mundo
onde todos sabem muito
 onde todos sabem tudo
como amar
como viver
 como sonhar
chegou a hora de desaprender
esquecer 
ver o deslumbramento surgir
ver a vida dançar com meus olhos
como se fosse a primeira vez... (Zack Magiezi)


Sites do autor

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https://twitter.com/zackmagiezi

segunda-feira, 27 de junho de 2016

MERAMENTE EU





Fiquei meio encucado de falar sobre isto, mas, abordarei a questão não por sensacionalismo ou porque quero ganhar alguma coisa, não sou escritor ou jornalista. Sou aquele que escreve.

Em 1992, fui reprovado e fiquei arrasado, achando-me os piores dos piores. Passei o natal e meu aniversário( 27 de dezembro) com vergonha sobre o que amigos e familiares iriam comentar. Naquele tempo, não conhecia o botão do FODA-SE e me importava muito com a opinião dos outros.

 Na manhã seguinte do meu aniversário(28 de dezembro), ouvi um burburinho em casa. O clima estava pesado e fui ver o que era. Minha irmã do meio e minha mãe de olhos arregalados me disseram: “ Mataram Daniella Perez”. 

 Fiquei sem ação, pela primeira vez, presenciei um fato de uma atriz morrer assassinada atuando numa novela. Aí, veio um pensamento mesquinho que me envergonho: “Estou vivo!”. 

 Sou humano, horas. Tenho o lado bom e o mau, que vivem em conflito em mim. Ao mesmo tempo em que me sentia melhor por não ter morrido daquela forma ( só repeti o ano), fiquei com remorso de experimentar este sentimento não nobre, precisava ser solidário. É a questão de empatia, o que aconteceu com a atriz pode acontecer comigo ou com meus familiares, vivemos em um mundo tão violento.

 O pessoal de casa só falava disto e assistia todos os noticiários da tevê. Com o passar do tempo, o crime foi solucionado e os assassinos presos. Até hoje, não sei o motivo de eles terem cometido este crime horrendo. Bem, talvez não haja. O homem é absurdamente cruel e mesquinho muitas vezes, pratica o mal banalmente. 

Quanto a mim, tenho a esperança de me tornar um ser mais evoluído e nem ficar com a consciência pesada.

***

sexta-feira, 24 de junho de 2016

SINOPSE REPROVADA DE UMA TELENOVELA

O VENDEDOR DE PASSADOS


Imagem encontrada no google

Nesta semana, assisti ao filme que conta a história de um cara que inventa um passado para as pessoas que não gostam muito dos seus. Não quero falar do filme em si, mas da reflexão que eu tive ao vê-lo.

Será que se deve acreditar em tudo que dizem, ou em documentos e fotos? Será que a História com seus monumentos e museus inventa uma memória, de certa maneira? O que de fato aconteceu? E se uma mentira legitimada juridicamente e através do tempo possui o poder de se tornar verdade? Quantos heróis históricos foram construídos ao longo do tempo com propaganda e trilha sonora?

 Em muitas ocasiões, a realidade humana se confunde com a verdade e a mentira. Logo, precisa-se estar atento para não acreditar em castelos encantados de areia. 

Hoje em dia, principalmente, em relação ao culto a imagem, vive-se numa superficialidade da máscara. 

 Será que somos o que pensamentos ser? Ou na verdade inventamos e editamos nossa vida de acordo com nossos interesses. 

E você? É tudo o que diz ser?

domingo, 19 de junho de 2016

PHOENIX


Sobrevivente de um campo de concentração nazista, Nelly Lenz ficou desfigurada enquanto esteve presa. Irreconhecível após uma cirurgia de reconstrução, vaga pela Berlim em ruínas a procurar de Johnny, seu marido. Encontra-o trabalhando na boate Phoenix, que permanece em atividade após o término da Segunda Guerra Mundial, mas o esposo não a reconhece. De olho na herança da esposa, Johnny a chama para participar de um golpe de transformá-la em Nelly. Logo, ela de depara com a verdade de que o marido esteve envolvido em sua prisão.

Sem identidade, rosto destruído, o amor perdido e um enorme vazio de significados, Nelly deseja se reencontrar no passado e, inclusive, através das lembranças do marido. O filme mostra o pós-guerra de como os sobreviventes ficaram perdidos por terem seus bens materiais e os entes queridos tirados à força só porque eram de uma cultura ou religião diferente. Não tinham cometido crime algum, não fizeram por merecer. Logo, evidencia-se como a vida é absurda e neste turbilhão a protagonista como outras vítimas tentam resgatar a memória nos destroços da cidade. Entretanto, o mundo que viviam não existe mais. Precisam construir o presente e pensar no futuro. Mas como? Se os mortos sempre assombram as lembranças e os sonhos, pois muitos não conseguiram se despedir e nem tiveram a oportunidade passar pelo luto tranquilamente. 

Nelly não consegue seguir em frente, precisa passar a limpo seu passado e relacionamento com o marido. Neste processo dolorido, ela consegue renascer das cinzas e pelo menos perceber que o sol ainda lhe brilha.

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Baseado no romance "Le Retour des Cendres", de Hubert Monteilhet

sábado, 11 de junho de 2016

A PESTE DE ALBERT CAMUS




“O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.” Albert Camus

 Neste romance, Camus aborda o absurdo novamente como em O Estrangeiro e O Mito de Sísifo. O absurdo como uma razão lúcida que constata os limites do homem em relação à vida. Além da falta de significado da vida, quando se depara com uma situação inusitada como a morte, a guerra ou a peste. Para o homem absurdo, já não se trata de explicar e resolver, mas experimentar e descrever. Ele quer viver o absurdo da vida sem perder tempo de ficar explicando e criando teorias.

A história é um relato sobre a invasão da peste sobre uma cidade. O narrador é também um personagem que só será revelado no final. Ao longo das páginas, narra-se o cotidiano do povo da cidade com o avanço da peste. Não há heróis, pelo contrário, pessoas comuns tentam sobreviver aos acontecimentos trágicos e até ajudarem na medida do possível. A peste veio de repente e não há explicações concretas e os personagens principais nem tentam especular através da religião ou da ciência. Vivem um dia de cada vez sem procurar significados e fazem o que podem. Há uma citação de Camus que explicita muito bem este contexto: "Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado." Autor - Camus , Albert.

O romance é um ensaio que expõe a alma humana, principalmente, nos momentos de crise em que o cotidiano fica suspenso e não se sabe o que acontecerá. E apesar disso, viver a vida, mesmo que seu mundo e verdades foram destruídos perante aos seus olhos. 

Na verdade, sempre pode acontecer algo inusitado que não se planejou. O homem absurdo tentará se adaptar às condições imprevisíveis e tentará conviver com as adversidades. Portanto, não adiante querer ser um super-homem e sim perceber que é limitado e precisa tentar habituar-se a isto.