domingo, 26 de janeiro de 2014

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO – J. D. SALINGER (1951)




É um livro interessante por mostrar como o ser humano  é contraditório.  O protagonista de dezesseis Holden Caulfield, apesar de aparentar indiferente a tudo e a todos, inclusive um crítico super debochado, intolerante e ferrenho da sociedade em que vivia, não deixava de ser sensível principalmente com o irmão morto e sua irmã mais nova.

Expulso da última escola, vagava pela cidade em busca de algo ou de sua própria identidade. Encontra as pessoas, mas continuava só. Não conseguia interpretar felicidade. Mesmo andando em bandos desde o início dos tempos, o ser humano tem uma solidão secreta que só ele tem acesso. Holden experimentou essa sensação ao limite, como se estivesse à beira do abismo.

O que ele queria? Era simplesmente avesso aos valores do lugar em que pertencia. Tudo era estranho para ele, como se fosse um estrangeiro.

Ficava com as garotas e as respeitava quando elas diziam não, diferente de muitos meninos e só ficava com meninas que gostava, não “ ficava por ficar.”. Quando um amigo pediu para fazer uma redação descritiva, escreveu sobre luva de baseball do irmão e este colocava poemas na luva e foi rechaçado pelo colega por sempre fazer esquesitices.  A preocupação que tinha com os patos, quando era inverno e a paciência com a irmã mais nova.  Entretanto, era melancolia, vivia fumando, bebendo e falando palavrões. Em alguns momentos chegava ser indiferente aos acontecimentos considerados importantes para ele e registrava o que achava importante, de um jeito peculiar.

Quando o protagonista foi para casa, escondido dos pais, ele queria falar com a irmã. Ela ao descobrir que foi expulso, perguntou o que ele gostava de fazer realmente e o que queria ser na vida.
Então, veio a explicação do título:

“- Você conhece aquela cantiga: "Se alguém agarra alguém atravessando o campo de centeio"? Eu queria...
- A cantiga é "Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio"! - ela disse. - É dum poema do Robert Burns.
- Eu sei que é dum poema do Robert Burns.
Mas ela tinha razão. É mesmo "Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio". Mas eu  não sabia direito.
- Pensei que era "Se alguém agarra alguém" - falei. - Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice."

Pelo que compreendi, Holden tinha o desejo de proteger as crianças do abismo da vida. Salvá-las da mediocridade de uma sociedade que só almeja ter e não ser. Até protegê-las da morte, como aconteceu com o irmão que faleceu de leucemia.

Mas, o tempo vem e precisamos crescer. O desejo de Holden é impossível. Para sobreviver no nosso mundo, precisamos trabalhar e seguir regras. Só se a pessoa for viver em lugar, onde haja uma cultura muito diferente. 

Enfim, muitos têm o direito de não gostar do livro, porém não podem dizer que é uma história atemporal sobre os dilemas de conciliar os sonhos e as obrigações do cotidiano.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lá vai...




Sou aquele que sempre repete o mesmo assunto.
Escreve sempre errado e deleta, postando de novo nas redes sociais.
Faz vídeos toscos, sentindo-se um máximo.
Enfim, sou aquele à procura de algo, que não sabe o que é.
Aliás, já falei sobre isso várias vezes.
Outra coisa... Minha mente viaja, mas tenho os pés enraizados no chão.
Sou de uma simplicidade caótica, contraditória e quieta.


sábado, 18 de janeiro de 2014

INSTANTE VAZIO


A MINISSÉRIE AMORES ROUBADOS



A Globo tem muitos defeitos, mas algumas vezes produz algumas pérolas. Nem isso, pode se dizer das outras emissoras abertas.

minissérie narra a história de personagens ambíguos e que se perdem no labirinto dos desejos, da ambição e a ira.

    Leandro é um sedutor, mas existe um motivo de ser assim. Sua mãe era prostituta e ele começou a ter uma visão meio deturpada das mulheres, considerava-as como peça do um jogo. Depois, mudou de ideia quando conheceu Antônia.

Antônia apesar de aparentar ser uma jovem moderna, possui a fragilidade das jovens dos tempos passados. Quer se livrar do domínio do pai, porém não desenvolve nenhum projeto para se libertar. Vive de sonho.

Isabel, mãe de Antônia, é depressiva. Envolve-se com Leandro, por que é emocionalmente despedaçada. É assim, principalmente,  por não ter o apoio necessário do marido, Jaime.

Jaime é o “coronel” que administra uma vinícola no meio do Sertão. Apesar de sua dureza, ama sua família. Não consegue transmitir o afeto, por causa do ego de ser a pessoa mais poderosa da região. Sempre está com o rosto fechado, porém com os olhos marejados. 

Celeste, a primeira amante de Leandro na história, é uma mulher fogosa e esposa de um homem rico. Ela trai o marido, mas tem repulsa por ele, pelo contrário.

 Cavalcanti, marido de Celeste, é um homem bem sucedido e bom com a esposa. Ao saber da traição, bate na mulher, mas, depois a perdoa. Vive o conflito de manter sua honra de macho e o amor pela mulher.

Carolina, mãe de Leandro, foi prostituta e, apesar das diferenças com o filho, gosta muito dele. Tem a fisionomia dura, embora use roupas decotadas.

João é o braço direito de Jaime. Parece ser uma sombra e espiona a todos. Morre de inveja de Leandro. É ambicioso, mas no fundo gosta de Antônia, mesmo que a considera uma oportunidade para ser o sucessor de Jaime.


A série mostrou um Nordeste moderno e rico se contrapondo com outro já conhecido: Maltratado pela seca e pelo poder tradicional local, o coronelismo. E esse paradoxo se espelha no comportamento dos personagens, deixando o enredo rico.

Confesso que me decepcionei com o final. Talvez, estivesse com muita expectativa. Lógico que a minissérie teve pontos altos e baixos, mas na média foi muito bem produzida.

Realmente, para mim, foi uma grata surpresa.



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

FATO TRISTE PARA NOSSA EDUCAÇÃO



Soube a notícia do descredenciamento da Faculdade Gama Filho e Centro Universitárioda Cidade (mantidas pela Galileo Educacional) do MEC. O que será dos alunos dessas Instituições que investiram o que podiam e não para realizar um sonho?

Segundo o Ministério da Educação, o descredenciamento foi devido à baixa qualidade acadêmica, a situação econômico-financeira da mantenedora das instituições e a ausência de um plano viável para superar o problema, além do mais o aumento da precarização da oferta da educação superior.

Todos os alunos deverão ser transferidos para outras faculdades. Em até cinco dias, serão publicados editais de transferência assistida dos alunos matriculados nos cursos da Gama Filho e da UniverCidade. 

Ninguém pode brincar com os sentimentos alheios. Tudo bem que o lucro é importante para o mundo no qual vivemos, mas, as Instituições de Ensino precisam dar exemplo e ética, já que formam os profissionais do futuro. Estou muito triste e espero que o MEC tome uma atitude sábia, para que não se jogue na lata de lixo os ideais de ninguém. Será que é assim que a Humanidade continuará a caminhar?


domingo, 12 de janeiro de 2014

Preciosidade, conto de Clarice Lispector



Narra a história de uma adolescente comum, que apesar de seu cotidiano de estudante, possuía algo intocado e misterioso, tornando-a preciosa:

“De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos.
Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso com uma jóia. Ela.”

   A jovem de quinze anos não queria ser observada, desejava manter sua preciosidade intacta, inclusive dos olhares masculinos. É a princesa de seu mundo interior, apesar das transformações de seu corpo que gritava nela, deixando-a desajeitada. Sentia-se feia, apesar de ser valiosa.

Um dia, quando saiu para ir à escola algo aconteceu. Dois rapazes a agarraram:

 " (..) foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada,"  

Este acontecimento inusitado provocou-lhe uma revelação:
“Estou sozinha no mundo! Nunca ninguém vai me ajudar, nunca ninguém vai me amar! Estou sozinha no mundo!”

Na verdade, percebeu-se que não era mais uma menina e que já estava crescida. Portanto deveria ser comportar com uma mulher.

Os contos de Clarice sempre mergulham no interior da individualidade de seus personagens. Esse conto diz tanta coisa. 

Quem, quando adolescente, não se achou precioso ou preciosa e depois com as pancadas da vida, viu-se adulto e sozinho para resolver os problemas.

Os rapazes que a agarraram fizeram rachar o ovo em que ela estava e, agora, precisava alçar voo, mesmo que fosse árduo e dolorido.

Quando se torna adulto, nosso castelo de areia se esvai e precisamos sobreviver ao mundo, que muitas vezes é hostil.
***
O conto pertence ao livro Laços de Família