domingo, 18 de setembro de 2016

MEIA-NOITE EM PARIS DE WOODY ALLEN



Começando com minha impressão subjetiva e insignificante... Assim, reconheço o talento de Woody Allen, inteligência e cultura, mas, dos filmes que assisti não consegui ver estrelinhas. Já sentiram isto, assistir ou ler alguma coisa e compreender um talento, só que não consegue se emocionar?

Quando assisti no Netflix, Meia-noite em Paris, consegui me comover e a ver estrelinhas bem brilhantes. Justamente porque a borda a questão do tempo e do olhar que cada um tem sobre um tema ou assunto. Curioso, que tinha listado há muito tempo o filme para assistir e tinha sumido da minha lista. Aí, neste final de semana, retornou. 

A história do filme é sobre um cara que não quer mais escrever roteiros e almeja elaborar um romance profundo como seus ídolos do passado. É um crítico da sua época, porque acha tudo muito “fast-food”. Sua noiva é uma dondoca e não o apoia. Um dia, andando pelas ruas de Paris, encontra um carro antigo e que o leva à Paris dos anos vinte do século XX. Encontrou autores que o influenciou e tem a convicção que encontrou seu paraíso. Todavia, ao logo dos acontecimentos, percebe que esta fuga para o passado é uma idealização, a qual comum em todas as épocas. 

 É normal se encantar com fotos antigas e artistas de outros tempos. Adoraria tomar um chá com Machado de Assis e Clarice Lispector, por exemplo. Porém, a imagem que construí deles são realmente o que são ou os transformei em meus personagens? Os registros biográficos e históricos são versões diversas que se juntam para elucidar sobre um fato ou alguém. 

Por fim, o filme faz uma reflexão poética e bem humorada sobre o mundo em que vivemos e a vida vivida sempre será imperfeita em qualquer tempo. E que em cada época terá a fuga para um passado.

*** 

Um pensamento breve que me ocorreu e que não tem muito a ver com o filme. Fugir da vida não é construtivo, muito pelo contrário. Agora, viajar um pouco na imaginação para espairecer e depois retornar é uma ótima terapia. Sem imaginação e lirismo, as pessoas se tornam doentes.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Não sou contra reformas...

Sei que são necessárias devido ao crescimento e o envelhecimento da população brasileira, mas, o que me preocupa são os INTERESSES dos poderosos que num estão em comunhão com a do povo. 

O que me preocupa na flexibilização das leis trabalhistas e as mudanças da previdência é transformar o trabalhador em escravo. Por exemplo, já ouvi barbaridades sobre empresas de telemarketing em que a carga horária é de seis horas, o salário e os benefícios são reduzidos, além, de os empregados serem massacrados por seus superiores e só poder ir ao banheiro cinco minutos. Justamente, estas firmas multinacionais vão para os lugares mais pobres para poder explorar a mão de obra com o intuito de ter mais lucro. Por isso, que tenho receio desta história de flexibilizar para geração de empregos, os quais são fantasias para ocultar a escravidão. 

 Como sempre, a nossa elite( estou falando da elite MESMO, não da classe média deslumbrada que pensa ser elite, ok) está dando um bote e estou temeroso. Sou pobre e assalariado, logo, qualquer mudança na minha aposentadoria ou direitos trabalhistas pode me prejudicar bastante.

Nosso país é carente de tudo, não precisa ser especialista para perceber isto. O povo brasileiro se equilibra no fio da navalha. Ainda, planejam cortar mais o quê? Será que se fizer um ajuste nos salários dos juízes, deputados e senadores, poderá melhorar na economia da Administração Pública? Sei lá, diminuir os auxílios. Tem tanta gente que reclama do bolsa família. Esse pessoal que citei antes nem é carente e possui muito mais ajuda.

 Enfim, não sou capitalista e nem socialista. Só almejo o justo para os brasileiros. Não merecemos sermos usados pelos poderosos que se consideram Deuses porque têm dinheiro, imunidade parlamentar, foro privilegiado ou o prestígio de ser magistrado de qualquer instância. 

 Uma observação, eu tenho ciência que na nossa bandeira não existe a cor vermelha. Adoro suas cores genuínas, só fico encucado com a frase “Ordem e Progresso”. 

Pois, questiono-me: - Para quem? Outro porém... Como já escrevi por aqui, a existência humana é muito complexa para o maniqueísmo pobre de mocinhos e bandidos, a partir do prisma de cada um. Tanto a direita como a esquerda precisam rever seus conceitos!

sábado, 3 de setembro de 2016

PETER PAN

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Assisti na tevê a notícia de que a polícia desmantelou uma rede de pedófilos. Eles compartilhavam por meio da internet, materiais de pornografia infantil. Parabéns para a polícia, mostra que a instituição tem inteligência e não só truculência. Mas, o que me intrigou foi o título da operação: "Peter Pan". Comecei a pensar sobre este fato. 

Antes de qualquer coisa, respeito às inúmeras interpretações, pois, ajudam na construção do conhecimento. Agora, o que me preocupa é certa interpretação se tornar um rótulo, causando a restrição do saber. Peter Pan morava na terra do nunca e era líder dos meninos perdidos. Tudo bem que se pode interpretar a história como o medo das pessoas envelhecerem, almejando sempre ser jovens. Contudo, não se pode levar pelo lado patológico. Há o lirismo da imaginação. Inclusive, a criança que existe dentro da gente nunca morre e se manifesta nos sonhos e na curiosidade de sempre conhecer algo novo. 

 Na realidade, não existe este esquema certo de criança, adulto e velho. Ao longo do tempo, estes estágios se misturam. Quem nunca fez algo imaturo? Ou se sentiu velho demais, mesmo não sendo idoso? 

Retornando ao assunto, viajei um pouco. O que me preocupa é tornar uma interpretação psicológica quase um clichê, por exemplo, colocar o personagem Peter Pan como uma síndrome, que ocorre em pessoas mentalmente dementes. Este conceito começou a ter força com o polêmico Michael Jackson, o artista fez até sua Terra do Nunca, chamando crianças para passar um período com ele em seu reino. Apesar das excentricidades do artista, nunca houve provas concretas que abusou sexualmente de alguns meninos em sua propriedade. 

Por fim, Michael Jackson foi uma pessoa com problemas emocionais, mentais e psíquicos devido a sua trajetória, ainda o relacionamento tumultuoso com pai. Nunca, até então, provou-se ser criminoso.  Enfim, o que quero dizer, cuidado de rotular características humanas a partir de " clichês psicológicos". 

A natureza humana é diversa de singularidades.


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Mais um mico na minha vasta coleção. Antes tinha escrito Maicon Jackson. Ainda bem que uma amiga deu-me um toque. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ALGUNS PONTOS INTERESSANTES DO LIVRO DRÁCULA DE BRAM STOKER


Meu objetivo, não é fazer o resumo do livro, já que existe um vasto material, inclusive, na Internet. Levantarei algumas questões, as quais considerei relevantes.

Narrativa polifônica, o romance em forma epistolar, dá voz às várias personagens. Além de notícias de jornais e telegramas. Não há o depoimento do Conde Drácula. Assim sendo, o eleitor possui a liberdade de interpretar como quiser quem foi este terrível personagem, o qual se transformou nessa criatura das trevas.

A história se inicia, ao mostrar como o castelo em uma remota zona da Transilvânia é diferente da Inglaterra, onde a paisagem e as pessoas são exóticas, selvagens e muito supersticiosas. Percebe-se a dicotomia entre a civilização e Barbárie. 

 O romance foi escrito em 1897 e o auto por meio dos diários e notícias de jornais, expõe como a Inglaterra, também, os países da Europa Ocidental, viviam em pleno vapor da modernidade. As inovações tecnológicas ajudaram no combate da maldição do Drácula como, por exemplo, o telegrama, as notícias de jornais e o aparelho onógrafo, inventado em 1877 por Thomas Edison para a gravação e reprodução de sons através de um cilindro e a máquina de escrever. Ao pesquisar a ocasião que a história foi desenvolvida, descobri que se relaciona à era Vitoriana no Reino Unido. Foi o período do “reinado pela rainha Vitória, em meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901. Este foi uma longa temporada de prosperidade e paz para o povo britânico, com os lucros adquiridos a partir da expansão do Império Britânico no exterior, bem como o auge e consolidação da Revolução Industrial e o surgimento de novas invenções. Isso permitiu que uma grande e educada classe média se desenvolvesse.”

Reuniram tudo e organizaram a informação e o conhecimento para lutar contra o mal iminente. O método e a disciplina inglesa e da Europa Ocidental venceram o caos demoníaco e repulsivo do Conde Drácula, o qual é descrito como um ser não evoluído, com um cérebro de criança e que fez pacto com Demônio para se tornar um monstro. Há a construção do outro, o inimigo como exótico, amaldiçoado, terrível, um parasita e arquétipo do mau. Observação! Recorto a imagem construída do vampiro no romance, visto que o mito deste ser das trevas é bem vasto e de origens diversas. O autor Bram Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros, a partir de suas análises construiu o seu personagem vampiresco. 

Diferente da imagem glamorosa dos vampiros de hoje em dia, que são bonzinhos-belos-depilados-fazendo-biquinho. O contexto de agora é bem diferente daquela época. Atualmente há uma valorização cada vez maior da estética da juventude. Mas, na época em que o livro foi escrito, havia a religião de a alma ser salva e não vagar pelas madrugadas como um não morto, vivendo a danação eterna. 

Não se pode se esquecer da crítica que o livro faz do pensamento cético por meio do personagem Van Helsing, o qual como homem da ciência, para combater o mal antigo, saiu da sua zona de conforto e se utilizou dos conhecimentos antigos e supersticiosos. Os outros personagens, no início ficaram perplexos, pois, viviam na Inglaterra no auge da modernidade e da religião protestante, que crê só na palavra e não em crucifixo e superstições.

 Há a construção da imagem da mulher que evidencia os valores vigentes do final do século retrasado. As mulheres eram tuteladas pelos homens por serem fracas e influenciáveis. As vampiras são voluptuosas demais. Elas são noivas de Drácula completamente opostas aos valores vitorianos, utilizam-se da sedução para conseguir seus objetivos de sugar sangue. Explicitam o desejo e gozam despudoramente.

A melhorzinha descrita no livro é Mina, representa a moral vitoriana, ajuda seu marido a prosperar! Religiosa e respeita o marido e o casamento. Faz sexo só para procriar e satisfazer o esposo. Além de ser uma excelente dona de casa, recatada e do lar, consegue ser inteligente “como o homem” e ajudou como secretária na organização dos relatos, com a finalidade de descobrir o ponto fraco de Drácula. Até eu quis uma Mina para mim.

 Enfim, é uma história que ainda dá muito caldo para pensar sobre os mistérios deste mundo, principalmente, em relação ao ser humano. Por que os vampiros são presentes no nosso imaginário? Será que o ser humano possui características vampíricas? Como o fato de almejar a hegemonia e se perpetuar através da infelicidade do outro? O que o Drácula queria, muitos de nós desejam tão quanto? 

O bicho homem sempre brincando em ser Deus e até flertando com o diabo para conseguir.