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Algumas questões

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Surgiu uma conversa sobre um "fato" de que a maioria dos assaltantes é negro ou pardo. Apesar de este pressuposto ser preconceituoso, há certos aspectos que precisam ser discutidos. 
Ao observar um pouco mais atentamente, percebe-se que as classes mais ricas a maioria é branca. Por motivos históricos e sociais, os negros estão na base da pirâmide. Lógico que não se pode generalizar, mas, pela probabilidade, os ladrões brancos estão roubando na política, no judiciário e nas redes internacionais de tráfico de drogas. Fazem as leis para benefício próprio.
Agora, lógico que não se deve cair num maniqueísmo estereotipado de os negros e pardos são os injustiçados e os brancos, vilões. Na formação de um indivíduo, existem combinações aleatórias de fatores internos e externos. Nem todos que vivem em lugares pobres e violentos seguirão uma vida de crime.
Entretanto, está ideia de que o indivíduo pode tudo e se não conseguiu é exclusivamente culpa dela, favorece o pensamento conservador …

Orlando de Virgínia Woolf

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O que faria se fosse dormir homem e acordasse mulher ou vice-versa? Teria medo? Aproveitaria para explorar seu novo corpo? Encararia como uma travessia para o autoconhecimento?
No romance, narra a história inusitada de Orlando, um homem que acorda mulher um dia. A partir desta transformação, o(a) personagem encontra sua individualidade, livrando-se das máscaras sociais as quais sufocam o verdadeiro eu. Ao decorrer da história, deixa de ser um mimado nobre e vai se transformando, através dos séculos, em um indivíduo mais completo.
A história reflete sobre os arquétipos masculinos e femininos, como, por exemplo, o homem pertence aos status e a tradição, enquanto a mulher, a natureza. 
Faz pensar que independente dos gêneros, podemos viver na autenticidade e não ficarmos nas convenções sociais seculares.
A narrativa é bem acessível, a narradora desenvolve como se fosse uma biografia de Orlando. Há passagens irônicas que de alguma forma questionam certos comportamentos em regras sociais.

Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Três etapas da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do crime e das drogas. O protagonista é um jovem negro, pobre e gay. A mãe tem problemas com drogas e sofre bullying na escola. O único que tenta ajudar é um traficante de origem cubana. 
O que achei interessante no filme, não foi a história em si, mas como ela foi contatada. Por exemplo, a delicadeza de como se tratou as cenas, sem buscar imagens apelativas de sexo e violência. A trilha sonora é linda, além da fotografia e a interpretação dos atores.
A narrativa tinha tudo para ser um filme violento e pesado. Os temas como preconceito, pobreza e marginalidade já foram discutidos em vários filmes, entretanto, Moonlight projetou um olhar novo em relação a esses temas.
Desde novo, Chiron é calado e por meio de seus silêncios percebe-se seu desespero de não encontrar seu lugar no mundo. Vaga por aí a procurar de …

Passeio ao Farol de Virginia Woolf

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O que dizer sobre o livro? Não quero enganar a mim mesmo, copiando e adaptando com minhas palavras resumos sobre o romance encontrados na internet. Confesso, que já fiz isso várias vezes, sou um farsante... Mas, só me engano.
Nesse livro como em As ondas( da mesma autora), a narrativa revela as várias camadas dos personagens, por isso, aproxima-se da realidade. Diferentes vozes e pensamentos profundos ecoam pelas páginas, expondo como as pessoas são muito mais do que aparentam. 
Nos dois romances não há descrição dos personagens, pelo contrário, por meio de monólogos interiores, faz-se uma viagem nos pensamentos e devaneios mais densos de cada um. 
Apesar da minha falta de cultura e ficar à deriva no romance, o que gostei de ler Ao Farol foi sair da zona de conforto e encarar meus pensamentos mais profundos. 
 Nada é tão simples como parece. Sempre há tormentas e abismos em uma paisagem aparentemente tranquila.

Hamlet de William Shakespeare

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Neste sábado, conseguimos ver a peça. Na semana retrasada, eu e minhas companheiras de passeio não conseguimos, os ingressos estavam esgotados. Não ficamos decepcionados, pois  assistimos ao espetáculo na Boca do Cão.
Esta adaptação de Hamlet é interativa e uso recursos visuais modernos, aproximando-se do público contemporâneo. Os atores saem do palco e vão ao público e achei isto bem bacana, porque não há uma divisão transparente entre o palco e o público. Bem, eu gosto desta atualizada, porque a plateia do século XVII não é a mesma do século XXII.
Os intérpretes atuaram visceralmente, inclusive, a atriz que interpreta Hamlet. Ela mostrou todo o conflito do personagem de ser ou não ser e vingar a morte suspeita do pai. 
Depois do espetáculo, comecei a pensar como a peça é tão forte e ultrapassa o tempo. Tantas adaptações desde sua primeira (1609). De repente, lembrei-me de uma crônica de Clarice Lispector, que aborda sobre o filme de Bergman( Persona). Há uma citação que adaptei para os…

O pequeno príncipe

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Por esses dias, assisti a um filme de 2015 que se inspirava na história original do "principezinho" que morava em um asteroide 612. Depois de vê-lo resolvi baixar o livro e percebi como uma boa história faz refletir sobre a sociedade, independente do gênero literário. Inclusive, é uma bobagem ter preconceito em relação a qualquer estilo.
No filme, uma menina encontra o excêntrico Aviador, que a introduz ao mágico mundo do Pequeno Príncipe. Antes, ela só queria saber de estudar e seguir os passos da mãe metódica e trabalhadora. 
Um fato que achei interessante é que a casa do aviador era cheia de vegetação e de passarinhos, diferente das outras casas da vizinhança, homogêneas e cimentadas. A partir daí o desenho capta a essência do livro de como à medida que se cresce, não se dá importância "as pequenas coisas", a fim de correr na busca de prestígio e grana.
 Nunca deve esquecer-se do nosso lado criança, caso contrário, tudo se torna chato e cinzento demais. Precisa-se…

NA BOCA CÃO

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Primeiro de tudo, confesso minha ignorância em relação ao teatro que se se produz atualmente. Principalmente, produções que não tem artistas muito “famosos” da televisão. Desde pequeno, sempre fui ligado em novelas, filmes e quando me tornei adulto, comecei a me interessar por literatura e outras artes. 
 Quando cheguei ao CCBB  do Rio  de Janeiro, eu e minhas companheiras de passeio queríamos assistir a versão da peça Hamlet, já conhecíamos mais ou menos a história. Inclusive, vi umas duas versões cinematográficas. 
Os ingressos se esgotaram e decidimos de momento comprar os tickets de outra peça, que era uma ópera contemporânea. Concluímos experimentar e saltar no escuro. Por que não? Se não gostássemos, beleza, pelo menos, sairíamos da zona de conforto. Ainda mais, que ópera me remetia àquelas exibições que os artistas cantavam em italiano e com cenários de épocas antigas. Pelo visto, mostrei como tenho uma vasta cultura que se resume a vários clichês... (Bem, abafa o caso.)
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