quarta-feira, 27 de abril de 2011

"O livro dos Abraços" Eduardo Galeano




"Não nos provoca o riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntarmo-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce."

Este pequeno texto ilustra o livro de Eduardo Galeano: O LIVRO DOS ABRAÇOS.

O autor ao narrar vários fragmentos, mostra como a América Latina é um colcha de retalhos e que mesmo os países destes continentes não sejam tão amigos, há as pequenas mortes que os ligam em vários momentos históricos, políticos e sociais. “Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por encontrar-nos e acabando conosco nos principia.”.

Galeano em suas andanças, testemunha várias histórias e experiências e tecendo-os mostra como pequenos momentos são importantes para delinear a vida a história de um continente tão vasto. A História Oficial não dá conta da realidade, muitas vezes, “causos” e a memória de um homem comum ajudam a nos conhecer melhor.

Escrito em 01/05/2009

sábado, 23 de abril de 2011

ATIRE NO PIANISTA DE DAVID GOODIS






Eddie é um pianista, que só tocar sua música, mas, ao mesmo tempo tem um lado selvagem e sofredor. Ao longo da história ele quer viver num mundo a parte, onde só exista o vazio e a música. Porém o passado bate à sua porta.
Um irmão bandido vai ao seu encontro no bar, onde toca. Eddie não quer entrar em confusão, porém ele se emaranha nos problemas e o seu passado surge das profundezas da memória. Também, o amor retorna na sua vida, a garçonete Lena quer ajuda-lo a superar seus problemas. Aliá, Lena é uma personagem enigmática, não se sabe sua origem.
O escritor norte americano David Goodis(  1917-1967) é considerado um dos mestres da literatura noir. Ele mergulha no sofrimento dos excluídos, marginais que constituem o lado obscuro do “sonho americano”. Gosto mais deste tipo de literatura, porque não é só um romance policial ou suspense, mas mostra a angústia e os problemas psicológicos dos indivíduos.
 Por isso a palavra francesa noir conceitua muito bem este gênero literário:  adj+n 1 negro, preto. 2 escuro. 3 obscuro, sombrio. 4 fam bêbado. c'est écrit noir sur blanc é preto no branco, é incontestável. il fait noir está escuro (noite). magie noire magia negra. roman, film noir romance, filme sombrio, mórbido.
Os personagens não são heróis, mas conflitantes e que podem cometer enganos ou atrocidades de repente. O personagen Eddie é capaz de construir e destruir ao mesmo tempo e tem a consciência disso. Ao longo do romance, luta consigo mesmo para que seu lado selvagem não o domine e que a música sempre seja seu porto seguro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

REBELDE


Sou uma rocha que aparentemente nunca muda, mas se modifica com o tempo, o vento e a água da chuva. Ando em descompasso com a velocidade voraz da sociedade em que vivo. Descobri-me rebelde, não tinha consciência disso. Passei pela vida alheio a tudo, não por ter manias de grandeza e sim por ser uma peça singular do imenso quebra-cabeça, que é a vida. Enfim, continuo minha travessia para me encontrar.

domingo, 17 de abril de 2011

MINHAS DISTRAÇÕES QUE QUEIMAM MEU FILME


Caraca! Depois de dois anos, descobri que engoli o n do sentimento do título do vídeo. Sou muito distraído. Mas, nunca é tarde corrigir nossos erros e tentar melhorar cada vez mais.







sábado, 9 de abril de 2011

CAOS

Todos nós temos um dentro da gente. Há momentos, que o desejo destruir é mais atraente do que almejar construir algo. Entretanto, o que diferencia as pessoas normais e dos “loucos”, é a capacidade de construir barreiras para que o poder de destruição não transborde e arrase tudo.

Na realidade somos diversos e precisamos administrar nossas várias faces. É complicado, há momentos que eu quero explodir, mas penso nas consequências. Chego à conclusão que não vale a pena.
A pessoa esquizofrênica é partida em vários fragmentos e vive em outras realidades. Mas, ela não é uma louca desvairada, muitos delírios se baseiam na realidade das pessoas normais. Logo, como a sociedade pode está influenciando ou ajudando no agravamento dessas pessoas partidas?

O que aconteceu na última quinta-feira foi mais um alerta que precisamos rever a educação. Há necessidade de enfocar os sentimentos e como devemos lidar com eles. Por que o que adiante ter conhecimento convencional, se o indivíduo é um monstro emocional.

Indicarei um filme que será muito importante para refletimos como devemos nos voltar aos sentimentos: "Onde vivem os monstros", até escrevi sobre ele aqui no blog.

Max, um garoto problemático e não consegue lidar com seus sentimentos. Depois de ter raiva da mãe que leva um namorado para casa e a distância da irmã mais velha, o menino se traveste de lobo e briga com a mãe, fugindo de casa em seguida. No meio da mata, encontra um barco e, à deriva, chega a uma ilha estranha, cheia de monstros. O filme faz uma travessia dos sentimentos humanos, apesar de serem considerados infantis, muitos adultos irão se identificar com muitas passagens do longa metragem.


domingo, 3 de abril de 2011

MACACOS ME MORDAM




Os bons livros apesar da forma e do gênero possuem a essência da boa literatura. O livro MACACOS ME MORDAM é um livro infantil que a minha irmã leu para filha e me emprestou, pois achou interessante principalmente para os adultos.

O autor utiliza as lendas folclóricas para contar as aventuras do macaco malicioso e esperto, que sempre dá volta na onça. O macaco não é um herói dos clássicos dos contos de fadas: forte, viril e valente. Pelo contrário, ele usa a astúcia para se defender da onça. A mensagem das seis histórias mostra que a inteligência supera a força.

O que achei interessante é que usando a estrutura da fábula, o livro descreve a luta da sobrevivência dos homens. Nós não temos força bruta como os elefantes, leões entre outros, mas temos inteligência que faz a gente se adaptar na adversidade. O macaco da história é o reflexo do homem.
Através a esperteza, queremos driblar a força da natureza e dos Deuses. Somos atrevidos e construímos artifícios para suprir a falta de força bruta.

Realmente, o livro me fez viajar e a refletir muito sobre a condição humana e a nossa relação com o meio ambiente. Mesmo que o texto seja escrito para crianças, os adultos aprenderão muito. Porque a verdadeira literatura não é segmentada, ela essencialmente una.