terça-feira, 31 de julho de 2012

ÊXTASE



Calor. Bexiga transbordando. Garganta seca. Ao chegar, vou direto ao banheiro; vejo a potência da minha urina sobre a água da privada, depois, bebo dois copos de água super gelada. Deito na cama e ventilador me refresca. Estou em arrebatado.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

momento







Há momentos que sempre nos perguntamos se poderíamos ser felizes em outras realidades. Como, por exemplo, morar no campo. A visão romântica de uma casinha no meio da natureza é muito idealizada e complicada de se concretizar, principalmente, para uma pessoa urbana como a mim, que adora as comodidades da cidade urbana. 

Entretanto sair um pouco do turbilhão da metrópole e observar o vento balançar as folhas das árvores é muito relaxante. 

Por isso, deve-se curtir os momentos sem pensar muito e se integrar como um elemento da natureza num breve intervalo.

sábado, 28 de julho de 2012

ANOTAÇÕES EFÊMERAS EM SALA DE AULA (2007)

"Inveja... O professor da especialização tem um caderno grande de capa dura. Nele, há anotações do plano de sua aula sem rasuras; as folhas não são pautadas e as letras estão alinhadíssimas. Como queria ter esta organização, teria uma vida mais produtiva. O meu quarto é a materialização dos meus pensamentos: livros espalhados, folhas avulsas em todos os cantos e uma imensidão infinita de poeira. Nunca tive aula com um professor tão disciplinado, geralmente, os outros levavam anotações soltas com garranchos rasurados. Inveja... Morri. Voltei. Continuo.”

terça-feira, 24 de julho de 2012

"A DIFÍCIL ARTE DE AMAR"

Estou com preguiça, mas escreverei sobre o vídeo há pouco.

É o seguinte, sempre me recordo com o episódio do rei Salomão, quando deu a sentença de partir a criança ao meio para acabar com a disputa das mães. Então uma das mulheres gritou para entregar o filho para outra e Salomão decidiu que ela era a mão verdadeira.

Comecei a pensar que esta história ilustra uma bela forma de amar. Ela renunciou por amor, mesmo que ficasse distante do filho. 

Muitas vezes, o amor é confundido com posse e obsessão. As pessoas acham que o outro é um pertence como uma casa ou carro.  Mas, como dizem por aí: “ Ninguém é de ninguém.”. Amor não é dominação, mas compartilhar.

Todavia, qual é a forma certa para amar? Não existe uma resposta pronta. Pelo contrário, há um labirinto de subjetividades e relativismos.

Recordo-me que sempre gostei de um título de um filme “ A DIFÍCIL ARTE DE AMAR”( É uma tradução, não sei se no título original em Inglês é assim.), pois reflete minha ideia de como é complicado achar o jeito certo de amar. 

Não desejar mudar o outro pelo seu bel prazer e não esperar demais da pessoa amada, causando sofrimentos para ambos os lados. 

Repetindo a pergunta: Qual é a forma certa para amar? Sabe... Poderia continuar a escrever várias coisas, mas seriam palavras óbvias e que todo mundo já ouviu na vida. Então, caros leitores, passo a bola para vocês responder essa pergunta em particular. 

Eu, já estou ensaiando algumas coisas...


crônica antiga 13/06/2009


ENCRUZILHADA


Escrevi sobre um assunto que estava certo de meus argumentos. Porém, uma pessoa questionou e fiquei inseguro.

Na realidade, as reflexões que tive foram baseadas nas lembranças um pouco apagadas dos textos de faculdade e, talvez, até os interpretei errado. Preciso checar as informações antes, para fundamentar minhas ideias; entretanto, caro leitor, como já disse várias vezes: não escrevo, vomito. Realmente, chega a ser contraditório; tenho a pretensão de ser escritor o qual precisa pensar BASTANTE, antes de propagar os seus argumentos.

Ao mesmo tempo, tenho receio de se passar por uma pessoa fraca, que entrega os pontos facilmente. É complicado encontrar o equilíbrio e não cair no lado dos medrosos ou dos teimosos que chegam a ser burros em persistir no equívoco. Por enquanto, prefiro o silêncio e não me expor ao ridículo.

Curioso, acho que já elaborei um post sobre isto. Sinto cheiro de "Déjà Vu".

domingo, 22 de julho de 2012

outros olhares




Intimidade


Edla van Steen




Para mim esta é a melhor hora do dia — Ema disse, voltando do quarto dos meninos. — Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada.


— Só que já é noite — a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista.


Ema agachou-se para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão.


— É força de expressão, sua boba. O dia acaba quando eu vou dormir,


isto é, o dia tem vinte e quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? — descobriu um sapato sob a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou o par embaixo dos outros móveis. — Não sei por que a empregada não reúne essas coisas antes de ir se deitar — empilhou os objetos no degrau da escada. — Afinal, é paga para isso, não acha?
— Às vezes é útil a gente fechar os olhos e fingir que não está notando os defeitos. Ela é boa babá, o que é mais importante.


Ema concordou. Era bom ter uma amiga tão experiente. Nem precisa ser da mesma idade — deixou-se cair no sofá — Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. A semelhança física teria contribuído para o perfeito entendimento? "Imaginava que fossem irmãs", muitos diziam, o que sempre causava satisfação.


— O que está se passando nessa cabecinha? — Bárbara estranhou a amiga, só doente pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos cinza, azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje? — inclinou-se — estão cinza.


Ema aprumou o corpo.


— Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a idéia — pegou o isqueiro e acendeu dois cigarros, dando um a Ema, que agradeceu com o gesto habitual: aproximou o dedo indicador dos lábios e soltou um beijo no ar.


— As crianças brigariam o tempo todo.


Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais.


— Pelo menos podíamos morar mais perto, então.


Ema terminava o cigarro, que preguiça. Se o marido estivesse em casa seria obrigada a assistir à televisão, porque ele mal chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem múmia diante do aparelho — levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de limonada. Por que todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz alta.


— Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de como se modificam as personalidades longe dos pais.


No momento em que Ema depositava o refresco na mesa, ouviu-se um estalo.


— Porcaria, meu sutiã arrebentou.


— A alça?


— Deve ter sido o fecho — ergueu a blusa — veja.


Bárbara fez várias tentativas para fechá-lo.


— Não dá, quebrou pra valer.


Ema serviu a limonada. Depois, passou a mão pelo busto.


— Você acha que eu tenho seio demais?


— Claro que não. Os meus são maiores...


— Está brincando — Ema sorriu e bebeu o suco em goles curtos, ininterruptos.


— Duvida? Pode medir...


— De sutiã não vale — argumentou. — Vamos lá em cima. A gente se despe e compara — aproveitou a subida para recolher a desordem empilhada. Fazia questão de manter a casa impecável. Bárbara pensou que a amiga talvez tivesse um pouco de neurose com arrumação.


Ema acendeu a luz do quarto.


— Comprou lençóis novos?


— Mamãe mandou de presente. Chegaram ontem. Esqueci de contar. Não são lindos?


— São.


— A velha tem gosto — Ema disse, enquanto se despia em frente ao espelho. Bárbara imitou-a.


É muito bonita — Ema reconheceu. Cintura fina, pele sedosa, busto rosado e um dorso infantil. Porém, ela não perdia em atributos, igualmente favorecida pela sorte. Louras e esguias, seriam modelos fotográficos, o que entendessem, em se tratando de usar o corpo — não é, Bárbara?


— Decididamente perdi o campeonato. Em matéria de tamanho os seus seios são maiores do que os meus — a outra admitiu, confrontando.


Carinhosa, Ema acariciou as costas da amiga, que sentiu um arrepio.


— O que não significa nada, de acordo? — deu-lhe um beijo.


— Credo, Ema, suas mãos estão geladas e com este calor...


— É má circulação.


— Coitadinha — Bárbara esfregou-as vigorosamente. — Você precisa fazer massagens e exercícios, assim — abria e fechava os dedos, esticando e contraindo na palma. — Experimente.


Eram tão raros os instantes de intimidade e tão bons. Conversaram sobre as crianças, os maridos, os filmes da semana. Davam-se maravilhosamente — Bárbara suspirou e se dirigiu à janela: viu telhados escuros e misteriosos. Ela adoraria ser invisível para entrar em todas as casas e devassar aquelas vidas estranhas. Costumava diminuir a marcha do carro nos pontos de ônibus e tentar adivinhar segredos nos rostos vagos das filas. Isso acontecia nos seus dias de tristeza. Alguma coisa em algum lugar, que ela nem suspeitava o que fosse, provocava nela uma sensação de tristeza inexplicável. Igual à que sente agora. Uma tristeza delicada, de quem está de luto. Por quê?


— Que horas são? — Ema escovava o cabelo.


— Imagine, onze horas. Tenho que sair correndo.


— Que pena. Não sei por que fui pensar em hora. Fique mais um pouco.


— É tarde, Ema. Tchau. Não precisa descer.


— Ora, Bárbara... deixa disso — levou a amiga até o portão.


— Boa noite, querida. Durma bem.


— Até amanhã.


Ema examinou atentamente a sala, a conferir, pela última vez, a arrumação geral. Reparou na bandeja esquecida sobre a mesa, mas não se incomodou. Queria um minutinho de... ela apreciava tanto a casa prestes a adormecer — apagou as luzes. A noite estava clara, cor de madrugada pensou, sentando no sofá. Um sentimento de liberdade interior brotava naquele silêncio. Um sentimento místico, meio alvoroçado, de alguém que, de repente, descobrisse que sabe voar. Por quê?




Edla van Steen nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 1936. Seu pai era belga e cônsul-honorário naquela cidade. Tem 25 livros publicados, entre contos, romances, entrevistas, peças de teatro, livros de arte.  A escritora é casada com o historiador e crítico teatral Sábato Magaldi.


INTERVALO/ CRÔNICA ANTIGA




POSSE

 Estava na casa do minha tia V. Antes, todos nós fomos almoçar num lugar bem agradável. Comemos bastante e o sono bateu à porta dos meus pais; a minha sobrinha ficou desenhando na sala, tia V assistia tevê na sala do e eu navegava na INTERNET. Quando ia desligar o computador, V pediu para ler um conto, que acabara de fazer. Li e adorei. De repente, um sentimento de posse aflorou em meus pensamentos; queria ter escrito esse conto. Fico com vergonha de desejar algo alheio, mas antes do homem existe a besta e mesmo que nos consideremos evoluídos há resíduos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Filme O Artista e O Conto Um Artista da Fome






Ao assisti-lo comecei a pensar sobre a relação da arte e  a identidade existencial do artista. O personagem Valentim, um astro do cinema mudo, fica relutante com o surgimento do cinema falado.

Ele poderia simplesmente migrar para a nova forma de fazer cinema, junto com seu novo amor Peppy Miller( que será a estrela do cinema falado ao decorrer dos anos). Mas, Valentim tem tezão pelo fazer cinema não falado e a interpretação teatral e circense que os filmes deste gênero possuem.

Lógico que a fama e o sucesso o envaideciam, contudo, não era só isso. Sua arte não era só uma questão de sobrevivência e sim uma forma de viver.

Não pude fazer uma comparação com o conto Um artista da Fome de Kafka que narra a história de um homem que passa longos períodos de jejum numa jaula e fazia muito sucesso com as pessoas. Ao contrário de Valentim que era divertido e expansivo, era introspectivo, mas, sua arte representava sua identidade e seu ser angustiante. Portanto, apesar de diferentes eles se assemelham na visão sobre a arte como forma de manifestação de suas respectivas existências.

O Artista é uma história mais leve que o conto. Mas, não pude de deixar de fazer analogias. Ao longo do filme, perguntava-me o porquê de tanto Valentim não querer fazer o cinema falado.
Era supertalentoso como Chaplin que atuou neste “novo gênero” de cinema. Foi ao fundo do poço, como o artista da fome, por não aceitar as mudanças. No conto, o artista da fome morreu esquecido, ninguém mais queria assistir seu jejum.

Não sou especialista em Kafka, porém acho interessante a forma como aborda a modernidade, principalmente, como a nossa sociedade descarta as pessoas quando não servem mais ao sistema.

No filme, os produtores reverenciavam Valentim na época do auge do cinema mudo. Quando veio os filmes falados descartaram-no que nem barata, lembrando Metamorfose de Kafka.

Como já disse, a película é mais sublime e como foi feito lembra os filmes mudos de antigamente. Valentim acha seu lugar no novo mundo.

Enfim, a arte como identidade e existência são muito forte em muitos artistas. Não se pode entender os motivos que uma artista insiste numa atividade que não é lucrativa e obsoleta. É que as pessoas comuns pensam o lado prático da via e coloca a arte com um trabalho qualquer.

Entretanto, para muitos, é uma forma de respirar e sem isso morrem.

domingo, 15 de julho de 2012

O LOBO DA ESTEPE de Herman Hesse




Terminei de ler o livro e fiquei a pensar como começaria a escrever sobre ele. É um tipo de história que tira do eixo, sabe?

O Lobo da Estepe é a história de um intelectual de cinquenta anos que vive em na turbulenta década de 1920. Depois, de abandonar a vida burguesa, se entrega à vida boêmia dos bares, dos salões de dança onde aprende o jazz. 

Harry Halle é um cara em conflito. Avesso à sua sociedade. Ao longo do livro, faz uma viagem interna e sua essência é revelada. Na realidade, seu eu é fragmentado e existe diversos Harry dentro dele. A narrativa mostra como somos contraditórios por causa disso.  O protagonista apesar de detestar a burguesia, continuar a viver em seu meio. 

 Nas caminhadas de Harry, encontra o Tratado que mostra sua vida conflituosa.   

  “O Tratado do Lobo da Estepe e Hermínia tinham razão em sua teoria das mil almas; amiúde surgiam em mim, junto a todas as antigas, algumas novas almas, com suas pretensões, alvoroçadas, e agora via claramente, como um quadro posto diante de mim, o processo de minha personalidade até então. As poucas habilidades e matérias em que eu casualmente era forte haviam ocupado toda a minha atenção, e eu pintara de mim a imagem de uma pessoa que não passava de um estudioso e refinado especialista em poesia, música e filosofia; e como tal  tinha vivido, deixando o resto de mim mesmo ser um caos de potencialidades, instintos e impulsos que me pareciam um transtorno e por isso os encobria com o nome de Lobo da Estepe.”  ( página 131)

Antes ele acreditava ter dupla personalidade: O lobo da estepe e ele. Mas, descobre ter mil almas, mesmo que se sinta atraído pelos dois polos, percebe um infinito de instintos e pensamentos que atuam sobre ele, concebendo diversas personalidades, que seu ego não consegue conter. 

A personagem Hermínia é muito curiosa. No momento que ele a conheceu, lembrou-se do amigo de infância Herman, que tem o mesmo nome do escritor do romance. Ela o entende muito bem e apresenta Pablo, um músico e Maria.

Hermínia pretende fazer Harry aprender a dançar e ser menos triste. O protagonista encontra um pouco de felicidade. Inclusive, o livro tem uma discussão entre a Alta Cultura e a cultura pop da época como o Jazz. Harry aprecia os artistas imortais( seus grandes poetas e músicos - Goethe e Mozart) , enquanto as novas obras e os novos meios de comunicação, vulgares que não faz ninguém refletir. 

Logo, no meio dessa viagem vertiginosa de conhecer o caos interno do seu ser. Encontra O TEATRO MÁGICO ( feito para poucos, como dizia mais ou menos na instrução), onde se depara com um espelho que o leva a outras realidades e a pluralidade de suas personalidades. Curioso, nessa parte, não pude fazer referência ao conto de Borges, Aleph: Trecho de Aleph, livro de Borges.

 "[ ...} vi a circulação do meu sangue escuro, vi a engrenagem do amor e a transformação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a Terra, e na Terra outra vez o Aleph e no Aleph a Terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto, e senti vertigem e chorei, porque meus olhos tinham visto aquele objeto secreto e conjectural cujo o nome os homens usurparam mas que nenhum homem contemplou: o inconcebível universo."( "O Aleph")

O romance apesar de várias passagens pessimistas deixa uma mensagem positiva: Precisa-se compreender a diversidade que está na gente. Não adianta empurra para o tapete suas contradições, precisa saber administrar as personas e os eus que residem na gente. Para isso, precisa sonhar e ter fantasia e brincar de interpretas no Teatro Mágico da vida. E o protagonista encontra um equilíbrio para administrar essas personas.



Porém, este universo do O Lobo da Estepe é microscópico, pois se refere às várias almas ou eus que há dentro de cada ser. 



Fonte:

http://resumos.netsaber.com.br/ver_resumo_c_2425.html

sábado, 14 de julho de 2012

PARECE QUE TUDO SE DILUIRÁ NO AR( Crônica antiga)





 A professora da faculdade me emprestou uma monografia, para eu ver como se escreve. Quando comecei a ler, algo chamou a minha atenção: “construção do conceito de infância”. Lembrei-me que sempre escutei na faculdade, que a nossa realidade é construída por nós mesmos. Criança, mulher, biografia e a minha identidade não passam de conceitos formados a partir de um grupo social. Por coincidência, estava a ler A PAIXÃO SEGUNDO G. H.( Clarice Lispector) que discutia a dialética da vida humanizada X o vivo. A personagem se transporta ao mundo vivo que antecede ao humanizado, quando viu a massa branca da barata morta. Fico inseguro; tudo que conheço parece ser frágil e que se diluirá no ar. Queria tanto acreditar nas verdades absolutas, é tão mais cômodo.

terça-feira, 10 de julho de 2012




TROPEÇOS (NOVA VERSÃO)

 A cada tropeço um pensamento vai embora. O pé ao encontro de uma pedra, lá vai outro pensamento fugindo para outras bandas. Quando chega a noite e vai dormir, os pensamentos retornam cansados de tanto correrem por aí. Então ele os deita no papel para que não escapem mais.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

ARTIFICIAL




Queremos dentes super brancos, que parecem de porcelana.

Queremos ficar perfumados 24 horas por dia, não aguentamos o cheiro natural de nossos corpos

Queremos ter um corpo que é incompatível com o nosso biótipo.

Queremos ter a pele parecida com a de uma boneca ou lagartixa, rugas, nem pensar!!

Queremos extinguir todos os pelos dos nossos poros.

Desafiamos a natureza, inventamos a perfeição artificial.

Agora, é só esperar a conta...


sábado, 7 de julho de 2012

CORPOS CELESTES









É um filme nacional que discute a grandeza do universo e como somos um grão de areia em relação às várias constelações que existem há bilhões de anos. Vi-o no Canal Brasil.

Quando criança, Francisco conhece Richard, que tem fama de maluco na região. Lá encontra um telescópio, o qual passa a olhar as estrelas. O menino faz amizade com Richard e passa a ir a casa dele constantemente. Isto não é visto com bons olhos por seu pai, que o proíbe de retornar ao local.  Todavia, os breves momentos juntos despertaram em Francisco a paixão pela astronomia, ciência pela qual estuda ao se tornar homem.

Sinceramente, gostei mais da primeira parte do filme. A curiosidade do menino desejando conhecer as estrelas e não se conformar com o cotidiano tacanho da cidade em que vivia. A relação de amizade entre o estrangeiro deprimido e o garoto foi emocionante, reafirmando meu pensamento de que há afinidades de existências, independente da cultura e sociedade. Os dois era os estranhos que viviam no mundo dos “normais”.  O estrangeiro tem um fim drástico e o menino fica muito triste.

A segunda parte do filme, ele já um professor renomado. Envolve-se com uma mulher misteriosa, que me lembrou  Capitu, oblíqua.  Ela desaparece de repente sem explicações. Cético, tem a teoria que o homem é insignificante em relação ao universo e a jovem o questiona. Ela é o oposto dele.  

Nesse meio tempo, o filho do estrangeiro chega ao Brasil e que conhecer o local onde pai viveu os últimos anos, fazendo com que o protagonista revive lembranças doloridas do passado.

É um belo filme e levanta questões sobre qual é o lugar da gente nesse universo tão diverso. Pode não ser um filme para História do Cinema, mas valeu a pena assisti-lo.


sexta-feira, 6 de julho de 2012




SUBO A SERRA

 Vejo minha imagem refletida na janela do ônibus se sobrepondo com as luzes da cidade lá embaixo. As criaturas da noite entram na condução e me amedrontam com seus rugidos e olhares cortantes. Permaneço imóvel, não posso demonstrar emoção; eles sentem o cheiro do medo. A cada curva na escuridão, uma expectativa que algo acontecerá. Representamos nossos papeis até o momento de saltarem do ônibus. Continuo a minha viagem, mas o pensamento persiste nestas criaturas. Talvez, tenhamos algo em comum: escondemos em nossas carcaças uma criança assustada.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

19/01/2007






QUEM É ELE? 

É adolescente. Quer o prazer de imediato. Não pensa muito em seus atos. Bêbado e com amigos entediados olha um rapaz, que carrega algumas compras.

Um colega tem uma idéia e todos põem o plano em prática. Começam a jogar algumas pedras. O rapaz morre. Seu crânio foi rachado. Vão embora, sem perceber a atrocidade que praticaram. Ele segue seu grupo, que é sua identidade. Chega em casa e toma banho para se refrescar. 

Continua sua vida rotineira: “Hoje tem um show legal. Vou chamar a Cris. Ela tá doidinha por mim”. Nem se dá conta do assassinato que praticou. Também, não tinha o hábito de ler jornal, só a seção de esporte.

O tempo passou. O jovem ser transforma em pai de família. Toda sexta feira encontra os velhos amigos, relembra os tempos loucos de outrora.

Ele é Imoral ou amoral? Não sei definir essa criatura. Tenho a tendência de achá-lo um monstro. Mas, as bestas não pensam, agem instintivamente.

14/02/2009



AGRADECIMENTO AOS MEUS INIMIGOS

 Sem vocês não seria tão forte como sou hoje. A cada trapaça, a cada golpe, tive que cicatrizar, na raça, as feridas expostas. Sozinho, depois de derrotado, descobri quem são realmente os que me querem bem. Vocês me ensinaram a ter o olhar treinado para detectar um perigo iminente. Assimilei muitas experiências e, apesar do gosto amargo, só tenho a agradecer a todos os que tentaram me fazer mal pois, por mais que fizessem, não conseguiram me tornar uma pessoa ressentida, minha essência é mais potente.

outros olhares