segunda-feira, 16 de julho de 2012

Filme O Artista e O Conto Um Artista da Fome






Ao assisti-lo comecei a pensar sobre a relação da arte e  a identidade existencial do artista. O personagem Valentim, um astro do cinema mudo, fica relutante com o surgimento do cinema falado.

Ele poderia simplesmente migrar para a nova forma de fazer cinema, junto com seu novo amor Peppy Miller( que será a estrela do cinema falado ao decorrer dos anos). Mas, Valentim tem tezão pelo fazer cinema não falado e a interpretação teatral e circense que os filmes deste gênero possuem.

Lógico que a fama e o sucesso o envaideciam, contudo, não era só isso. Sua arte não era só uma questão de sobrevivência e sim uma forma de viver.

Não pude fazer uma comparação com o conto Um artista da Fome de Kafka que narra a história de um homem que passa longos períodos de jejum numa jaula e fazia muito sucesso com as pessoas. Ao contrário de Valentim que era divertido e expansivo, era introspectivo, mas, sua arte representava sua identidade e seu ser angustiante. Portanto, apesar de diferentes eles se assemelham na visão sobre a arte como forma de manifestação de suas respectivas existências.

O Artista é uma história mais leve que o conto. Mas, não pude de deixar de fazer analogias. Ao longo do filme, perguntava-me o porquê de tanto Valentim não querer fazer o cinema falado.
Era supertalentoso como Chaplin que atuou neste “novo gênero” de cinema. Foi ao fundo do poço, como o artista da fome, por não aceitar as mudanças. No conto, o artista da fome morreu esquecido, ninguém mais queria assistir seu jejum.

Não sou especialista em Kafka, porém acho interessante a forma como aborda a modernidade, principalmente, como a nossa sociedade descarta as pessoas quando não servem mais ao sistema.

No filme, os produtores reverenciavam Valentim na época do auge do cinema mudo. Quando veio os filmes falados descartaram-no que nem barata, lembrando Metamorfose de Kafka.

Como já disse, a película é mais sublime e como foi feito lembra os filmes mudos de antigamente. Valentim acha seu lugar no novo mundo.

Enfim, a arte como identidade e existência são muito forte em muitos artistas. Não se pode entender os motivos que uma artista insiste numa atividade que não é lucrativa e obsoleta. É que as pessoas comuns pensam o lado prático da via e coloca a arte com um trabalho qualquer.

Entretanto, para muitos, é uma forma de respirar e sem isso morrem.