domingo, 31 de outubro de 2010

Os sofrimentos do jovem Werther( 1774) de Goethe


É um livro que mostra a essência romântica da juventude. Com a mocidade é transgressora em ralação às normas da sociedade. Werther era um jovem idealista que via com fardo as normas e os costumes da sua época. Sentia-se mais confortável com a natureza e os mais pobres. Apaixona-se por Carlota, que já é comprometida.

Através de cartas, o protagonista revela suas angústia e a inadequação à sociedade em que vivia. Ele não queria se acomodar, como muitos que ingressam na vida adulta. Queria fazer a diferença. Mas, o desencantamento o domina e ele decide se suicidar, principalmente por não poder viver com se grande amor.

No meu ponto de vista, Os sofrimentos do jovem Werther é um romance atemporal. Qualquer pessoa em diferentes épocas e culturas se identifica com as questões e as aflições do personagem principal.

Werther é impetuoso, um Puer Aeternus(- puer = criança/aeternus = eterno). Não consegue rever suas ideias e tentar conciliar o desejo com a responsabilidade da vida adulta. Por isso, decide tirar a sua própria vida. Não quer crescer e lidar com as frustações que acumulam ao longo do tempo.

Eu me identifiquei com o personagem. Sempre quis fazer o que gostava e não queria me acomodar. Mas, quando crescemos precisamos nos adequar a sociedade. Não desisti dos meus sonhos, porém para vivê-los, necessito encarar a vida adulta e administrar as alegrias, fracassos e os espaços vazios que acumulamos ao longo do tempo.


ADVERTÊNCIA EM VERSUS
Todo jovem se inclina a amar assim,
Toda amada deseja assim ser amada,
Ah, o mais santo dos nossos ímpetos.
Por que brota dele dor tão alucinada?
Tu o choras, dizes amá-lo, alma querida,
E salvas da vergonha a sua memória;
Vê, seu espírito te acena da ermida;
Sê homem e não segue a mesma história.

EXPOSIÇÃO


Durante muitos anos tinha ideias e imagens em minha cabeça que não sabia como concretizá-las em forma de arte. Não sei desenha, nunca tive vontade de aprender a tocar um instrumento e não tiro foto muito bem.

Quando comecei a blogar, fiz os meus primeiros esboços de contos e crônicas. Aí, quando comecei a ter computadores um pouco mais modernos, iniciei experiências de fazer filmes caseiros e curtos com a cam.

Muitas pessoas podem considerar que me exponho, porém, estou publicando minha expressão, não minha intimidade. Ela é sagrada para mim e está guardada num lugar bem seguro.

Publico textos e vídeos na internet não para ter seguidores, sucesso e grana. Na realidade, estou exercendo a minha individualidade.


Passei muitos anos em silêncio, com medo do que as pessoas pensarão de mim. Não tenho mais receio. Sou adulto, responsável e nunca farei nada que possa me prejudicar e aos outros.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

OBSESSÃO


Por esses dias, assisti um episódio de uma série mexicana Mulheres assassinas. Fiquei curioso e comecei a pesquisar na internet. Descobri que a versão original da série era argentina. Vasculhei no youtube e assisti Eliana, a cunhada que conta a história de um desejo obsessivo entre a irmã de um homem e sua cunhada que se arrasta desde a juventude.

De repente, comecei a pensar sobre a obsessão que Joana sentia por sua amiga e cunhada e o temor que Eliana tinha dela e como o fato está relacionado com a projeção do amor ideal. Não é novidade que projetamos nos outros qualidades nossas, mas, quando existe a obsessão, esta projeção torna-se doentia.

O compulsivo amoroso não está de fato apaixonado pelo outro, mas pelo significado que ele próprio vê neste outro. Constrói-se uma imagem perfeita, exagerada, deste outro amado, onde desprezam-se traços reais e negativos da pessoa amada. O amor é alimentado pela fantasia, em que o obsessivo passa a acreditar que "sem o outro é impossível viver", "sem o outro nada mais tem sentido". Trata-se então de ideias fixas, que torturam a mente e dominam o amante de forma atroz.

Como disse uma amiga, quando conversamos sobre obsessão: “Eu acho que obsessividade tem relação direta com impotência. Quando a pessoa percebe que não tem controle sobre o outro, teme a perda e começa o processo compulsivo. Quando o crime chega a ocorrer, muitas vezes a pessoa tenta terminar este sentimento de impotência eliminando o objeto de seu desejo, como se assim eliminasse a compulsão ou provasse a si mesmo e ao mundo que foi maior, que teve a última palavra ou decisão.”.

Na história do episódio Eliana (a cunhada) acontece este processo. A irmã do marido queria ter o poder sobre ela e fazia jogos de sedução. Eliana ficava confusa e não queria se entregar aos seus impulsos. No fim, mata o objeto do seu tormento.
Mas, a minha amiga descorda da minha interpretação: “Eliana é uma mulher frágil, asmática, e insegura. Joana é ardilosa, autoconfiante e tem segurança do que deseja. Não creio que seja apenas compulsiva, mas Eliana é dividida, um tipo esquizóide que não suporta bem estar dominada pelo instinto - é caracterizada como uma intelectual. Creio que colocam muito bem sua dificuldade em trair o marido.”. Por este prisma, pode-se ter a leitura de como a repressão dos impulsos nos leva a ter atitudes neuróticas ou obsessivas.

Durante a reflexão, me lembrei de um filme que assisti há muito tempo. Mesmo que as histórias sejam diferentes, a obsessão é um tema comum entre estas duas narrativas. O filme AMOR SEM FIM ilustra muito bem esta afinidade: Jovem casal se apaixona perdidamente, entretanto David Axelrod (Martin Hewitt) tem 17 anos e Jade 15 (Brooke Shields) e só querem viver este amor. O romance não é aceito por Hugh (Don Murray), o pai de Jade. Um dia o conflito a situação deflagra e Hugh diz para Jade que ela não poderá receber o namorado. Então David, de maneira obsessiva, cria um plano para ficar nas boas graças da família dela, mas os resultados não dão certo e distanciam ainda mais o jovem casal. David acreditava que Jade era sua.

Todo ser humano projeta no outro suas expectativas. Todavia, quando se projeta de uma maneira distorcida, pode tornar-se provoca a obsessividade. Na vida real, quantos crimes passionais ocorrem devido ao ciúme e despeito, independente de cultura, posição social e orientação sexual.

HORAS VAZIAS NO TWITTER 29/09/2009

Filme Metropolis (1927): "O coração tem que ser o mediador entre o cérebro e as mãos".
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Através da janela protegida por uma grade e com vidros revestidos de insufilm vejo os pombos voando para lá e para cá.
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sentir a brisa da noite na nuca me acalma.
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às vezes, eu queria ser um rio que flui sem pensar.
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Acidente na linha amarela. Momento efêmero de espanto. Todos continuam em seus lugares no ônibus, conversando e brincando.
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Vi uma reportagem que mostra as celebridades sem maquiagens. Gente!! Elas são como pessoas comuns e têm o direito de se abarangar!!!
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Escritos verdes que um dia vão amadurecer. Muito estudo e persistência pela frente.
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FELICIDADE: seis horas da matina. Mulheres rindo e conversando alto com o motorista e o trocador lá na frente. O ônibus estava abarrotado.
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faço uma seleção natural dos meus pensamentos, mas os vencidos continuam a me assombrar.
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Quando crescer, quero ser uma tartaruga secular.
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Um bom conselho materno: “ Ninguém é insubstituível.”
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neste momento a casa está silenciosa, o barulho de chuva retorna. estou sentindo tanta paz.
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Quero acreditar em existências gêmeas que podem superar diferenças sociais, culturais, religiosas e étnicas
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o grito do silêncio vem de dentro para fora
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A brisa abre levemente as cortinas e mostra a escuridão da madrugada fria.
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Ao escrever cometo vários tropeços. Levanto-me e sigo em frente.
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A palavra é a atmosfera que alimenta a minha realidade inventada, sem ela sou uma coisa.
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Realmente, escrever para mim é uma forma de exorcismo.
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A chuva estiou. O vidro da janela ficou embaçado. Havia fechado a vidraça para não molhar a cama.
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atravessando; vivendo.
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Parece que me jogaram um feitiço. De repente, estou uma geléia gigante.
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Minha alma quer comer brigadeiro, mas meu corpo está de regime. Logo, estou com crise existencial.
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Folhas secas no chão. A neblina encobre um pouco as árvores desnudas.
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Micos na árvore e o gato à espreita. Escaparam. Ainda bem!
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Acidente na linha amarela. Momento efêmero de espanto. Todos continuam em seus lugares no ônibus, conversando e brincando.
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ENCONTREI UMA IDEIA ANTIGA NA GAVETA.
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– Por que verifico toda hora meus e-mails? Será que espero uma mensagem de que tudo vai dar certo no último capítulo da minha vida?
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“Todos têm um preço.”/ Será que isto procede mesmo? Quero acreditar que não.
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Quero viver vivendo, não vivendo pensando.
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carcaça de pipa cai do poste e fica inerte no chão
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Não sou obrigado a ser feliz. Tenho momentos alegres e frustrantes. Não adianta racionalizar o sentimento, deixa-o bater à porta....

VAMOS PARAR DE PERDER TEMPO

Algum tempo atrás, criticava veemente as pessoas que faziam de tudo para parecer. Celebridades instantâneas que apareciam em capa de revista, principalmente, para mostrar o corpo. Hoje, percebi que estava errado. Tem-se que questionar alguém, é quem dá espaço a estes indivíduos; no caso, a mídia. Eles não aparecem na marra, existe uma infra-estruturar lucrativa por trás que punciona a "dança das cadeiras" destas celebridades efêmeras.

Se alguém escolhe viver uma vida vazia de sucesso rápido, é problema exclusivamente dele. Contudo, é mais proveitoso analisar como a nossa sociedade contribui para este fenômeno social da super exposição. Confesso que comecei a pensar sobre isto, quando li um artigo que detonava uma escritora ex-prostituta, que dizia que os clássicos não serviam para nada. Quem escreveu o texto, detonou a autora e reproduziu alguns erros ortográficos que ela cometeu. Mas, se ela tem livros publicados e dá entrevistas, é devido aos meios de comunicação por trás. A ex-garota de programa e escritora não apareceu do nada e fez sucesso por conta própria.

Enfim, ao invés de queimar cartucho com as celebridades instantâneas, proporcionando ainda mais segundos de fama, seria mais proveitoso discutir sobre os valores da nossa sociedade, pois, será que eles valorizam a pessoa bem informada ou ética? Também, deve-se cobrar das pessoas que precisam prestar conta a todos nós: os políticos. Estes sim que necessitam dar bom exemplo e o povo ficar de olhos atentos.

Crônica escrita em 28/09/2009

sábado, 23 de outubro de 2010

Breve Romance de Sonho de Arthur Schnitzler


Albertina, esposa de um médico vienense muito bem-sucedido (Fridolin), narra a ele uma fantasia sexual. A partir daí, na mesma noite, ele faz uma viagem vertiginosa entre a realidade e o sonho. Sua aparente tranqüilidade é abalada com a fantasia da esposa, ele se sente traído por ela.
Ao decorrer da história, Fridolin entre em contato com seus desejos reprimidos e aventuras eróticas que se assemelham a um sonho delirante. o cineasta norte-americano Stanley Kubrick baseou-se neste pequeno romance de Arthur Schnitzler, para fazer seu último filme: De Olhos Bem Fechados(1999), com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais.Quando retorna para casa, Albertina revela a ele que sonhara que estava num bacanal no qual o marido era condenado à morte, coincidindo com a experiência que ele teve, ao ir a um baile de mascarados de penetra, onde passara por experiências que nunca pensara em provar.
A história possui muitos elementos psicológicos, principalmente analisados pelo psicanalista Freud. “ Um sonho é a realização de um desejo.”. Portanto, Fridolin sentiu realmente traído pela mulher. Também, a narrativa mostra o conflito entre a razão e o instinto: “ Somos feitos de carne mas temos de viver como se fôssemos de ferro.”( Freud).
Fridolin passa o tempo inteiro a sofre uma angústia, devido a sua posição e os desejos que brotaram nele, quando ouviu a revelação da esposa.Ao terminar de ler o livro, comecei a pensar em algumas questões como, por exemplo: se realmente deve revelar tudo para o outro, mesmo os sonhos e pensamentos mais íntimos? Ou há necessidade de ocultar algumas verdades com fantasias e máscaras para proteger uma relação afetiva? Será que é preciso dizer a verdade sempre ou há coisas que somente nos dizem respeito? Eu acho que existem certas coisas que ninguém precisa saber. São inofensivos segredos e desejos íntimos, os quais carregamos para a tumba.

"Onde vivem os monstros"



Max, um garoto problemático e não consegue lidar com seus sentimentos. Depois de ter raiva da mãe que leva um namorado para casa e a distância da irmã mais velha, o menino se traveste de lobo e briga com a mãe, fugindo de casa em seguida. No meio da mata, encontra um barco e, à deriva, chega a uma ilha estranha, cheia de monstros.

O filme faz uma travessia dos sentimentos humanos, apesar de ser considerado infantil, muitos adultos irão se identificar com muitas passagens do longa metragem. Até porque, muitas vezes não somos educados para lidar com os sentimentos e há muitos adultos imaturos emocionalmente, que consequentemente veem suas relações amorosas e de trabalho prejudicadas, devido a esta falta de equilíbrio em controlar os sentimentos.

Os monstros representam os sentimentos humanos. Somos bichos também, apesar da nossa pretensa racionalidade. Os monstros não estão fora da gente, muito pelo contrário e o filme mostra muito bem este fato. A história como na vida não há o maniqueísmo e a vitimização do protagonista, ninguém é culpado de nada. O filme mostra que precisamos lidar com nossas feras internas e respeitar o espaço do outro. Muitas vezes é difícil desviar o olhar do nosso umbigo, porém é necessário.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

FILME ESTÔMAGO(2008)

Raimundo Nonato (João Miguel) foi para a cidade, tentar a sorte na cidade grande, como muitos dos seus conterrâneos. No início, é explorado num bar, onde trabalhava como faxineiro e cozinheiro. Logo descobre que tem dom para cozinhar e o movimento do bar aumenta. Giovanni (Carlo Briani), o dono de um conhecido restaurante italiano da região, contrata-o como assistente de cozinheiro. Também, começa a se relacionar com a prostituta Iria (Fabíola Nascimento).

Paralelamente, a película mostra Raimundo na cadeia, tendo que suportar por humilhações e que, ao longo do tempo, quando descobrem que sabe cozinhar, ele vai subindo na hierarquia do presídio.

A narrativa do filme vai e volta ao contar a história do protagonista. Numa cena ele está trabalhando no bar, no restaurante e com a namorada prostituta e na outra, lidando com o companheiro de cela. No desfecho, mostra dois finais paralelos: como ele parou na cadeia e outro como resolveu manter-se no presídio.

Comer não é só necessidade fisiológica, é um ritual. Ao longo da história da humanidade este fato é provado. No filme o Estômago, a comida e seu preparo estão misturados com os sentimentos das pessoas que a saboreiam e quem a prepara. Há outros filmes que abordam este tema, porém Estômago faz um olhar muito interessante e original em relação ao tema da gastronomia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

RESENHA ANTIGA

Todos los fuegos el fuego

Surpresa, estranhamento, viajando na maionese e me sentindo burro. Estas foram as sensações quando li TODOS OS FOGOS O FOGO de Julio Cortázar. O título do livro representa dois significados míticos do fogo, o extermínio e a purificação, as trevas e a luz. Os personagens deste conto e das outras histórias perpassam por esta ambigüidade.

Tive que reler várias vezes para entender a complexidade das histórias, não por elas em si, mas de como são narradas. O autor inova ao finalizar a narrativa abruptamente, provocando no leitor dúvidas em relação ao que realmente aconteceu. Coloca vários elementos e idéias nas entrelinhas. Portanto, o indivíduo ou abandona ou continua a leitura, que não dá nada de mão beijada, o leitor que precisa interagir também.

O livro é composto por oito relatos: A auto-estrada do sul, A saúde dos doentes, Reunião, Senhorita Cora, A Ilha do meio-dia, Instruções a John Howel, Todos os fogos o fogo, O outro céu. Em todos os contos há temas em comum como a ruptura do tempo e do espaço, o insólito ou irracional intervém no cotidiano num piscar de olhos, a incomunicabilidade entre as pessoas e a projeção de outras realidades.

cronica antiga

DE REPENTE

Através da janela protegida por uma grade e com vidros revestidos de insufilme vejo os pombos voando para lá e para cá; o vento balança os fios dos postes e as folhas das árvores. Um passarinho se equilibra num destes fios ao lado da carcaça de uma pipa. As construções cada vez mais altas não permitem observar o morro, que antigamente a primeira coisa que eu olhava, era o verde intenso.

domingo, 17 de outubro de 2010

inércia/movimento

i.nér.cia
sf (lat inertia) 1 Fís Propriedade que têm os corpos de não modificar por si próprios o seu estado de repouso ou de movimento. 2 Falta de ação, falta de atividade. 3 Preguiça, indolência, torpor. 4 Incapacidade. 5 Ignorância de qualquer arte. 6 Resistência passiva. I. cultural, Social: capacidade revelada por determinados elementos culturais de resistir à mudança e de perpetuar-se em um meio cultural a que não se ajustam.
Michaelis


Apesar de aparentemente inerte, estou sempre em movimento com meus pés fincados no chão. Sou como o ponteiro do relógio, sempre percorrendo as mesmas horas que, na realidade, são diferentes a cada ciclo.

TEXTO ANTIGO

NOS POÇOS

"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê. "


Entrei no poço e adorei adentrar no labirinto que fica no subterrâneo. Há leituras que são como um salto no escuro, não adianta só dissecá-la racionalmente ou academicamente, precisa senti-la para poder viajar junto com a narrativa. O OVO APUNHALADO é este tipo de leitura. As imagens insólitas construídas nos vinte e um contos são impressionantes e emitem radiações à imaginação do leitor; provocando diferentes sensações.

Caio Fernando Abreu não quer contar histórias com começo, meio e fim; mas provocar nossos sentidos com relatos e personagens enigmáticos. Ele cita, principalmente em epígrafes, suas referências literárias como, por exemplo, dois escritores conhecidos Julio Cortázar e Clarice Lispector. O título do conto que é também o do livro há um diálogo com o conto O OVO E A GALINHA de Clarice. Achei muito proveitosa essa alusão a outros artistas, porque leva os leitores à curiosidade em conhecer outras leituras. Já escrevi no caderno as dicas, para depois dar uma espiada.

Um dia, lerei o livro novamente, com certeza deixei escapar bastante coisa; entretanto, o bacana não é isso? À medida que somos mais estimulados, incorporamos novos pontos de vista. Deve ser sem graça ler o livro pela primeira vez e só ter uma interpretação definitiva.

sábado, 16 de outubro de 2010

ensaio


en.sai.o
sm (baixo-lat exagiu) 1 Ato de ensaiar; prova, experiência. 2 Exame, análise. 3 Tentativa, tirocínio, adestramento. 4 Experiência para ver se uma coisa convém ao fim a que se destina... ( Michaelis)

Viver é um ensaio. Experimentam-se algumas sensações e momentos. Não adianta querer tudo. Por isso, não vou mais me preocupar se não vou viajar para algum lugar ou se nunca lerei os muitos livros indicados por professores e colegas.

Viverei o meu tempo, escolherei os meus caminhos possíveis e pagarei por minhas escolhas. Não ficarei mais angustiado por não matar a minha fome de conhecer a imensidão diversa da vida. Isto é impossível. Por isso construímos um olhar a fim de entender o turbilhão que é a vida.

Estou escrevendo o meu ensaio-vida. Experimentando sem muitos devaneios, sem me perder. Faço escolhas, mas estou tendo a plena consciência que a conta aparecerá à minha porta algum dia.

Não posso reclamar, escolhi os minhas veredas, delimitei o meu ensaio-vida. Todavia, nada é definitivo, podemos voltar atrás também e refazer o ensaio-vida. Ao longo dos anos, acumulamos sonhos, realizações, fracassos, alegrias e tristezas.

SEM FORMA DEFINIDA


Já faz algum tempo que escrevo, mas ainda não tenho um estilo definido. Lendo alguns textos meus, experimento vários gêneros e que dá impressão de caos.

Teve uma época que queria escrever ensaios acadêmicos, monografias e teses. Porém, ao mesmo tempo, sempre usei uma linguagem coloquial que é inadmissível a este gênero de literatura. Não tenho paciência de elaborar, jogo as palavras na tela do computador.

Desde os tempos da escola, tirava nota baixa em redação. Fujo sempre do tema e faço uma salada mista. Também, sou um péssimo cronista, não tenho paciência de transcrever as sensações que tenho ao longo do dia e uma dificuldade absurda de argumentar minhas ideias e opiniões.

Parece que não consigo me adequar a uma forma e isto é ruim. O bom texto é essência e forma. Se não existir esta comunhão fica incompleto. Se houver só forma, fica uma coisa vazia e se existir só essência, ficará hermético demais.

Enfim... continuarei a minha busca de esculpir um forma nos meus textos, para depois soprá-los para possuírem essência.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O GATO POR DENTRO de William Burroughs



“ Somos os gatos por dentro. Os gatos que não podem andar sozinhos, e para nós há apenas um lugar.”

O livro é composto por fragmentos que revelam a relação entre o autor e os gatos que acompanharam sua vida. Os pequenos relatos vão do prosaico do cotidiano aos delírios dos sonhos.

Burroughs se vê nos gatos e interage com eles, constituindo a concepção de alteridade. Ele se reconhece como indivíduo através dos outros, os felinos. Agora, transcrevei alguns trechos que mostram esta interação:

“ O gato não oferece serviços. Ele se oferece. Claro que ele quer carinho e abrigo. O amor não é de graça. Como todas as criaturas puras, os gatos são pragmáticos.

Para entender uma questão antiga, traga-a para o presente. Meu encontro com Ruski e minha conversão a um homem de gatos foi a reencarnação da relação entre os primeiros gatos domésticos e seus protetores humanos.”

O GATO POR DENTRO é uma reflexão das várias faces do relacionamento entre o ser humano e os animais irracionais, que são muitas vezes amorosas e conflitantes. Inclusive, a relação de poder que o homem considera ser o mais inteligente em relação às outras bestas. O escritor não queria domar, pelo contrário, desejava cuidar de seus gastos e aprender com eles sobre si mesmo.



RECORDAÇÃO

RECORDAÇÃO


De repente, no meio de um uma conversa no trabalho, lembrei que fiz faculdade há muitos anos. O assunto que fez emerge a recordação se relacionava com diferença entre a Sociedade mecânica e a orgânica. A primeira tem como característica a fase primitiva da organização social que se baseia nas semelhanças entre os membros individuais. Para a manutenção dessa igualdade, é necessário à sobrevivência do grupo, deve à coerção social, baseada na consciência coletiva, ser severa e repressiva. A segunda se desenvolve com a divisão do trabalho, gerando um novo tipo de solidariedade, não mais baseado na semelhança entre os componentes, mas na cooperação dos diferentes indivíduos. Portanto, cria-se um laço social novo e outro tipo de princípio de solidariedade, com moral própria, e que dá origem a uma nova organização social; tendo como base a diversidade e a valorização do indivíduo. Diferente do que ocorre na Sociedade mecânica. Quem desenvolveu esta teoria foi Émile Durkheim, intitulado “um dos pais da sociologia moderna”. Foi o fundador da escola francesa de sociologia.

Gostei de resgatar um fragmento antigo das profundezas da memória. Principalmente, por provar a mim mesmo que não sou oco por dentro. Tenho uma história particular, uma vida com sonhos, desilusões, alegrias e tristezas. Nada e ninguém podem tirar isso de mim. Nos tempos da faculdade, eu era outro, mas há resquícios que ainda sobrevive em mim no agora. E apesar de ter a impressão que vivi numa aparente "inércia", estou sempre em movimento. Como já ouvi: " Recordar é viver", realmente, é bom visitar o passado, para ver o quanto caminhamos.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Émile_Durkheim

http://pt.wikipedia.org/wiki/Solidariedade_social

Notas do Subsolo de Dostoiévski

É um romance que mostra a fragilidade humana e de como somos paradoxais. O protagonista anti-herói está mergulhado em delírios, rebeldia e recalques e não consegue sair deste labirinto;

“ Sou um homem doente... Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro de fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói...”

A racionalidade que nossa sociedade tanto preza, em Notas do Subsolo mostra como ela é quebradiça e que o indivíduo moderno à deriva nas grandes cidades, sem família e identidade.


“ Não sei, não consegui ainda solucionar isso, e naquele instante ainda menos do que agora eu tinha condições de entender o que se passava comigo. Sem tirania e poder sobre alguém eu não posso viver... Mas... mas, com racionalização, não se pode explicar nada e, conseqüentemente, é inútil racionalizar.”


Enfim, esquecemos de viver a “vida vivida” e nos perdemos em construções e mecanismos racionais pela busca de superioridade me relação ao outro. O protagonista do livro tenta o tempo todo fazer isto, mas sempre fracassa.

É um crítico feroz da sociedade em que vive, todavia, ao mesmo tempo, almeja estar inserida nela. Muitas vezes, suas críticas são despeitos e ele assume isso em vários trechos.

“ Eu sei, vão me dizer que isso é inverossímel- alguém ser assim tão mau e idiota como eu me mostrei.”

Realmente, quem nunca passou por isso? Notas do Subsolo é um ensaio sobre a alma humana. Em muitos trechos, reconheci-me como se tivesse me olhando no espelho. Lê-lo é um aprendizado sobre si mesmo e esta tal de “Humanidade” na qual vivemos.

sábado, 9 de outubro de 2010

CRÔNICA ANTIGA

PEDRO ALMODÓVAR

Anos atrás quando vi um filme de Almodóvar, considerei tudo muito tosco. Estava no cinema da faculdade e lembro que os alunos intelectuais olhavam-me com desprezo. Realmente, em muitos aspectos sou ignorante e ainda tenho muita coisa para aprender.

Com o tempo, percebi que o cineasta espanhol trabalha com várias referências artísticas e principalmente faz uma metalinguagem com o cinema e a televisão. Quero deixar claro, que não sou especialista em cinema e na filmografia de Almodóvar. Assisti alguns filmes que trabalham com esta metalinguagem.

Por exemplo, FALA COM ELA( 2002) há uma cena em que uma personagem( a toureira) é abandonada pelo namorado e ao dar entrevista num programa de televisão, se irrita com a apresentadora que faz perguntas sobre o relacionamento amoroso. Ela sai enfurecida, enquanto a apresentadora a agarra pelo braço e cai quando a outra dá um puxão forte. Não tem como fazer uma relação com alguns programas de televisão, que exploram o sensacionalismo e o mundo das celebridades. Também há no filme uma referência ao cinema mudo, logo o diretor insere uma pequena película dentro do filme, que narra a história de um cientista que faz uma experiência mal feita e começa a diminuir até desaparecer dentro do corpo da amada. Esta pequena história tem tudo a ver com o enredo Fale com ela, que conta a história do zelo e admiração de dois homens pelas suas amadas.

Outro dia, estava a ver um telejornal, aí, passou a notícia de que uma jovem foi encontrada soterrada e amarrada em um esgoto. O caso já era denso, mas o apresentador queria saber se, além disso, ela foi violentada. Parecia que necessitava deste detalhe a fim da notícia ficar mais redonda aos telespectadores. Logo, fiz uma relação com kika(1993) do mesmo cineasta, em que há uma personagem que aparece com roupas exóticas e apresenta um programa exclusivamente de tragédias. Ela corre atrás dos criminosos e faz como alguns reportes da vida real; transformam a desgraça alheia em showbiz.

As análises e a crítica de Almodóvar são ao mesmo tempo líricas, pastiches e paródias. Levei algum tempo para perceber a riqueza artística deste cineasta. Ah!! Antes que me esqueça:

Desculpa! Colegas intelectuais do tempo de faculdade.

Angela Schnoor, psicóloga, auxiliou pessoas e aprendeu, com as questões dos outros, muito sobre si mesma. Abastecida de humanidades, hoje as transforma em histórias. Blogs da autora: http://microargumentos.blogspot.com/ e http://idealiapolaris.blogspot.com/

No dia 17 de outubro, será lançado o livro "O Olho da Fechadura" - são 150 minicontos que têm como cerne a alma humana.

“ O olho da fechadura é por onde espiam aqueles que desejam ver o que se esconde nos aposentos da alma. Psicólogos têm esta tendência; buscam o que está oculto e através do pequeno orifício podem divisar um vasto mundo por trás das defensivas portas e aparentes fachadas. Sem ser apenas um buraco, olho no olho, encontramos o outro e a nós mesmos. O olho da fechadura também tem algo a contar. Assim como nos minicontos, o olhar aparentemente restrito devassa vidas e conta, a cada fresta divisada, histórias sem fim.” (Angela Schnoor)

1) Quando se interessou pela literatura?

Desde menina eu lia muito os escritores brasileiros - Cony, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e outros. Lia também Aldous Huxley e alguns estrangeiros, mas como me direcionei para um estudo secundário prático com intenção de trabalhar logo, não tive a formação clássica que desejaria. Escrevia poemas, fazia redações para colegas e amigos e lia escondido no banheiro, pois havia muita cobrança de participação nos trabalhos domésticos. Não fui uma menina rica.

2) Como a psicologia e a astrogia ajudam no seu processo criativo?

Me ajudam porque fazem parte de mim, pela consciência que trouxeram de meu psiquismo e de todos aqueles a quem conheci e auxiliei profissionalmente. O estudo dos mitos e da linguagem simbólica também se encontra afinado e nutre o conhecimento da psique.

3) Por que você escreve? Tem pretensões literárias?

Escrevo porque me diverte. É meu recreio na vida. Creio que ao envelhecer começamos a ter mais espaço para fazer o que nos dá prazer, assim como podemos liberar partes de nós que estavam ocultas ou distraídas pelos deveres.
Aprecio que leiam o que escrevo. Não sei bem o que seriam pretensões literárias, pois não identifico em mim, desejo nem pretensão alguma. Mas, há um fato que me dá imenso prazer: os amigos virtuais que traduzem e publicam meus contos no exterior. É como se eu estivesse vivendo em outros países sem ter que me deslocar, falando em outras linguas em silêncio. E até hoje só ganhei traduções perfeitas!

4) Quando escreve tem receio de se expor?

Não gosto de me expor e nem de quem se expôe. O mundo exibicionista de hoje me desagrada pois é feio e grosseiro.
Aprecio intimidade e discrição. Entretanto, creio que tudo o que escrevemos, de alguma forma, reflete o que somos. Portanto, em cada linha que escrevo me escrevo, mas não me exponho.

5) O que a inspira?

A vida é a fonte de inspiração. Os seres vivos, a natureza, fotografias e as imagens que povoam minha imaginação, sonhos e fantasias.

6) Como surgiu o projeto de publicar o seu novo livro?

Nunca tive projeto de publicar um livro, principalmente em papel. Escrevi e tentei organizar o que escrevi. Assim, alguns contos foram publicados em E - Book por insistência de um velho amigo, Minicontos também foram publicados neste formato. Poemas foram instigados à publicação por um outro amigo, mas permanecem nos arquivos. E o Blog Microargumentos aconteceu pelo desejo de organizar os minicontos num só lugar. Gosto deste espaço virtual.
Alguns amigos publicaram livros e eu sempre duvidava se queria publicar em papel. Sou alérgica, amo árvores, não sou vaidosa e a cada dia desejo mais espaço e menos objetos e tralhas. Estava satisfeita com os textos virtuais que não tem ácaros, existem na luz e mal ocupam espaço. Foi o meu amigo Wilson Gorj, quando assumiu o selo 3X4 da Editora Multifoco, que desejou editar meus contos e me deu este presente carinhoso.

7) Como você vê a crítica, principalmente em relação ao livro?

Não aprecio elogios. Aceito aqueles que reforçam os que eu mesmo me faço quando considero que fiz algo bem feito e de valor. Aprecio a crítica, a análise, o discernimento, pois nos tornam melhores e nos ensinam. A crítica maldosa só me atinge quando permito e só acontece quando vem de alguém muito íntimo e a quem amo.
Agradeço aos que fizerem críticas aos meus contos, pensarei nelas e vou acatar as que forem de ajuda para melhor me expressar.

8) Para você, o que está faltando na literatura hoje?

Exatamente mais senso crítico, originalidade e profundidade. Hoje todos escrevem tudo e qualquer coisa sem o menor senso de auto crítica.


9) Comente sua relação com a micronarrativa e O microargumento. E como a descobriu?

Lembro de mim sendo sintética e me dando mal nas provas porque os professores gostavam das alunas que "enchiam linguiça" como eram chamados os textos em que pouco se sabe do assunto, mas se escreve e floreia à bessa!
Quando, em 2001, comecei a escrever contos de 300 toques para um fanzine chamado Falaê, percebi que minha facilidade para a concisão havia chegado ao momento certo. Depois veio a Revista portuguesa Minguante e por aí segui.
Hoje não mais me preocupo com o número de toques ou qualquer outra contagem, desejo apenas contar histórias curtas, um trecho de uma história maior que sirva de gatilho para a imaginação do leitor.

O DIAMENTE DO TAMANHO DO RITZ E OUTROS CONTOS DE FRANCIS SCOTT FITZGERALD

Além dos contos serem envolventes, um dos pontos que achei mais interessante foi a amostra do contexto histórico que as narrativas fizeram da primeira metade do século XX da História dos E.U.A.

Os contos são ambientados na década de XX: O conto que é o título do livro( 1922), Bernice corta o cabelo(1922) e O palácio de gelo(1920). As histórias além de mostrar questões da juventude rica americana (os protagonistas dos contos são jovens), a pujança da economia americana pós-primeira guerra e pé-depressão 29 e as diferenças culturais de um país continental como os Estados Unidos; principalmente do Norte e do Sul que tem uma rivalidade depois da Guerra da Secessão.

O escritor descreve muito bem este ambiente devido à sua vivência. Francis Scott Key Fitzgerald nasceu em Saint Paul, Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de setembro de 1896. É de família católica irlandesa, ingressou na Universidade de Princeton, porém não se formou. Durante a primeira guerra mundial, alistou-se como voluntário. Além disso, escreveu o romance de muito sucesso O Grande Gatsby e o qual teve uma versão de sucesso no cinema roteirizada por Francis Ford Coppola. ( Não vi e nem assisti o livro...).

A PARTIDA(2008)

Além de abordar a morte com simplicidade e lirismo, o filme mostra a busca do homem pela felicidade. É um tipo de história que qualquer pessoa iria se identificar com protagonista: Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki). O filme, vencedor do Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro, possui momentos de humor e drama e ao longo das cenas ilustra como estes elementos estão inseridos em nosso cotidiano.

Quando soube que ia passar no canal da tevê a cabo, não perdi a oportunidade a fim de refletir sobre a morte, um tema muitas vezes tabu na sociedade. Não tenho medo da morte, mas do vazio de não existir. Entretanto, a morte faz parte da vida e ela pode ser uma passagem para outro plano. O filme passa esta mensagem, principalmente nas cenas do ritual da preparação dos mortos.

Daigo no começa da película era um homem perdido e que vê o sonho de ser um músico perecer. Entretanto, quando retorna para casa, encontra um novo sentido para vida. Trabalha na preparação dos cadáveres com dedicação e carinho. De alguma forma, ele também fez uma passagem. Deixou a vida passada em Tóquio e o sonho antigo para uma nova realidade. Eu quero ter esta coragem de recomeçar também, sem apegos fúteis ou orgulho.

A partida é um filme que todas as pessoas precisam ver, pois pode ajudar a entender como a vida é. Inclusive, não ter medo da morte e nem das mudanças que ocorrem na travessia da vida.

http://www.youtube.com/watch?v=MtdENmR6jKw&feature=fvw

A CABANA DE WILLIAM P. YOUNG

Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A Cabana repercutiu muito sucesso com o entusiasmo e da indicação dos leitores. Tornou-se um fenômeno de público.

Durante uma viagem, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e há indícios de que ela foi assassinada são por um psicopata em uma cabana abandonada. Há quatro anos vivendo em uma depressão profunda, causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

As respostas que Mack encontra surpreenderam os leitores, levando a pensar em valores como amor, respeito, compaixão e perdão já tão esquecidos nossa sociedade individualista.
Com uma narrativa simples, levanta questões profundas sobre o perdão, a redenção e a fé. O enredo prende o leitor e suspense envolve a cada página. É um tipo de romance que serve com ponte para outros conhecimentos filosóficos e religiosos, os quais os indivíduos podem se aprofundar ou não.

A cabana mostra a verdadeira essência da comunhão com Deus e critica estereótipos que as pessoas e as Instituições religiosas produzem no consciente e no inconsciente coletivo.

VLOGS

VLOGS

Não é novidade que com popularização da Internet, está havendo uma maior interação entre as pessoas. É uma mídia que diferente das outras, as pessoas não são somente ouvintes ou telespectadores, também podem participar divulgando suas ideias.Haja vista, a quantidade de blogs, portais e sites que surgem a cada dia na rede. Inclusive, os internautas, blogueiros ou vlogueiros podem fazer a sua própria pauta e não só receber um discurso pronto como acontece nas emissoras de televisão, rádio, jornais e revistas.

Lógico, que não pode ser inocente em acreditar nesta pulverização da comunicação, mas, a internet é uma mídia interativa, em que os usuários têm a oportunidade de divulgar o que consideram importantes. Por isso, é tão importante que o processo de democratização digital avance mais rápido.

Um assunto que está me chamando atenção são os “vlogs” e fiz uma rápida pesquisa na net. O Videoblogue (Videoblog, Videolog ou Vlog) tem uma estrutura de weblogs e fotologs, porém, diferente do primeiro e do segundo que os conteúdos são textos e fotos, o conteúdo é vídeo. Também como o blog e fotolog, possui atualização diária e é caracterizado como um site pessoal, administrado por um ou mais indivíduos. Os vídeos são exibidos diretamente, sem a necessidade de se fazer download.

O interessante é que há serviços de hospedagem de videologs gratuitos, que possibilitam as pessoas sem conhecimentos técnicos de edição de páginas possam publicar os videologs na Web. Os vídeos podem ser feitos usando câmeras digitais ou celulares com recurso de gravação de filmes, webcams, filmadoras analógicas ou filmadoras digitais. Portanto, é uma oportunidade para quem almeja divulgar um produto, um talento ou ideias e pode ser uma ferramenta importantíssima para consolidação da democracia.

O vlogs que achei mais interessantes, falam sobre o cotidiano e mostram fatos que muitas vezes passam despercebidos. Para dar dinâmica no vídeo eles cortam e depois dão um gancho nos assuntos. Falam sobre um tema, depois outros assuntos; no final, fazem uma ponte entre os temas. Realmente, esta linguagem dá mais gás aos vídeos.

http://www.youtube.com/user/maspoxavida

http://www.youtube.com/user/denislees

http://www.youtube.com/user/gabbiesayshi

http://www.youtube.com/user/chrismartinsrocha


http://www.youtube.com/user/canalruim


Lógico que tem outros também muito interessantes. Escolhi os que mais gostei.
Fonte de pesquisa:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Videoblog


http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u17523.shtml

http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/07/09/com-humor-sem-nocao-e-incorreto-videobloggers-migram-da-tv-para-a-internet.jhtm

TROCA

É o elemento fundamental para viver em sociedade. Pois a colaboração entre as pessoas mantem o equilíbrio nas relações sociais. Ela pode ser instituída por contrato escrito ou oral, depende das necessidades individuais e coletivas.

Porém, muitas vezes, este conceito da troca é reduzido, principalmente, na educação: “Se você for bom aluno, ganhará um prêmio e se for ruim, castigo.”. Esta relação de recompensa é muito complicada, pois a vida é uma imensidão, onde existe o inesperado a cada esquina. A pessoa que faz tudo certinho, não significa que obterá sua recompensa.

Portanto, precisa-se pensar profundamente sobre os significados da troca e como são espelhados de acordo com os interesses e os valores de cada indivíduo.

O que me levou a abordar o tema foi que tenho certa preocupação com as pessoas que acham que sendo boas, só ganharão recompensas e se observarmos ao longo do cotidiano, isto não é verdade.

ENSAIO

Bem, este texto são só apontamentos. Não sei se eles estão corretos, mas queria exercitar a minha argumentação. Ontem, em uma conversa, aprendi o que era Puer Aeternus(- puer = criança/aeternus = eterno): “Jung via o puer aeternus como referindo-se ao arquétipo da criança e especulava que sua fascinação recorrente origina-se da projeção, pelo homem, de sua incapacidade de se renovar. A capacidade de correr o risco de um desligamento das origens, de estar em evolução perpétua, de se redimir pela inocência, de visualizar novos começos são atributos desse salvador emergente.” http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/pueraete.htm


Logo comecei a pensar neste conceito e como se pode fazer uma analogia do mesmo com a nossa sociedade, diferente de outras culturas arcaicas, em que o passado era respeitado. Observo que muitas pessoas querem sempre começar de novo e desconsideram o passado. Divórcios aumentam a cada dia e as relações casuais crescem na mesma proporção. Estes fatos ocorrem devido à busca exacerbada da juventude e do bem estar já que não ter lembranças significa não sofrer. Já pensou como seria não recordar de coisas ruins e sempre ficar bem disposto?

O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças(2004) ilustra muito bem como a nossa sociedade e os indivíduos não sabem lidar com perdas ou experiências desagradáveis, desejam esquecer e ser sempre joviais, tendo o brilho eterno de uma criança. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) eram um casal que estavam juntos há anos. Clementine, desiludida com o fracasso da relação, resolve esquecer Joel para sempre. Aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Depois de ficar sabendo da atitude da namorada, Joel entra em depressão, pois ainda a amava. Decidido a esquecer, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória nos quais ela ainda não participara.

Observo que há uma fixação pelo novo e pela juventude. Desconsideramos a tradição, o passado e a sabedoria dos mais velhos. Portanto, O Puer Aeternus se contrapõe com o Senex: “Forma latina para “homem velho”, porém não deve ser confundido com o “velho sábio” . Usado na psicologia analítica para se referir a uma personificação de certos aspectos psicológicos normalmente atribuídos à pessoa de idade, embora mesmo bebês possam apresentar aspectos de senex – equilíbrio, generosidade para com os outros, sabedoria, previdência.”
http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/pueraete.htm


A patologia do puer se caracteriza por atitudes excessivamente ousadas, superotimistas, dadas a voos da imaginação e idealismo, sendo excessivamente espiritualizada. A patologia do senex pode ser caracterizada como excessivamente conservadora, autoritária, super-racionalista. Portanto, o interessante é buscar equilíbrio do nosso lado Puer Aeternus e do SENEX, sabendo utilizá-los na hora certa. Tanto um como o outro em demasia leva a frustração.

POR ESSES DIAS...

Navegando no youtube, vi um rapaz indicar um livro de contos: NOVE ESTORI J. D. Salinger, principalmente o conto 'Um Dia Ideal para os Peixes-Banana'. Tinha lido este livro já alguns anos e quando eu ouvi o titulo do conto, comecei a recordar do momento em que eu estava passando quando o li pela primeira vez.

Curioso, que muitos filmes e livros me remetem ao meu passado e o que eu estava fazendo. Neste conto, encontrava-me uma oficina de contos a Estação das Letras. Encontrei pessoas tão interessantes lá. Reunimos uma vez por semana, discutíamos alguns contos selecionados pelo professor ou o grupo e compartilhávamos nossos escritos. Cresci muito com as críticas e aprendi a ouvir. Antes, achava que criticar era a mesma coisa que ofensa; depois da oficina, percebi que a critica é uma forma de aprendizagem e fundamental para se transformar numa pessoa melhor.

Também, estava numa fase à deriva. Tinha terminado a faculdade e um vazio profundo se abateu em mim. Não sabia o que queria fazer e andava pela cidade buscando algo que não sabia direito. Lembro que quando a barca cruzava a Baía de Guanabara, ficava a observar a beleza da paisagem a fim de fugir um pouco ora dos meus pensamentos revoltos ora da apatia, que sempre vinha bater à minha porta.

Quando discutimos sobre 'Um Dia Ideal para os Peixes-Banana', teve uma senhora muito bacana que analisou o conto nos mínimos detalhes e que ajudou na leitura do texto. Realmente, sinto saudade dessa época. Um dia, quem sabe, voltarei a fazer oficinas literárias. Não com a pretensão ingênua de achar que as fazendo me transformarei em escritor, mas sim pelo prazer da troca e aprender cada vez mais sobre literatura. Quero ler outra vez o livro, pois, com toda a certeza, terei outras interpretações. Reler um texto é descobrir outras camadas de uma história...

Gostei de recordar, mostra que tenho um passado. Não sou vazio, como algumas pessoas pensam...

Link do conto:

http://www.scribd.com/doc/35921963/J-D-Salinger-Um-Dia-Ideal-Para-Os-Peixes-banana