sábado, 9 de outubro de 2010

ENSAIO

Bem, este texto são só apontamentos. Não sei se eles estão corretos, mas queria exercitar a minha argumentação. Ontem, em uma conversa, aprendi o que era Puer Aeternus(- puer = criança/aeternus = eterno): “Jung via o puer aeternus como referindo-se ao arquétipo da criança e especulava que sua fascinação recorrente origina-se da projeção, pelo homem, de sua incapacidade de se renovar. A capacidade de correr o risco de um desligamento das origens, de estar em evolução perpétua, de se redimir pela inocência, de visualizar novos começos são atributos desse salvador emergente.” http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/pueraete.htm


Logo comecei a pensar neste conceito e como se pode fazer uma analogia do mesmo com a nossa sociedade, diferente de outras culturas arcaicas, em que o passado era respeitado. Observo que muitas pessoas querem sempre começar de novo e desconsideram o passado. Divórcios aumentam a cada dia e as relações casuais crescem na mesma proporção. Estes fatos ocorrem devido à busca exacerbada da juventude e do bem estar já que não ter lembranças significa não sofrer. Já pensou como seria não recordar de coisas ruins e sempre ficar bem disposto?

O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças(2004) ilustra muito bem como a nossa sociedade e os indivíduos não sabem lidar com perdas ou experiências desagradáveis, desejam esquecer e ser sempre joviais, tendo o brilho eterno de uma criança. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) eram um casal que estavam juntos há anos. Clementine, desiludida com o fracasso da relação, resolve esquecer Joel para sempre. Aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Depois de ficar sabendo da atitude da namorada, Joel entra em depressão, pois ainda a amava. Decidido a esquecer, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória nos quais ela ainda não participara.

Observo que há uma fixação pelo novo e pela juventude. Desconsideramos a tradição, o passado e a sabedoria dos mais velhos. Portanto, O Puer Aeternus se contrapõe com o Senex: “Forma latina para “homem velho”, porém não deve ser confundido com o “velho sábio” . Usado na psicologia analítica para se referir a uma personificação de certos aspectos psicológicos normalmente atribuídos à pessoa de idade, embora mesmo bebês possam apresentar aspectos de senex – equilíbrio, generosidade para com os outros, sabedoria, previdência.”
http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/pueraete.htm


A patologia do puer se caracteriza por atitudes excessivamente ousadas, superotimistas, dadas a voos da imaginação e idealismo, sendo excessivamente espiritualizada. A patologia do senex pode ser caracterizada como excessivamente conservadora, autoritária, super-racionalista. Portanto, o interessante é buscar equilíbrio do nosso lado Puer Aeternus e do SENEX, sabendo utilizá-los na hora certa. Tanto um como o outro em demasia leva a frustração.