terça-feira, 26 de outubro de 2010

OBSESSÃO


Por esses dias, assisti um episódio de uma série mexicana Mulheres assassinas. Fiquei curioso e comecei a pesquisar na internet. Descobri que a versão original da série era argentina. Vasculhei no youtube e assisti Eliana, a cunhada que conta a história de um desejo obsessivo entre a irmã de um homem e sua cunhada que se arrasta desde a juventude.

De repente, comecei a pensar sobre a obsessão que Joana sentia por sua amiga e cunhada e o temor que Eliana tinha dela e como o fato está relacionado com a projeção do amor ideal. Não é novidade que projetamos nos outros qualidades nossas, mas, quando existe a obsessão, esta projeção torna-se doentia.

O compulsivo amoroso não está de fato apaixonado pelo outro, mas pelo significado que ele próprio vê neste outro. Constrói-se uma imagem perfeita, exagerada, deste outro amado, onde desprezam-se traços reais e negativos da pessoa amada. O amor é alimentado pela fantasia, em que o obsessivo passa a acreditar que "sem o outro é impossível viver", "sem o outro nada mais tem sentido". Trata-se então de ideias fixas, que torturam a mente e dominam o amante de forma atroz.

Como disse uma amiga, quando conversamos sobre obsessão: “Eu acho que obsessividade tem relação direta com impotência. Quando a pessoa percebe que não tem controle sobre o outro, teme a perda e começa o processo compulsivo. Quando o crime chega a ocorrer, muitas vezes a pessoa tenta terminar este sentimento de impotência eliminando o objeto de seu desejo, como se assim eliminasse a compulsão ou provasse a si mesmo e ao mundo que foi maior, que teve a última palavra ou decisão.”.

Na história do episódio Eliana (a cunhada) acontece este processo. A irmã do marido queria ter o poder sobre ela e fazia jogos de sedução. Eliana ficava confusa e não queria se entregar aos seus impulsos. No fim, mata o objeto do seu tormento.
Mas, a minha amiga descorda da minha interpretação: “Eliana é uma mulher frágil, asmática, e insegura. Joana é ardilosa, autoconfiante e tem segurança do que deseja. Não creio que seja apenas compulsiva, mas Eliana é dividida, um tipo esquizóide que não suporta bem estar dominada pelo instinto - é caracterizada como uma intelectual. Creio que colocam muito bem sua dificuldade em trair o marido.”. Por este prisma, pode-se ter a leitura de como a repressão dos impulsos nos leva a ter atitudes neuróticas ou obsessivas.

Durante a reflexão, me lembrei de um filme que assisti há muito tempo. Mesmo que as histórias sejam diferentes, a obsessão é um tema comum entre estas duas narrativas. O filme AMOR SEM FIM ilustra muito bem esta afinidade: Jovem casal se apaixona perdidamente, entretanto David Axelrod (Martin Hewitt) tem 17 anos e Jade 15 (Brooke Shields) e só querem viver este amor. O romance não é aceito por Hugh (Don Murray), o pai de Jade. Um dia o conflito a situação deflagra e Hugh diz para Jade que ela não poderá receber o namorado. Então David, de maneira obsessiva, cria um plano para ficar nas boas graças da família dela, mas os resultados não dão certo e distanciam ainda mais o jovem casal. David acreditava que Jade era sua.

Todo ser humano projeta no outro suas expectativas. Todavia, quando se projeta de uma maneira distorcida, pode tornar-se provoca a obsessividade. Na vida real, quantos crimes passionais ocorrem devido ao ciúme e despeito, independente de cultura, posição social e orientação sexual.