sábado, 9 de outubro de 2010

CRÔNICA ANTIGA

PEDRO ALMODÓVAR

Anos atrás quando vi um filme de Almodóvar, considerei tudo muito tosco. Estava no cinema da faculdade e lembro que os alunos intelectuais olhavam-me com desprezo. Realmente, em muitos aspectos sou ignorante e ainda tenho muita coisa para aprender.

Com o tempo, percebi que o cineasta espanhol trabalha com várias referências artísticas e principalmente faz uma metalinguagem com o cinema e a televisão. Quero deixar claro, que não sou especialista em cinema e na filmografia de Almodóvar. Assisti alguns filmes que trabalham com esta metalinguagem.

Por exemplo, FALA COM ELA( 2002) há uma cena em que uma personagem( a toureira) é abandonada pelo namorado e ao dar entrevista num programa de televisão, se irrita com a apresentadora que faz perguntas sobre o relacionamento amoroso. Ela sai enfurecida, enquanto a apresentadora a agarra pelo braço e cai quando a outra dá um puxão forte. Não tem como fazer uma relação com alguns programas de televisão, que exploram o sensacionalismo e o mundo das celebridades. Também há no filme uma referência ao cinema mudo, logo o diretor insere uma pequena película dentro do filme, que narra a história de um cientista que faz uma experiência mal feita e começa a diminuir até desaparecer dentro do corpo da amada. Esta pequena história tem tudo a ver com o enredo Fale com ela, que conta a história do zelo e admiração de dois homens pelas suas amadas.

Outro dia, estava a ver um telejornal, aí, passou a notícia de que uma jovem foi encontrada soterrada e amarrada em um esgoto. O caso já era denso, mas o apresentador queria saber se, além disso, ela foi violentada. Parecia que necessitava deste detalhe a fim da notícia ficar mais redonda aos telespectadores. Logo, fiz uma relação com kika(1993) do mesmo cineasta, em que há uma personagem que aparece com roupas exóticas e apresenta um programa exclusivamente de tragédias. Ela corre atrás dos criminosos e faz como alguns reportes da vida real; transformam a desgraça alheia em showbiz.

As análises e a crítica de Almodóvar são ao mesmo tempo líricas, pastiches e paródias. Levei algum tempo para perceber a riqueza artística deste cineasta. Ah!! Antes que me esqueça:

Desculpa! Colegas intelectuais do tempo de faculdade.