quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

PERIGO



Chove forte, raios cortam o céu e em seguida os trovões. Quero voltar para casa, sei que não é seguro caminhar, mas, a ducha que vem do céu é refrescante. Sei que o perigo me ronda, o Brasil é o país dos raios. Só que o perigo potencializa ainda mais o prazer de caminhar na tempestade de verão. Chego bem na minha casa, a noite está tranquila. Todavia, continuo a pensar na perigosa travessura que cometi. Sempre há momentos que transbordo, agora, estou leve.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

VIDAS CRUZADAS E INVENÇÃO DE HUGO CABRÉ




Os filmes são muito diferentes aparentemente, mas percebi alguns pontos em comum. 

Em Vidas Cruzadas aborda sobre o racismo nos Estados Unidos e como as empregadas negras viviam completamente à margem da sociedade e uma jornalista, através de sua matéria, ouviu as histórias dela e os depoimentos viram um livro. 

Enquanto Invenção de Hugo Cabré um órfão perdido tenta consertar um robô mecânico( autômato) para ouvir a última mensagem do pai. 

Mesmo que sejam gêneros bem distintos, o primeiro é realista e o segundo, fantasioso, mostram que não podemos matar nossos sonhos. Precisamos persistir a fim de não ficarmos resignados às adversidades da vida. Tudo bem que ela pode ser madrasta, mas precisamos lutar e os sonhos nos ajudam a suportar os percalços. 

Os personagens dos dois filmes são heróis, entretanto, não possuem poderes. São extraordinários porque superaram suas limitações. Gritam para uma sociedade que não o ouvem e nem escutam. 
São histórias que nos elevam.  Pode ser que esteja forçando a barra, mas, gosto de imaginar que coisas diferentes podem ter algo em comum. 

Encontrei isso nos dois filmes. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UM ESPAÇO QUE PROJETA A SOMBRA




Estou à espera, então, tiro foto da minha sombra. Pode ser bobeira, mas é uma prova concreta que estou vivo. O sol bate no meu corpo e sou um espaço que projeta a sombra. Vibro e grito por dentro:

ESTOU VIVO 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

outros olhares




Acho bacana que os assuntos acadêmicos sejam divulgados para todos. A democratização do conhecimento é a ferramenta eficaz para construir um mundo melhor.








sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MICOS ENGRAÇADOS DE UM VLOGUEIRO E BLOGUEIRO DESCONHECIDO




Quando posta algo no facebook e fica esperando, ansiosamente, as curtidas.

Ainda acredita que uma editora famosa descobrirá seus contos no blog e que o ajudará a publicar seu livro.

Tem esperança de entrar para um reality show.

Esperar elogios do tipo: “ Como você escreve bem...”, “ Como você é inteligente” ou  “ É um ator nato!!!”

Adicionar pessoas famosas e, depois, “ convidar sem compromisso” para verem sua  “ produção artística”.

Encher o saco dos amigos, enviando mensagens sobre a última ideia que teve.

Querer ser parceiro do youtube, mesmo tendo  traço audiência.

Mesmo fazendo o maior barulho, continua mergulhado no ostracismo.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

NASCIMENTO DE UMA ESTRELA(conto escrito em 2006 ou 2007 )



Uma massa compacta caiu sobre o corpo frágil da menina. Ela sentiu uma dor que nunca imaginara sentir. O pior era que tentava respirar, mas o peso do caos sobre si não deixava. Ela gritou pela mãe em pensamento, já que não conseguia mexer nenhuma parte do corpo. Tudo em sua volta começou a escurecer. A angústia e a dor foram se esvaindo aos poucos. Escuridão total. De repente uma luz surgiu. O grupo que a menina era fã apareceu. Chamaram-na para dançar e cantar num palco todo branco. Ela sentiu um prazer imensurável. Desejou eternizar esse momento.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

NOTÍCIA PROFUNDA





Fiz o vídeo sobre a notícia “Humorista que diz ser hétero sai com homem e vídeo de sexo é gravado sem ele saber”. Mas, quero fazer uma crônica.
Não quero argumentar a notícia, mas como ela tem destaque nos meios de comunicação? Será que é tão importante saber se uma celebridade transou ou não? Que morbidez. Parece que vivemos em vitrines, onde nada se guarda.

A notícia parece ser bem duvidosa, mas, se for, produzir notícias é tudo que a ética jornalística reprova. Isso é liberdade de expressão? O que é liberdade de expressão, então? Cada vez sei menos...

Agora, não é só no Brasil que acontece isso, esse jornalismo sensacionalista está em toda parte, revelando o pior do ser humano. 

Será que vale tudo para ganhar dinheiro? A falta de ética é a herança que vamos deixar para as gerações futuras? 

Só sei que acho tudo um absurdo sem sentido.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

TEMPESTEIO




PERGUNTAS




Qual é o limite para competir e não pisar nas pessoas? Qual é o limite para ser um líder e não um déspota? Qual é o limite de não ficar doente pelo stress e não ser acomodado? Qual é o limite da ambição? Qual é o limite da moralidade e de não ser o banana da vez? 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Filósofo da rua - Eduardo Marinho






Admiro pessoas que rompem com tudo e vão viver sua vida. Mas, sou diferente. Gosto de conforto e de não viver na dificuldade. Confesso! 


Talvez, eu seja um pequeno burguês, que mora num castelo de areia. Porém, prefiro aceitar minhas imperfeições e a viver o cotidiano, que muitas vezes é muito chato.



 Detalhe... Não sei trocar pneu e nem conserto vazamento.  

 Minha vida é um texto cheio de rasuras. Não há glórias. Vivo tropeçando e levantando...

Acho que nasci, não para fazer a diferença, mas, fazer a travessia e me encontrar.

MORTE EM VENEZA




Ao terminar de ler Morte em Veneza( 1912), reafirmou ainda mais a ideia: “ Tamanho não é documento”.  A história tem poucas páginas, mas mostra um universo.  Abaixei a novela pela internet e veio acompanhado pela outra novela, que até comentei anteriormente, Tonio Kröger (1903). As duas novelas, a meu ver, se comunicam em alguns pontos como as questões sobre a arte.

O interessante de ler essas duas novelas é que em Tonio Kröger mostra o crescimento pessoal e artístico do protagonista, já em Morte em Veneza evidencia a decadência do velho artista e suas angústias em relação ao tempo. 

Gustave Aschenbach, acadêmico alemão em conflito com a vida austera de artista disciplinado, decide passar as férias de verão em Veneza. Lá, apaixona-se por um adolescente, Tadzio, por ser a representação perfeita da beleza e da inocência.  A paixão é preenchida por imagens da mitologia grega, conturbando a racionalidade de Aschenbach. Tadzio representa a beleza que ele caçara na arte. Porém, o rapaz não tinha uma beleza máscula, mas sim delicada e frágil. 

Ao mesmo tempo em que acontece essa paixão avassaladora, a cidade de Veneza sofre uma epidemia. A ideia da doença, o calor e a atração pelo rapaz, faz com que o artista entre num delírio doentio. Sente-se inferior à Tadzio, que através de seus olhos era uma obra de arte que nunca conseguiu produzir.

As passagens da narrativa chegam a ser belas e ao mesmo tempo densas. Principalmente, quando chega ao ápice, quando Gustave Aschenbach sucumbe na praia, olhando seu amado. 

Agora, ao pensar bastante Tadzio é um personagem enigmático, realmente só temos a imagem dele pelo olhar do artista. Mas quem é o menino realmente? Será que ele percebeu algo? É uma figura tão misteriosa como Capitu, que só sabemos pela versão de Bentinho. 

Bem... Termino por aqui, estou saindo do foco. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013






Ao ler o poema “Primeira foto de Hitler”( Wislawa Szymborska) , comecei a pensar no indivíduo Adolf Hitler.  A maioria concorda que suas ideias eram terríveis, mas, como ele conseguiu ao topo do governo alemão? 

Lógico que havia poderosos que o transformou num emblema, melhor, um produto de propaganda que o povo alemão em tempos difíceis consumiu. 
Não quero aliviar Hitler, óbvio que teve sua culpa, porém, levou a culpa de todos, que o apoiaram e patrocinaram, nas costas. 

Então  caçar um inimigo e tornar tudo um maniqueísmo simplista, não proporcionará a reflexão necessária. O nazismo aconteceu não por causa de Hitler e sim pela intolerância, cobiça e miséria de uma sociedade. 

Pode-se observar essa busca aos culpados, tornando o caso não social, mas de polícia.  Por exemplo, a tragédia que aconteceu em Santa Mara, mais de duzentos jovens mortos numa boate.  O cantor que incendiou sem querer o estabelecimento e o dono da boate, que não investiu numa infraestrutura correta para segurança, precisam ser processados e responsabilizados.  

Todavia, não se pode esquecer que nunca houve um projeto de urbanização decente e fiscalização no país.  Quantas construções irregulares espalhadas no Brasil e autoridades fazem vista grossa? 

O país a cada ano aumenta a população e a infraestrutura não acompanha. Logo, a probabilidade de tragédia ( como aconteceu em Santa Maria) será maior. 

Não adianta somente caçar culpados. Precisa discutir um projeto de urbanização que comporte melhor as pessoas e uma fiscalização rígida, para evitar essas tragédias que podem ser muito bem evitadas. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Primeira foto de Hitler


E quem é essa gracinha de tip-top?
É o Adolfinho, filho do casal Hitler!
Será que vai se tornar um doutor em direito?
Ou um tenor da ópera de Viena?
De quem é essa mãozinha, essa orelhinha, esse olhinho, esse narizinho?
De quem essa barriguinha cheia de leite, ainda não sabemos:
de um tipógrafo, padre, médico, mercador?
Quais caminhos percorrerão estas pernocas, quais?
Irão para o jardinzinho, a escola, o escritório, o casório
com a filha do prefeito?

Anjinho, pimpolho, docinho de coco, raiozinho de sol,
quando chegou ao mundo um ano atrás,
não faltaram sinais na terra nem no céu:
gerânios na janela, um sol primaveril,
a música de um realejo no portão,
votos de bom augúrio envoltos em papel crepom rosa.
Pouco antes do parto, o sonho profético da mãe:
sonhar com uma pomba - sinal de boas novas,
se for pega - vem uma visita muito esperada.
Toc, toc, quem é, é o coraçãozinho do Adolfinho que bate.


Fralda, babador, chupeta, chocalho,
O menino, com a graça de Deus e bate na madeira, é sadio.
parecido com os pais, com um gatinho na cestinha,
com os bebês de todos os outros álbuns de família.
Não, não vai chorar agora,
o fotógrafo atrás do pano preto vai fazer um clique.

Ateliê Klinger, Grabenstrasse Braunau.
E Braunau é uma cidade pequena, mas respeitada,
firmas sólidas, vizinhos honestos,
cheiro de massa de pão e de sabão cinzento.
Não se ouve o ladrar dos cães nem os passos do destino.
Um professor de história afrouxa o colarinho
e boceja sobre os cadernos.

Wislawa Szymborska
(poeta polonesa, laureada em 1996 com o Nobel da Literatura)