segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

MORTE EM VENEZA




Ao terminar de ler Morte em Veneza( 1912), reafirmou ainda mais a ideia: “ Tamanho não é documento”.  A história tem poucas páginas, mas mostra um universo.  Abaixei a novela pela internet e veio acompanhado pela outra novela, que até comentei anteriormente, Tonio Kröger (1903). As duas novelas, a meu ver, se comunicam em alguns pontos como as questões sobre a arte.

O interessante de ler essas duas novelas é que em Tonio Kröger mostra o crescimento pessoal e artístico do protagonista, já em Morte em Veneza evidencia a decadência do velho artista e suas angústias em relação ao tempo. 

Gustave Aschenbach, acadêmico alemão em conflito com a vida austera de artista disciplinado, decide passar as férias de verão em Veneza. Lá, apaixona-se por um adolescente, Tadzio, por ser a representação perfeita da beleza e da inocência.  A paixão é preenchida por imagens da mitologia grega, conturbando a racionalidade de Aschenbach. Tadzio representa a beleza que ele caçara na arte. Porém, o rapaz não tinha uma beleza máscula, mas sim delicada e frágil. 

Ao mesmo tempo em que acontece essa paixão avassaladora, a cidade de Veneza sofre uma epidemia. A ideia da doença, o calor e a atração pelo rapaz, faz com que o artista entre num delírio doentio. Sente-se inferior à Tadzio, que através de seus olhos era uma obra de arte que nunca conseguiu produzir.

As passagens da narrativa chegam a ser belas e ao mesmo tempo densas. Principalmente, quando chega ao ápice, quando Gustave Aschenbach sucumbe na praia, olhando seu amado. 

Agora, ao pensar bastante Tadzio é um personagem enigmático, realmente só temos a imagem dele pelo olhar do artista. Mas quem é o menino realmente? Será que ele percebeu algo? É uma figura tão misteriosa como Capitu, que só sabemos pela versão de Bentinho. 

Bem... Termino por aqui, estou saindo do foco.