domingo, 21 de julho de 2013

Filme KES ( 1970) E o livro Infância de Graciliano Ramos(1945)





Ao assistir o filme e ao acabar de ler o livro, não pude deixar de encontrar pontos em comum como a violência que é cometida nas crianças através dos tempos. 

Em kes conta a história de um menino Billy Casper que sofre violência na escola e em casa. Alheio ao mundo em vive, vaga pela cidade e pelo campo. Um dia, encontra um pequeno falcão e passa o seu tempo cuidando dele, inclusive, como ele estuda o comportamento da ave. Admira como a ave voa no silêncio, ele não quer ser seu dou, mas se admirador ao velo voar na plenitude do silêncio. É um filme doído e belo.

No livro Infância publicada em 1945, “Infância”, de Graciliano Ramos, é um romance que se distingue pelo traço memorialístico (narrativa que fica entre a história e a ficção). Porém, a obra não deve ser entendida como um documento da vida do autor e nem mesmo como um texto puramente autobiográfico. Infância narra às primeiras experiências de um menino, o qual é narrado-protagonista. À medida que o tempo passa, a criança percebe as injustiças cometidas pelos pais e a sociedade em que vive, inclusive, as relações de poder dos coronéis e seus apadrinhados. Quando descobre os livros, surge de forma mágica e prazerosa e que o faz observar mais criticamente o meio onde vivia, tornando-se ainda mais fora do contexto.

Tanto o personagem do filme como o do livro encontraram um caminho diferente para suportarem o mundo. Mas, essencialmente, os caminhos foram semelhantes. A ave fez com que Billy Casper abstraísse do lugar miserável onde morava e voasse também com a ave. Enquanto o menino (do romance Infância) voou através dos livros, dando asas à imaginação.

Espanta-me como os adultos podem ser verdadeiros déspotas e praticar as injustiças, formando um círculo vicioso.  Aí, vêm pergunta: Se dentro de casa há violência é devido à sociedade ou ao contrário? É uma questão a se pensar, a violência faz parte da natureza humana e pode ser  Institucionalizada de acordo com os interesses.

Outo ponto que gostaria de argumentar é que como as duas obras tratam a Educação e como a instituição é falha, pois não formam cidadãos reflexivos e éticos, pelo contrário, subjugam os alunos e estes reproduzem valores do status quo, reproduzindo o mesmo modelo repressor nos filhos e alunos.  

Foi interessante essa coincidência de ler o livro e assistir o filme ao mesmo tempo. Principalmente, quando assisti algumas palestras da Viviane Mosé, que ela discute sobre educação. Concordo com seu discurso, quando argumenta que não adianta acumular  somente conhecimento e reproduzir como gravador. Mas, usar o conhecimento na prática e criando coisas novas.  Para isso, a Educação precisa melhorar e fazer com que os alunos pensem por eles mesmos.

Tenho esperança que essa nova Educação chegue e que o mundo seja mais ético. Não estou querendo o ideal, mas o possível.